Nunca imaginariam que ambos pudessem se reencontrar assim e tão pouco se receberem num caloroso encontro. Ao pararem aquele beijo, Lina começou a falar, aliás, implorar.
– Eu te peço... por favor... me tira das garras desse Barba Negra!
– E por quê? – perguntou meio cínico, mas já pensando em como proteger e tê-la consigo.
– Eu te peço... que me perdoe... por ter traído sua confiança...
Ou ela estava esse tempo toda arrependida e apaixonada esses anos todos, ou ela só estava fingindo para conquistar a confiança dele novamente. Mas isso ele poderia descobrir facilmente. Ele ainda a segurava pelos braços, como se não quisesse deixa-la escapar. Lina sentia seu interior entrar em conflito. Amor e ódio lutavam pelo seu coração.
– Eu... me torno sua escrava, mas me tira das garras desse homem!
– Não sei... se devo confiar novamente... – ele falava naquele mesmo tom cínico e tranquilo que até agradava aos ouvidos de Lina – uma vez traído, sempre poderá ser novamente.
– Laffitte... não quis me recuperar esse tempo todo? Pois então!
– Eu a tinha esquecido, mesmo... – mentiu – para mim, já estava morta.
A mulher sentiu um pouco de raiva ao ouvir palavras de desdém vindas daqueles lábios finos de uma escura cor arroxeada. Mas não era hora de tomar satisfação nenhuma, e sim de ganhar a confiança dele, antes que aquele homem enorme e grotesco a possuísse de forma pior que ele, há oito anos.
– Lina... não me sinto bem em trair meu superior, aqui. Ele te procura irritado. O que você fez?
– Escondo-me para ele não fazer comigo o que você fazia no passado!
Laffitte silenciou-se. Por um momento, sentiu ciúmes em imaginar qualquer outro tocá-la, seja de que forma fosse.
– Eu... levei muitos anos para me recuperar... – começou a chorar diante dele. Ele prestava atenção em cada detalhe dela. Não havia mudado tanto a ponto de não reconhecer ali, quando a tirou do esconderijo da parede. Parecia mais madura e mais forte. Era uma capitã da Marinha.
– Mas vejo... que você conseguiu superar bem... – olhando-a de cima para baixo – e trabalhando para a Marinha?
– Sim... – afirmou entre soluços.
– Surpreso... mas vejo que ainda se deu bem... não imaginei que tivesse tanta força para resistir aos meus castigos... – falou com certo desejo, sentindo acender aquela chama que jurava estar apagada.
– Eu te peço... perdoa-me me livrando do seu superior... faço o que quiser... – abaixou a cabeça, deixando as lágrimas correrem abaixo, pingando no chão.
Aquele choro não era fingimento. Respirando fundo, ele decidiu fazer algo que jamais faria em relação ao Barba Negra. Mas assim quis. Não queria ver Lina nas mãos de outro ali, agora. Ela era dele. O destino lhe provou aquilo, naquele reencontro.
– ...está certo.
Mesmo Laffitte concordando, Lina ainda chorava.
– Mas para de chorar agora, não é momento para isso! – ele pega um lenço do bolso e no exato momento, Barba Negra batia à porta.
– Laffitte! Encontrou a garota?
– Sim!
Lina olhou-o decepcionada, mas logo ele se justificou.
– Calma... faz parte do plano. – entregou o lenço para ela, que usou para secar as lágrimas... como em uma outra ocasião passada.
Laffitte respirou profundamente e abriu a porta, imediatamente usando a hipnose no próprio chefe. Jamais na vida queria fazer aquilo, era leal demais a quem o acolheu quando estava em fuga quando o Governo Mundial o caçava.
– Achei a garota, mas poderia deixa-la comigo... Almirante Teach? – perguntou ele, calmamente.
– ...deixo. Pode leva-la. – concordou o homem.
Lina observou aquilo curiosa. Teria ele poder sobre o próprio superior? Cada vez mais ele a surpreendia e assustava. Laffitte estendeu a mão para ela.
– Vamos sair daqui?
– Vai embora, logo! – ordenou Barba Negra.
Lina obedeceu Laffitte, que a levou decidido para o seu próprio navio. Ao chegar, foi diretamente ao seu camarote que era como quarto. Soltou-a e sentou na beirada da cama, tirando a cartola e esfregando a cara entre as mãos. Ela observou a atitude similar de uma pessoa apreensiva ou arrependida. Ele olhou para ela e confessou umas coisas.
– Sabe por que conseguiu sair com facilidade ali?
– ...você se refere ao Barba Negra?
– Sim... uma coisa que até fiz com você uma vez, quando a obriguei a confessar a verdade sobre seu pai...
Ao mencionar o pai, Laffitte viu novamente os olhos da garota se encher de lágrimas.
– Eu o hipnotizei.
– É? E isso... existe? Esses poderes de hipnotizar? ...
– Não é um simples poder, como se fosse magia... é uma habilidade muito útil para mim, que precisei interrogar muitos bandidos quando trabalhava para a justiça. Eu jamais quis usar isso contra um de nós aqui... principalmente contra o meu superior... você viu o que eu fiz, não?
– ...vi.
– Foi para te salvar. Mais uma vez. Eu estava muito irritado quando você me enganou para fugir... mas ainda assim eu a amava. Eu cuidei de você, apesar de tudo...
Lina abaixou a cabeça, mas depois levantou para fazer as suas confissões.
– Eu me irritei... com a forma que me tratava apesar de tudo: como um saco de pancadas, se divertindo enquanto me torturava por prazer, abusando de mim de forma tão bruta... isso me rendeu anos de superação... e eu te odiei muito por isso... – a voz tremia, mas conseguia falar tudo, tudo que precisava falar.
Laffitte a olhava nos olhos. Viu uma figura frágil, apesar de tudo. Ele viu que não era mais aquele homem de antes. Como havia amadurecido a ponto de apiedar-se dela. Não sabia se aquilo já era mais que um amor típico dos mais jovens. Para quem estava julgando-se impotente, quase assexual... ver aquela bela mulher novamente foi como se tivesse ressuscitado. Ela agora deixava de ser o fantasma que o atormentava. E percebeu que, nesse tempo todo, ele foi um fantasma que a perturbou.
– Lina...
– ...só o perdoo... porque me salvou das garras daquele homem, traindo a confiança do próprio...
– Não é só por isso, não... é mais do que isso... o que eu também custei a entender por trás de cada ação minha... eu... – suspira fundo – eu a amo. E você me ama esse tempo todo... pelo que vejo.
Ela começou a sacudir a cabeça negativamente.
– Estou mentindo?
– ...não, pior que não. Não sabe como foi difícil esquecê-lo e... perdoá-lo. Mas eu ainda o amava. Por desespero, quis fugir... você sabe as condições em que vivia aquela garota inocente de oito anos atrás.
– Lina... venha aqui...
Ela se aproximou diante dele.
– Senta aqui, vem – batia levemente com a mão ao lado do colchão duro. E ela sentou.
– ...estou aqui.
– Vamos virar essa página.
– ...não vai me fazer mais mal?
– Não... mas ainda tenho que te manter sob meu controle. Estou... praticamente enganando todos aqui por as causa. Mais uma vez, vou fazer isso.
– ...sem nenhuma dor? Como antes? – Lina segurava com força a manga da camisa dele.
– ...Sem mais. A não ser que queira. – acariciou os cabelos dela, rindo um pouco.
– Tsc...
Ele a abraçou ali ao seu lado, envolvendo uma mão sobre o ombro dela.
– Eu... não acredito com o que está acontecendo comigo.
– Nem eu...nem eu...
Ela voltou a olhar para ele com coragem. A moça sentiu diminuir sua ira e mágoa ao lado dele, depois de oito anos mentindo para si mesmo a paixão que ainda sentia por ele. O perdão é a experiência interior de se recuperar a paz e o bem-estar e era o que ela estava sentindo ali.
– Será que está me hipnotizando?
– Não agora.
– Hum?
– Não, eu até lhe confessei algo que raramente falo para os outros...
– ...e agora... o que vai fazer comigo? Que vamos fazer?
Ele se posicionou sobre ela.
– ...tem uma ideia?
Parecia que estava mesmo a hipnotizando, mas não... e o que importava! Mais que tudo nessa vida tão dura, ela precisava mesmo que ele a amasse de verdade.
– ...sem mais dor? – ela quis ouvir novamente a resposta dele.
– ...seu mais. – ele se curvou para beijá-la mais uma vez daquela forma de antes.
Ela acabou se entregando a ele em todos os sentidos. Ambos estavam saudosos de tudo que vinha um do outro, desde o toque até o sabor. Um beijo longo. A língua dela, macia, dentro da boca maior do homem, fazia-o renascer por dentro. Ficamos um bom tempo assim só nos beijos até que ele foi seguindo c os lábios por baixo de seus lábios, beijando-a no pescoço. E ia descendo mais. Lina estava toda entregue àquele homem que um dia jurou até mata-lo. Agora, era tudo extremamente diferente ao que se passou. Ele tirava a blusa rasgada da mulher cuidadosamente e, após tirar-lhe o sutiã e revelar-lhe os seios, caiu de boca neles. Ela jogou a cabeça para trás, fechando os olhos. Um prazer maior que todos os que ele chegou a proporcionar. Ela começou a cheirar e lamber a barriguinha pálida e lisinha, que ostentava uma leve cicatriz. Provavelmente, uma das cicatrizes causada por eles; e descendo, chegou na parte íntima e começou a passar toda a língua quente por toda aquela região. Lina se contorcia com as pernas bem afastadas uma da outra. Ele notou então uma das cicatrizes mais notáveis – a única mais profunda. Lembrou-se daquele golpe de espada dado por ele. De repente, aquilo tudo o desanimava, fazendo parar o que fazia para se sentar na cama.
– O que foi? – Lina se ajoelhou por trás dele, pondo as mãos em seus ombros esguios para falar-lhe perto do pescoço.
– Nada... não queria lhe falar uma coisas que senti aqui...
– Não me importo com nada...
– Eu sinto... por tê-la te machucado tanto! – ele disse olhando para ela.
Ela abaixou a cabeça brevemente, mas voltou a levantá-la para lhe dirigir a palavra.
– ...assim como essas cicatrizes estão fechadas e não se abrem mais, meu ódio também está assim. Está tão bem fechado quanto elas... – disse isso, beijando o pescoço enquanto lhe acariciava em direção as clavículas, ainda por cima da roupa dele.
E agora Lina tomou a iniciativa com Laffitte. Tirava-lhe a camisa estando atrás dele, desabotoando os primeiros botões dela. Ele começava a se envolver novamente aos poucos. Como era bom estar de bem novamente com aquela bela jovem. Aquele começo de madrugada seria um dos momentos mais intensos e prazerosos de sua vida tão carregada de perdas e dores. E seria o mesmo para Lina.
...
Apesar de estarem bem um com o outro, combinaram fingir certa hostilidade entre eles, como se Lina ainda fosse uma escrava qualquer. Toda a frota de Teach resolveu voltar para a base deles. Tinham tesouros diversos, inclusive diversas Akuma no Mi (Frutas do Diabo) com eles. Barba Negra ainda não havia autorizado que cada um pegasse a que quisesse. E mandou Laffitte, juntamente com Shiryu, Van Auger e Jesus Burgess, fiscalizarem e vigiarem as frutas demoníacas.
Lina passava trancafiada no camarote onde era o quarto dele, como no passado. Mas aquilo não a incomodava mais – pelo contrário; ali, estava protegida e livre de qualquer um ali invadir o local e abusá-la. Nos dias que seguiam, ela foi conquistando a sua liberdade de transitar ali no navio do seu protetor. Em dias que Laffitte estava atarefado, Lina podia descansar bem em seu quarto, não era mais abusada todas as noites como no passado. Secretamente, Laffitte controlava as mentes de cada membro de seu barco para que protegessem Lina. Em uma noite, Lina foi surpreendida com um presente do próprio homem de cartola.
– Mas... eu conheço isso. Vocês tomaram isso, também?
– Pegamos todas as Akumas no Mi de vocês quando saqueamos o seu barco.
– ...
– Mas toma... peguei essa às escondidas para te dar... o que me diz? Quer ser um usuária dessa fruta?
Aquela Akuma no Mi incolor, mas com suas curvas desenhadas em branco. Laffitte lhe dava a fruta que havia descoberto na ilha onde ocorria aquele leilão de escravos. A Toumei Toumei no Mi. Sengoku a queria para ser avaliada para depois permitir que Lina fosse usuária. Agora, Laffitte lhe dava aquela fruta.
– Eu... a achei na ilha onde ocorria ol leilão de escravos.
– Ah, naquele ilha? Então era você que estavam à nossa caça...
– Sim... mas foi em vão... – ela comentou rindo daquela ironia do destino.
– Não foi em vão... – ele a pegou pela mão – pelo contrário, foi muito bom poder vê-la novamente. Não está feliz em ter se reencontrado comigo?
– ...inicialmente... só queria caçar você e me vingar... mas agora tudo mudou tão de repente!
– E que bom que mudou. Eu também vivia angustiado por não querer perdoá-la.
– ...também sentia essa angústia.
– Mas isso é passado, agora.
– Eu assim espero... – disse, olhando-o bem nos olhos.
Lina voltou a olhar para a tal fruta na mão.
– ...você, Laffitte... é usuário de uma Akuma no Mi, não é?
Ele confirmou, explicando detalhes sobre. Lina queria saber se era seguro comer aquela fruta.
– Então... coma logo!
Ela hesitou inicialmente, mas por fim deu a mordida. Fez uma careta horrível, arrancando as risadas do outro.
– É horrível! Quero cuspir!
– Não cuspa! – ele tampou sua boca com a enorme mão – prenda a respiração e engula logo. Só uma mordida é o suficiente!
A mulher engoliu aquele pedaço de sabor horrível.
– E agora... como vão se manifestar os poderes dela?
– Bom... é uma fruta da transparência, não? Você pode adaptá-la fazendo do seu corpo transparente. É uma fruta do tipo Logia.
– ...ajuda-me?
– Claro, vou te orientar... mas continua mantendo sua discrição perante os membros do bando. Não a usará para atacar ninguém aqui... pois saiba que estou a protegendo de todos aqui... traindo um pouco a confiança de meu superior.
– ...entendo. Só permanecer com você aqui... é tudo.
Ele sorriu.
– Estou confiando novamente em você, Lina...
– E eu já o perdoei também... Sr. Xerife. – disse ela, com os lábios encurvados em um sorriso meio malicioso.
– Hohohoho... não sou mais um...
