Hey, leitores lindos! Obrigada pelas reviews, primeiramente, fazem uma autora muito feliz!
Outra: esse capítulo (que nem devia estar aqui) não tem nada do Hot do primeiro, nem da fofura (convenhamos), mas é um drama dos infernos, e a culpa é das músicas que eu to ouvindo e da nem tão grande inspiração dos últimos dias. É curtinho, dramático e eu queria que tivesse acontecido assim, não aquela cena gay broxa do filme que acabou com os personagens. Enfim, taí.
Um agradecimento especial a Keliane, que me fez voltar pra cá rapidinho com umas reviews e uma conversa maravilhosa.
Hold on and let go
Havia mais do que ele podia descrever naqueles olhos castanhos que viam sua alma e naquelas mãos machucadas que apertavam seus dedos. Havia mais força naquela menina-mulher do que jamais houvera nele, e Harry nunca fora capaz de retribuir. Gostava de pensar que demonstrava seu amor por ela nos pequenos gestos, sendo apertos de mão, sorrisos tristes ou aquele beijo desajeitado e intenso que trocaram naquele dia. Mas era ilusória aquela visão de que seus pequenos gestos seriam suficientes para sempre. Ele só percebia agora o quanto ferira por palavras não ditas, por olhares tortos, por beijos não-roubados. E ela não exigia. Ela nunca exigia dele o que ele não podia dar. Ela exigia de Rony, talvez porque soubesse que ele só funcionava sob pressão, que precisava ser empurrado até o fundo para demonstrar alguma coisa. Todos aqueles anos, e ela sempre sabia o que fazer.
Exceto agora.
- Precisa haver outro jeito. Você não pode se entregar. – O desespero era evidente no tom dela, e ainda assim era firme. A máscara de torpor que tomara conta de Harry desde a saída do escritório de Dumbledore ameaçava desabar, e ele não queria aquilo. Doía demais.
- Dumbledore sempre soube, Snape sempre soube. Era só questão de destruir todas as outras Horcruxes. – Ele se sentia traído. Amara Dumbledore com todas as forças, mas não conseguia aceitar que fora manipulado todos aqueles anos. Podia aceitar o destino, mas não a traição.
- Deve haver um feitiço para destruir essa parte dele dentro de você. Há feitiços para tudo. – A voz tremia.
- Não há, Hermione. Por favor, por favor, não posso mais fazer isso. – Ele se desvencilhou das mãos dela. Desenrolou a capa e deu-lhe as costas. Ele precisava ir. Por Deus, ele precisava ir.
- Seja homem, Harry. – Aquilo o fez parar. Virou-se de volta. Não havia hesitação nos olhos dela. – Você não pode só desistir. Não acabou ainda. – Ela não entendia. Não queria entender que a hora havia chegado, que não havia livro ou feitiço que poderia livrar O Eleito do destino que lhe fora predestinado assim que Voldemort o tocara. Pela primeira vez, ela não seria capaz de lhe curar.
- Você vê aquelas todas aquelas pessoas ali, deitadas para sempre no Salão Principal? É culpa minha que estão ali. Eu não posso mais lutar. – Ele não ergueu a voz, embora desejasse gritar. Ela ainda não entendia.
- Não faça disso sua culpa, porque não é. O único motivo de ainda haver pessoas vivas nesse Salão é porque estamos lutando. Estamos fazendo a única coisa possível de se fazer agora. Precisamos que você lute, Harry. –
- Ninguém mais vai morrer por mim. –
- Eu iria. – Há sempre um choque de realidade quando alguém lhe diz que morreria por você. É um choque maior ainda quando aquelas mãos machucadas, e ainda assim suaves, tocam o seu rosto e arrancam a máscara de indiferença que você moldou tão cuidadosamente. A capa da invisibilidade escorrega para o chão de uma vez junto com toda a sua coragem.
- Eu não posso perder mais ninguém, Hermione. Lupin, Tonks, Fred, Dumbledore... estou farto de abandoná-los. – Ele segura a mão dela que toca seu rosto. Sente o cheiro de dor e desespero, de sangue e de guerra, e de Hermione. Queria fechar os olhos, mas não pode deixar de encará-la. – Não posso perder você. –
Há amor demais naqueles olhos castanhos para que ele possa suportar.
- E o que te faz pensar que eu poderia perder você?
Ele chora, ela chora, e o som se perde na imensidão do castelo. As lágrimas se tornam uma só quando eles se beijam, permitindo-se esquecer por um segundo toda aquela dor, permitindo-se sentir apenas um ao outro enquanto todo o resto se esvaece pelos dedos. Aquilo, pelo menos, é palpável. E é extremamente difícil aceitar que precisa acabar. A noite na barraca volta com toda força e Harry a abraça como um último pedido de desculpas por ser O Eleito, e por ter que abandoná-la quando ela mais precisa dele.
- Você precisa matar Nagini pra mim. Você e Ron são os únicos em que eu confio para isso. – Ela soluça em seu peito, e o coração dele martela alto demais.
- Eu vou com você. – Ele ficaria grato se pudesse segurar a mão dela enquanto caminhava para os braços da morte. Ficaria grato se não precisasse morrer e pudesse continuar de mãos dadas com Hermione para sempre.
- Você não pode. – Eu não poderia te deixar ir, ele queria dizer. Nunca atravessaria aquela floresta se houvesse uma possibilidade de estar com ela.
- Lutaremos com ele juntos. – Ela prometeu, e ele acreditou. Mas as lágrimas ainda manchavam seu peito.
Harry sabia. Ele poderia abrir mão de muita coisa, mas não dela. Não de Hermione.
- Eu amo você. – Harry murmurou, enquanto erguia a varinha e tocava os cabelos castanhos dela com o feitiço mais cruel de todos, fazendo-a esquecer daqueles últimos minutos de despedida. Desejou que pudesse esquecer também, mas, minutos mais tarde, ficou grato de ainda ter a lembrança dos olhos castanhos pelos quais valia a pena morrer gravada nas lentes sujas dos óculos para sempre.
Sim, eu misturei verbos no passado com presente, com terceira pessoa e insinuações de primeira, com sentimentos meus e do Harry. Podem meter a boca.
