THREE
Home
- E aqui tem um quarto menor, que pode servir pra hóspedes. - Sandra terminava de apresentar o apartamento que Jeffrey tinha comprado em Nova York há alguns anos, pensando na reaproximação de Sandra com o filho. Seria bom que tivessem um lugar pra ficar todas as vezes que fossem à América.
- Hóspedes? - Jared disse meio que de impulso, ainda achando que Nick e Mark dormiriam separados.
- Tá aí outra vantagem de morarmos aqui, coroa. - Mark disse rindo, abraçando o pai pelo ombro. - Não vou mais precisar esperar você e Jensen dormirem para poder correr pro quarto do Nick no meio da noite. - Ele arqueou as sobrancelhas parecendo uma criança contando que fazia suas travessuras às escondidas.
Sandy segurou o riso ao ver a cara de Jared, o rosto de Nick ficar vermelho e Jensen balançar a cabeça negativamente, constrangido e encarando Nick que resmungava alguma coisa como "eu não fiz nada, eu estava no meu quarto, o Mark que saía do dele".
O lugar não era um apartamento de luxo em Upper East Side, mas com certeza era um lugar charmoso e praticamente novo. Paredes brancas com o teto rebaixado em gesso e grafiato na única parede pintada de cinza chumbo na sala, janelas grandes e portas de madeira maciça. A cozinha era separada da espaçosa sala por um balcão de tijolos aparentes e tampo de mármore preto, um banheiro no corredor e uma suíte. O prédio tinha lavanderia e elevador, Mark e Nick iriam morar no oitavo andar.
Jared andava pelo apartamento tentando não parecer tão desolado. Não era longe, mas não era no Queens, era no centro de Manhattan. A Soho Avenue era famosa por suas lojas de grifes, cabeleireiros famosos, bares badalados e por ser perto da NYU – New York University. Jensen, por sua vez, tinha mais do que aprovado o lugar, estava preocupado que Nick fosse viver em algum lugar ruim, num bairro perigoso só por ser barato.
- O que acharam? - Ela perguntou diante do silêncio dos pais.
- Sandra, esse lugar é incrível. - Jensen foi sincero, olhando ao redor com as mãos nos bolsos. - Os meninos pelo jeito gostaram muito. - O médico disse ao ver que Nick e Mark estavam escorados na janela vendo a vista, o movimento constante da avenida.
- Fico feliz, doutor. - Ela disse sorridente olhando o filho de longe. - Ele está tão contente! - Ela suspirou ao ver Mark sorrir quando Nick contou alguma coisa engraçada. - Jared, o que você acha? Não disse nada desde que chegamos. - Ela girou o corpo a fim de encarar o ex-marido.
- Está tudo ótimo. - Ele disse sincero apesar de não demonstrar muita alegria. - Este lugar é incrível, melhor que meu próprio apartamento. - Jared sentiu o abraço do namorado por trás de si. Era como se Jensen sempre soubesse quando apoiá-lo.
- Não deve estar sendo fácil pra você, não é? - Ela disse aproximando-se mais dele. Jensen percebeu a deixa, preferiu deixar Jared falar a sós com a mãe de Mark.
- Vou falar com esses garotos, ver o que eles acharam. - Jensen deu um selinho em Jared e saiu na direção dos meninos na janela.
Sandra estava numa situação muito mais tranquila quando se tratava de ficar perto de Jared e Mark. Já estava acostumada com as marras do filho – pois conhecia bem as de Jared. Gostava muito de Jensen e Nick, especialmente ao ver que foram as outras duas pessoas que deram uma família ao seu único filho.
- Fiquei preocupada em como você reagiria. - Ela recomeçou a conversa e Jared respirou fundo. - Achei que iria ficar um pouco abalado, quer dizer, Mark estava com receio de contar seus planos pra você.
- Eu realmente não gosto da ideia. - Ele foi sincero e passou a, assim como ela, olhar o filho de longe, que agora era abraçado por Nick enquanto contava alguma coisa para Jensen, que sorria em resposta. - O acho muito... - Ele procurava uma boa justificativa e o caso é que Mark tinha se tornado um bom filho e ele não encontrava mais desculpas.
- Sabe que não tem argumento no mundo que o fará mudar de ideia. - Sandy tinha uma expressão compreensiva no rosto.
- Não mesmo. - Padalecki confirmou. - Acho que puxou isso de você!
- De mim? - Ela disse surpresa, mal acreditando no que ouvia e sorriu abertamente. - Pelo que eu bem me lembro, você é quem discutiu muito com seu Gerald quando decidimos casar e vir morar em Nova York! - Ela disse fazendo Jared sorrir mais aberto ao lembrar de como tudo entre ele e Sandy virou de cabeça pra baixo quando ela engravidou.
- Como se você tivesse feito muito esforço pra me fazer mudar de ideia! - Jared rebateu ainda sorrindo.
- Estávamos apaixonados, é claro que eu queria que o mundo explodisse desde que ficássemos juntos. - Ela respondeu sorrindo e cruzando os braços em seguida. - Acho que além desse "sonho de liberdade", Mark e Nick estão apaixonadíssimos... Vão morar juntos nem que seja pra quebrar a cara e voltar pra casa, mas eles vão. - Ela dizia convicta e Jared tirou os olhos do filho para encarar a ex-esposa.
- Nunca pensei que fosse ver você encarando tudo de uma forma tão positiva. - Ele disse e foi a vez dela de olhar de volta pra ele. - Está ajudando muito, obrigado.
- Quero tentar aproveitar o máximo que puder. - Ela disse com um sorriso triste. - Não sei como consegui viver tantos anos sem esse garotinho por perto.
- "Garotinho"? - Jared riu do jeito dela. - Esse moleque tem 1,85m de altura, diminutivos não são permitidos.
- Eu sei, ele tem a quem puxar! Ele é tão parecido com você, Jay... - Ela acrescentou e Jared olhou para os próprios pés. Gostava de ouvir aquilo, era algo que muita gente dizia. E, por ser ainda jovem, muitos acreditavam que eram irmãos. - Tem os seus cabelos, a sua barba... até seu jeito de andar. Vocês dois tem os mesmos olhares, as mesmas expressões faciais até o mesmo tom de voz... Vejo você com 18 anos quando olho pra ele.
- Ele tem seus olhos. - Jared disse olhando para a ex-mulher, que apenas sorriu em resposta. - Tem sua teimosia e com certeza sua popularidade na escola. - Agora Sandy praticamente gargalhou. Ouvir aquilo a remeteu por alguns segundos ao uniforme de líder de torcida.
- Vamos! - Ela disse antes que começasse a falar de Mark com Jared e não parar mais. - Vamos encontrar com Jeffrey. - Ela chamou os outros assim que checou o relógio discreto que tinha no pulso.
- Tia Sandy... - Nick disse andando na direção da morena baixinha, mais baixa que ele mesmo. - Muito obrigado, sério.
- De nada! - Ela disse sentindo seu coração mal lhe caber no peito. - Estamos aqui pra ajudar vocês. - Ela concluiu segurando em uma das mãos de Mark que agora ficava ao lado dela. - Vocês dois.
- É, mãe, valeu. - Mark disse jogando os cabelos pra trás.
- Vamos comprar móveis? - Nick perguntou ao lembrar que ela mencionou o encontro com Jeffrey.
- Sim, ele está esperando no carro. - Ela checou seu celular para ver a mensagem recém-chegada. - Jensen, Jared, vocês estão de carro também, então meninos, vocês preferem ir conosco ou com seus pais?
- Vamos com vocês. - Nick foi quem tomou iniciativa. Puxou Mark para seu lado. Queria que ele passasse mais tempo com a mãe antes que ela voltasse ao Canadá. Mas, instintivamente Mark olhou para o pai.
- Tudo bem. - Jared disse segurando em uma das mãos de Jensen, sorrindo. Entendeu o que Nick estava fazendo, Sandy também. - Estamos logo atrás de vocês.
- Beleza. - Mark e Nick saíram na frente seguidos por Sandy, que pedia a eles que chamassem o elevador e dizia a Jared e Jensen que trancassem a porta e trouxessem a chave.
Os três conversavam mais a frente animados enquanto Jensen e Jared fechavam a porta do apartamento novo dos meninos. Apesar de já estar conformado, ambos ainda estavam inseguros, mas sabiam que aquela era só mais uma fase da vida de seus filhos. O futuro que as pessoas tanto comentavam já estava começando.
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Seis meses e eles já estavam com o apartamento pronto. Na sala, logo na entrada, a parede que antes era branca agora estava decorada com discos de vinil e capas de álbuns famosos. The Wall e The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, The Number of the Beast, do Iron Maiden, Yellow Submarine, dos Beatles, The Black Album, do Metallica e a inconfundível língua dos Stones. Os garotos dormiam na suíte e deixaram o outro quarto para os estudos, violão e guitarra. Um laptop também ficava por lá, mas passava a maior parte do tempo desligado. Claro que eles tinham uma cama sobrando caso algum amigo quisesse dormir por lá.
Eles tinham uma kingzise no quarto, presente de Jeffrey – para a loucura e completa reprovação de Jensen e Jared que ainda não se acostumaram a ideia de seus "garotinhos dormindo de conchinha". Nas paredes, um quadro de vidro emoldurando um poster de um show do Green Day que eles tinham ido no ano anterior. Os ingressos estavam emoldurados junto com o poster. No criado mudo do lado de Nick, o despertador – porque se ficasse do lado de Mark, cada vez que tocasse, ele o atiraria na parede – seu relógio de pulso preto, a prova d'água da Mormaii, um tablet e, na gaveta, camisinhas, chicletes, papéis de chocolate, bilhetes de Mark e uma pequena agenda, com anotações antigas.
Do lado da cama de Mark, um Ipod quase sem bateria conectado aos fones de ouvido bagunçados – daquele que levava uns bons minutos até desfazer os nós pra poder ouvir. Duas caixas de Ray Ban abertas com os respectivos óculos dentro e o celular, que estava virando hábito ele esquecer em casa. Na gaveta tinha lubrificante – dois tubos, um cheio e um quase terminando – camisinhas, remédios para dor de cabeça e muscular, já que ele costumava pegar pesado durante os treinos. No chão, seu All Star preto ao lado das meias, uma camiseta preta lisa jogada e a cama desarrumada.
Na cozinha, louça na pia – como manda o figurino – e sobras de comida congelada sob a mesa. Nick já tinha dito pelo menos umas quatro vezes que era a vez de Mark limpar a cozinha e lavar a louça, mas o moreno ainda estava no quarto de estudos debruçado em cima de um livro de doenças genéticas.
- Mark! - Nick saiu do banho enrolado em uma toalha e encostou na soleira da porta do quarto onde Mark estava. - A cozinha não vai se limpar sozinha.
- Já vou! - Ele nem tirou os olhos do livro.
- É a quinta vez que você diz isso. - O loiro cruzou os braços impaciente. - Eu quero que você vá agora.
Mark levantou os olhos para olhar o namorado igualmente impaciente. Ele tirou os fios de cabelo do rosto e encarou o outro que não desviou o olhar e parecia decidido. Ele fechou o livro com força, fazendo um barulho alto já que o livro era grosso. Ele estava descalço e passou por Nick sem dizer nada rumo à cozinha. Ackles ficou olhando de longe enquanto ele fazia tudo parecendo uma criança. Batendo portas e jogando as coisas sem o menor cuidado.
- É sério que vai ficar pirraçando? - Nick disse passando as mãos pelos cabelos molhados, como se quisesse tirar o excesso de água.
- Onde você vai? - Ele não respondeu a provocação, apenas percebeu que Nick tinha tomado banho porque ia sair. Passava das três da tarde.
- Greenwich Village. - Nick respondeu tirando a toalha que tinha em volta da cintura e secando melhor os cabelos.
- Fazer o que? - Mark perguntou agora prestando atenção em Nick completamente nu a sua frente. O loiro passou por ele e Padalekci passou a língua pelos lábios olhando o traseiro do outro.
- Como assim "fazer o que"? - Nick riu entrando no quarto a fim de se vestir. Mark foi atrás. - Tenho aulas lá no campus de Washington Square... Tem um professor bacana lá, conheci ele na aula passada, pianista... Formado em Juilliard, acho que você deveria conhecê-lo e... - Antes que Nick pudesse completar a frase, sentiu Mark agarrá-lo por trás e lhe dar uma mordida na nuca. - Mark, porra! - Não que ele não estivesse acostumado, mas doeu.
Mark não respondeu, apenas girou o corpo do loiro de frente e o beijou imediatamente. Essa era de longe a melhor parte de morarem sozinhos. Faziam sexo quando bem entendiam, com portas abertas, podendo gritar, gemer alto, chamar os palavrões que quisessem, colocar música alta... Claro que isso já havia rendido muitas histórias em apenas seis meses de casa nova.
- Mark, agora não, eu preciso ir... - Nick disse mas sua voz não passava muita credibilidade, especialmente porque agora a boca do moreno alto já engolia seu membro. - Mark! - Mas já era tarde, ele já tinha se rendido e sentado na cama de olhos fechados.
- Depois você vai... - Mark dizia entre uma chupada e outra. - Ou senão da próxima vez não apareça na cozinha tirando a toalha esperando que eu não vá querer te comer.
Rapidamente tirou a própria roupa e foi até sua gaveta pegar o lubrificante. Nick adorava ficar olhando Mark sem roupa, era uma das visões que ele mais gostava. O moreno alto passou o lubrificante por toda extensão de seu membro e sentou sob a cama imediatamente colocando Nick em seu colo, de frente pra ele. O loiro passou as mãos pelos cabelos do outro, jogando-os para trás – primeiro porque gostava de puxá-los e, segundo, porque gostava de ver todas as expressões que ele fazia quando estavam transando, especialmente no momento em que ele envolveu o membro duro de Mark pra dentro de si. Aquele gemido angustiado, a mordida no lábio e os olhos fechados.
Ackles começou a se movimentar com desenvoltura enquanto beijava a testa de Mark, que permanecia concentrado nos movimentos do outro, ditando o ritmo e dizendo como gostava. Com o tempo e a intimidade crescendo, eles foram descobrindo o que gostavam que o outro fizesse. Mark por exemplo era fã dos palavrões pesados, gostava de fazer Nick pedir pelas coisas, implorar, não importava quem estava sendo o ativo na hora do sexo. Isso era o de menos. Já Nick gostava de mordidas, tapas e quando Mark deixava seu corpo marcado.
Num movimento ágil, Mark jogou Nick para o lado na cama e imediatamente foi por cima dele, ficando entre suas pernas e enquanto beijava o peito do outro, que sempre ficava marcado por sua pele ser muito clara. O que o excitava ainda mais era o jeito como Ackles gemia, como se pedisse mais e ao mesmo tempo pedisse pra parar. Gostavam de assistir um ao outro, de ficar olhando quando o outro gozava, de sentir os tremores.
Mark então se pôs em pé permanecendo perto do namorado e nem precisou pedir para que Nick o chupasse, ele já sabia o que deveria fazer. Padalecki entrelaçou os dedos pelos cabelos loiros molhados do outro enquanto forçava seu membro pra dentro da boca de Nick, não era sem querer que quase o deixava sem ar, aquilo o excitava e ele sabia que Nicholas também gostava. Ele adorava gozar daquele jeito, não apenas na boca do outro, mas na garganta. Logo depois que gozou do jeito que gostava, com Nicholas reclamando coisas como "você exagera", ele deixou que o namorado também gozasse como gostava. Dentro dele.
Foi a vez dele pegar o tubo de lubrificante e passar em seu membro e depois entre as nádegas do moreno alto, que não admitia muito, mas adorava aquilo também. Ele ficou de quatro e Nick mal conseguia aguentar sem gozar só de olhar aquela cena. Mark Padalecki de quatro pra ele, sem dúvida ele nunca se cansaria daquilo.
- Fode logo! - Mark pedia porque sabia que o outro gostava de ouvir. - Bem gostoso, do jeito que só você sabe fazer.
Nem precisava pedir, mas ele fazia questão de ver Nick fodendo ele enlouquecidamente, como se fosse a última vez na vida que fariam aquilo. Ele segurou o máximo que pode, mas era difícil não gozar logo com Padalecki gemendo daquele jeito, pedindo mais e dizendo o nome dele.
Nick pensou que precisava de outro banho e depois de beijar o namorado carinhosamente voltou pro chuveiro. Mark ainda ficou um tempo deitado na cama tentando se recuperar do que tinham acabado de fazer. Nada que durasse mais do que cinco minutos e então juntou suas roupas de volta e vestiu-se. Voltou para a cozinha pra terminar o que tinha começado, com a diferença de que agora não estava mais de mau humor.
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No começo, Jared e Jensen lingavam quase todos os dias, mas com o tempo foram se habituando à independência dos filhos. Um ano já havia se passado e era considerado um recorde para os pais. Eles acharam que os meninos não durariam dois meses e voltariam pra casa. Mas não, eles passaram perto de fazer isso, mas o orgulho de ambos jamais deixaria que desistissem. A noite, Mark arrumou uma vaga como estagiário no New York Presbyterian Hospital, indicado por Jensen. Nada muito sério, mas ele ao menos estava mais em contato com a área que tinha se decidido já estudar. Ele trabalhava três vezes por semana.
Nick, depois de mostrar uma habilidade invejável com um violão em mãos, tratava de aprender violino, piano e alguns instrumentos de sopro, que eram pré-requisito pra que ele continuasse no Conservatório de música de Nova York. Começou a dar aulas particulares também pra conseguir um dinheiro para se manterem.
Não tinham nem de perto a vida que tinham morando com seus pais. Os luxos, as regalias e o fato de terem tudo na mão com certeza eram um capitulo mais do que ultrapassado na vida dos dois. Brigavam – e muito! - mas logo resolviam as coisas. Estavam tendo problemas com responsabilidades com a casa no começo, mas Nick era paciente com o moreno alto. Mark, por sua vez, nem tanto. A cada semestre que entravam, Padalecki parecia se afundar ainda mais em livros. Se encontrou na Medicina de uma maneira que nem Nick imaginava que veria.
- Padalecki! - O loiro alto gritava do quarto dos dois assim que ouviu a porta do apartamento se abrir com alguém chegando. - Mas que porra, Mark!
- O que eu fiz, caralho? - Mark, vestido todo de branco. Jogou as chaves do Corvette que seu pai finalmente tinha se rendido a dar a ele em cima da cômoda ao lado da porta. A bolsa do laptop e dois livros pesados ele jogou em cima do sofá.
- Nossa viagem é mês que vem. - Nick disse aparecendo na sala, exaltado, legitimamente puto da vida. - Cadê nossos passaportes?
- E por que eu deveria saber? - Mark cruzou os braços enquanto Nick, sem camisa, só com uma calça de moletom, rodeava a casa em busca dos documentos.
- Porque eu pedi pra você cuidar disso! Precisamos deles pra viajar pro casamento da sua mãe. - O loiro disse enquanto revirava algumas gavetas nas estantes da sala.
- Nick, meu passaporte está na casa dos nossos pais. - Mark disse lembrando-se especialmente do motivo de não ter trazido. - Está vencido...
- O QUE? - Nick parou de procurar e encarou o namorado que parecia não fazer grande caso do que tinha acabado de dizer. Nicholas estava bufando. - Eu vou te matar, Padalecki. - Ele baixou os olhos e pôs as mãos no quadril como se quisesse se acalmar.
- E que culpa eu tenho se aquela porra passou do prazo e eu esqueci completamente? - Mark disse e já estava com os ânimos nas alturas. - Eu faço outro e pronto, não sei porque esse escândalo. O seu deve estar lá em casa também. - Ele juntou as coisas que tinha posto no sofá e marchou até o quarto. Estava cansado, tinha acabado de voltar do trabalho, já era duas da manhã.
- Mark, eu te avisei! Precisamos disso pra viajar! - Nick seguiu o namorado. - É sempre assim, sou sempre eu quem tenho que ir atrás! Você nunca faz nada, só pensa nesse maldito hospital e deixa todas as responsabilidades, que deveriam ser nossas, em cima de mim!
- Para de dar showzinho, Nick! - Foi a vez de Mark gritar. - Eu vou resolver, amanhã mesmo ligo pro papai trazer essa merda pra mim e resolvo.
- Pois saiba que eu não vou mover uma palha pra fazer isso pra você. - Nick disse firme. Ele sempre dizia isso, mas acabava resolvendo as coisas de Mark. Mas seu tom de voz parecia mais sério desta vez e Mark notou isso - Vai ficar sem viajar se não for fazer as coisas por você mesmo.
- Chega! - Mark gritou fazendo o outro se calar, mas não se dar por vencido. - Eu não quero mais discutir, me deixa dormir. - Ele tirou a camisa e os sapatos.
- Pois durma. - Nicholas falou mais baixo. - Aproveite que hoje terá a cama só pra você. - Nicholas disse pegando uma jaqueta no guarda roupa e saindo de casa.
- Nicholas! - Mark foi atrás dele e, no momento em que o loiro atingiu a porta, Mark segurou com uma das mãos não o deixando abrir. - Você não vai a lugar nenhum!
- Vou sim, vou pra casa do Steve. - Ele sempre corria pro melhor amigo quando essas brigas aconteciam.
- E vai lá fazer o que? - Mark provocou. - Gostaria muito de saber se você não está comendo ele, pois é só discutirmos que você corre pra lá!
- Como se você não corresse pro James também! - Nick se defendeu quando Mark deu as costas a ele. - Está comendo ele também por acaso?
- Vai se foder, Nick. - Padalecki novamente voltou a gritar.
- Vai se foder você, Mark! - Ele não ouviu se Mark protestou alguma coisa, apenas bateu a porta quando saiu.
Essas cenas aconteceram muitas vezes, mas eles nunca ficavam brigados mais do que algumas horas. Ou Nick aparecia comprando Mark com declarações de amor e juras eternas, ou Mark aparecia com aqueles olhos de cachorro pidão implorando desculpas.
No dia seguinte à briga, Nick chegou em casa e tudo estava em ordem. Padalecki estava com seu passaporte vencido em cima da mesa pronto para ir resolver o problema, seu pai tinha trazido mais cedo o dele e o de Nick, e aproveitou para dar alguns conselhos sobre convivência. Estava no quarto de estudos terminando de arrumar os livros para mais uma aula quando Nick chegou.
Ele entrou e ficou na porta olhando o namorado colocar o laptop dentro da bolsa. Mark parou o que estava fazendo quando viu o namorado ali parado.
- Me perdoe. - Nick disse jogando as chaves em cima da escrivaninha e andando na direção do outro. - Odeio brigar com você, odeio mesmo. - Ele abraçou o moreno alto.
- Você é um idiota, Ackles. - Mark sentia-se nas mãos do outro toda vez que ele o abraçava daquele jeito, pela cintura, apoiando a cabeça em seu ombro. Aquele cheiro que o outro tinha e ele mal conseguia se controlar.
- Eu te amo. - Nick sussurrou no ouvido do outro, começando a beijar seu pescoço de leve. - Muito, muito mesmo...
- Eu também te amo. - Mark respondeu acariciando os cabelos do outro. - Me desculpe também, não lembrei do passaporte, estou com tantas coisas na cabeça... - Ele suspirou ao lembrar do tanto de coisas que precisava estudar. - Vou melhorar, prometo.
- Não vamos mais brigar. - O loiro disse dengoso, já tirando a roupa do moreno alto.
- Não, não vamos. - Mark concordou beijando aqueles lábios pelos quais era tão apaixonado.
Essa promessa era a que eles mais quebravam, é claro que voltariam a brigar, mais inúmeras vezes, pelos motivos mais idiotas e pelos mais sérios. Desde uma toalha molhada em cima da cama até o outro chegar em casa tarde e não atender o celular nesse meio tempo.
Estavam juntos há quase três anos somando tudo que já tinham passado e, em se tratando de dois jovens, eles estavam se saindo até que razoavelmente bem. A viagem para Vancouver estava chegando e eles estavam ansiosos. Saíram com Jared e Jensen para comprar ternos antes de viajarem, comprar o presente para Sandy e Jeffrey e colocar a conversa com seus pais em dia.
E se fosse para resumirem, diriam que a vida era boa e tudo estava bem. Por enquanto.
