Frustrado. Laffitte não entendeu aquela sua reação. Assim como nas outras vezes em que esteve com aquela escrava. O que realmente acontecia com seu corpo? Com sua mente? Ele se sentava na cama, quase despido, olhando para a bela escrava ao seu lado.

– Parece que é a segunda vez que consegue o que quer... – comentou ele para a jovem.

– Eu?

– Sim...

E de repente, uma raiva por aquilo que sentia lhe tomou a cabeça e ele a empurrou na cama novamente, fazendo-a se deitar e subiu por cima, encarando-a nos trêmulos olhos castanhos.

– Hein, Candy... seja uma boa menina e não me impressiona desse jeito! – disse ele, olhando-a bem nos olhos. Candy – que era o nome que deram para ela – não sabia o que fazer, apenas se permitia ficar quieta. Tinha a sorte de ser a segunda vez que ele parecia "brochar". No fundo, torcia para que Shiryu fosse assim também na próxima noite. Até agora, não havia sido usada sexualmente por nenhum dos que lhe tomavam conta. Na primeira noite em que deveria ficar com o ex-funcionário de Impel Down, ele se sentiu incomodado por uma incrível febre e ela ficou presa no porão – onde sempre ficava na maioria do tempo –; na primeira noite em que ficou no navio de Laffitte, ele teve essa mesma reação. Começou ansioso, faminto, por beijá-la, tirar-lhe a roupa... mas ele havia parado e se sentado na cama. Como se estivesse com alguma tensão.

– Mas eu... não estou fazendo nada. – justificou a bela de voz frágil e suave.

– ...talvez seja por isso.

Ele puxou as mãozinhas dela e as colocou em seu peito, por dentro da camisa aberta. Aquilo já lhe excitava um pouco mais. Candy não se sentia tão bem em tocar um peito tão magro e de pele fria, mas o que ela poderia fazer ali para se livrar disso? Nada. Lina invadia sua mente inconscientemente e, quando via Candy no lugar dela, Laffitte sentia desânimo. Por que aquilo? Ela era como morta, jamais a veria novamente. Ele a considerava assim. Mas depois que havia arrebatado aquela escrava, crente que teria um pouco de diversão para si, Laffitte havia perdido um pouco seu ânimo tipicamente masculino. Inconscientemente, seu corpo não queria aquela escrava, e sim aquela menina frágil e de pele macia que foi vítima de suas perversões. Daquela que achava que seria sua para sempre. Mas por que só agora aquilo lhe acontecia? Falhar na hora de suas intimidades. Será que era algum problema de saúde? Se pudesse hipnotiza-lo para se acalmar e funcionar ali, faria. Porém, não podia fazer consigo o que podia fazer tranquilamente com outras pessoas.

Será que Lina estava realmente morta naquele momento e o espírito lhe perseguia? Ele se deitou ao lado de Candy.

– ...você não se sente bem? – perguntou a escrava, deitada e ao lado dele.

– ...acho que não.

– O que tem? Talvez eu possa ajuda-lo.

Laffitte olhou-a de lado e sorriu, rindo daquela inocência.

– Você... eu realmente achei que pudesse me ajudar...

– Sente-se culpado por ter me forçado a viver tudo isso? – ela se referia as outras coisas que ele fez com ela.

– Hehe... sou disso não, menina... – voltou a olhar para o teto do seu camarote que correspondia ao seu quarto.

– ...e o que eu posso fazer por você?

Laffitte se levantou, ajeitando sua blusa.

– Vou manda-la ao Shiryu.

– Mas... hoje não é a noite dele! – Candy também se levantou, mas ficou sentada na cama. No fundo, ela queria ficar ali mesmo com ele por causa daquela sua condição.

– Vista-se. Não vai viver aqui só de comodidade aqui, não. Tem que fazer suas tarefas! – disse ele, pegando as roupas dela e jogando-as para ela se vestir.

– ...sim, senhor. – abaixando a cabeça, Candy começou a se vestir em seus trapos e foi conduzida até o barco de Shilliew.

Diante do homem que tinha uniformes de Impel Down, Candy mal conseguia olhar para ele. E Shilliew já sorria maliciosamente, olhando bem para as curvas da bela moça.

– Só lhe poupei do seu serviço naquela noite porque não estava bem... mas hoje não estou mal. – ele a puxou sem muita força pelo pulso – Ela anda muito rebelde, Laffitte? – ele perguntou para o homem extremamente magro.

– ...um pouco. O suficiente para me incomodar.

– Heh... eu sei como dar um jeito nessa rapariga. – pegou seu rostinho e a fez mirá-lo.

– Bom, tenha uma boa noite... – girando a bengala, ele saiu do camarote de Shilliew. Candy queria grita por socorro, mas podia? Não.

A porta é fechada. Após a primeira noite perdida, Shilliew pode finalmente ter Candy para si. Ele a agarrou e a jogou em sua cama enorme. Candy estava sem sentido e tremendo em sua cama, ao mesmo tempo em que avaliava adequadamente a situação. Ela era valiosa demais para ser simplesmente eliminada.

Ele passava brutalmente as mãos pelo corpo da outra, arrancando-lhe o vestido meio sujo em rápidos puxões. A jovem dos cabelos castanhos e ondulados fechou os olhos, tentando se acalmar. Daquela vez, não teria escapatória. Tudo o que poderia sentir ali era o cheiro de tabaco impregnado naquele lençol cor de vinho. E não era tão ruim aquilo. O ruim era saber que seria impiedosamente machucada, mais que no dia em que Laffitte a desvirginou com sua bengala. Candy aspirava o leve cheiro de tabaco no pano do lençol, querendo banir os maus pensamentos. Uma mão foi enterrada em seus cabelos, segurando sua cabeça para cima em um ângulo doloroso para enfrentar a pessoa diante de si, com os lábios grandes e carnudos perto dos seus. Nunca homem algum havia lhe feito isso, e cada vez mais não resistia seus medos e frustrações diante da situação em que se encontrava.

– Acho que já lhe prepararam bem, não é? – Shilliew dizia bem perto dos lábios dela – logo, não precisarei ser tão gentil.

Candy ainda estava viva, mas se sentia como morta ali. Em seu rosto aflito, olhos que se recusavam a abrir e a pele suada, com um nó na garganta e respiração profunda. Com o peito exposto, os fartos e duros seios de bico rosado estavam em plena vista. Ele então mudou de ideia e levou os lábios aos seios, beijando-os, cheirando-os, chupando-os. Ela deixou escapar um som enigmático, que não dava para saber se era de tensão ou de prazer. Isso pouco importava para o enorme homem moreno, que tirava a parte de cima de sua roupa. O robusto peito exposto, com algumas velhas cicatrizes que ele tinha tomado tal cuidado para esconder de outros.

– Olha para mim. – ele ordenou calmo. Ela abriu os olhos e viu no primeiro lance que suas vistas puderam captar aquele peitoral. Não reagiu de nenhuma forma diferente, apenas o olhou. E ele foi avançando, mais e mais, ansioso por tomar aquele corpo e satisfazer seus instintos de macho...

...

Ele tinha se trancado em seus aposentos para pensar; ele precisava para planejar, definir um curso de ação para os próximos ataques do Barba Negra. Ele tinha dezenas de bases espalhadas por todo o território do Novo Mundo, e planejava dominar todo aquele território no Novo Mundo.

Ocupava-se em negócios para afugentar Lina dos pensamentos. Laffitte não podia lidar com isso. Sentia seu próprio desempenho como homem cair. Não queria jamais sofrer dessas impotências e debilidades que muitos homens tinham o infortúnio em conviver. E tudo por causa de alguém que ele já julgava não existir mais.

Fitaram-se por segundos. Viu que aquele rostinho oval e de bochechas coradas se sentia insegura diante dele. Curvando os lábios em um sorriso, o homem de cartola viu quem era a tal Lina.

– Então você deve ser a Lina, não é? – ele perguntou, segurando a aba de sua cartola e olhando para a criatura bem menor que ele.

– S-sim... – ela se surpreendeu ao vê-lo falar seu nome.

– Venha comigo. Precisa me acompanhar até o departamento!

Ele agarrou o antebraço fino da garota e a puxou consigo, fazendo-a caminhar arrastada. Ela protestou, porém o seguia forçada.

– Mas por que estou sendo levada? E meu papai? – ela perguntava preocupada.

– Hmmm... aquele homem é seu pai, então. – concluiu Laffitte.

– Hã? Não entendo...

– Entenderá...

– E para onde eu vou?

– Para a Chefatura de Polícia. Afinal, não vai deixar seu pai sozinho, não é? – perguntou o home, com leve tom de cinismo em sua voz.

Lina respirava fundo. Seguiu o resto do seu caminho calada. Soltando o antebraço dela, Laffitte a pôs na carruagem pertencente a polícia e ambos seguiram do mesmo jeito, sem falar nada. Lina obedeceu sem nenhuma necessidade dele impor respeito à base de intimação. Dentro daquela carruagem, Lisa fechou os olhos, procurando se acalmar por dentro. Mas suas mãos tremiam, sentia seu corpo suar levemente. Apenas abriu os olhos ao ver cidadãos tentando controlar o fogo que foi posto por estes mesmos piratas. Laffitte olhava tudo com uma mão no queixo, apreciando aquele trajeto até o departamento. Em poucas e rápidas vezes, movia os olhos para ver como estava a pessoa que viajava quieta e tensa ao lado. Os cabelos em corte tipo channel que cobriam parte do rosto dela não disfarçavam aquela tensão em ela se encontra.

– Espera aqui. – disse ele, quando a carruagem parou e ele ia descer primeiro, para ir até o lado dela e estender a mão para Lisa, que hesitou em ceder aquele cavalheirismo. Ficou olhando aquelas mãos tão pálidas e de tão poucas linhas – Agora, pode vir.

Ela finalmente pôs sua mão na dele, que ajudou a descer do transporte. Sem segurá-la pelo antebraço, ele acompanhou a jovem de cabelos cor de amora até o gabinete do seu ex-chefe.

– Era a única pessoa ligada aquele homem. – comentou o ex-chefe.

– Aquele homem estava envolvido em algumas situações... irregulares. Já o conhecia. Chegou a me chantagear para facilitar seus golpes sujos.

Lina olhou preocupada para o outro homem.

– É mesmo? – disse Laffitte, se lembrando da conversa entre estes mesmos que ouviu em segredo.

– Uhum. Mas vamos interrogá-lo logo. O pirata também. – e aproximou-se mais dele – E teremos que ser bem firmes, se for necessário.

– Sim, é claro. – por dentro, Laffitte adorou aquilo.

– Bem... essa mocinha é quem, mesmo?

– É a filha desse homem.

– Mas ora... será que ela sabe de alguma coisa também?

– Deixa comigo, eu a interrogo. – o homem enorme desse com uma curva sorridente nos lábios.

Laffitte conseguiu sorrir com aquela lembrança. Os primeiros momentos com Lina. Da delicadeza de seu corpo, que conseguiu suportar todos os abusos físicos vindos dele. Cada centímetro daquele corpo de pele bem clara, o cheiro dele... até o cheiro de seu sangue fresco ainda tinha em sua memória.

– Será que agora virou um espírito para me atormentar, Lina? – ele falou sozinho.

Ele se levantou, indo até sua garrafa grande de licor e colocando um pouco na taça. Fitou a cor da bebida. Lembrava bem a cor dos cabelos dela. Cheirou o licor longamente e depois deu um gole. Havia uma pressão na parte de trás da cabeça do homenzarrão, guiando-o até a janela do seu camarote, mesmo sem querer ir até lá. Não que desconhecesse mais o tesão ou prazer e nem estivesse impotente... era seu corpo que recusava outra fêmea, por mais que tivesse desejos até insanos de satisfazer seu sadismo. Ele queria Lina ali. Os oito anos que se passaram começaram a revelar sua força na saudade. Ele passou esses oito anos buscando por novidades, por coisas que ainda não tinha experimentado e que se deleitava. Passou esses anos todos pensando que estava satisfeito com que vivenciou com Lina. Mas não. Dessa vez não.

"Um pirata não deve se apaixonar jamais!"

Uma frase que todo pirata conhecia muito bem. Muitos não sabiam seguir as leis dos mares e desistiam de todas as ambições do mar por sentimentos fúteis. E um homem na experiência dele não faria isso tão facilmente. Não que quisesse fingir algo que não fosse ou mais do que realmente era. Não queria passar a imagem de difícil, de durão – a não ser para se manter como um notório pirata. Mas de uma coisa tinha conhecimento e guardava para si: era um homem comum, com desejos e satisfações de qualquer outro homem de sua faixa, de suas condições. Ele entendia que amava Lina, sim. Que até já havia se arrependido dos exageros que havia feito com ela. Mas como um pirata mesmo, como um homem insano e fora-da-lei, não deveria jamais permitir que tais sentimentos o "corrompessem".

Foi difícil pegar no sono naquela madrugada, sendo consolado apelas pelo seu licor. Acordou com olheiras, sendo questionado pelos seus subordinados de seu navio.

– Estou bem... preocupem-se com seus afazeres. – respondia desanimado.

Ao ser chamado por Teach em seu navio – o maior da frota deles -, ele foi imediatamente ouvir o que o almirante queria.

– Ora, Laffitte... teve uma péssima noite, é?

– Tive... – deu um suspiro longo – mas nada que me abale. O que deseja de mim?

– Vamos buscar novamente aqueles revolucionários idiotas... quero que foque especialmente naquele que dizem que é o outro irmão mais velho do Monkey D. Luffy.

– ...um tal Sabo, não é?

– Esse mesmo! – terminou dando um murro em sua mesa – Zehahahaha... é nostálgico essa perseguição de família! Quero dar mais um presentinho para aquele pirralho.

– Mas... ainda não é recente? Aquela ilha está toda destruída e... não sabemos o local definitivo do paradeiro deles para atacar.

– Não, chega de esperar! Vamos caçá-los novamente!

– Como quiser, Teach.

...

Descansando em seu navio, Lina observava o movimento do seu navio. Estava em um tédio horrível. Dias cansativos em recuperar e ajudar aqueles reféns todos do tráfico de escravos. Uma manhã linda pelos mares do novo Mundo.

De repente, as coisas pareciam que mudariam. Um marinheiro que vigiava o horizonte avistou uma frota vindo em direção a eles.

– Capitã Lina! Venha aqui rapidamente, vejo uma frota avançando. E ela me parece...

– Deixa eu ver!

Com a luneta e na beira do navio, Lina procurou ver na bandeirola o símbolo para identificar quem era aquele bando suspeito. Lina conhecia as Jolly Roger de muitos bandos de piratas, inclusive do bando do Barba Negra. E quando reconheceu... aquele símbolo, suas mão tremeram na luneta.

– Acionem a base menor da Marinha mais perto! – ordenou Lina, distribuindo outras ordens para os marinheiros ficarem alerta e se prepararem para um possível contra-ataque.

Ela queria se manter firme, mas não conseguia. Por dentro, uma tensão grande queria fazê-la largar tudo. Um certo pânico e uma certa curiosidade. Laffitte estaria ali? Ele atacaria com aquela frota seu único navio? Lina suava na testa.

– Capitã... eles parecem que vão passar sobre nós!

– Eles vão atacar!

– Estamos com os ex-prisioneiros aqui...

– Devem estar atrás de nós por causa disso.

– Chega de reclamar, todos! – Lina gritou – Mirem os canhões se vierem atacar. Já comunicaram com a base mais próxima?

– Sim, capitã!

– Então agilizem e façamos nossa parte!

E como previsto, o grupo avançavam mais e já atiravam as bolas de canhões.

– Malditos piratas! Vou caçá-los... pelo menos ele. – disse Lina, para si mesma.