FIVE
Problems in paradise
Can't believe you're packin your bags
(Não acredito que arrumando suas malas)
Tryin' so hard not to cry
(Tentando muito não chorar)
Nick rodava de carro pelas movimentadas ruas de Nova York. Sentia saudades daquele Jaguar era verdade, mas já não sentia a mesma emoção de dirigir que tinha aos dezesseis anos quando ganhou o carro. Claro que um Jaguar certamente provocava arrepios em quem ouvia o nome da marca, mas Nick sentia que para sempre iria preferir o Corvette 67 dos Padalecki, onde muitas lembranças foram formadas.
A Times Square estava lotada como sempre. Passou pelo Central Park, pela 5th Avenue e deu a volta por toda ilha de Manhattan. Pensou nas vezes em que foi no alto da ilha pra dar uns amassos escondidos com Mark. Bons tempos, sorriu para si mesmo ao lembrar.
Pensava em como tinham chegado tão longe. Desde as brigas até os jogos passando por festas, momentos presos em uma adega de vinhos, amigos... Os tempos de escola eram fáceis comparados ao que eles viviam agora. Não estava sendo exatamente como pensavam, como esperavam.
Voltou pra casa, ainda estava com raiva do namorado, mas tentando ao máximo se controlar. Não queria perdê-lo, disso não tinha dúvidas. Precisava fazer alguma coisa, mas sentia-se frustrado ao pensar que não dependia só dele, pois relacionamentos eram feitos de duas pessoas, as duas precisariam estar comprometidas e não era isso que via em Mark.
Jogou as chaves e o casaco em cima do sofá. O apartamento estava vazio, para sua surpresa Mark também não estava. Ligou para o celular dele e ouviu o som abafado, vindo do fim do corredor. Andou na direção de onde vinha o som e descobriu o aparelho em meio a cobertores e travesseiros, jogado de qualquer jeito em cima da cama. Mark esquecendo o celular em casa, que novidade. Ele já havia dito inúmeras vezes que o aparelho atrapalhava seus estudos, pois alguém sempre estava querendo falar com ele. Por mais que Nick insistisse que ele o mantivesse por perto, mesmo que o colocasse no modo silencioso, Mark nunca o ouvia. Desligou o aparelho frustrado segurando o telefone de Mark em mãos.
Lembrou-se das vezes em que discutiram por causa daquilo e, quando se deu conta, estava mexendo no aparelho. Checou a agenda, nada muito especial, conhecia a maioria das pessoas que ele tinha o número armazenado. Alguns estranhos – provavelmente colegas de faculdade, pensou o loiro – alguns números que Nick também tinha, como os pais, Sandy e Jeffrey. Checou as mensagens recebidas, apenas algumas antigas de Nick, apaixonadas, dizendo que sentia falta dele, algumas trocadas com colegas falando de trabalhos e coisas relativas a estudo. Uma ou outra de Jared e várias da mãe, dizendo que sentia saudades e que não via a hora de vê-lo.
Jogou o aparelho de volta em cima da cama e voltou a abrir o computador. Não sabia exatamente o que estava fazendo, mas sentiu que era uma pequena vingança infantil. Mark sempre deixava senhas salvas no computador, então foi fácil acessar suas contas. E-mails? Apenas propagandas e assuntos relativos a faculdade. Redes sociais igualmente vazias e sem nada quase postado, ele não tinha tempo pra aquilo e realmente não achava mais graça.
Had the best time and now it's the worst time
(Tive a melhor época e agora é a pior delas)
But we have to say goodbye
(Mas precisamos dizer adeus)
Fechou o laptop novamente. Abriu a pasta onde Mark guardava os livros e cadernos da faculdade e começou a folheá-los. Agitou pra ver se não tinham bilhetes ou papéis comprometedores entre as folhas. Nada, apenas anotações das aulas. Nos cadernos, mais anotações com aquela letra corrida de Mark, aquela quase ilegível – ao menos jus a "letra de médico" ele estava fazendo. Abriu a parte do guarda-roupa que era dele e mexeu nas roupas, camisas e calças. Nada. Gaveta de cuecas, gaveta de meias, gaveta pessoal no criado mudo. Nada. Pegou as roupas que ele tinha usado nos dias anteriores e estavam jogadas em uma poltrona no quarto e olhou os bolsos. Duas calças brancas e um short azul marinho: Apenas papéis de chiclete e uma cartela de remédios para dor de cabeça já vazia dentro de uma das calças. Camisa, jaleco, sapatos... Nada, absolutamente nada.
Nick não sabia se sentia vergonha por achar que Mark poderia estar lhe traindo – tantas horas de estudo, poderiam ser apenas desculpas, talvez ele tivesse outra pessoa, mas nem de longe era o que parecia – ou se sentia vergonha do fato de ter fuçado as coisas dele, algo que há poucas horas tinha condenado, e acabou por fazer o mesmo. Seu conflito também era por não saber se ficava feliz ou triste que Mark não o estava traindo, pois isso queria dizer que ele realmente havia sido trocado por uma pilha de livros.
Isso era meio humilhante e colocaria a autoestima de qualquer um lá no chão.
Resolveu ir atrás dele. Voltou a vestir o casaco e pegar as chaves do carro. Passou na biblioteca da Universidade de Nova York apenas por desencargo de consciência, sabia que estaria fechada àquela hora.
Deu a volta por Greenwich Village e parou em frente ao Conservatório de música da NYU. Não era apenas Mark quem estava se dedicando bastante à faculdade, Nick também estava. Se o moreno alto tivesse o mínimo de consideração, pensava Nick, poderia até ouvir as coisas que ele já estava começando a compor e até aprendendo a tocar coisas que nunca pensou que saberia, como saxofone e harmônica. Estava se divertindo na faculdade, apenas gostaria de dividir mais isso com Mark.
Estacionou o carro ao ver a luz da sala do piano acesa. Não levou mais que cinco minutos para chegar ao local e deu duas batidas na porta antes de entrar completamente. Ao piano, um de seus professores mais talentosos – e bonitos – e o que considerava também um parceiro de trabalho.
- Desculpe, professor, vi a luz acesa. - Ele disse com um sorriso tímido.
- Nick! Entre! - Kerr Smith mostrou seu melhor sorriso e um olhar charmoso ao ver o aluno parado à sua porta. Ele vestia um suéter chumbo, num tom desbotado e jeans escuros. Apesar do visual despojado, o sapato preto dava ao visual um falso ar sofisticado. Ele era o Primeiro Pianista da Orquestra Sinfônica de Nova York, formado em Juilliard, com honras, e além da NYU, também dava aulas na famosa NYADA – New York Academy of the Dramatic Arts.
- Não imaginei que gostasse tanto assim de tocar piano. - Nick disse ao professor referindo-se a hora, já era relativamente tarde.
- Preciso aproveitar quando estou inspirado. - Ele respondeu sem sair do lugar, apenas girando o corpo na direção do aluno.
- O que está tocando? - Nick perguntou puxando um banco ao lado de um pedestal de microfone, usado por alguém que tocava violino. Ele sentou-se de frente para Kerr.
- Chopin. - Ele respondeu sorrindo e olhando o piano de volta. - Uma mescla de todas que eu lembrava...
Don't promise that you're gonna write
(Não prometa que vai escrever)
Don't promise that you'll call
(Não prometa que vai ligar)
Just promise that you won't forget we had it all
(Apenas prometa que não esquecerá que tivemos tudo)
Nick não disse nada, apenas sorriu melancólico, olhando para o piano. Não era seu instrumento preferido, mas sua sonoridade era única, sem falar que tudo era possível com ele. As melodias iam das mais clássicas e suaves até as mais agressivas e, sem dúvida, Nick sentia-se privilegiado por ter um professor como Kerr.
- E você? O que está fazendo aqui essa hora? - Smith perguntou calmo, fechando o instrumento.
- Vim procurar Mark na biblioteca, mas ele não estava. - Nick disse baixando os olhos. - Dei a volta pra ir pra casa, mas passei por aqui e vi a luz acesa.
- Problemas no paraíso? - Kerr perguntou percebendo que seu aluno estava com um ar triste, mais magoado do que bravo. - Brigaram?
- Brigar... - Nick começou encarando o piano fechado. - É só o que temos feito ultimamente.
- Qual motivo? - Não que ele quisesse parecer intruso, mas sentia algo especial pelo aluno, queria fazer parte daquilo e estava até ligeiramente preocupado.
- Pode soar meio mulherzinha, mas... Ele não tem tempo pra mim. - Nick disse quase tímido. Kerr apenas sorriu de canto e aproximou seu banco de Nick.
- É ele quem está perdendo. - Disse quase sussurrando, esperando pra ver se Nick olhava pra ele, mas nada. Ele continuou encarando o piano.
- Não sei... - Era como se o loiro estivesse com o pensamento longe.
- É sério. Você é um cara incrível... - Kerr disse um pouco inseguro, não por não ter certeza daquilo, mas por não ter certeza se deveria dizer. - Quer dizer... você é talentoso, inteligente, bonito... - Agora sim Nick olhou para o professor sem entender de onde estava vindo aquilo. - Ninguém que tivesse o mínimo de inteligência deixaria você escapar. - Apesar do tom de voz do professor ser ligeiramente incerto, Nick percebeu que ele estava olhando para sua boca.
Nick não disse nada, sentiu-se estranho. Levantou de onde estava e era como se Kerr se repreendesse internamente por ter dito aquelas coisas. Nick passou as mãos pelo rosto enquanto se afastava.
- Acho que eu já vou, professor. - O loiro respondeu tentando não parecer que sairia correndo. Era impressão dele ou seu professor tinha acabado de dar em cima dele?
- Certo, claro. - Kerr levantou-se também andando até sua mesa a fim de pegar sua maleta com o latop dentro. - Nos vemos na semana que vem?
- Claro. - Nick disse já deixando o recinto. - Boa noite.
Foi uma das coisas mais estranhas que aconteceram naquele dia. Ele sempre teve uma relação mais íntima com seu professor, mas nunca pensou que ele fosse lhe dar abertura pra esse tipo de coisa, até porque ele sabia que Nick era comprometido. O fato de Kerr ter jogado charme pra outro homem não era exatamente uma surpresa, pois ele era gay assumido e não tinha problemas com isso. Mas foi estranho não só por ele ser seu professor, mas porque parecia que ele estava se aproveitando da situação.
Antes de realmente partir pra casa, Nick lembrou-se que Mark tinha um Café preferido, onde sempre ia estudar enquanto comia alguma coisa, mas ele também não estava lá. O loiro respirou fundo e resolveu se render ao que estava evitando fazer: visitar seu pai, realmente precisava conversar.
Era questão de quinze a vinte minutos até o Queens. Quando chegou, no entanto, descobriu onde Mark estava ao ver o Corvette estacionado em frente à casa de Jared e Jensen. Achou por um momento uma excelente ideia, pois ao menos ele estava conversando com duas pessoas sensatas. Deu meia volta com o carro e saiu dali antes que o vissem. Sua segunda opção depois do pai era sempre seu padrinho. Sentia que era o melhor a fazer: conversar com Christian. Ele dirigiu até o hospital do centro de Nova York pensando que Kane tinha ótimos conselhos e ouvia as pessoas como ninguém, era tudo que precisava.
Cause you were mine for the Summer
(Porque você foi meu no verão)
Now we know its nearly over
(Agora sabemos que está quase acabando)
x.x.x.x
- Eu o amo tanto que sinto que, mesmo depois de tudo, não iria conseguir deixá-lo. - Nick dizia sentado na sala de Christian. - E isso me deixa ainda mais irritado! Pois eu sei que ele me magoa e ainda assim eu continuo ao lado dele.
- Nick, acalme-se. - Christian dizia enquanto os dois já estavam no segundo copo de café. - Essas crises fazem parte. Além do mais, não se esqueça que, seja como for, você e Mark ainda são muito jovens... E ignoraram todos os avisos sobre morarem juntos.
- Mas no começo tudo funcionava muito bem. - Nick rebateu lembrando-se da empolgação de morarem juntos no primeiro ano, onde tudo era festas de faculdade, sexo em todos os cômodos da case, festinhas particulares com os amigos e raras brigas.
- Mas é claro que funcionava bem no começo! - Kane sorriu como se Nick ainda tivesse dezesseis anos e fosse o garoto ingênuo que costumava ser. - Tudo é ótimo quando está começando. Mas não é um mar de rosas pra sempre. Essas coisas eventualmente acontecem.
- Eu conheço todas as manias dele, sei que ele não gosta de arrumar a casa, que esquece as coisas que peço pra ele fazer... - Nick dizia como se aquilo já não fosse mais um problema. - Ele esquece o celular jogado pelo quarto, dentro do carro... Toma banho as quatro horas da manhã, não tem a menor capacidade de acordar mais cedo que eu e se arrumar em silêncio... Acende a luz, bate a porta do guarda-roupa, bate a porta do banheiro, canta no chuveiro... - Nick agora ria e Kane também. - Enfim... Eu me acostumei com tudo isso dele, e olha que levou um bom tempo pra isso e muitas conversas a respeito...
- Então o problema é que ele não tem mais tempo pra nada? - Kane dizia como quem tinha passado por aquilo, já que assim como Mark, também havia enfrentado uma faculdade de Medicina. - Nick, eu sinto lhe informar e não o estou defendendo, mas medicina é assim mesmo...
- Não me interessa, tio Christian. - Nick já estava de saco cheio daquela conversa de que ser médico exigia muito de alguém mesmo. - Eu não o conheci assim e ele não tem o direito de querer que eu entenda tudo isso agora.
- Nick, relacionamentos são assim mesmo. Se você o ama tanto assim, precisa compreender que ele vai eventualmente mudar. Se parar para pensar, você também mudou. A vida faz isso com as pessoas - Kane aconselhava pacientemente. - Vocês precisam sentar e conversar, ele também precisa ver seu ponto de vista, sem dúvidas.
- Essa semana o chamei pro cinema, o chamei até mesmo para ir ao conservatório comigo. Ele costumava amar qualquer ambiente desse tipo! Por Deus, tio Christian! Foi ele quem me ensinou a tocar! - Nick estava inconformado. - Eu adoro o que escolhi fazer, me descobri na música e ele não faz nem questão de ir assistir uma aula comigo ou mesmo sentar comigo cinco minutos que seja e me dar algumas dicas? Não pode largar aquele maldito livro de anatomia celular e sentar na sala pra cantar uma música comigo? É pedir muito?
- Não, Nick, não é. - Christian percebia a dor e a mágoa do loiro à sua frente ao dizer aquilo. - E tudo que está me dizendo aqui, deveria dizer a ele. Eu sei que Mark não é muito fácil, mas isso você já sabe, pois o conhece melhor que muita gente... Ele tem esse gênio e pode até amadurecer, mas temperamento não muda.
- Se eu conversar isso com ele, ele vai se desculpar e dizer que vai mudar e sabe o que vai acontecer? Nada. - Nick disse conformado. - Porque o Mark é assim mesmo, ele não tem noção de que tudo que ele faz me afeta. Igual aquela "sugestão maravilhosa" que ele apresentou em Vancouver! - Nick ainda estava revoltado com aquilo, mas Kane só riu ao lembrar. Achou mesmo que Mark foi extremamente infeliz ao sugerir aquilo.
Feels like snow in September
(Parece neve em setembro)
But I always will remember
(Mas eu sempre lembrarei)
You were my Summer love
(Você foi meu amor de verão)
- Faça um jantar. - Kane começou deixando seu copo de café de lado, novamente vazio. - Essa semana, faça algo especial. Esconda os livros dele, faça algo bem romântico, cozinhe pra ele... - Se tinha alguém que entendia de conquista, estava mesmo bem a frente de Nick, vide a fama do médico de se relacionar com várias mulheres. - Coloque uma música baixa, deixe o apartamento apenas com as luzes do abajur e espere ele chegar... Com um clima desses, acredito que vocês poderão resolver muitas coisas. - Kane exibia aquele seu clássico sorriso pretensioso.
- Acha mesmo que ele está merecendo isso de mim? - Nick agora ria mais descontraído, parecia ter gostado daquilo e estava cogitando fazer aquilo quem sabe. - Mesmo depois de ter revirado todas minhas coisas na internet?
- Como se fosse alguma novidade o Mark ser doente de ciúmes por você! - Kane disse com a real obviedade que aquilo soava. - Ele é maluco por você e nunca deixa ninguém nem chegar perto.
- É, isso é. - Nick sentiu-se bem ao ouvir aquilo, sentia-se novamente confiante que Mark gostava dele ao se lembrar daquele detalhe. Aquele moreno alto era realmente ciumento.
- Anime-se. - Kane disse e Nick se rendeu a um sorriso. - Vocês dois se gostam pra caramba e tudo vai dar certo, é só...
Antes que Kane pudesse continuar a frase, seu bipe tocou e, antes que ele tivesse tempo de responder ao chamado, uma enfermeira apressada apareceu para chamá-lo.
- Doutor Kane... Temos uma emergência. - Ela disse um pouco afobada, como se tivesse corrido até lá.
- Sim, claro. - respondeu já se levantando. - Nick, desculpe, preciso ir.
- Sem problemas. – ele entendia, muito bem, que médicos não tem todo o tempo do mundo.
- Do que se trata? - Kane perguntou já deixando o lugar com a enfermeira às pressas.
- Um acidente de carro. - Ela disse e Nick terminou seu café saindo da sala logo depois do padrinho.
Ele deixou o hospital e voltou pra casa já por volta de meia noite. Dirigiu não mais que vinte minutos pensando no que Christian tinha dito. Quem sabe seria bom pra eles tentarem reavivar aquela chama adolescente que tinham. O loiro passou a lembrar-se de todas as coisas boas que passaram – e inevitavelmente as ruins – até ficarem juntos. Nick passou a focar no que gostava em Mark. Quase enumerando em uma lista.
Wish that we could be alone now
(Queria que pudéssemos estar sozinhos agora)
We could find some place to hide
(Poderíamos encontrar algum lugar pra nos escondermos)
O primeiro, claro, era o sorriso, aquele aberto, mostrando todos os dentes, as covinhas e fazendo ele cerrar os olhos. Segundo, os cabelos. Lisos, escuros, longos, bons de puxar, perfeitos para controlar os movimentos que ele fazia com a boca e... Bom, ele achou melhor parar com aquilo antes que outras partes de seu corpo começassem a reagir. A conversa com Christian realmente tinha sido proveitosa, ele sentia-se muito melhor, mais motivado para continuar o relacionamento, mesmo com aquela insegurança incômoda.
Ele chegou em casa, jogou as chaves do Jaguar em cima da mesa da cozinha e abriu a geladeira. Pegou uma cerveja e chamou pelo namorado, mas sem resposta. Liigou a televisão apenas para fazer algum barulho e foi até o quarto onde Mark sempre estudava, achando que certamente ele estaria enfiado lá. Mas nada. Olhou o celular em cima da cama no mesmo lugar onde tinha deixado antes de sair. Talvez Jared e Jensen o tivessem segurado por tempo demais, talvez dormisse por lá.
Nada como respeitar o tempo se ele quisesse, mas não achava justo que ele estivesse chateado, pois, além da invasão de privacidade ele nunca havia dado razões para Mark desconfiar dele.
Antes de finalmente se jogar no sofá pra começar a tomar a cerveja, seu celular tocou. Achou estranho, pela hora, mas como o visor mostrava o número de Jared, atendeu ciente de que era Mark, avisando que dormiria fora.
- Fala, coração! Eu vi mesmo que esqueceu o celular em casa. - Nick atendeu divertido, já mais calmo com toda a situação com Mark.
- Nick, você está em casa? – mas foi a voz de Jared mesmo que soou do outro lado, meio distante, apressada e num tom estranhamente tenso.
- Estou. - Nick endireitou-se no sofá ao perceber o tom do músico do outro lado da linha. - O que aconteceu?
- Estou no hospital com Mark, ele... - Jared respirou fundo, tentando em vão controlar a voz - ele bateu o carro.
- O que? - A voz saiu fraca como se ele estivesse em um sonho ruim. - Como ele está?
- Venha pra cá, por favor. - Jared disse após um longo suspiro. - Estamos no hospital em que seu pai trabalha. Ele também está lá dentro, com ele... Vem depressa, ok?
Ele sequer se despediu. Apenas desligou o celular, pegou o casaco que tinha deixado em cima do sofá, as chaves do carro e saiu de casa sem nem mesmo trancar a porta. Sentia seu olhar borrado por lágrimas e os ombros balançando com os soluços que ele não se preocupava em conter. Tinha dificuldade para respirar e, mesmo parecendo que suas pernas pesavam uma tonelada cada, ele se esforçava para correr pelo corredor. Lembrou-se da emergência de Christian quando saiu do hospital. Se ele ao menos tivesse ficado lá por mais cinco minutos...
Make the last time just like the first time
(Fazer a última vez como se fosse a primeira)
Push a button and rewind
(Apertar o botão e voltar)
