E começa o ataque. Um simples navio da Marinha andando por ali? Barba Negra achou aquilo muito estranho, mas foi informado que ali também estavam os escravos daquele leilão onde pegaram seus dois escravos. Seria interessante mais de uma mão escrava para diversos serviços e, então, decidiu atacar e capturar todo aquele navio, inclusive os marinheiros. Lina se horrorizou com a potência e o ataque daquela frota. Covardemente contra um navio só, mas sabia que até uma frota experiente teria trabalho ali diante dos homens de Barba Negra. Outros membros inferiores de um dos navios da frota invadiram o navio onde ela estava. E vieram outros de um outro navio inimigo. Todos, ex-escravos, marinheiros. Capturados. Diante dos seus olhos.

Ela tentou lutar com o máximo que podia fazer. Mas ela mesma havia sido golpeada por trás da nuca e havia perdido a consciência. E a primeira coisa que pensou antes de desmaiar foi naquela Akuma no Mi que havia prometido entregar ao Sengoku. Ela e os outros marinheiros foram amarrados e levados para o navio de Shiryu. Os escravos foram divididos em grupos e levados para os navios de Catarina Devon – que estava adorando ter aquele escravo para si - e de Avalo Pizarro.

...

Acordando, deparou-se em um lugar que parecia um porão. Ela e mais alguns marinheiros desacordados. Mas ficou quietinha ali. Resmungava para si mesma, praguejava todos daquele bando por ter sido capturada. E pensar que havia sido liberada para umas férias pelo seu superior...

O pior não era aquilo, ainda. De novo... ao alcance daquele homem. A lembrança dele veio em sua mente e ela fechou os olhos. Sentia suar pela testa. Mas agora ela era mais experiente e sabia se defender melhor. Talvez... ela conseguisse ser resgatada pela Marinha e conseguiria uma brecha para capturar Laffitte. Para ela, aquele homem era insano demais para estar livre e circulando pelos mares. Ela... queria vê-lo um dia e cumprir o que havia prometido oito anos atrás, mas não daquela forma.

Enquanto isso, alguém abria a porta.

– Então é essa a capitã? – disse Shiryu, caminhando até Lina que estava amarrada e deitada no chão. Ela abriu os olhos, olhando e reconhecendo aquele homem. Aquele homem já serviu ao Governo Mundial e a Marinha. Ela reconhecia vagamente.

Entraram no porão outros dois homens da frota do ex-chefe carcereiro de Impel Down que foram verificar os outros. Shiryu pegou-a pelo braço sem muita delicadeza e a pôs sentada no chão.

– Uma criatura como você... é a capitã daquele navio? – ele perguntou.

– Sim. – respondeu ela, calma e fria. Tipicamente como uma capitã da Marinha.

– É... parece que a Marinha caiu muito nesses anos... – ele andava em volta dela, indo até um barril perto e se sentando nele, ainda observando Lina.

E esta nada respondeu. Entendeu bem a provocação e não queria entrar nela. E bateu aquela curiosidade inconsciente de saber se Laffitte estava perto. Mas jamais demonstraria que já o conhecia ali. Seria pior para ela. Mas... e se ele a visse? E se a reconhecesse? E se todo aquelas insanas coisas voltassem? Não... não era nessas condições que queria estar quando revesse Laffitte. Definitivamente não.

– E então? Todos vocês agora serão nossos escravos... e é melhor esquecer qualquer possibilidade de resgate...

Lina arregalou os olhos e olhou para ele.

– ...mas antes, quero verificar se tem algum den den mushi consigo. – levantou-se e a pôs de pé, começando a revista-la com aquelas mãos enormes e ásperas pelo corpo dela. Olhou-o furiosa e queria pedir para parar – Shhhhh... não proteste. Deixa-me ver... – propositalmente, explorava aquela cintura esguia com as duas mãos, tateando-a bem. Lina apertou os lábios, tentando se controlar ali. Realmente, ela não estava com o seu den den mushi.

– Vocês ainda estão em uma área... onde não tem o total domínio de vocês, piratas. Você deve saber bem, visto que já trabalhou para nós. – disse ela calmamente, encarando-o nos olhos que emitiam uma sensação sanguinária e assassina por parte dele.

– Sei... mas os tempos são outros. Muita coisa mudou quando o Barba Branca morreu. Deveria saber disso. – disse ele, falando com o dedo em riste na cara dela. – e é melhor desistir, já lhe disse. Não espere nenhum socorro que nada lhe virá te salvar. – olhando-a de cima para baixo – talvez, se eu tiver permissão do meu chefe, eu fique com você.

Ele soltou os longos cabelos dela, que eram bem sedosos e lisos. Acariciou cheio de certa malícia e aquilo a enfurecia por dentro. Ele a empurrou, fazendo cair no chão e ordenou aos seus dois homens que o seguisse, e fechou a porta daquela parte do porão. Após algumas horas daquilo, novamente entraram outros dois homens e a pegaram nos braços, levando-a até Shiryu que estava perto da escada no navio.

– Vou apresenta-la ao nosso Almirante Teach.

Ambos foram até ao grande navio do Barba Negra. Ele pediu para ver a capitã daquele navio da Marinha.

– Zehahahaha, não acredito que essa mocinha era uma capitã!

Uma criatura bizarra e estranha. E fria. E poderosa. Realmente, muitas coisas mudaram ali, como Shiryu havia lhe dito. Piratas dos mais sinistros e poderosos estavam ali. Olhou em volta. Nenhum sinal de Laffitte por ali. Ela suspirou baixinho.

– Oi, Shiryu! Acho que dessa vez não lhe atenderei seu pedido... – e disse para Lina – venha, se aproxima mais!

Ela não se moveu, encarando-o. Shiryu a empurrou, indo mais para frente. Barba Negra se levantou de seu trono e se agachou, olhando bem para a criatura gélida e séria diante dele.

– Serve como uma boa peça para se divertir, hein? –disse ele, levantando o rosto dela com o dedo. Lina sentiu certo repúdio ao vê-lo tão íntimo falando perto dela e se manifestou.

– ...me mata.

– Zehahahaha! Não ainda, não ainda! ...quero ver no que pode ser útil aqui.

– Não haverá negociações, Teach? – perguntou Shiryu.

– Você já não tem a Candy?

– Não posso ter mais uma?

– Não esta! Esta ficará comigo, zehaha...

– Mas você já pegou três novas mulheres...

Teach a puxa para o seu lado. O que de pior o destino ainda reservou para ela?

– Laffitte não mostrou mais interesse por alguns? – o homem de enorme barba negra e cheia de tranças perguntou.

Lina não conseguiu disfarçar a expressão de surpresa em seu rosto, sendo notada silenciosamente pelo Shiryu.

– Acho que não. Nem mesmo para outros afazeres.

– Diga a ele que deve ter alguns ao seu lado. – e deu leves tapinhas na cabeça de Lina. – dessa aqui, não abro chances de negociação.

Tudo que ela queria era sumir dali como se fosse num passe de mágica. Tinha horror em imaginar-se como escrava sexual daquele homem. E sequer veria Laffitte tão cedo, visto que ele não tinha interesse em pegar alguns escravos capturados por eles. E se tivesse que ser escrava de um deles ali, preferia ser dele.

Preferia ser dele? Por que pensava aquilo? O desespero em que se encontrava nas mãos de Barba Negra a fazia pensar em outra loucura. Porém... ainda ser tocada por aquele homem que inconscientemente amava não era tão assustador. Lina fechava os olhos e abaixava a cabeça, perdida em pensamentos diversos que a perturbavam ali.

– Pode ir, Shiryu! Ela ficará comigo!

O outro, mesmo não aceitando muito, respeitou seu chefe e foi embora. E o barbudo levou-a para o seu camarote, trancando-a ali.

– À noite nos veremos. Zehahahaha! – e fechou a porta.

Lina ainda estava amarrada com os braços para trás e os tornozelos também. Ainda de pé, olhou para todo aquele lugar, vendo o luxo que era. Um pirata rico e de bom gosto. E porco, como ela também pensava. Foi pulando até a janela do camarote, que dava vista para o grande a azulado mar do Novo Mundo. Umas férias perdidas e um posto perdido na Marinha, também. Já estava perdendo a fé nas coisas.

...

– Então Teach quer que eu tenha uns escravos? – Laffitte perguntou do seu den den mushi.

– Sim... tem muita gente no meu navio aqui! – reclamava Burgess do den den mushi dele.

– Aff... não tenho interesse em muitas pessoas aqui, também.

– Mas o que eu faço com essa gente aqui?

– Vê com os outros se eles querem esse excesso. Aqui não quero nenhum, a não seja uns poucos para fazerem os serviços domésticos.

– Hehehehe... já está perdendo o "interesse"?

– Isso é uma coisa particular minha e que não motivo de sua opinião ou zombaria. – mandou rispidamente.

– Ohhh... tudo bem, fica calmo!

– Vou encerrar a ligação...

– Ah, o Teach pegou uma preciosidade de escrava que...

Laffitte encerrou a conversa. Burgess fez cara feia, sendo ignorado ali. Foi até sua mesa enorme, onde tinha um mapa de todo aquele mundo e ficou observando seus rascunhos e planejamentos. Fazia um monte daquilo para esquecer-se de Lina. Era horrível quando um pensamento insistia em incomodar a mente. E Lina era esse doce pensamento. De uma criatura tão inalcançável... e ao mesmo tempo tão perto dele e que nem imaginava naquele momento.

À noite, saiu de seu camarote para jantar. Jantava sozinho, nunca com os homens do seu navio. Assim sempre, a não ser quando Teach juntava seus principais membros do bando. E no navio daquele, ele já havia jantado e até mesmo se banhado – coisa que não costumava fazer frequentemente –, preparando-se para a noite em que se divertiria com sua nova escrava. Ao entrar em seu camarote, parecia que não havia ninguém.

– Ei, você! Menina! – Teach vasculhava cada canto e nenhum sinal dela.

Começou a ficar nervoso. Incrivelmente, ele não a achava e mandou todos do seu navio procurarem por ela. Lina estava muito bem escondida em um buraco que havia descoberto na parede daquele quarto, que era coberto pelas felpudas cortinas do quarto do Teach. Sabia que não poderia ficar ali para sempre, mas que estava decidida em não ser tocada por aquele homem naquela noite. E nem um outro dia.

Enquanto estava sozinha ali, conseguiu soltar-se das cordas esfregando-as na parte afiada de um dos ferros da janela. E assim, soltou seus tornozelos e começou a averiguar um possível esconderijo secreto naquele quarto. E descobriu uma espécie de guarda-tesouros por trás das cortinas, lugar que era muito frequente nos navios e em quase todos os camarotes.

– Eu sabia que o Barba Negra tinha o seu! – comentou Lina, entrando e se fechando ali habilidosamente – espero que ele não conheça esse esconderijo.

A fúria foi tanta que Teach teve que requisitar Laffitte, que estava em seu navio se preparando para dormir, para ajudar a encontrar a sua escrava. Laffitte foi entediado ver o que o chefe queria.

– Revirou todos os porões, Almirante Teach?

– Sim, Laffitte! Ela fugiu habilidosamente!

– Talvez ela esteja aqui...

– Será que ela se jogou no mar?

– Bom... permita-me verificar os guarda-tesouros?

– Hã?! O que é isso?

– São esconderijos secretos que todos os navios tem... esse aqui que você pegou da Marinha deve ter uns... eles se encontram geralmente nas paredes ou até no chão do navio.

– É? E por que não me falou isso antes?

– Para mim o Almirante já sabia. – disse ele, sorrindo.

– Ai de mim se não fosse por você, o cérebro do navio!

– Agradeço, mas isso os outros devem saber também. É que não tínhamos um em nosso único navio, lembra-se?

– É, eu sei. Porcaria daquele simulador de navio! Zehahahaha...

– E onde fica o seu camarote mesmo, Teach?

– Lá no topo!

– Vou verificar lá.

– Depois me ensina a usar desses guarda-tesouros, por favor!

– Claro! – girando a bengala, ele saiu para averiguar o sumiço da tal escrava. Mas parou para pedir umas informações para o Teach.

– E... como é ela fisicamente?

– Ah... uma jovem mulher de longos cabelos escuros e arroxeados, esguia e com roupas de capitã da Marinha.

– Certo, vou indo. Eu vou chamar outros para ajudarem na busca.

– Não há necessidade, daqui ela só pode ter se jogado no mar e, se for pega pelos monstros marinhos ou se for simplesmente uma usuária de Akuma no Mi, deve ter morrido.

– Droga! Logo aquela preciosidade! – ele saiu e foi ver com outros que faziam busca pelo navio dele todo.

Laffitte só curvou os lábios em um sorriso conformado. Admirava o pique daqueles homens com as mulheres. Até o de Devon com aquele pobre escravo. Ele já se conformava que estava ficando impotente, provavelmente por causa de sua frustação com aquela atração que insistia em lhe incomodar.

Subiu as escadas que davam acesso ao quarto de Teach e entrou. Calmamente, sem fazer barulho. Por segurança, trancou a porta. Colocou a bengala por cima da enorme cama e começou a verificar o chão e as paredes, vendo onde poderia ter guarda-tesouros. Se aquela tal escrava era da Marinha, deveria estar escondida em um deles. Laffitte suspeitou logo quando Barba Negra contou sobre ela.

Então, ele foi até as cortinas das janelas que haviam ali. Viu um pedaço de corda no chão. A mesma que Candy e outros escravos usavam. Pegou a corda e ficou olhando.

– Então você está por aqui... – disse ele sussurrando, olhando para o pedaço de corda.

"Uma jovem mulher de longos cabelos escuros e arroxeados, esguia e com roupas de capitã da Marinha". Ele mantinha essa descrição em mente. E começou a ver por trás das cortinas, colocando o ouvido nas paredes para ver se ouvia algum ruído suspeito, como fez no chão do quarto. E mais perto, ouvia uma respiração. Lina mantinha-se quieta o máximo que podia, pois achava que Teach estava ali já, pelo barulho que ouviu da porta quando Laffitte entrou. Juntando as mãos, ela rezava em seu íntimo para que ele nem soubesse da existência daquele guarda-tesouros.

De repente, tanto Laffitte como Lina sentiram uma sensação até agradável em seus respectivos íntimos. Ele achando que estava se empolgando com aquela caça e ela achando que era algum mecanismo de defesa involuntária da mente para suportar aquela tensão. Ele foi se aproximando de onde vinha um fraco cheiro de perfume. Lina estava e sempre usava seus perfumes favoritos. E ela estava com um que adorava usar, apesar de lhe trazer a lembrança o dia em que seu pai foi detido em sua casa em West Blue. E também quando conheceu aquele enorme homem que era o xerife que fiscalizava sua casa. Ela estava com este mesmo.

Ao descobrir pelo barulho que parecia de um buraco vazio, ele se aproximou. Escutou também uma respiração. Sorrindo, tirou o ouvido dali e afastou a cortina vermelha volumosa daquela parte da parede. Confirmou vendo a fina linha de rachadura nela. Voltou até sua bengala na cama e começou a bater com a ponta dela nas extremidades daquela linha. Lina fechou os olhos, apertando os lábios. Tarde demais. Pelo menos, tentou. Ao arrancar aquele pedaço de parede, viu um vulto dentro dele, no fundo, e puxou para fora.

A mesma criatura que Teach descreveu. Caída no chão, encurvada e com o rosto coberto. O uniforme da Marinha rasgado nas costas. O pulso ferido, por ter roçado contra o tal ferro perto da janela para soltá-lo das cordas.

Com o pé, Laffitte a mudou de posição, fazendo-a cair sentada diante dele. E foi quando ambos sincronizaram seus olhares. As bocas ficaram entreabertas. Os dois se reencontravam ali, inesperadamente. Ele reconheceu aquela face mimosa e assustada. Ela não acreditava que aquele enorme homem de cabelos negros e lisos estava ali diante dela, no camarote de Teach. Fitaram-se por breves segundos.

– Lina... – Laffite pronunciou com a voz meio abafada.

Ela só o olhava como se estivesse vendo uma grande pilha de tesouros secretos. E ele também, admirando aquela criatura que já considerava morta. Oito anos que ambos não se viam mais, mas não o suficiente para deixarem de se reconhecer. Agora, ele usava uma capa felpuda nos ombros, mas o estilo da roupa era o mesmo. Ela, agora de cabelos longos e com roupas de capitã da Marinha. Como um crente fiel em sorte, destino e sonhos, achou aquele momento único e especial. Ela tinha que seguir todo aquele caminho para aparecer em sua vida quando o pensamento nela o mais incomodava. De fato, o destino a enviava ali naquele momento para mostrar que sobreviveu e que era hora de se reencontrarem. Nunca se sentiu tão energizado novamente.

A tensão ainda era notável entre os dois, mas os olhares rolavam soltos, nostálgicos. Aquela sensação agradável antes sentida voltava em cada um dos corpos. Ele foi até ela e se agachou, ainda olhando-a daquele mesmo jeito que já havia feito arrepiar a pele clara e macia da jovem. E algo repentino surpreendeu ambos, mas não se proibiram e nem evitaram que acontecesse: um beijo. Vindo da aproximação dele, sem ser recusado por ela. Beijaram-se loucamente, quase fazendo os dois gozarem imediatamente beijo deliciosamente afoito. Lina sentiu-se movida apenas pelos impulsos mais íntimos e permitiu-se agarrá-lo, firmando-se em seu corpo enquanto movia seus lábios desesperadamente contra os dele, que a abraçou bem forte ali como se quisesse prendê-la para si. Quase não respiravam com aquela violência deliciosa vinda de um beijo cheio de saudades, mas aquilo não incomodava um pouco. O toque daquela pele tão pálida e fria a deixava louca de desejo. Aquele cheiro agradável e fresco vindo dela também o excitava, coisa que já não sabia há tempos. Era como se tivessem voltado no passado, mas sem as lembranças dos abusos físicos que ela sofreu dele. Ela também adorava o cheiro dele, o sabor, aquele corpo tão delgado e aparentemente frágil era tudo o que ela mais queria naquele momento em que deveria se preocupar. Ele arrancava gemidos deliciosos dela de tanto a beijar devorando aquela boquinha mimosa e macia. Se dependesse de ambos, ficariam ali por horas e horas, infinitamente.

Era o recomeço de uma inesperada jornada. O que o destino reservava para ambos a partir daquele encontro caloroso e apaixonado?