TWO

Little babies

O restaurante não estava lotado, mas muita gente parecia ter tido a ideia de ir ao El Parador Cafe, escolhido pelo The Michelin Guide como o melhor restaurante mexicano de Nova York. Provavelmente porque, apesar da recomendação, o preço não era nada extravagante. O problema é que aqueles dois garotos, além de gostarem muito da comida, pareciam que nunca estavam satisfeito. Ambos – especialmente Mark – eram do tipo de comer até passar mal.

Comeram e conversaram por mais de uma hora. Tinham planos para o domingo a tarde e os pais estavam mais animados com a faculdade dos garotos do que eles mesmos. Eles ainda faziam um pouco de mistério sobre os cursos, mas já adiantaram que fariam matérias "trocadas" na faculdade, o que animou tanto Jensen quanto Jared, que não imaginou que seu genro poderia gostar tanto assim de música. Jensen, por sua vez, já havia percebido a veia de interesse de Mark desde o dia que o levou ao hospital.

O silêncio se fez logo após um dos últimos assuntos terminarem e, pela insegurança, era óbvio que os meninos protelaram o assunto durante todo o almoço, com medo da reação dos pais. Os dois filhos trocaram olhares pra ver quem começaria a conversa, mas Jensen e Jared conheciam seus filhos bem demais pra saber que alguma coisa tinha ali.

- Certo, falem logo. - Jensen começou tomando o último gole de água. Só tinha tequila no restaurante e eles não estavam dispostos a deixar os rapazes beberem mais do que sabiam que eles haviam bebido na noite anterior - O que vocês querem nos dizer?

- Como sabe que queremos falar alguma coisa? - Nick disse tentando fazer com que aquilo não fosse grande coisa.

- Eu fiz você, rapaz. - Jensen disse como se aquilo fosse óbvio e ele estava sendo ingênuo se achava que o enganava.

Eles voltaram a se olhar inseguros e agora foi Jared quem se inclinou pra frente na mesa olhando feio pro filho. Ele entrelaçou os dedos das mãos e franziu o cenho.

- Mark. - Ele começou como se apressasse o garoto.

- Ok. Ok. Vocês estão certos. Eu e Nick temos mesmo uma coisa pra falar com vocês dois. - e olhou de Jared para Jensen, que olhou direto para Nick.

- É algo importante pra gente e desde que recebemos nossa carta de admissão na Universidade de Nova York, já viemos arquitetando essa ideia. - Nick disse firme, mas com um pouco de receio, até porque os olhos de Jensen e de Jared estavam em cima dele.

- Esperamos mesmo que vocês nos apoiem e que entendam, principalmente. - Mark completou. - Até porque é um passo importante na nossa vida e...

- Mark Louis. - Jared interrompeu a clara enrolação do filho. - O que vocês fizeram? - Devido ao histórico de ambos, era normal que os pais pensassem que eles tinham inventado alguma coisa errada pra fazer.

- Queremos morar juntos. - Nick disse, como se cuspisse logo antes que aquilo entalasse na garganta.

- O que? - Jared começou a rir olhando para um Jensen um pouco incrédulo.

- Claro que querem. - Jensen riu agora voltando a recostar-se na cadeira da mesa do restaurante. Ele cruzou os braços botando pouca fé naquilo.

- E posso saber como vão fazer pra sustentar uma casa? - Jared disse com calma, como se esperasse fazê-los mudar de ideia conforme fazia perguntas.

- Bom, não exatamente. - Mark respondeu olhando para Nick como se pedisse ajuda pra responder aquilo.

- A gente pensou que vocês poderiam nos ajudar até arrumarmos um emprego. - Nick disse com a voz um pouco insegura. Realmente eles pensaram que iam sair de casa, mas os pais continuariam bancando ambos.

- Me deixe adivinhar. - Jensen disse agora voltando a inclinar-se, ficando na mesma posição que Jared. - Vocês querem sair de casa, mas querem que eu e Jared continuemos pagando as contas de vocês. - Jensen dizia conforme ia segurando o riso.

- Mas é só por um tempo. - Mark rebateu. - Até conseguirmos algo meio período, sei lá.

- "Sei lá"? - Jared riu agora. - Eu realmente vou precisar dizer que isso está fora de cogitação?

- Acho que vocês não estão nos entendendo. - Mark recomeçou agora mais ofendido. Odiava quando seu pai fazia aquilo, o tratava feito criança. - Não estamos pedindo permissão...

- Mark... - Nick o segurou pelo braço ao perceber que ele estava se exaltando. Jensen suspirou não levando aquilo a sério.

- Ok, digamos que a gente concorde. - Padalecki recomeçou vendo que Mark já estava perdendo a razão e isso já era suficiente pra ele. - Onde vão morar? - perguntou como se, além de ser a pergunta mais óbvia, fosse a mais difícil de responder.

- Na Soho. – Mark respondeu, sorrindo de canto, com um ar de ironia, típico de quem tem uma carta na manga.

- Ah, claro. Muito fácil manter um apartamento na Soho. E é óbvio que esperam que nós paguemos o aluguel para os dois brincarem de casinha. – Jared estava visivelmente perturbado.

Mark não estava acreditando na reação de seu pai e de Jensen àquela notícia. Se eles tivessem sido aceitos em universidades de outras cidades, era óbvio que tivessem que alugar uma kitnet que fosse para morarem, certo? Qual o problema de fazerem exatamente isso, mas permanecendo em Nova York?

- Mamãe concorda, por que está fazendo tanto caso, pai? - Mark disparou, Jensen arqueou as sobrancelhas e Nick baixou os olhos. Ele não fez de propósito, mas não pensou direito no que disse. Jared fechou a cara.

- Como é que é? - Jared perguntou entre dentes cerrados.

- É. - Mark continuou como se aquilo não fosse nada demais. - Ela até disse que Jeffrey tem um apartamento legal na Soho que podemos usar se quisermos.

Jared agora tinha o queixo levemente caído. Só de ver a cara de Jared, Nick percebeu que foi uma péssima ideia mencionar que Sandy sabia daquilo.

- Falou com sua mãe antes de falar comigo? - Agora o músico estava ofendido e extremamente magoado. Jensen respirou fundo e já percebeu que esse seria o drama da semana.

- Falei com ela hoje de manhã... Qual o problema? - Mark disse realmente sem entender o que tinha de mais naquilo.

- Eu cuido de você há 18 anos e quando se trata de algo sério assim, ao invés de falar comigo, você corre pra sua mãe? – a indignação parecia escorrer pelo canto de seus lábios.

Mark ficou paralisado por alguns momentos enquanto Nick pensava que era melhor dar adeus à ideia de morarem juntos. Se antes já estava difícil, agora então que Jared tinha enlouquecido, é que ele poderia esquecer qualquer chance daquilo acontecer.

- Pai, eu só... - Mark tentou argumentar, mas Jared o interrompeu imediatamente.

- Quer saber? - O músico começou mesmo depois de Jensen segurar uma de suas mãos e, num sussurro, pedir que ele se acalmasse. - Faça o que quiser, certo? Claramente o que eu penso não é importante pra você. Já falou com sua mãe, não foi? Ela permitiu? Pois bem, então vá. Pegue suas coisas e vá morar na Soho. - Ele disse o nome do bairro nobre de Nova York com desdém. - O que o seu pai pensa não interssa, não é?

- Jared, é claro que nos importamos. - Nick começou tentando acalmar os ânimos enquanto Mark apenas olhava sem reação ao drama excessivo que seu pai estava fazendo.

- Jensen, vamos, por favor. - Padalecki falou ao namorado sem dar atenção a todo o resto. Ackles pensou em argumentar, mas conhecia bem o homem com quem dormia e sabia que era totalmente em vão falar com ele naquele estado.

Eles levantaram após Jared fazer menção de sair. Mark continuava calado, sem saber exatamente o que tinha feito de errado. Jensen andou com o namorado na frente, tentando acalmá-lo e conversar, mas ele estava impassível. Nick não conseguiu deixar de achar um pouco de graça, porque agora sabia de quem Mark tinha herdado aquele bico que fazia quando estava bravo.

- Ei... - Nick segurou firme na mão de Mark que parecia um pouco perdido. - Vamos resolver isso, certo? Não fique assim.

- Mas o que eu fiz de errado? - Mark perguntou com aquele olhar de cachorrinho perdido e Nick andou abraçado com ele até o carro.

- Nada. - Nick disse tranquilo, tentando passar essa calma. - Seu pai deve estar chateado por você ter falado com sua mãe antes de falar com ele.

- O que isso tem a ver? - Mark disse achando aquilo uma besteira. - Papai exagera.

- Amor, qual é. - Nick disse tentando fazer com que o outro fosse mais compreensivo e solidário. – Dá um desconto pra ele. Não temos filhos, não sabemos como é. Fale com ele depois.

- Vou falar. - O moreno alto disse falando baixinho enquanto entravam no carro.

É claro que o clima pesou até em casa. Não falaram muito no caminho, Mark falou algumas coisas com Nick, mas a marra de Jared era igual a do filho e ainda demoraria para Jensen conseguir resolver – sim, pois era Jensen quem certamente o acalmaria.

Eles entraram em casa e Jared foi direto para o quarto e o loiro o seguiu. Antes de entrar, disse a Nick pra que fosse para o quintal jogar basquete, conversar ou fazer qualquer outra coisa enquanto ele conversava com Jared. Os dois Ackles sabiam bem como lidar com seus respectivos Padaleckis.

Jensen entrou no quarto atrás de Jared e fechou a porta com calma. Sabia que não seria fácil ter aquela conversa com o namorado, pois não era muito fácil pra ele, o golpe foi grande apesar dele saber que Mark não fez de propósito.

- Me desculpe. - Jared disse ao ver Jensen apenas olhando pra ele. O olhar era compreensivo e não reprovador.

- Tudo bem, deixemos os meninos acreditarem que isso foi mesmo sobre a Sandra. - Jensen disse se aproximando do moreno alto e acariciando os braços dele. - Eles cresceram, Jay.

- Não! - Jared dizia inseguro. - Eles ainda são... - Ele ia dizer crianças, mas percebeu o quão ridículo aquilo soaria.

- Não, não são. - Jensen sorriu, percebendo que também se sentia inseguro em assumir para si mesmo que seu filho havia crescido. - Já são dois homens feitos.

- Mark é tudo que eu tenho, Jensen. - Ele dizia com pesar na voz, como se realmente não pudesse suportar a ideia de não tê-lo por perto.

- Eu sei que não serve de consolo, mas você também tem a mim. - O médico disse agora abraçando o namorado apertado. - Esse dia iria chegar para nós dois mais cedo ou mais tarde. Ou acha que gosto de saber que Nick quer sair de casa? Acha que não penso todos os dias que me mataria se algo acontecesse a ele? Já perdi minha esposa, mal suporto imaginar essa casa sem ele...

- Isto não está certo, eles não estão prontos. - Jared disse passando as mãos pelo rosto.

-Estão prontos, sim. Estão prontos para cometer seus erros e tentar consertar sozinhos e no fundo você sabe disso. - Ackles também dizia movido pela razão, porque se dependesse de seus sentimentos, colocaria Nick dentro de uma caixa e nunca deixaria que nada de mal acontecesse a ele. - Precisamos deixar eles irem.

- Foi tipo... ontem... - Jared começou a dizer mais conformado. - Que o levei pra tomar vacina! Como assim ele quer se mudar? - Ele sentia seu peito doer.

- Jared. - Ackles agora disse mais sério. - Eles só vão pra Soho. É no centro de Manhattan, vamos vê-los sempre que quisermos. E eu aposto que sempre que tiverem um problema mais sério.

- É, eu sei. - Jared agora respirou fundo já mais calmo. - Precisamos mesmo deixar? Porque eles não vão a lugar nenhum se não deixarmos – Padalecki tentava se convencer de que isso ainda funcionaria.

- Até parece mesmo, né Jay? - Jensen riu agora, mas no fundo também gostava de achar que Nick ainda não tinha vida própria. - Anda, vá falar com ele que eu vou falar com a minha cria. - Jensen disse dando tapinhas nas costas de Jared, como se o incentivasse. Mais do que um passo para os garotos, era um passo ainda maior para eles dois.

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Nick, ao ver Jared entrando na quadra de basquete, olhou para Mark como se o apoiasse e dissesse para não falar besteiras, parou de jogar e olhou para o namorado do pai.

- Nick, seu pai está na sala, quer falar com você. - Ele disse tocando o ombro do loiro com um sorriso de canto. Nick assentiu com a cabeça e disparou para dentro de casa.

Mark não sabia muito bem como se aproximar do pai, apenas soltou a bola laranja de canto e buscou a camisa. Jogava sem ela, estava muito calor e ele suava demais. Ele olhou nos olhos do pai e viu um Jared mais calmo, mais conformado ele diria. Ele andou devagar enquanto Jared também fazia seu caminho na direção de filho com as mãos nos bolsos.

- Pai, desculpe, devia ter falado com você antes. – disse antes de qualquer coisa, inseguro mas tentando soar o mais respeitoso possível. - Pra ser sincero falei com a mamãe antes porque estava com medo de te dizer.

- Por que medo? - Jared perguntou achando graça do garoto se explicando daquele jeito, com aquela simplicidade.

- Eu não sei. Só acho mais fácil falar com ela porque não ligo muito para o que ela pode pensar de mim. É como se ela sentisse que ainda me deve alguma coisa e por isso nunca me diz não. Mas se é com você... - Ele não encontrou uma maneira de demonstrar com palavras, mas Jared entendeu perfeitamente e sorriu de canto bagunçando os cabelos suados do filho.

- Quando você tinha três anos... - Jared começou saudosista. - Era meu primeiro ano sozinho com você e eu estava... morrendo de medo! – ele tinha um olhar saudoso e Mark não conseguiu conter o sorriso ao ver o pai daquele jeito, também desarmado. - Como eu cuidaria de você, o que eu faria, e se algo acontecesse, eu mal sabia trocar suas fraldas... Seu padrinho ficou muitos dias lá em casa me ajudando. - Mark sorriu mais aberto ao lembrar de Chad. - Achei que não seria capaz... Mas aí está você... - Ele deu uma boa olhada no filho. Enorme. Parecido com ele. - No fim deu tudo certo.

- Pai, não vou te decepcionar. - Ele dizia como quem firmava um compromisso sério, olhando nos olhos de Jared – Mais que isso, não quero te decepcionar.

- Não tenho medo de você, Mark, tenho medo de como o mundo vai te tratar. - Jared começou aproximando-se ainda mais do filho. - Eu sei que não posso tomar as porradas da vida no seu lugar, eu sei que não posso cometer erros no seu lugar... Mas se Deus descesse aqui agora e dissesse que eu teria que arrancar meu coração do peito pra te dar... Ou se me dissesse que eu teria que ouvir a discografia completa da Britney Spears se isso salvasse você de alguma forma - Ele riu segurando as lágrimas. - Eu nem pensaria duas vezes.

- Isso não vai ser necessário. - Mark riu da brincadeira, tentando também conter as lágrimas. - Eu sei que não digo isso com muita frequência, mas fez um ótimo trabalho e peço que confie em mim e em Nick.

- Eu confio, só estou sendo egoísta. - Jared reconheceu - Não quero você longe de mim, mas você precisa correr atrás das suas coisas. E meu dever como pai é te apoiar. Nunca pensei que sentiria falta de trocar suas fraldas, porque naquela época eu sabia onde você estava o tempo todo. Eu te dava comida, eu te colocava na cama, eu tinha completo controle sobre tudo ao seu redor... E me assusta saber que não tenho mais.

- Você sabe que sempre vai ser meu porto seguro, eu sempre corro pra você quando faço besteiras, você sabe disso muito bem, pai. - Mark disse como se aquilo fosse mais do que óbvio.

- Você vai ficar bem. - Jared sorriu mais aberto puxando o filho pra dentro de casa. - E Nicholas vai te colocar na linha. - Os dois riram e entraram em casa com Mark dizendo coisas como "sou eu quem vai colocar ele na linha".

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Nick entrou em casa assim que Jared pediu que ele o fizesse. Seu pai estava na sala com um álbum de fotos antigo, de quando Nick era um bebê. Ele olhava com um sorriso no rosto enquanto o filho entrava na sala um pouco inseguro quanto àquela conversa.

Ele sentou no sofá ao lado do pai e passou a olhar o álbum junto com ele. A foto que ele via era de um Jensen com um sorriso que mal lhe cabia no rosto. Ele estava com uma roupa de hospital segurando um bebezinho recém-nascido, que dormia pacificamente em seus braços. Ackles estava tão apaixonado por aquela criança que seus olhos na foto não desviaram nem pra olhar a câmera, era como se ele não conseguisse olhar pra outra coisa que não fosse aquela criança. A data da foto mostrava vinte e sete de outubro de 1994.

- Quando sua mãe estava grávida, um dos meus maiores medos era te pegar no colo quando você nascesse. - Jensen disse fechando o álbum de fotos e colocando sob a mesa de centro.

- Por quê? - Nick estranhou o comentário quando se jogou pra trás no sofá, rindo.

- Eu tinha medo de te derrubar no chão, quebrar você, de não saber pegar e você chorar. - Jensen riu de si mesmo enquanto Nick fazia o mesmo. - Você era tão... pequeno, tão frágil, tão dependente... - Ele olhou o filho agora, dos pés a cabeça, quase maior do que ele, usando o mesmo número de sapatos que seu próprio pai.

- Aparentemente você se saiu muito bem, pai. - Nick disse tocando no ombro do médico. - Acho que deu tudo certo comigo e você nunca me derrubou no chão. - Ele brincou fazendo o pai rir.

- Foi diferente. - Ackles continuou. - Quando eu peguei você no colo quando nasceu, tudo mudou. Quando o médico colocou você nos meus braços e sua mãozinha minúscula apertou meu dedo indicador, eu soube... Eu não poderia me dar ao luxo de ter medo ou ser inseguro. Aquela pequena criatura no meu colo precisava de mim e eu não podia te decepcionar. - Nick viu os olhos do pai marejados.

- Eu e Mark só estamos indo para a faculdade, amamos você e o tio Jared, isso não mudou. Só queremos provar pra nós mesmo e pra vocês que sabemos nos virar, queremos que tenham orgulho de nós. - Nick disse calmamente, com a típica maturidade acompanhada dos olhos bonitos da mãe.

- Eu sei, filho. - Jensen disse apoiando o garoto. - Mas um dia você me dará netos e vai lembrar dessa conversa. - Jensen riu e Nick viu aquilo como uma realidade realmente muito distante, para não dizer absurda. - Sei o que você e Mark querem, eu também quis na sua idade.

- Quer dizer que vocês dois vão apoiar? - Ele perguntou cheio de expectativa.

- Mas é claro que sim. - Jensen nem terminou de falar e já sentiu o abraço caloroso do filho. - Mas ainda temos muito a conversar sobre isso. Se é o que querem, saibam que terão responsabilidades.

- Valeu, pai. - Ele disse no timing perfeito em que Mark e Jared entravam pela sala.

Nick levantou do sofá e foi ao encontro de um Mark sorridente, dando a resposta para a pergunta que ele não precisaria mais fazer. O músico passou a ficar ao lado de Jensen, que agora levantava-se do sofá. Sinalizou com a cabeça de que estava tudo bem e Jensen o beijou quase que imediatamente.

- Vamos morar na Soho! - Nick disse tentando disfarçar a animação que sentia ao mandar um "toca aqui" para Mark e depois se abraçarem.

- Vai ser o máximo. - Mark agora ria mais calmo e mais aberto dando um beijo no namorado. Estavam cheios de expectativas e apenas tentavam fingir que seus pais não estavam ali, olhando pra eles como se eles ainda tivessem cinco anos.

- Vão ficar bem sem nós? - Nick disse brincando. - Não vão morrer de saudades ou viver lá em casa, né? - O loiro brincou e Jensen só pensou que era parte da natureza dos filhos serem mesmo ingratos.

- É, crescem e não ligam mais pra gente. - O médico dramatizou e Jared riu o abraçando por trás.

- Ainda temos muita coisa a conversar sobre isso, nem vão se animando muito. - Jared tentou, mas já era tarde demais, eles nem ouviam mais, já estavam fazendo planos de quando mudariam e queriam contar logo pra todo mundo. Eles subiram as escadas indo em direção ao quarto de um deles enquanto conversavam sobre os pôsteres que tinham no quarto e agora certamente seriam da sala do apartamento.

Apesar de sentirem ainda seus corações apertados dentro do peito, Jensen e Jared sabiam que, no fundo, estavam fazendo a coisa certa.