No fim do expediente, Laffitte dispensou os policiais para fechar o local de trabalho. E ele fazia questão disso justamente para ficar a sós com Lina, que estava na cela e proibida de receber qualquer visita além dele.

Porém, um dos policiais ficou ali, pois tinha ido ao banheiro e, ao voltar para seu posto, viu que estava tudo fechado. O silêncio lhe parecia até assustador. De repente, ouviu um ruído vindo da cela. Talvez, deveria avisar ao chefe – se estivesse lá – que estava ainda ali. Mas resolveu não fazer nada. Ao menos verificar secretamente se tinha alguém ali. Curioso, entrou na área das celas. Sabia que era proibido até verificar se a única prisioneira estava bem. E os sons vinham justamente de lá. Ele foi se aproximando aos pouquinhos, com o mais zeloso cuidado. Atreveu-se a olhar pelo feixe com grades que havia na dura e pesada porta de ferro. Viu o que mais de insano poderia existir.

Lina estava presa pelos pulsos, suspensa para cima. O xerife costumava coloca-la assim. O policial viu um corpo feminino, tão belo e tão abatido. Machucado. Marcado. E o seu patrão com uma espada fina. Na verdade, era a bengala dele, porém esta escondia uma espada em seu interior. O policial observava aquilo com os olhos arregalados. Já tinha ouvido falar que ele era rigoroso com presidiários. E até com uma jovem mulher? Ele sacudiu a cabeça para ver se não estava tendo miragem. Não, não era miragem.

Laffitte estava apenas batendo nela com a lâmina da espada, sequer chegava a cortar-lhe a pele direito. Naquela terceira vez em que a mantinha como seu brinquedo sexual, Laffitte estava até mais brando. Talvez porque ela estava machucada, algumas feridas e cortes nem haviam cicatrizado direito. Mas nada lhe tirava o apetite do seu sadismo erótico.

– Imagina, Lina... – o homem de cabelos lisos e negros começou a falar em tom baixo e levemente sedutor – se você ainda estivesse comigo lá em casa, obediente e submissa a mim. Não estaria recebendo tanta punição.

– ...nada mais me importa. – disse ela, aparentemente fraca.

Laffitte foi até Lina e a beijou com certa força nos lábios. Ela quase se sentia engolida com aquela boca bem maior.

– Mas eu ainda te dou um pouco de prazer... deveria se lembrar disso.

Lina olhou firmemente para ele. Ambos se encararam. O policial ainda estava espiando aquilo incrédulo. Depois de alguns segundos se encarando, o xerife cortou aquele clima lhe dando uma surra de espada nas nádegas. Lina resolveu conter o grito. Laffitte observou isso e deu outra mais forte. Estava adorando vê-la resistir as dores.

– Está se acostumando... posso presumir que está aprendendo a gozar com tudo isso, não é?

E outra espadada, agora nas pernas. Em seguida, jogou a espada no chão e pegou uma arma. Lina olhou espantada para a arma. Resolveu manter a frieza, mas seus olhos não poderiam esconder o medo. Ele aproximou-se dela, ajeitando-a em um dos braços e segurando-a pelas nádegas. A outra mão empunhou a pistola no pescoço dela. Ele começou a chupar o outro lado do pescoço com tanta vontade, quase encravando os dentes, enquanto mexia no gatilho propositalmente, como se fosse atirar. Lina fechou os olhos. Sempre que fechava os olhos, vinha o cheiro misto de sexo e sangue. Aquilo agradava e incomodava ao mesmo tempo.

Ela estava enlouquecendo já. Ele abria bem a boca e enfiava toda a sua língua agora dentro e sua boca. Beijava de forma tão erótica e agressiva ao mesmo tempo – sem largar a arma do jeito que estava posicionada. O xerife se roçava nele discretamente, fazendo-a se esfregara nele com bastante força, fazendo movimentos pra cima e para baixo, tanto que não durou muito tempo para ambos se excitarem sexualmente. Respiravam muito ofegante, ele a beijava tão ardentemente, assim como ela fazia com ele também.

O policial que espiava tudo estava confuso. Mas aos poucos se excitava. Aos poucos, aquilo o deixava cheio de excitação, sentia seu membro pulsar dentro de suas calças. "Devo me controlar...", ele pensava, enquanto estava vidrado vendo tudo aquilo.

O xerife deu dois tiros nas respectivas cordas que a sustentava para cima pelos pulsos, fazendo-a gritar com o susto e cair no braço dele, que a sustentou no colo até coloca-la em um pano que estava esticado no chão. E começou a devorar a jovem como se fosse um banquete maravilhoso. Ele chupava os peitos médios e durinhos, enquanto a masturbava apenas com o dedo médio. Lina achava que gozaria logo desse jeito, e ela estava realmente muito excitada com aquilo. Com os golpes ela não se animava, mas com as carícias eróticas dele sim – porém não queria lhe dar a satisfação que a fazia gozar. Depois de alguns minutos, ele a colocou sentada em cima do enorme membro dele, fazendo-a gritar de dor e, ao mesmo tempo, prazer. Mesmo dolorida, Lina ainda conseguia gozar com aquilo e, num piscar de olhos, gozou com ele saciando seu desejo carnal dentro dela.

O policial atrás da porta não resistiu, colocando o seu membro para fora e aliviando-se ali mesmo, com cuidado para não gozar fora das calças – não queria deixar nenhum vestígio de presença por trás da porta daquela cena. Apreciou loucamente aquele corpo todo machucado entregando-se com gemidos roucos e baixos, que davam para ouvir de onde estava.

– Assim que eu gosto... vê-la sofrer... e gozar... – Laffitte falava ofegante, com Lina jogada em cima do tronco dele, exausta. – descansa um pouco... talvez amanhã te traga uma comida melhor... – e curvou-se para poder vê-la melhor – ainda tenho um zelo por você... embora não mereça...

Lina nada respondeu. Depois de se satisfazer secretamente, o policial se retirou dali, colocando-se na cela vazia que era vizinha daquela, com todo o cuidado para não fazer ruído algum. Depois de alguns minutos, Laffitte saiu da cela, deixando-a jogada no chão como sempre. Mesmo tendo se excitado com aquela cena, o policial que estava escondido na outra cela vizinha sentiu pena da jovem prisioneira. Ela ainda estava machucada, havia muito abuso físico por parte de uma autoridade. E com uma criatura tão frágil. Ele se lembrou da vez que a conheceu. Aquela menina que era apenas a filha do corrupto que queria controlar aquela cidade. Deveria estar sofrendo isso secretamente por meses. Ficou ali até de manhã. Cuidadosamente, esperou sair dali quando os outros já estivessem no local de trabalho.

Ao passar pelo corredor, deu de cara com o xerife da cidade e engoliu seco.

– Olá, meu caro. Não vi você entrar hoje pela secretaria.

– Mas... eu entrei, chefe.

– É mesmo? – ele olhou bem os olhos do outro, que estava desconfiado diante dele.

– Estou... verificando os corredores e vigiando como me pediu ontem.

– Ótimo... e não permita que ninguém se aproxime daquela cela, hein?!

– Sim, senhor!

E ele saiu correndo. Laffitte olhou o policial sair correndo, achando graça daquela insegurança dele. Qualquer coisa que desconfiasse, ele trataria de interroga-lo e descobrir de onde vinha essa insegurança diante dele.

...

As horas se passaram. De tarde, enquanto Laffitte estava em seu gabinete verificando uns documentos aleatórios, dois oficiais da Marinha e o antigo Xerife Superior que era chefe dele apareceram.

– Ora... a que devo a honra? – Laffitte recebeu os três com todos os requintes da boa educação, pedindo-os para se sentar indicando as cadeiras em frente a sua mesa.

– Queremos fazer uma vistoria nas celas. – disse um dos oficiais da Marinha.

Laffitte tentou disfarçar a surpresa.

– ...vistoria?

– Exatamente. Recebemos uma denúncia e precisamos confirmar se ela é verdade. Por mais que você seja um homem que trabalha com a Lei... é preciso que nós façamos nossa parte. Você sabe bem, meu velho amigo! – disse o ex-Xerife Superior.

– ...mas antes... digam-me qual é a denúncia?

– Você tem encarcerada aquela mulher que era filha daquele homem?

– Tenho. Voltou a ficar presa porque fugiu e tramou contra a autoridade. E está presa.

– Queremos vê-la. – voltou a falar o oficial da Marinha.

– Mas... ela não...

– Vamos, não precisamos pedir autorização a ele! – disse o outro oficial da Marinha.

Os dois invadiram a área das celas e deram de cara com o policial que tinha feito a denúncia às escondidas.

– Por favor... não falem que fui eu. – implorou o policial.

– Saia da frente, rapaz. Sabemos o que vamos fazer! – e os oficiais da Marinha arrombaram a cela. Uma cena deplorável. Um cheiro de sangue e de sexo. Lina dormia profundamente, nua, machucada e enfraquecida no chão frio da cela.

– Céus! – exclamo o ex-chefe de Laffitte.

– Ela será levada ao hospital e, depois, será presa na base da Marinha. Isso é monstruosidade. – disse um dos oficiais.

– Foi igual aos dois que ficaram presos aqui... e até pior! – disse o outro.

– E com uma mulher... – comentou o policial.

– Prendam aquele xerife! – exclamou o ex-chefe.

Laffitte viu-se sem saída. Lembrou logo daquele policial desconfiado que encontrou no corredor que dava acesso as celas de manhã. Rapidamente, hipnotizou os outros policiais para atacarem os oficiais e o ex-chefe, enquanto fugia dali. Experiente e conhecedor daquele lugar, ele conseguiu desaparecer e colocar a cidade de cabeça virada.

Lina foi cuidadosamente vestida e levada pela Marinha, onde antes a colocariam no hospital deles. Ainda estava vida, porém seu corpo estava muito machucado. Fizeram exames nela, e por dentro – principalmente nos órgãos genitais – estavam afetados gravemente.

Laffitte acabou saindo da cidade onde esteve por anos. Tornou-se um foragido procurado. Um criminoso sádico. Aquele que era admirado se tornou odiado. O caso de Lina se tornou uma história que fazia muitos virem às lágrimas, arrependidos. Muitos entenderam o porquê da fuga dela.

"Procura-se um perigoso criminoso, antes xerife de uma cidade pacata em West Blue, que precisa pagar por crimes sádicos contra prisioneiros. Um deles era uma jovem inocente."

Apareceram cartazes de recompensas. Laffitte foi um procurado solitário por meses, até que um dia encontrou um temido bando de piratas que ainda se formava e juntou-se a eles. Teve muito mais a ação que queria que na época em que trabalhava para a Lei. E ele viu que não era um homem de lei. Haviam traidores nesse meio – ele considerou traição a denúncia secreta do policial, assim como a prisão autorizada pelo ex-chefe que era tão próximo a ele. Ele tinha certeza que, no meio de pessoas que não estavam no lado dessa lei, jamais seria traído. Afinal, todos tinham o mesmo "ritmo". Todos dançavam nesse mesmo ritmo que ele. Sim... ele sentiria falta dela... mas ela já não lhe correspondia como ele imaginava. Também achou que ela foi uma traidora, fingindo-se passiva e obediente apenas para se livrar dele. Até ela o havia enganado. E a traição doía. Mas resolveu enterrar todo esse passado naquela cidade, sem levar nada consigo em seu coração.

Em seu coração, não levaria o ódio... e somente seus momentos de diversão com aquele corpo... pois Lina era somente um corpo desde que ela fugiu dele. Logo, ele a esqueceria. Como pirata, poderia ter diversas mulheres se ele quisesse se divertir sadicamente ou sexualmente.

Lina permaneceu em coma por meses. Estava desnutrida e debilitada. Aos pouquinhos, ela se recuperava. Depois de um bom tempo, ela recobrou a consciência. E aquilo foi a crise para ela, pois as lembranças confusas, todas perturbadoras, causavam-lhe pânico e terror. Foi preciso muitas vezes sedá-la para acalmar. Gritos e choros a deixavam quase em estado de convulsão na cama, sendo amarrada muitas vezes para não cair.

Um ano se passou rapidamente para Laffitte, que ascendia junto ao pequeno bando do Pirata Barba Negra, enquanto para Lina foi um longo período de conflitos e de perturbação interior. Havia melhorado bem, sequer tinha cicatrizes notáveis dos machucados – com exceção de um corte na virilha. Feito por ele enquanto a torturava com golpes com a espada. A única marca notável que ficaria eternamente. Como ele ficaria marcado na vida dela...

Nesse período, descobriram que Lina nada tinha a ver com os crimes do pai, que havia morrido em Impel Down devido às condições péssimas da prisão. Quando Lina recuperou-se totalmente, pediu para que tivesse alguma utilidade na Marinha. E assim, ela começou a servir a Marinha desde uma insignificante soldada até se promover aos poucos, e era o tempo em que ela se recuperava psicologicamente. Lina passou por diversos tratamentos, todos oferecidos pela Marinha. Ela quis retribuir, servindo para ela, trabalhando para a Justiça e a Lei. Jurou ser uma caçadora implacável de piratas, principalmente quando soube que Laffitte era um pirata criminoso que já havia invadido e destruído cidades com o infame bando do Barba Negra.

Suas mãos ainda tremiam, uma tensão lhe tomava conta ao se lembrar dele. Mas um sentimento tão tímido e tão inconsciente a acalmava por dentro. Ela não havia se esquecido dos momentos em que teve paz com ele. Assim como ele se lembrava somente dos poucos bons momentos com ela, Lina fazia o mesmo. Lembrou-se quando o conheceu, quando a amiga lhe apontou na rua o cavalheiro elegante, o xerife notório da cidade que protegia todos. Do homem que havia despertado o prazer mesmo sob os abusos físicos. Ela queria fugir disso mentalmente, mas poucas vezes conseguia.

Tudo que ela queria era ter completamente ódio desse homem, para vingar-se do que ele fez com o pai e principalmente com ela. Jurou fazê-lo sofrer na prisão, se o prendesse. Lina sobreviveu e superou todos os abusos... agora só faltava se vingar.

Mas... será que essa inconsciente "saudade" dele vai lhe atrapalhar?