FOUR

Canada

No segundo ano de faculdade dos dois Mark tinha finalmente largado todas as matérias que resolveu fazer de música para se dedicar única e exclusivamente à medicina. Agora, no terceiro, já era um dos melhores de sua turma e andava virando noites estudando. Nick andava preocupado, mas não dizia nada. Era início do segundo ano deles e ambos ainda estavam de férias. Iriam viajar para Vancouver, Sandy iria se casar com Jeffrey.

Os quatro chegaram ao aeroporto, Jared com Jensen e Nick com Mark. Tinham reservado o mesmo hotel, apenas quartos separados. Jared vestia azul marinho com jeans e Jensen estava de calça social com uma camisa branca bem informal. Jensen não se cansava de elogiar Jared por estar agora usando aqueles óculos de leitura. Eles pareciam mais apaixonados do que nunca enquanto esperavam na fila do embarque após fazerem o check-in.

Nick e Mark tinham acabado de brigar antes de sair de casa. Nick queria ficar uns dias a mais em Vancouver para aproveitarem as férias e conhecerem a cidade e os arredores, mas Mark queria voltar, alegando que tinha que estudar. Nick quis ser compreensivo e abriu mão da viagem, mas continuou chateado e os dois discutiram. Mark, por sua vez, não entendia o porquê daquele drama todo, afinal segundo ele, eles teriam ainda muito tempo para viajar.

- Vou comprar uma água e algo pra comer. - Mark disse para os outros três. Jensen e Jared concordaram com a cabeça, mas Nick não respondeu. Continuou com os olhos fixos na janela enorme do aeroporto internacional Presidente John F. Kenndy, em Nova York. - Amor, quer algo? - Ele tentou, mas Nick nem olhou de volta, apenas sinalizou que não com a cabeça.

Mark ainda ficou pensando em dizer alguma coisa para fazer com que o loiro olhasse pra ele, mas nada. Não era nem questão de dar o braço a torcer, o problema é que ele realmente estava triste e não queria papo. O moreno se deu por vencido e apenas saiu rumo a lanchonete do outro lado do saguão.

- Ei... - Jensen foi o primeiro a abordar o filho ao ver que algo estava errado. - O que aconteceu dessa vez?

- Mark é um imbecil e ele está me irritando. - Nick disse como se fosse um desabafo. - Sem ofensas, Jay. - Ele disse em seguida, mas Jared apenas sorriu de canto. Não era a primeira vez que via os dois brigados.

- O que ele fez? - Ackles perguntou ao filho com calma enquanto abraçava Jared.

- Ele não tem mais tempo pra mim. - Ele disse calmamente apenas cuidando com o canto do olho pra ver se Mark não estava voltando. - Sempre proponho saídas ou até mesmo ficar no sofá vendo filme, mas ele não para de estudar!

- Mas, filho, entenda... - Jensen que já tinha experiência naquela faculdade, tocou o ombro do filho. - Essa faculdade é o cão! Eu entendo o desespero dele, você não tem noção da quantidade de coisas que precisam ser vistas e olha a responsabilidade da área!

- Eu sei. - Nick respondeu voltando a ficar sisudo. Ninguém o entendia e ainda o fazia sentir-se egoísta. - Não quero mais falar sobre isso.

- Nick... - Jared foi quem tentou dessa vez. - Temos isso em comum, certo? Nossos namorados são dois malucos! - Ele sorriu, mas Nick continuou sério. - Se precisar conversar ou quiser sair qualquer hora, podemos fazer isso juntos.

- Tem coisas que quero fazer com Mark e não posso fazer com você, Jared. - Nick disse e finalmente se rendeu ao riso ao ver a cara que seu pai fez.

- Saudade da época em que você me respeitava. - Jensen dizia enquanto Jared o abraçava lhe dando um beijo no rosto.

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Assim como Sandy, Jeffrey também era católico. Eles se casaram na Pacific Church, na beira do oceano pacífico na costa do Canadá. A cerimônia não poderia ter sido mais bonita e inspiradora. O sermão do padre que celebrou serviu não apenas para os noivos, mas todos os casais que estavam presentes. Tanto Jensen quanto Jared vestiam ternos pretos com camisas brancas, diferenciando-se apenas pelas gravatas. A gravata do médico era verde-escura e a do músico era azul-marinho. Eles dançaram juntos, curtiram a noite, beberam champagne e conversaram com os noivos. Fizeram amigos e estavam no auge de seu relacionamento.

Mark e Nick mal se olharam durante a festa. Ficaram lado a lado no altar, até porque Mark foi um dos grooms de Jeffrey e vestia a mesma roupa que os outros. O terno azul marinho e a camisa branca com a gravata no mesmo tom do terno. A única coisa que ele estava achando brega era aquela flor na lapela. Nick vestia um terno Armani preto, camisa também preta e a gravata era prata. Sapatos alinhados e o cabelo bem cortado. Ele estava chamando muita atenção de algumas meninas, especialmente de Mya, a filha mais velha de Jeffrey, fruto do primeiro casamento dele.

Mark procurava pelo namorado no meio da festa enquanto bebia Chardonnay sem parar. Passou por uma pequena varanda que dava acesso ao píer do lugar – já que estavam beira-mar. De longe viu Nick rindo ao lado da garota de cabelos lisos castanhos. Ela estava usando um vestido rosa claro bordado num tom mais escuro de rosa, não tinha mais que quinze anos.

Mark não andou, mas marchou até onde eles estavam. Nick tinha o terno aberto e as mãos nos bolsos, despojado, como se já tivesse ficado íntimo da garota, que toda hora colocava o cabelo atrás da orelha. Quando se aproximou deles, não disse nada, apenas posicionou-se ao lado de Nick como se tomasse conta do que era dele.

- Ei! - Nick disse sorrindo e pegando na mão do namorado. - Esse é Mark, meu namorado de quem eu estava lhe falando.

- Olá. - Ela disse um pouco sem graça, mas tentando parecer simpática. - Acho que, apesar de agora sermos quase irmãos, ainda não nos conhecemos, me chamo Mya. Meu pai é o Jeffrey.

- Eu sei. - Mark respondeu extremamente antipático, sem sequer retribuir o sorriso. Por ser bem maior do que ele, parecia que ele queria propositalmente intimidar a garota. Nick revirou os olhos diante da atitude do outro.

A garota um pouco sem reação e certamente com medo de Mark, sorriu embaraçada para Nick e levantou um pouco vestido a fim de conseguir andar melhor pelo píer de madeira, dando a entender que estava se retirando.

- Bem, aproveitem a noite. - Ela sorriu para ambos, mas Mark continuou parado e com a mesma cara. Nick pareceu mais simpático. - Nick, muito legal conhecer você. Se tiver Facebook, me adiciona lá, certo?

- Com certeza. - O normal seria que Nick insistisse pra que ela ficasse, mas achou melhor que ela fosse embora mesmo antes que Mark o fizesse passar alguma vergonha. - Prazer te conhecer, Mya.

A menina se afastou e Mark fez menção de abraçar o namorado, já estava um pouco bêbado demais, mas nada a ponto de dar vexame. Ele pôs a taça de lado, em um dos pilares do píer e tentou circundar seus braços ao redor de Nick, que automaticamente saiu de perto dele.

- O que foi? - Ele perguntou sem entender.

- Por que você fez aquilo? Custa conversar direito com a garota? - Nick tirava seu terno agora, ficando apenas de camisa e gravata. Ele entrelaçou o casaco no braço e pôs as duas mãos nos bolsos.

- Qual o seu problema? - Nesse momento Nick viu um Mark de alguns anos atrás, na época da escola.

- Qual é o seu problema, Mark? - Nick agora se aproximou dele falando mais sério. - Não fala comigo, as vezes eu acho que você nem percebe se eu estou em casa ou não! Você simplesmente chega, se enfia naquele quarto e começa a ler a meia noite e só dorme as cinco da manhã! - Nick estava desabafando de vez. - Aí eu peço pra gente prolongar nossa vinda a Vancouver e você faz o que? Fala que tem que estudar!

- Nick, eu... - Ele tentou, mas Nicholas não deixou.

- Não, eu ainda não terminei. - O loiro disse. Não estava gritando e nem com a voz exaltada, tinha noção de que estavam em público. Mark engoliu a seco e sentiu-se culpado. - Eu nunca saí dos Estados Unidos e quando pensei que minha primeira viagem com você seria para fora do país, imaginei mil possibilidades! Imagine como me senti quando você acabou com os meus planos!

Ele respirou fundo tentando se conter. Passou as mãos pelo rosto, estava suando ligeiramente. Pegou a taça de Mark de cima do pilar do píer e tomou todo o conteúdo que restava dela.

- Me desculpe, Nick. - Mark foi sincero, não tinha noção de que tinha magoado o namorado tanto daquele jeito. - Me perdoe, não quero brigar com você.

- Não, Mark, eu já estou cansado de pedidos de desculpas. - Ele disse sério, mas aquilo doeu mais nele do que em Mark, pois ele queria sim aceitar mais aquele pedido de desculpas e abraçar o namorado. Mas isso só faria Mark repetir tudo quando chegassem a Nova York. - Se realmente quiser ficar comigo, vai ter que demonstrar.

Ele não esperou uma resposta e voltou para dentro do local onde a festa estava acontecendo. Mark olhou para o oceano e ficou com uma profunda vontade de se atirar de lá. Quando pensou em sair dali, viu seu pai andando em sua direção.

- O que você fez? - Ele disse ficando lado a lado com o filho, ambos encarando a imensidão do oceano.

- Pai... - Ele nem sabia por onde começar. Ele poderia ser malcriado e dizer coisas que normalmente faria se ainda tivesse dezesseis anos, como "não é da sua conta" ou "pare de me dizer o que fazer", mas o tempo só mostrou a ele como cada vez mais seu pai tinha razão.

- Mark, eu sei que ama esse garoto, está escrito bem no meio da sua cara. - Jared disse fazendo Mark baixar os olhos. Era verdade. - Precisa rever suas atitudes.

- Lembra quando cheguei em casa sangrando porque tinha ido encher o saco de um cão na rua e ele me mordeu? - Mark dizia não muito saudosista, mas só agora, depois de muitos anos é que seu pai se permitia rir. Porque Jared entrou em pânico no dia.

- Lembro. - Jared respondeu colocando as mãos nos bolsos. - Você estava mais assustado do que sentindo dor. Fez quatro pontos na perna. - Ele disse e Mark lembrava que ainda tinha a cicatriz. - Disse que foi a pior dor da sua vida.

- Eu não poderia estar mais errado. - Ele disse e o sorriso ia se esvaindo de seu rosto. - Magoar Nick me corta por dentro, ao meio, não me sinto completo. - Ele foi sincero e Jared entendia bem como ele se sentia. Sabia o que era ter encontrado o verdadeiro amor.

- Sei que vocês vão resolver. - O músico disse tocando com carinho no ombro do filho. - Dê um tempo a ele e não fique só no gogó... Faça alguma coisa, Mark. Amor não são só palavras. - Ele disse e Mark sentiu-se realmente melhor.

- Valeu pai. - Jared já ia saindo e ele ficou mais um momento olhando o oceano.

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No hotel, depois da festa de casamento, Jared e Jensen pareciam ter se divertido tanto que agora viviam numa eterna lua-de-mel. Bem ao contrário de Mark e Nick.

Mark chegou primeiro ao quarto que tinham reservado e tomou banho, guardou suas roupas e ligou a televisão. Passava um telejornal qualquer e ele não estava prestando muita atenção. Vestia apenas a samba-canção de seda preta que tinha ganhado de presente do namorado e uma camiseta branca simples. Estava descalço e andava pelo apartamento a procura do próprio celular.

Nick chegou alguns minutos depois e já tinha tirado a gravata e enrolado em uma das mãos. Estava cansado e seus cabelos estavam um pouco bagunçados pelo vento de Vancouver. Mark olhou ele entrar no quarto e olhar pra ele de longe. Era sempre um clima de reconciliação quando eles se viam depois de passar horas separados por uma briga, mas não foi o que aconteceu.

- Nick... amor... - Mark andou até ele e segurou em seu rosto fazendo-o olhar pra ele.

- O que foi? - O loiro respondeu um pouco sem vontade, apesar da expectativa de que Mark falasse a coisa certa no momento certo.

- Eu sei que queria ficar aqui em Vancouver para aproveitar um pouco mais então... - Mark disse e um brilho de esperança quase se acendeu nos olhos expressivos de Nick. - Eu tive uma ideia.

- Que ideia? - Ele jogou a gravata no sofá e agora estava mais desperto.

- Que tal se você ficasse? Digo, ficasse aqui, para aproveitar, conhecer os lugares. Quem precisa estudar sou eu, não é justo te amarrar em casa comigo e com meus livros. - Mark dizia como se fosse a melhor ideia de todos os tempos desde a invenção do avião.

Nick levou um tempo para absorver aquilo. Ele não sabia se Mark era apenas o cara mais babaca do mundo ou se realmente era ingênuo o suficiente pra achar que aquilo era uma boa ideia. Ele fitou o olhar de Mark que, aos poucos, foi percebendo o tamanho da bobagem que disse.

- Quer dizer que se eu decidir ficar aqui mais uma semana, duas ou o resto das férias você não vai se importar em ficar longe de mim? - Nick disse mais triste do que com raiva.

- Não! - Mark apressou-se em responder. - Não, Nick... - Ele respirou fundo e segurou nas mãos do loiro que no mesmo segundo se desvencilhou. – Não foi isso que eu quis dizer.

Nick não disse mais nada. Suspirou sem encarar o namorado e entrou no largo banheiro do quarto de hotel, que tinha uma banheira. Trancou a porta e encostou-se nela como se aquilo ajudasse a deixar a porta ainda mais trancada. Ele deslizou de costas até sentar no chão frio do banheiro e deixou as lágrimas rolarem como quem tinha as guardado por muito tempo.

Mark pensou por um momento que um buraco tinha se aberto embaixo de seus pés. Até quis que aquilo fosse verdade pra ver se ele conseguia sumir naquele momento. Por que tudo que ele dizia saía errado? Por que tudo saía torto e as pessoas nunca tinham a mesma interpretação que ele? Na sua mente, tinha funcionado, foi só ele dizer em voz alta que saiu completamente errado. Ele amava aquele garoto há anos e não sabia o que fazer pra consertar as coisas. Sentia que aquela não era mais só uma briga qualquer.

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Já fazia alguns dias que eles tinham voltado da viagem de Vancouver. Nada muito significativo mudou entre eles. Continuavam com o clima pesado e a conversa era pouca. Nick só falava o necessário por mais que Mark tentasse puxar assunto. O moreno alto não pressionava, estava com medo de falar alguma bobagem de novo e acabar de vez com o relacionamento.

Padalecki estava, pra variar, estudando no quarto. Ele lia sem parar e fazia algumas anotações. Lá se iam duas horas e ele não conseguia mais se concentrar. Pensava em Nick quando, ao longe, baixinho, ouviu os acordes conhecidos de seu violão no quarto ao lado onde eles dormiam. Instintivamente ele levantou pra ver do que se tratava, embora já fizesse ideia.

Ele se aproximou devagar da porta que estava aberta e mostrava Nick, do seu lado da cama, de costas para a porta. O loiro estava sem camisa e cantava apenas dedilhando no violão as notas. Mark não sabia o que era mais estranho: ser era o fato de Nick estar tocando melhor do que ele ou se era porque a música que ele estava tocando era Dear God, do Avenged Sevenfold. Banda que ele costumava não gostar nem um pouco.

Ele parou subitamente como se soubesse que alguém o observava. Sem olhar, apenas falou voltando a dedilhar o instrumento.

- Está errado? - Ele perguntou e Mark sorriu de canto.

- Está perfeito. - Ele era completamente apaixonado por Nick, mas quando o assunto era esse, ele não mentia.

- Estou atrapalhando sua leitura? Desculpe por isso, só queria me distrair um pouco.

- Claro que não. - Mark entrou no quarto e sentou ao lado do namorado. Suspirou e pensou em começar uma conversa, mas não parecia que Nick andava com humor – ou até mesmo vontade – de conversar com ele.

O loiro deixou o violão de lado e levantou da cama. Na sua cabeça, não fazia sentido Mark agir da forma como agia. O clima entre os dois estava péssimo e ainda assim ele não fazia nada para mudar aquilo. Mark, por sua vez, parecia buscar alguma pista nos olhos de Nick, mas o loiro se recusava terminantemente de olhar pra ele.

Nick entrou no banheiro e alguns segundos depois, Mark pode ouvir o barulho do chuveiro. Respirou fundo e estava perdendo as esperanças. Quando olhou pra tela do computador e viu o software de mensagens instantâneas de uma rede social qualquer aberto na página de Nick. Uma janelinha estava aberta como se ele estivesse conversando com alguém.

Mark reconheceu a foto de Mya Morgan, filha de Jeffrey. Seu sangue ferveu ao ver que era uma conversa de Nick com ela. Não tinha nada demais, apenas coisas banais sobre faculdade, escola, família... E quando Mark deu por si, estava lá mexendo na barra de rolagem lendo a conversa inteira. Parou num momento específico em que Nick perguntava a ela se ela tinha planos de vir a Nova York, em seguida fez uma propaganda básica da cidade e disse que poderiam tomar um café se ela viesse. Mark sentia medo e ao mesmo tempo raiva. Queria quebrar o computador e a cara de Nick.

- O que está fazendo? - Dez minutos depois Nick apareceu enquanto Mark ainda lia a conversa e ainda mexia em outras coisas que estavam abertas de Nick. E-mail, portal de notas da faculdade, redes sociais no geral. Não encontrou absolutamente nada, mas a conversa com Mya o estava incomodando mais que tudo.

- Está conversando com a filha do Jeffrey? - Ele levantou-se de onde estava fechando a tampa do laptop com uma força desnecessária.

- Não acredito que estava mexendo nas minhas coisas... - Nick riu sarcástico. De fato, não acreditava mesmo.

- Por quê? Não posso? Está me escondendo alguma coisa? - E lá se ia Mark perdendo a razão novamente.

- Você ultrapassou sérios limites aqui, Mark. - Nick tentava manter a calma, mas estava difícil. Ele vestiu a primeira cueca limpa que achou na gaveta.

- Estou falando sério! - Mark continuou ignorando o fato de que tinha acabado de se dar conta de que tinha mesmo pisado na bola.

- Acho que o que eu falo não vale muita coisa, afinal, você teve que ir mexer nas minhas coisas pra checar. - Nick continuava, magoado enquanto vestia o jeans e uma camiseta qualquer. - Você não tinha o direito de fazer isso. - Ele continuou, calmo, pois sabia que estava certo. Não tinha feito nada de errado. Calçou um tênis comum sem meias e pegou a chave do Jaguar. Mark só conseguia ficar calado. - Eu quero apenas que você lembre que eu nunca te dei motivos pra isso.

Antes que Mark pudesse sequer pensar em uma resposta ou, novamente, se desculpar, Nick já tinha batido a porta do apartamento deixando claro que não estava mais em casa.

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Não eram nem nove da noite ainda e Mark estava enfiado no bar de Chad conversando com o padrinho. Ele parecia ser o único razoável naquele momento. Não queria incomodar seu pai e Jensen com mais problemas entre ele e Nick e, especialmente, já estava cansado de ouvir a mesma coisa de todos. Ele só estava sendo aplicado nos estudos. O que tinha de errado nisso?

- Então eu perdi a cabeça e mexi nas coisas dele. - O moreno alto dizia sentado num banco do balcão do bar enquanto Chad estava do outro lado ouvindo pacientemente.

- Já se desculpou por isso? - Chad perguntou compreensivo.

- Nick já está cansado de ouvir minhas desculpas. - Mark disse triste sem encarar o padrinho. - Acho que nosso relacionamento está caminhando para um fim.

- Não diga isso, Mark. - Chad tentou incentivar. - Não acredito que depois de tudo que passaram você e Nick vão se separar! Justo agora? Não é certo, cara.

- Eu morreria por ele, mas... Acho que ele já não tem motivos para estar comigo. - Ele disse triste e Chad tocou no ombro dele.

- Vocês vão superar isso, tenho certeza. Além do mais, precisam estar em sintonia agora pros preparativos, principalmente para encontrarem um lugar pra festa. - Chad disse rindo.

- Festa de que? - Mark não entendeu do que Chad poderia estar falando.

- Ah qual é, Mark! - Chad agora riu com vontade. - Eu estou aqui pro que você precisar, mas sem chance de eu liberar o bar para uma festa gay de despedida de solteiro! Você e Nick terão que encontrar outro lugar para fazer as festas de seus respectivos pais.

- Papai e Jensen vão casar? - Mark estava pasmo. Não faltava mesmo mais nada pra ele ouvir aquela noite. - Por que ele não me disse?

- Eu pensei que você sabia. - Chad disse percebendo que tinha falado demais.

- Eu não acredito... - Mark não se despediu do padrinho, simplesmente entrou no Corvette e dirigiu até a casa do pai.

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Jared estranhou a hora para Mark aparecer lá, por volta de dez da noite, mas abriu o portão principal da casa enorme quando ele anunciou que estava lá na frente. Jared mal pode abrir a porta da sala e o furacão Mark Padalecki entrou como se nunca tivesse se mudado de lá. Jensen descia as escadas do segundo andar, ele e Jared vestiam apenas roupões brancos como se já estivesse sem preparando para dormir.

- Algum problema, filho? - Jared se preocupou ao ver que Mark estava exaltado.

- Quando eu e Nick decidimos nos mudar de casa, você só faltou me bater porque não falei com você primeiro. - Ele começou e Jared não estava entendendo aquele tom de voz embora não estivesse gostando nenhum pouco. - E agora você vai se casar e não me diz nada?

- Mark, acalme-se. - Jared disse firme. - É claro que íamos contar.

- Como ficou sabendo? - Foi a vez de Jensen perguntar, mas Mark não deu a mínima. Continuou olhando para Jared esperando uma resposta.

- Primeiro você abaixa esse tom pra falar comigo. - Jared disse e Mark respirou fundo, tentando ficar mais relaxado. - Eu sou seu pai caso você tenha esquecido.

- Não me esqueci e por isso mesmo estou aqui. Meu pai decide se casar e não se dá ao trabalho de me avisar. - Ele insistiu, mas dessa vez foi falando baixo.

- Acha que ia me casar e não contar pra você? - Jared dizia incrédulo e não acreditando que Mark estava fazendo uma tempestade com aquilo.

- Mark, eu acho que você precisa... - Jensen tentou novamente, mas Mark continuou falando com seu pai como se o loiro não estivesse ali.

- Então por que tio Chad teve que me contar? - Ele perguntou e Jared arqueou as sobrancelhas.

- Porque íamos contar para você e Nick no próximo final de semana, num jantar que eu e Jensen faremos aqui em casa. - Jared respondeu e Mark novamente tentava ignorar os sinais de que estava errado mais uma vez e apenas resolveu ofender pra se defender, como sempre fazia.

- Aparentemente não é mais necessário. - Ele disse dando as costas e deixando a casa mesmo sob os protestos do pai o chamando e dizendo para que ficasse para que conversassem.

Ele acelerou o carro e rumou pra casa. Estava irritado e o que piorava ainda mais seu temperamento era que nada do que estava acontecendo era motivo suficiente para ele explodir, tudo o fazia parecer exagerado e psicótico. Sentia falta de Nick, sentia falta de seu equilíbrio. Não conseguia estudar, não conseguia fazer nada e odiava ter se tornado dependente daquele jeito. Não sabia nem por onde começar para voltar a ter controle sobre sua vida.