Segundo dia de interrogatório. O mesmo prisioneiro de dia anterior era guiado por Lina até a sala de tortura. O homem já vinha aparentemente assanhado, acreditando que teria daqueles privilégios de ontem, porém Lina foi fria e séria dessa vez, sem se deixar levar por algum tipo de emoção a não ser que fosse a frustração pelo interrogatório de ontem.
– Mas... pensei que seria mais gentil comigo! – ele disse, fugindo dela até um canto da sala.
– Cala essa boca! Senão, eu te mandarei para Magellan! – com o chicote em punho, ela avançou em cima daquele que tentou tocar em seus cabelos de forma íntima.
O prisioneiro saiu do canto e foi até ela, cabisbaixo, temendo a reação de Lina que está séria. Ele a olhou nos olhos e ela desviou para não ter que vir aquela lembrança dos olhos dele. A similaridade que aquele homem tinha com Laffitte chegava a ser irritante. E ela estava de um mau humor daqueles, apenas contendo-se para não ser mais uma guarda abusiva de prisioneiros. Não queria imitar os gestos daquele antigo xerife de sua cidade em West Blue.
Durante seis meses, Lina teve um excelente aprendizado como lidar com mais rigor os prisioneiros. Após voltar para a base da Marinha, sentiu-se totalmente desgastada. A grande busca do ser humano é conseguir um equilíbrio dentro de si, onde se possa balancear o bom e o mal dentro de si. Era o que Lina não conseguia. Após reflexões sobre seu passado com Laffitte, estava cada vez mais longe da sensação de plenitude e amor pela vida. Seus ferimentos emocionais eram profundos, que nem o tempo foi tão capaz de amenizar como parecia. Ela teve ajuda para esconder essas feridas, mas nada foi verdadeiramente curado. Faltava ela curar por dentro, por conta própria – o que nenhum psicólogo havia feito, o que nenhum cirurgião havia reconstituído.
Voltou para a Marinha mais magra e abatida. Como uma capitã, tinha direitos em relação à sua saúde, ficando afastada do serviço temporariamente. Sengoku recomendou que ela viajasse por aí durante alguns meses, para recuperar as energias gastas em um lugar tão "pesado". Foi aí que ela resolveu ir explorar o Novo Mundo. Como se fosse uma pirata. Uma pirata... essa palavra sempre a fazia olhar para o lugar de onde ouvia. Sabia bem que Laffitte era há anos um pirata. Mas agora não era momento dela ficar presa mais uma vez em lembranças incômodas e pensamentos incógnitos que só a atormentavam. Com a permissão dos seus superiores, Lina pode pegar um navio para si – com alguns marinheiros juntos – e partir para explorar alguns lugares no Novo Mundo com toda a segurança para protegê-la.
Uma aventura que poderia ser mais marcante e inesquecível que nunca...
...
Um ataque malsucedido. O bando de Barba Negra falhava no ataque da base dos Revolucionários, tendo cada capitão das frotas recuar. Nunca imaginariam o quão forte e completa era aquela Base Revolucionária. Dragon sequer se encontrava entre a parte do seu bando que reagiu excelentemente. O mínimo que os piratas do Barba Negra conseguiram foi resgatar um de seus capitães – Jesus Burgess.
Por conselho de Laffitte – que se comunicava com os outros pelo den den mushi e observava pelo seu grande mapa – todos recuaram.
– Podemos atacar novamente em outra hora... e Almirante Teach não está conosco. – ele avisou. Assim, tiveram que voltar para o esconderijo deles.
Tiveram que retornar, mas aproveitaram para passar por uma certa ilha. Resolveram explorar aquela ilha. No momento em que entraram naquele território, depararam-se com um mercado clandestino de escravos similar ao que tem em Sabaody. Sendo vendidos como uma mercadoria, homens e mulheres em sua maioria eram leiloados. Reconheceram piratas nos homens que estavam comprando escravos.
Os olhos de Laffitte passeavam pelos escravos presos e expostos em um palanque até que uma das "mercadorias" lhe chamou a atenção. Uma bela e jovem mulher. De longos cabelos castanhos e ondulados, vestindo uma blusa de linho branca, aberta para deixar a mostra parte dos seios fartos, mas não chegava aparecer os mamilos. A mulher tentava desviar o olhar daquela plateia, feita por homens rudes de olhares famintos sobre ela e outras mulheres que se encontravam na mesma situação. Mas aquela de corpo voluptuoso que parecia sob a transparência das roupas foi a que mais chamou a atenção do homem de pele extremamente clara. Os seus punhos haviam sido amarrados com uma corda rudimentar que elevava seus torneados braços até um tronco. Tinha a pele branca com uma tonalidade mais amarelada. Ela aparentava um semblante tranquilo, porém sério, exposta daquele jeito humilhante.
– Bem que poderíamos levar alguns para ajudar nos serviços domésticos. – comentou Burgess, com algumas faixas pelo corpo devido aos ferimentos que possuía.
– Ou para outros serviços, ehehehe... – comentou outro homem, enorme, aparentando chifres e longa cabeleira de cor azul-prateado. E Avalo Pizarro havia reparado na mesma criatura que Laffitte estava observando.
– E para essa aqui, ninguém vai dar mais? – disse o leiloeiro gordo, tirando a bela moça do tronco e levando-a de pulsos amarrados até o centro do palanque. Ele começou a exibi-la para os compradores expondo-lhe os seios – belo par de seios que deixou os homens eufóricos. Ela ficou corada e rangendo os dentes baixinho. Na hora em que o leiloeiro forçou-a a abrir a boca para revelar grandes dentes brancos, ela mordeu com raiva, causando gritaria e gargalhada entre os piratas que participavam ali.
– Vamos levar essa. – disse Shilliew, apático como sempre. Também interessado na escrava leiloada.
– Eu começo os valores. – disse Laffitte, com uma curva sorridente nos lábios.
Ao perceberem a presença dos piratas do Barba Negra ali, os outros ficaram mais quietos, aparentando certo respeito. Dominando os lances, Laffitte conseguiu facilmente a escrava e um outro escravo também, um homem musculoso e grande – porém, menor que eles todos -, de pele marrom-clara e olhos e cabelos negros.
O leiloeiro abriu um grande sorriso e entregou os dois para o bando.
– Eles são todos seus!
...
– Capitã! Avistamos uma ilha.
– Onde?
– Veja! – o marinheiro entregava a luneta para Lina.
– Quer ir até lá? – perguntou a capitã.
– Se a capitã quiser. – disse, batendo continência.
– Tudo bem, vamos até lá!
Pousavam na mesma ilha onde estavam algumas horas antes os piratas do Barba Negra. Também deram de cara com o mercado escravo, mas Lina se horrorizou com aquilo e, mesmo de férias, combateu contra aquele mercado junto aos seus marinheiros. Foi uma luta terrível. Por sorte dela, os piratas não eram tão poderosos a ponto daquela batalha ser julgada desigual. Conseguiu junto com seus homens prender o grupo de piratas que organizavam e participavam do leilão. Fez o relatório a Sengoku.
– Mas eu disse que você deveria descansar esse período! – Sengoku reclamou pelo em den mushi, coçando a cabeça bem grisalha.
– Sim, mas como uma pessoa que trabalha pela Justiça, tive que arriscar.
– Lina... você é uma guerreira incansável, não é?
– ...apenas cumpro com meus deveres. – disse com os lábios curvados em um sorriso discreto – Estamos mandando eles para a base.
– Não, não precisa voltar isso tudo. Vou marcar um ponto e mandarei algumas frotas para trazer os prisioneiros. Pode continuar suas férias.
– ... obrigada.
Ao desligar o telefone em forma de caramujo, Lina foi até a caverna onde eram mantidos tesouros e escravos. Marinheiros estavam cuidando das pessoas – havia até crianças no meio dos escravos. Sacudindo a cabeça, a mulher de cabelos cor de amora foi até uma delas, uma pequena garotinha que chorava com um copo de água dado por algum de seus homens. Olhou-a bem nos olhos. A menininha parava de chorar aos poucos.
– Vai ficar tudo bem, eu prometo. Isso vai ficar só como um pesadelo, apenas. Não uma realidade. Prometo.
E abraçou a menininha que desabou em choro nos braços dela, derrubando o copo d'água.
– Bando de covardes... – comentou Lina, bem baixinho, abraçada na garotinha.
– Capitã, temos uma informação séria.
– Diga.
– Um dos bandos que levaram dois escravos foi o bando do Barba Negra!
Lina saiu do abraço e ficou olhando para o marinheiro que havia lhe comunicado.
– Mas não são eles que recentemente atacaram os Revolucionários? – comentou outro marinheiro.
– Sim, mas não sabemos o que resultou disso ainda...
– ... vamos à caça deles! – declarou Lina.
– Agora?
– O que acha? – perguntou a capitã sarcasticamente.
– Er... tudo bem, tudo bem.
– Vamos recolher os tesouros e as pessoas e coloca-las no barco.
– Mas junto com os piratas no porão?
– Lógico que não, não é? Eles ficarão lá e as pessoas ficaram acima conosco. – respondeu Lina, com as mãos na cintura esguia.
E assim, partiram com tudo que havia naquela ilhota, marcando antes como "território conquistado pela Marinha" – como todos os que serviam para ela faziam. Ao andar pelos tesouros enquanto os verificava, Lina teve sua atenção direcionada para um pequeno baú negro com cadeado e chave dourados. Abrindo, viu uma Akuma no Mi incolor, mas com suas curvas desenhadas em branco.
– Que tipo seria essa? – ela observava a fruta apenas com os olhos.
Curiosa, mandou uma foto dela para Sengoku. Ele era um grande conhecedor das Akumas no Mi em geral.
– Olha... essa me parece uma Toumei Toumei¹ no Mi. O fruto da transparência. Parece ser uma Logia. Entregue-a para mim para que analisemos melhor aqui. Logo, se for autorizado, você pode ser uma usuária dessa fruta.
– ...sério?
– Sim. Você a descobriu e, se não for requisitada pelas autoridades do Governo Mundial, ela poderá ser sua.
Ela ficou curiosa, pois queria sim, ser uma usuária de uma Akuma no Mi. Aquela Fruta do Diabo não parecia ser tão poderosa, mas se soubesse como usá-la direitinho, poderia ser das mais poderosas usuárias. Mas isso ela deixava em segundo plano naquele momento; a prioridade-mor então era caçar aquele bando. Pela recuperação dos escravos e pelo bando. Pelo Laffitte.
...
Os dois escravos estavam em uma parte dos porões. Quietos, olhando um para o outro. Entregues à sorte. De repente, a porta é aberta brutamente. O temível Almirante Teach, o Barba Negra, entrava no porão e olhava as duas peças.
– Não tinha algo mais útil, hein?! Zehahahaha...
– Mas todos eram assim mesmo... e esses são bons para os serviços domésticos. – comentou uma enorme mulher com roupas de pirata e com um porte altivo. Bem maquiada e bem estilosa em suas roupas extravagantes, Catarina Devon tomou a frente do Almirante e colocou os dois de pé – pois ambos estavam sentados no chão.
– Ah, realmente... só se for para isso! – Teach sacudia a cabeça – Acho que devo ensinar ao Shilliew como se deve escolher bem um escravo, zehahaha...
– Também achei que seriam escravos melhores... pelo que ele nos disse – passou seus olhos pelo homem de cima para baixo – até que não são tão ruins, assim. Servem para os trabalhos domésticos...
– Manda esses dois aí para o barco deles, aqui nem servirão para isso! Onde fica essa ilha que eles pegaram esses trapos?
– Eles sabem.
– Vou lá pegar uns para mim... mas eu quem selecionarei os meus!
– Se não for incômodo em pedir, posso ficar com aquele ali, ó! – apontou o dedo de longas unhas de tom carmesim para o homem que vestia apenas umas calças esfarrapadas, exibindo um definido peitoral e abdômen.
– Se quiser... mas leve embora logo esses dois!
Devon levou os dois até o navio de Shilliew e explicou o que Teach havia dito.
– Ah... mal agradecido... se quiser, você pode ficar com o homem.
– E a moça?
– ...pode deixa-la aqui. – soltou uma baforada em sue charuto, levantando seu quepe para olhar a bela escrava de cima para baixo – não dá para desperdiçar peças tão bem definidas...
A moça olhava-o com certa desconfiança. E assim os dois foram separados. Devon levou o belo homem para seu navio para cuidar dele e torna-lo seu exclusivo escravo. Shilliew resolveu cuidar daquela jovem mulher naquele resto do dia. Andou em volta da criatura, com um leve sorriso nos lábios carnudos.
– E então? Vai querer protestar como fez no palanque?
Ela nada respondeu. Agiu como se nem estivesse falando com ela. Irritado com aquilo, o homem que ainda vestia seu uniforme dos tempos de Impel Down pegou-a pelo queixo com certa brutalidade e a fez olhar para ele.
– Gosto que me respondam quando faço alguma pergunta. Odeio mesmo ser ignorado!
Ela o olhava contra sua vontade, mas não demonstrava nenhum tipo de medo. Por dentro, temia o suficiente. Temia o que o destino havia lhe reservado desde que havia sido raptada por outros piratas em seu vilarejo, enquanto estava tomando banho com outras moças no rio. Ela, assim como o outro escravo, estava apenas com os pulsos amarrados para trás. Indo por trás dela, o homem de pele amorenada deu um apertão bem caprichado na bunda da pobre escrava, que fechou os olhos e apertou os lábios, sentindo-se corar. No fundo, queria poder bater nele; mas, além das mãos estarem amarradas, ele não tinha a mínima condição de se defender diante de um enorme homem bruto que nem Shilliew.
– Então o Teach te desprezou, não é? – falava agachado, perto do ouvido da outra, por trás – Ótimo, ficará só para mim. Agora, ele dava leves tapas nas nádegas volumosas dela.
Ela respirou fundo, ainda de olhos fechados. De repente, a porta soa umas batidas. Alguém queria entrar.
– Entra logo. – ele se recompôs, afastando-se dela.
– Ah, você está aí ainda. – disse Laffitte, entrando e fechando a porta em seguida.
– Claro. Estou no meu navio, não? – disse sarcasticamente.
– Hohoho... sempre sarcástico. Mas antes de voltar para o meu barco, quero resolver com você em relação aos nossos escravos.
– Se quiser outras, volta para aquela ilha e pegue uma para si. Essa aqui é minha!
– Negativo, meu companheiro. Eu a focalizei primeiro e a arrebatei primeiramente, também. Já comuniquei com o Almirante Teach e ele concordou que eles servirão para todos os capitães da frota, enquanto ele não trouxer mais escravos...
– Mal agradecido esse Teach. Além de esnobarmos pelo que trouxemos, ainda quer fazer essa divisão ridícula.
– Moderação nas palavras, Shilliew. – Laffitte apontou a begala para ele, em um discreto tom de alerta – se é uma ordem do nosso almirante, não devemos contestar.
– Tsc!
– Vamos tirar na sorte quem fica com ela hoje à noite. – tirou uma moeda do bolso – Coroa.
– Cara.
Ele lançou a moeda e deixou cair no chão. Ambos se ajoelharam para ver o resultado que deu.
– Saco! – resmungou Shilliew, vendo que deu coroa.
– Amanha ela é sua. Aguarde mais um pouquinho. – disse Laffitte, pegando a moeda de volta.
– Não é justo que só um tenha direito a virgindade dela. Só acho.
– Não seja por isso, meu caro...
O homem franzino de capa escura foi até a moça e a colocou facilmente de bruços sobre a mesa e os mapas espalhados. Ela conseguia responder uma sílaba, só sentindo como se todo o sangue se concentrasse no rosto; e realmente as bochechas estavam ardendo de vergonha, principalmente quando ele levantou o vestido sem tirá-lo e descer a calcinha.
– Ué, o que vai fazer? – disse Shilliew, cruzando os braços meio impaciente.
– Não se preocupe. Vamos colocar todos em igualdade. – disse Laffitte, mirando a ponta da bengala em direção à entrada da vagina. A moça estava sem saber o que aprontariam com ela. Estava morrendo de medo, mas nunca demonstraria sua fraqueza ali, achando que só pioraria para ela se gritasse ou reagisse.
Ele introduziu com calma inicialmente a bengala dentro da vagina dela, que se contorceu reclamando das dores. Shilliew começou a sorrir, entendendo o que o homem de cartola queria com aquilo. Depois, introduziu direto a bengala e começou a mover como se estivesse penetrando nela com seu próprio pênis. Ai ela começou a gritar, sentindo uma dor horrível.
– Só... acabe logo com isso... por favor... – ela estava com lágrimas nos olhos, era inevitável.
Laffite fez isso até brotar sangue de dentro daquele orifício, e retirou a bengala sem cuidado algum.
– Acho que também há um outro lugar que você pode "igualar". – comentou o homem bem mais forte, com um sorriso malicioso nos lábios.
Laffitte entendeu direitinho e mirou agora a bengala em direção ao ânus dela. Antes, pressionou a mão na região lombar dela e pressionou para cima, arrebitando bem aquelas nádegas e deixando o orifício visível. E fez o mesmo procedimento, causando dor e gritos da pobre mulher. Shilliew se aproximou e segurou-a pelo pescoço, para parar de ficar se debatendo. O outro observava mais detalhes daquela mulher. Parecia que exalava um cheiro gostoso, adocicado, como de baunilha. Ela possuía um fraco e insistente perfume em si e não era suja e fedida como os outros escravos em geral. O odor de sangue, de sexo e da fragrância dela já deixavam os dois ali excitados. Mas só Laffitte seria o primeiro a estreá-la, apenas desvirginava-a com a bengala para não ser o único a aproveitar dessa proeza com o próprio corpo.
Depois de também feri-la no ânus, retirou a bengala. Ela estava meio trêmula, a testa suava um pouco. Ele pegou um lenço do bolso do macacão que usava para limpar a ponta da bengala.
– Caso resolvido. Agora, se me permitir, levá-la-ei para meu barco. Amanhã, já devolverei imediatamente para ti.
– Assim espero. E procure não danificar muito a peça.
– Certo.
E Laffitte pegou-a pelo braço, guiando até a porta e saindo dali.
