– Capitã...
Lina parou de escrever em seu gabinete para atender o soldado que lhe chamava a pedido de Tsuru. Ela parou o que fazia para ir até a sua superior. Uma mulher diferente de oito anos atrás. Implacável, durona e fria. Nesse tempo todo, Lina aprendeu a se amadurecer por dentro depois de tudo que havia passado. Com os cabelos agora longos, presos em um coque, Lina ouvia o que Tsuru pedia. Mais uma tarefa envolvendo caça de piratas.
Ela era exímia marinheira, excelente caçadora de piratas – o que lhe resultou essa alcunha. Sem uma Akuma no Mi, ela se destacava entre os capitães. Causava medo nos homens, visto que ela era fria e até agressiva ao lidar com eles.
Dois anos se passaram desde a Guerra da Marinha onde envolveu a execução de Ace. Foi a única missão onde ela não atuou por estar em outra, senão ela poderia ter reencontrado aquele que estava em sua lista de vingança. Ela não havia esquecido Laffitte. Já havia navegado por mares em busca desse bando, que só aumentava. Curiosamente, nem era o bando que lhe interessava; era Laffitte, o seu único alvo.
Certa vez, Lina estava em um bar, sentada em uma mesa vazia e separada dos colegas. Um homem alto, musculoso, aparentemente bêbado sentou-se à mesma mesa que ela, que apreciava sua cerveja com okakis¹ sossegadamente.
– Está sozinha, marinheira?
– ...estava. Não estou mais.
– E o que faz uma bela mulher como você a sós?
– O desejo de comer sossegadamente. – respondeu seca.
– Huh... – o homem olhou para a cerveja dela – talvez eu pudesse lhe pagar uma rodada... isso se você aceitar.
Lina olhou para o homem pelo canto dos olhos.
– ...tudo bem. Hoje estou de bom humor.
– Eba! Ei, garçom! Vê uma rodada aqui nessa mesa! – e voltou-se para Lina – e quem sabe... se depois... a gente não pode dar uma volta por aí...
– Só aceito a rodada. – respondeu curta e grossa, como sempre.
O homem parou de falar. Concordou em apenas compartilhar a bebida. Uns colegas dela estavam observando discretamente sua mesa.
– Acho que alguém vai apanhar... – comentou um dos seus subordinados.
– Se tentar algo com ela... nós também vamos protege-la! – disse outro.
Tudo ia normalmente até o final da rodada. Definitivamente bêbado, o homem começou a falar-lhe mais perto, o que já estava deixando Lina alerta. Um dos seus subordinados tentou se levantar e ir até Lina, que olhou discretamente e friamente para este, mostrando que ela tinha o controle da situação.
– Ah, gatinha! Vamos... vamos até um clube aqui... precisamos nos divertir, somos jovens!
Lina apontou uma faca grossa e de lâmina afiada em direção a coxa dele, embaixo da mesa. Mesmo bêbado, ele olhou aquilo assustado.
– Já disse que só aceito a rodada. Já paga, nada tenho que fazer aqui, então eu vou embora. E não me obrigue a te prender.
O suficiente para ele se congelar. A palavra "prisão". Lina recolheu a faca e se levantou, batendo levemente no ombro dele e falando com uma falsa camaradagem.
– Agradeço pela rodada. Até mais, amigo!
E ela foi até os seus subordinados.
– É tarde, vamos voltar para o navio.
– Sim, capitã! – os dois bateram continência, obedecendo-a.
...
"Procura-se um perigoso criminoso, antes xerife de uma cidade pacata em West Blue, que precisa pagar por crimes sádicos contra prisioneiros. Um deles era uma jovem inocente.", Lina relia o anúncio que ela havia guardado, em seu quarto. Lembrava-se dele e de tudo que havia passado com ele, os momentos até agradáveis até os insanos. Ela guardou o anúncio na última gaveta do criado-mudo e foi até o banheiro tomar uma ducha rápida.
Viu seu corpo de pele clara, junto com as fraquíssimas cicatrizes em seu corpo. Muitas tinham até sumido. A única visível e marcante foi o corte em sua virilha esquerda. Seus órgãos genitais haviam passado por uma restauração de sucesso, mas ela ainda tinha a sensação viva do pênis enorme daquele homem sendo encravada até o final da vagina. Ela podia sentir o toque dele ali, depois de anos... das agressões dele, dos carinhos estranhos dele... por mais que sentisse dor, ainda sentia um inconsciente prazer ao se lembrar daquele homem em si... daquele corpo tão magro e ao mesmo tempo tão firme. Dos olhos que pareciam hipnotizar.
Ao terminar a ducha pensativa, ela foi dormir e se preparar para um novo dia. A cada dia que passa e seus pensamentos nele nunca se esvaecia...
Mais um dia de trabalho. Nesse mesmo dia, Lina foi promovida e mandada para Impel Down para ser uma das chefas de um dos departamentos lá. A partir de então, ela passou a viver lá em vez da base da Marinha. Ela não ficou muito contente, pois sabia que ali era um lugar sinistro demais e ela não se imaginava trabalhando ali dentro. Mas não podia contestar uma ordem de seus superiores.
Lá, soube que o bando do Barba Negra haviam libertado os mais perigosos piratas do Level 6 – onde estavam presos as piores criaturas – e tomado estes como parte do seu bando. E o próprio Shiryu – que já havia sido chefe daquela prisão junto com Magelan – havia se tornado um deles. Lina temia e, ao mesmo tempo, admirava a evolução daquele bando. Quem sabe se, um dia, seria responsável pela prisão deles... principalmente Laffitte. E fazer tudo o que ele fez com ela...
No início, ficou encarregada de cuidar dos prisioneiros do Level 1. Os tipos eram os piores possíveis. Haviam mulheres também. Ela ficou chocada secretamente ao ver como os prisioneiros eram "esterilizados": jogados em um banho de água escaldante e, logo em seguida, seguindo para as suas celas na base das torturas e agressões.
Enquanto andava pelo corredor, conseguiu ouvir uns ruídos que a fez se levar até de onde vinham estes. Naquela tarde, depois que todos saíram dali e indo para suas salas se acomodarem (visto que ainda era horário de descanso após o almoço), ela já estava quase próxima ao local de onde vinham os ruídos. Era de um casal, provavelmente. Alguém deixou a porta destrancada. Ela mal se colocou atrás da porta, e viu em cima da mesa um soldado e uma prisioneira. O soldado a jogou para abraçar e apalpar toda a mulher de roupas largas de prisioneira. Lina ficou sem reação. Apenas assistia aquilo às escondidas.
– Espera... vamos combinar uma coisa, eu disse o quê? – ela tentava falar sendo devorada pelos amassos do soldado.
– Eu quem dou as cartas aqui... e trata de ficar quietinha! – disse enquanto a devorava de beijos pelo pescoço até os seios.
– ...tudo bem.
– É só uma transa, nada de envolvimento emocional...
Lina se viu em oito anos atrás naquela cena. Um homem da lei que secretamente abusa de seus prisioneiros. De uma prisioneira, especificamente. De repente saiu dali correndo, sem se preocupar com o barulho dos sapatos, o que fez o soldado parar repentinamente o que fazia. Deixou a prisioneira na mesa e foi trancar a porta, voltando para ela. Em sua sala, Lina estava sentada tentando esquecer o que viu. Pegou uns papéis e ficou verificando os turnos e tarefas que tinha ali. Ajudou um pouco a se distrair.
No dia seguinte, ela foi convocada para acompanhar a revista de uns prisioneiros que haviam chegado. Ela e mais duas capitães da Marinha estavam fazendo a mesma tarefa. Entravam na sala cinco homens de diversos tipos. Um deles – o que chamou a atenção de Lina – era um homem alto, pálido e franzino, vestindo apenas cueca. Era aparentemente bem jovem. Os cabelos negros e lisos que iam até a altura do ombro, penteados para trás. E ele era o primeiro da fila dos cinco.
– Vocês se quiserem podem começar a revista-los e interroga-los. – o soldado que os trouxe disse para as três moças.
Lina foi direto a esse rapaz que se destacou em sua vista, levando-o para o quarto ao lado. E as outras fizeram assim com cada um, sobrando dois ali. O homem que controlava os prisioneiros estendeu a espada em direção a eles.
– Vocês esperarão aqui até quando forem para dentro! – advertiu o tal soldado.
Lina levou o homem até a cadeira que tinha na sala e o fez sentar, enquanto ela foi até a mesa e se acomodou sentada em cima da própria.
– Então... vamos as perguntas... tenta responder a verdade, pois temos detectores através dos den den mushis espalhados por aqui! – ela apontou os oito telefones em forma de caramujo pela sala de interrogatório.
– Certo. – respondeu o rapaz calmamente.
O interrogado de Lina era bem similar ao Laffitte até no jeito cínico e calmo de falar. Ou então era ima impressão louca dela – mas não era. E ele respondeu tudo calmamente como se fosse até um inocente. Ele era um pirata novato que mal começou sua jornada de pirata e foi capturado pela Marinha.
– Então... você assume que esteve envolvido nessa missão?
– ...sim. – respondeu ele sincero.
– ...sabe o que te espera, não é?
– Sei sim. Mas não durarei muito aqui, não.
– Tem certeza disso, rapaz?
– Tenho... – exibiu um sorriso de dentes miúdos e bem brancos, em um modo de provocação.
Lina riu discretamente, vendo aquele rapaz. De repente, seu corpo parecia brotar uma misteriosa chama envolvendo aquele interrogado.
– ...levanta. – ela ordenou.
– Já acabou? – ele perguntou calmamente.
– Não... vou inspecioná-lo.
Lina se levantou da mesa e pôs-se diante do tal jovem homem, que era bem mais alto – não igualmente ao Laffitte – e tinha um jeito até tímido, porém firme diante dela.
– Venha comigo. – Lina pediu para ele segui-la, e assim ele fez. Ao chegar à área onde ainda tinha os dois, viu uma das colegas dando uma chave nos braços do que havia escolhido. Desinteressada no motivo que era causa daquilo, foi até o soldado.
– Quero leva-lo a sala de tortura. – disse calmamente. E o outro não fez nenhuma cara de espantado ou algo parecido.
– Sim, claro... mas já há a necessidade disso?
– Sim. E desativa os den den mushis, por favor.
– Desativar os den den mushis transmissores?
– Sim. Quero deixa-lo bem à vontade para confessar o que sabe. – disse com um sorriso torto em seus lábios.
– ...bom, se quer assim... vou lhe mostrar a sala de tortura, siga-me.
O rapaz seguia sério ao lado dela. Tinha ouvido bem o lugar onde ela o levaria, mas nada lhe passava medo ou calafrio. Ao chegar ao local, Lina olhou rapidamente o local nefasto e cheio de peças de torturas enferrujadas, com manchas envelhecidas de sangue. E o cheiro de sangue... que não era forte, mas não era fraco.
– Aqui não tem den den mushis, se quiser verificar... – disse o soldado.
– ...quero. Fica aí com ele enquanto verifico a sala.
Enquanto o soldado segurava o rapaz pelos pulsos, Lina queria verificar a total presença dos den den mushis. Ela era perita em encontrar coisas escondidas, já tinha feito essa tarefa em alguns casos na base da Marinha.
– Ótimo. Devolva-me o rapaz.
E o rapaz franzino é jogado para ela, que o pega tranquilamente pelo pulso. O soldado pediu licença e ela fechou a porta, trancando-o. Lina olhou o homem novamente de cima para baixo. E ele a encarava sem nenhum tipo de provocação, apenas a observava. De repente, ele cortou o silêncio.
– Acredito que... não me trouxe aqui exatamente para me torturar nesses ferros, ou trouxe?
– ...tudo depende de sua obediência. – ela se aproximou dele. De repente, os olhares de cada um brilharam, como se entendessem o que poderia acontecer ali – primeiramente, quero alertá-lo sobre as chances que posso te dar aqui se me obedecer. Talvez nem passe pela piscina de fogo...
– ...mas eu não a temo. Já passei por muitas torturas. Se observar melhor minha pele, poderá notar muitas cicatrizes... – disse o homem, abrindo os braços um pouco, para que ela lhe visse mais próxima a ele.
Ela se aproximou e viu com detalhe as cicatrizes. Aquela sunga cinza...
– Tire essa sunga. Quero revistar tudo.
– ...tudo? – ele perguntou dessa vez de forma provocante. Lina não gostou daquela intimidade dele e olhou zangada, fazendo recolher o sorriso malicioso.
– Tira.
– Tudo bem...
E ele despiu-se, ficando nu diante dela. Tinha um pênis grosso e comprido, o que não parecia ter julgando-o pelo tipo físico. Ele era liso e sem pelos. Também era praticamente assim pelo corpo todo. Em nenhum momento ele se mostrava intimidado, pelo contrário; só não se soltava ali como uma fera excitada porque Lina mantinha o controle rígido da situação.
– Espero que nada fale de nosso interrogatório, ou realmente você irá experimentará nossos equipamentos de tortura.
– Como quiser...
E ela andou por volta dele, vagarosamente. Observava-lhe as veias proeminentes dos braços, pernas e do baixo ventre. Os mamilos de cor marrom claro, poucos músculos desenvolvidos que se destacavam da estrutura esguia. Lina pensava se Laffitte tinha sido assim quando tinha a idade de seu interrogado.
– Vai deitar naquela mesa... de barriga para cima.
– ...isso faz parte do interrogatório?
– Menos perguntas e mais obediência. – Lina foi direta, sem dar vez para ele questionar mais e mais.
Ele foi até a mesa e deitou-se de barriga para cima. Ela rondou a mesa, acariciando com a ponta dos dedos das pernas até a cintura, sem tocar-lhe as partes íntimas, que teve uma leve reação com isso. O fogo crescia dentro dela e a vontade de abusar daquele corpo era maior também. Seus desejos e frustações a levavam para aquela atitude ainda ilegal. Envolvendo os dedos no comprimento do pênis do prisioneiro, ela começou a subir e descer com a mão, lentamente. O outro só piscou os olhos seguidamente por uns segundos, sem entender muito aquilo – já que esperava ser machucado e não... estimulado. Ficou quieto, claro. E ela começou a avançar com a outra mão pelas costelas visíveis dele, contornando-as com os dedos carinhosos. Aquilo acabou fazendo o outro suspirar. De repente, ele mencionou em se levantar para participar melhor daquilo, mas...
– Volta e deita novamente. – ela ordenou calmamente, enquanto fazia aquilo sem deixar de estimular o sexo do outro.
Após um tempo, ela começou a beijar a barriga seca do outro, achando muito gostosa aquela pele fina que cobria músculos até bem feitos. Com bastante tesão, o outro já estava com seu membro fálico duro sem sequer tocá-lo ali. Lina o beijava e começava a levantar a saia discretamente, descendo um pouco a meia-calça e a calcinha de cor bege, para se acariciar bem levemente. Ela foi subindo com a boca, beijando seu pescoço e retornando para o seu peito magro de mamilos visivelmente eriçados. Aquilo realmente era uma tortura para o homem pálido, que estava parado sobre ordens dela e tentando dificilmente segurar as caretas que fazia. E uma sensação de descontrole veio de um jeito que ele não pode evitar gozar ali mesmo esticado na mesa. Lina teve sua atenção chamada pela forma curiosa que o outro ejaculava naquela posição e sem mexer no próprio pênis; parecia uma garrafa de champanhe sendo aberta. Observava se estimulando ainda com os dedos aquele corrimento normal descendo pelo membro do outro, que estava com os olhos fechados e com as bochechas levemente coradas. Era admirável e gostoso ver aquilo, o que ajudou visualmente a outra chegar ao seu orgasmo clitoriano quase debruçada em cima do peito do outro.
Lina estava satisfeita, descansando em cima do peito do outro sem subir nele. Depois de alguns segundos, ela se ergueu, ajeitou suas roupas e lambeu os dedos ainda úmidos.
– Abra os olhos. Sei que está acordado.
O homem abriu e viu aquela mulher que poderia continuar a brincar pelo resto do dia.
– Levanta daí e se vista.
– Ah... já acabou o interrogatório?
– Já. Quando precisar de outros serviços, vou te chamar. E sabe bem que deve manter sigilo disso tudo. Senão... – ela sinalizou levando o indicador ao pescoço e simulando corte.
– Er, claro, claro! Estou aqui para o que quiser! – disse ele, colocando a minúscula sunga em segundos.
Lina saiu da sala com ele algemado e pediu roupas temporárias. Antes da esterilização, não usavam uniformes de prisioneiros.
– Sim, é um pirata confesso. Mas demorou em contar sobre os crimes cometidos. – Lina justificava a Domino, uma dos oficiais de alta patente da Impel Down e supervisora de Lina e das outros capitães da Marinha que estavam ali fazendo o mesmo serviço.
– Você deu a lição nele? – a loira se referia a torturas.
– Não muito... visto que está meio fraco. Dei uma chance para um novo interrogatório e...
– Por isso que ele não falou o que deveria falar...
– Mas vocês não observam as condições dos futuros prisioneiros que chegam?
– Observamos. Mas isso não é nossa importância. Se lá na base da Marinha tem esse cuidado, saiba que aqui não tem. Magelan não suporta nenhum tipo de piedade vindo de nós. – disse a mulher magra e de cabelos longos e ondulados.
– Entendo. – disse Lina, meio cabisbaixa.
Domino deu uns leves tapinhas no ombro de Lina.
– Com o tempo, você se acostuma. – disse a loira, saindo da sala onde Lina estava. A mulher de cabelos de tom roxo escuro sentou-se em uma cadeira, pensativa no que havia feito. De repente, entendeu o quanto era prazeroso ter alguém para se satisfazer sexualmente. Era a primeira vez que havia se aproveitado de um homem sem defesas e prestes a ser preso. Mas ao mesmo tempo... não queria que ele sofresse o mesmo que os outros sofreriam. Por que pensava assim? Ela mesma não chegava a resposta, mas seu inconsciente sabia exatamente o que era: descontar aquela paixão frustrada em um corpo que lembrava o homem por quem ainda era atraída.
¹ - okaki: é um salgadinho de arroz torrado saudável e muito consumido pelos orientais.
