SIX

Hello, nurse!

Era sem dúvida um dos piores dias da vida de Nick. Ele chegou ao hospital já a procura de Jared na sala de espera. O músico estava com o olhar triste e o rosto inchado, ainda secando as lágrimas que teimavam em cair. Assim que viu o rapaz, estendeu-lhe os braços, puxando-o contra o peito num abraço forte, coisa que o loiro não aguentou e desabou em choro também. Sentia-se culpado. Era como se ele quem estivesse dirigindo, se ele tivesse batido o carro e ferido Mark.

- Como ele está? – sussurrou enquanto tentava secar as lágrimas com as costas das mãos.

- Ainda desacordado. – a voz de Jared era o reflexo de sua agonia, ele soltou o loiro e buscou apoio no sofá branco da sala – Os paramédicos o trouxeram e logo foi atendido por Christian. Ele estava em alta velocidade e não viu os avisos de restauração da ponte do Rio Hudson. Estava atravessando o Brooklyn pra voltar pra casa.

Nick encarou as próprias mãos, cruzadas sobre os joelhos. Torcia os dedos com nervosismo, até que se levantou e começou a falar, andando de um lado para o outro, na frente de Jared:

- Eu fui até a casa de vocês. Eu queria... Mas aí eu vi... O Corvette estava lá então desisti de entrar. Não queria ver Mark, nós tivemos uma briga feia. - suspirou e olhou para o teto - Mais uma briga feia... Então vim ao hospital conversar com tio Christian, já que imaginei que vocês estivessem ocupados com Mark... Eu estava aqui, Jared! Você entende? Eu estava aqui, perto dele, a hora que ele chegou. Apenas fui embora porque chamaram o tio Christian para atender essa emergência, esse acidente... Eu estava aqui quando Mark chegou, mas não fazia ideia que era ele!

Os soluços sacudiam novamente os ombros do rapaz e ele parecia a beira de uma crise nervosa, sentindo que o ar se recusava a entrar em seus pulmões.

- Está tudo bem, Nick. - Jared se levantou do sofá e abraçou o loiro mais uma vez, tentando acalmá-lo, mesmo que não tivesse tanta convicção do que dizia - Não é sua culpa. Vai ficar tudo bem.

- Cadê o papai? - Ele perguntou olhando ao redor vendo que Jensen não estava por perto.

- É claro que ele iria querer fazer alguma coisa... - Jared disse com um sorriso triste. - Christian também não o impediu, estão os dois com Mark na sala de cirurgia... Ele quebrou duas costelas, deslocou a clavícula esquerda... - Jared disse e Nick fechou os olhos ao ouvir aquilo. Pensava na dor que Mark deveria ter sentido. - E foi preciso operar para que não houvesse hemorragia interna.

- Eu não devia ter saído de casa... Devia ter ficado lá com ele. - Nick lembrou-se que praticamente saiu correndo após a discussão

- Ele está em boas mãos. - Jared disse abraçando o loiro pelo ombro. - Sabe que Christian e Jensen vão fazer o impossível pra que tudo dê certo.

Nick apenas respirou fundo e isso sim era um consolo. Ao menos sabia que Jensen e Christian eram os melhores médicos do hospital e Mark tinha sorte de ter os dois à sua disposição.

- O que aconteceu? - Jared resolveu iniciar a conversa com aquele típico ar paterno. - Por que andam brigando tanto?

- Pequenas coisas... - Nick começou não sabendo com certeza se queria mesmo ter aquela conversa. - Sabe, quando você tem um copo e cada coisa ruim que acontece é uma gota... Não importa quando tempo demore, um dia ele enche. - Nick disse tentando simplificar até mesmo para si. - O meu e o dele se encheram ao mesmo tempo e então, qualquer coisa que fizermos é motivo para briga, pois está transbordando.

- A legítima gota d'água é? - Jared disse enquanto pegava mais um café para ele e para Nick. Passava das quatro da manhã.

- É, mas eu estava lidando bem com tudo, Mark também apesar das explosões dele. O problema é que ultimamente não conversamos, não nos vemos, não saímos, não transamos porque ele está sempre cansado... - Disse a última parte sem se dar conta que Jared quase disse que poderia pular aquele detalhe. - Digo, eu acho que o amor acabou.

- Não foi o amor que acabou. - Jared se permitiu sorrir daquele tom dramático do loiro. - O que sobrou foi amor, Nick. O que acabou foi a paixão adolescente de vocês, são homens agora.

- Jay, seja como for... - Nick pensou naquilo por um segundo. - Ele só pensa em estudar. Não nos divertimos mais, sequer chamamos nossos amigos lá pra casa... Você e papai também são homens e tenho certeza que fazem programas de casal com a mesma paixão que tinham quando se conheceram, apesar de já terem se conhecido mais maduros.

- Nick, eu amo você como se fosse meu filho. - Jared tinha mesmo aquele tom paciente de pai na voz. - Mas não queira comparar sua relação com Mark com a que tenho com Jensen. Temos outras preocupações, temos outras prioridades e, acredite, nunca paramos de nos preocupar com vocês. Falamos de vocês todos os dias, pensamos em vocês, esperamos que estejam bem, incluímos vocês dois em todas as orações e para sempre vocês serão aqueles dois garotinhos que criamos com tanto sacrifício. - Jared falava realmente com verdade, com o melhor lado de todos os seus sentimentos. - Mas já aceitamos que vocês cresceram agora e, por isso, não interferimos por mais que muitas vezes tenhamos vontade de pegar o carro e ir lá buscar os dois pra trazer de volta pra casa!

- Eu sei que não importa o quanto crescermos, vamos sempre ter vocês como nosso porto seguro. - Nick disse e Jared sorriu assentindo com a cabeça. - E eu realmente não sei o que fazer... Eu amo seu filho, Jared, mas estou cansado.

- Dê um tempo a ele. - Jared disse enquanto os dois pareciam bem mais calmos. - Agora depois que passar essa fase do acidente, sentem e conversem como dois adultos que são. Jensen e eu não criamos moleques, criamos homens.

- Acho que esse negócio de ser adulto e fazer faculdade é um saco. - Nick soou ligeiramente como o garoto de dezesseis anos arrancando risos de Jared.

Ao longe no corredor, vestido de branco e ajeitando o jaleco, Jensen Ackles era imponente acompanhado de Christian Kane. Kane ainda vestia a toca da sala cirúrgica e trocou algumas palavras com Jensen antes de entrar em outra sala. Ackles já havia se trocado e agora andava na direção de Jared e Nick que, quando o viram, sentiram a tensão e o sangue voltar a correr mais rápido.

- Como ele está? - A pergunta clássica que alguém sempre fazia para o médico ao vê-lo. Nick abraçou o pai ao perguntar.

- Ele está bem. - Jensen disse sério. - Mas vai precisar ficar aqui por alguns dias.

- Obrigado, Jen. - Foi a vez de Jared chorar abraçado no agora noivo. - Eu te amo ainda mais.

- É, salvar seu filho tem suas vantagens. - Jensen se permitiu brincar enquanto retribuía o abraço forte de um Jared que sorria entre lágrimas.

- Posso ver ele? - Nick perguntando mal aguentando esperar a resposta. Queria sair correndo para onde Mark estava.

- Ele ainda não voltou da anestesia, mas a qualquer momento isso poderá acontecer. - Jensen disse calmamente para o filho passando as mãos pelos cabelos dele. - Não seu preocupe, Mark vai ficar bem. - Ackles tranquilizou o filho ao ver que ele tinha chorado muito.

- Nesse meio tempo você pode ir pra casa, Nick. - Jared começou. - Tome um banho, coma alguma coisa, quando Mark acordar eu mesmo ligo pra você.

- Não existe a menor possibilidade de eu arredar o pé desse hospital. - Nick disse como se aquilo ultrapassasse o óbvio.

- Jared está certo, filho. - Jensen insistiu enquanto Kane, que havia trocado de roupa, se aproximava dos três.

- De jeito nenhum. - Nick respondeu agora mais firme. - Não vou a lugar nenhum antes de vê-lo.

- Nick. - Christian disse tocando um dos ombros do afilhado. - Mark precisa de roupas, precisa de suas coisas de higiene pessoal... Ele ainda vai demorar um pouco para acordar.

- Tio Christian, eu... - Nick achava que as pessoas ao seu redor tinham algum problema de audição e estava começando a se enfezar. - Eu não vou a lugar nenhum sem ver o meu namorado!

- Vamos fazer o seguinte. - Kane novamente interveio antes que o garoto se exaltasse ainda mais. - Eu levo você para vê-lo e depois você pode ir buscar as coisas dele, o que acha? - Kane falava como se fosse um amigo e não um pai, acho que isso ajudou nesse momento.

- Tá bem. - Nick disse meio a contragosto, mas sabia que Mark realmente precisaria de algumas coisas e ele teria que buscar.

Ele saiu na frente com uma das mãos de Christian sobre seu ombro como se o confortasse. Num sussurro, Jensen agradeceu ao amigo e voltou a abraçar Jared. Os dois ficaram ali na sala de espera conversando, Jensen deu detalhes do estado de Mark enquanto o pai do rapaz prestava atenção, ainda triste. Vendo a expressão de Jared, o modo como as lágrimas ainda insistiam em correr pelo rosto a simples menção dos ferimentos do filho, Jensen compreendeu a dor que muitos de seus pacientes já haviam descrito. Ele mesmo já havia perdido um ente querido, perdera sua esposa anos atrás. Mas não era natural que pais perdessem filhos. Não só pela lógica da natureza, mas pelo sentimento, pelo tão falado instinto materno/paterno. Pais enterrarem filhos não era normal, não era natural, era insuportável.

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Nick estava apreensivo enquanto andava pelo corredor até a sala de recuperação pós-anestésica, onde Mark estava. Nick precisou usar uma roupa especial e esterilizada para poder entrar por alguns minutos para ver o namorado. O quarto era quieto e seria extremamente silencioso não fosse pelos barulhos de alguns aparelhos que mediam pressão, respiração e batimentos cardíacos.

- Não pode ficar muito, Mark precisa se recuperar completamente, o corpo dele ainda está trabalhando nisso. - Kane explicou enquanto andavam até a cama onde Padalecki estava deitado. - Não faça movimentos bruscos e não toque nele.

Ao chegarem à cama onde Mark estava, Nick voltou a chorar. Viu que ele tinha escoriações pelo rosto, um corte fundo que precisou pontos perto da sobrancelha. Ele respirava sozinho porém tinha uma máscara de oxigênio sob a boca e o nariz. Uma faixa branca passava por todo seu tórax, que ainda tinha sinais de hematomas, típicos de quem tem costelas quebradas, outra faixa passando pelo ombro esquerdo, parecia bastante firme, provavelmente para colocar a clavícula de Mark de volta no lugar. Ele estava sem roupas, apenas com um lençol o cobrindo até a altura do torso.

Ackles pensou em tudo que tinham passado, como um filme em sua mente. Nunca imaginou nem por um momento que algum dia veria uma cena como aquela. Mark, o todo-poderoso Mark Padalecki, capitão do time de futebol da escola e da faculdade, agora futuro médico, deitado tão vulnerável em uma cama de hospital, com os olhos fechados e respirando devagar. Desacordado. Nick estava a beira de um colapso quando Christian o arrastou de volta para fora da sala.

Ao saírem, Kane abraçou o afilhado que estava beirando as raias de um ataque de nervos, chorando feito um bebê desamparado. Kane o segurava forte enquanto acariciava seus cabelos pedindo baixinho pra que ele se acalmasse. Tinha Nick como um verdadeiro filho e o conhecia desde bebê, sabia que ele nunca tinha passado por uma coisa como aquela. Ele era pequeno demais para se lembrar da morte da mãe obviamente, essa era a primeira vez que ele estava encarando uma quase perda de alguém que amava. Entendia o quanto aquilo era difícil para ele.

- Nick... - Kane começou assim que Nick agarrou-se a ele sem soltar. O médico, experiente, mantinha a voz calma - Sei que está assustado, acalme-se. Mark está bem, você só está assim pois gosta muito dele e nunca pensou que veria alguém com quem se importa demais nesse estado. Mas ele está se recuperando muito bem.

- É minha culpa! - O loiro dizia inconsolável entre lágrimas e soluços, os punhos cerrados nas costas de Christian que ainda o abraçava - Eu briguei com ele, ele ficou nervoso...

- Nick, não é sua culpa, por favor, se acalme. - Kane continuava pacientemente entendendo a situação. - Vai ficar tudo bem, ele vai acordar em alguns momentos. - Kane se desfez do abraço assim que Nick pareceu mais firme. Segurou-o pelos ombros e falou olhando nos olhos dele. - Vá pra casa, tome um banho, coma algo e descanse. Mais tarde você pode trazer umas roupas pra ele e ficar com ele até que ele acorde... certo?

Respirando fundo, Nick balançou a cabeça dizendo que sim. Respirou fundo algumas vezes enquanto tirava a roupa esterilizada e deixava o quarto de recuperação de cirurgia. Ele limpou as lágrimas e Christian andava com ele pelo corredor do hospital. Rapidamente e depois de muita conversa, os três convenceram Nick a ir pra casa descansar.

Jared, Jensen e Christian andaram até a sala de Jensen no hospital não sem antes passar para ver Mark. Padalecki sabia que Nick estava se sentindo culpado e que talvez fosse como os mais próximos se sentiam quando algo ruim acontecia a algum ente querido. Mas Jared tinha motivos pra sentir-se igualmente culpado. Quando sentou em uma das cadeiras da sala de Jensen, bem mais calmo depois de ter conversado com os dois médicos que cuidaram de seu filho, ele finalmente pode conversar direito com Jensen.

- Você sabe que isso foi minha culpa, Jen. - Jared começou inclinando-se pra frente e apoiando os cotovelos nos joelhos. - Deveríamos ter contado logo aos garotos sobre o casamento. Conheço o temperamento de Mark, deveria ter previsto que ele reagiria mal.

- Jared, não se culpe por isso. Primeiro porque não tínhamos como saber que Mark iria descobrir. - Kane começou. Ele sabia do casamento ainda antes de Jared, pois Jensen contou a ele que faria o pedido semanas antes de, de fato, pedir. - Sabemos que a culpa é do próprio Mark. Ele é quem deveria agradecer por estar vivo. O Corvette já era! Isso só mostra a velocidade com que ele estava dirigindo... E espero que tenha aprendido a lição.

- Eu sei Christian, mas apesar de ser o raciocínio lógico, meu coração não me dá sossego. Para você é fácil falar, mas para os pais, os erros dos filhos são sempre nossa culpa. - Padalecki começou levantando-se da poltrona. - Mas sim, ele estava errado, porém bem e é isso que importa.

- Estou preocupado com como ele e Nick ficarão depois disso. - Jensen começou trazendo um copo de café para o noivo e o colega de trabalho. - Eles têm brigado demais.

- Tem isso também. - Jared concordou tomando um gole de seu café. - Não quero me meter muito na vida deles, mas acha que deveríamos intervir, Jen?

- Não. - Kane foi quem tomou a palavra. - Não podem fazer isso e, no fundo, ambos sabem disso. Eu sei que não tenho filhos e nem deveria estar aqui dando conselhos, mas acho que vocês dois já deixaram eles por conta própria em muitas ocasiões, e deu certo em todas elas.

Jared suspirou e concordou, Jensen sorriu lembrando-se de todas as vezes em que tinha deixado os dois por conta própria.

- Isso não é de todo verdade. - O loiro acrescentou rindo. - Jared já teve que buscar meu filho na cadeia, só por eu confiar deixá-lo em casa sozinho de castigo.

- Exato. - Jared riu também ao lembrar-se de uma memória que fazia bem menos tempo do que de fato ele pensava.

- Mas deixaram eles contarem no momento que acharam certo que estavam namorando. - Christian acrescentou. - Não forçaram. Sem falar que quem diria que Mark estaria na faculdade de medicina se dando tão bem e que Nick acabaria um músico ainda melhor que o próprio Mark, que foi seu "professor" por anos.

- Fato. - Jensen disse rindo e olhando para o noivo. - É, talvez devemos deixá-los em paz. Ou brigando o máximo que for preciso.

- Das duas, uma. - Jared retomou a palavra. - Ou se separam logo, talvez não era pra ser, ou se passarem por essa crise e se resolverem, acho que nada mais os separa.

- Sábias palavras, meu amor. - Jensen disse dando um beijo em Jared. - E Christian, o jantar do final de semana ainda está de pé. Vamos oficialmente anunciar o casamento e queremos você lá, não é amor? - Ackles olhou Jared esperando pela confirmação.

- Com certeza. - Padalecki sorriu calmo. - Até porque queremos conhecer essa misteriosa namorada que você se recusa a nos apresentar.

- Ah... - Kane riu sem graça. - Estou esperando o compromisso firmar.

- Faz cinco meses que vocês estão juntos! - Jensen foi quem riu, fazendo Padalecki gargalhar também. - E ainda não é sério? Me poupe, Christian. Ninguém enrola uma mulher por esse tempo todo! Nem que você quisesse!

- Certo, certo, vocês venceram. - Christian riu junto. - Vou levá-la sim.

Eles ficaram ainda mais um tempo conversando, cerca de uma hora, até que uma das enfermeiras veio avisar que Mark havia acordado e estava agitando, pedindo por um garoto chamado Nick.

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Levou um tempo para Mark perceber onde estava quando voltou a si e a enfermeira que o viu acordar teve um pouco de trabalho para contê-lo, pois ele parecia bem assustado, perguntando sobre Nick – ela, claro, não fazia ideia do que ele estava falando. Ele não estava pensando direito e não conseguia se expressar, estava confuso e apenas se acalmou ao ver a figura de Jensen entrando no quarto pedindo que ele se acalmasse e falando com ele. Ackles explicou o que houve e onde ele estava.

Aos poucos, ele foi voltando a si e Jensen e Christian liberaram para que Jared entrasse e o visse. Como todo pai preocupado – e derretido como era Jared – o moreno alto voltou a chorar mais contido dessa vez. Mark respirou fundo e tentava balbuciar algo como "eu sinto muito", mas todos insistiam pra que ele ficasse parado e não tentasse falar. Efeito de anestesia demorava para deixar seu cérebro voltar a trabalhar e ele precisava se acalmar pra que esse efeito funcionasse de forma apropriada.

Cerca de uma hora depois, tudo já estava normalizado. Ele estava sentado na cama, comendo algumas bolachas sem gosto e bebendo muita água – aconselhado por Christian. Já era hora do almoço.

Na porta, alguém aparentava fazer esforço para não fazer muito barulho, entrando devagar, mas Mark estava bem desperto. Estava assistindo televisão sozinho no quarto, quando sua atenção voltou-se para a porta e aqueles olhos imensos cheios de medo olhando pra ele entraram.

- Ei... - Ele começou sorrindo de canto. - Achei que tinha me largado. - Ele tentou brincar, mas Nick largou a pequena mochila que trouxe consigo no chão e não sabia se sorria ou chorava, por não conseguir se decidir, optou pelos dois.

Mark achou o jeito dele um tanto engraçado, mas ficou preocupado e sentiu-se mal por deixá-lo daquele jeito. Nick o envolveu cuidadosamente em um abraço. O beijou cheio de paixão, amor e desejo, como se fosse o último beijo que pudessem dar um no outro.

- Como é que você faz uma coisa dessas comigo? - Nick dizia enquanto sentava-se na cama ao lado de Mark sem soltar as mãos do rosto e dos cabelos dele.

- Eu amo você... Me perdoe. - Mark disse ao sentir as mãos frias de Nick. Sentia seu coração bater tão rápido. Percebeu o quão assustado ele ficou.

- Eu também te amo, Mark Louis Padalecki. - Nick secou as lágrimas e dizia com toda verdade em seu coração. - Não faça mais isso, não faça! - Ele falava de um jeito tão sério que Mark percebeu o desespero em sua voz.

- Por que demorou tanto pra vir? - Ele perguntou ao ver que Nick respirou fundo como se voltasse para a superfície depois de ficar tempo demais embaixo d'água. Aliviado.

- Eu estava em casa pegando coisas pra você, trouxe roupas e alguns livros da faculdade, achei que fosse querer eles... - Nick disse enquanto pegava a mochila do chão, mostrando ao namorado o que tinha trazido. - Seu maldito celular... - Ele disse com raiva. Mark tentou esconder um sorriso, achava graça quando Nick fazia birra em relação ao aparelho. - Cuecas e seu All Star verde. - Mark nem prestava mais atenção no que Nick dizia, apenas no seu jeito de dizer as coisas e do quanto era atencioso com ele, afinal, quem mais saberia que ele amava aquele All Star verde? - Pasta de dente, escova, aquele seu shampoo de neném que você usa... - Ele disse rindo a última parte.

- Fala baixo! - Mark disse contido, como se fosse algo extremamente confidencial e ficou sem graça.

- Cinto, meias e um casaco caso fizesse frio... - Nick dizia ainda rindo do shampoo.

- Você sabe que vou voltar pra casa logo, não é? - Mark disse rindo, achando aquilo um exagero básico de Nicholas. - Não precisava tudo isso.

- Desculpe se eu não sabia o que colocar na sua mochila, já que você estava desacordado no hospital porque bateu o carro. - Nick disse com as sobrancelhas arqueadas, com aquele típico olhar irônico. Mas Mark o desarmava completamente quando sorria de volta mostrando as covinhas e os dentes perfeitos.

Duas batidas na porta e Jensen intervém na conversa dos dois. O sorriso também se abriu ao ver os dois se entendendo. Ele estava acompanhado de um enfermeiro que Nick ainda não conhecia – e ele conhecia basicamente aquele hospital inteiro.

- Como está, Mark? - Jensen perguntou já pegando o estetoscópio e tirando-o do pescoço para examinar o futuro médico.

- Estou bem, quero ir embora. - Marrento como sempre, mas falou a verdade.

- Até parece mesmo. - Dizia Jensen enquanto verificava o coração de Mark, que estava em perfeita ordem.

- É sério, Jensen, quando vou embora? - Ele se olhou e estava com agulhas de soro nos dois braços, a faixa na altura da caixa torácica devido as costelas quebradas, uma espécie de tipoia para manter o ombro imóvel e um curativo na testa.

- Sem previsão de alta, Mark, estou falando sério. - Ackles era realmente muito profissional quando se tratava da área. - Vai ficar por aqui até termos certeza que está bem.

O moreno suspirou – na verdade bufou – indicando que mesmo sendo apenas o primeiro dia de hospital, já estava entediado. Olhou para Nick como se pedisse apoio, mas o loiro apenas deu a entender que concordava com seu pai.

- Como quer ser médico se não aguenta uns dias num hospital? - Ackles provocou enquanto checava o soro de Mark.

- É diferente. - Ele respondeu quase que imediatamente, com a mesma birra de uma criança de seis anos.

- Está vendo o que vai enfrentar, não é Tyler? - Jensen dizia agora dirigindo-se ao enfermeiro.

- Estou, doutor. - Tyler Hoechlin, o mais novo enfermeiro do principal hospital de Nova York estava ali, acompanhando tudo. Sorrindo, claro. Ele não parecia ser muito mais velho que os dois garotos e parecia ser um recém-formado.

- Bem, Mark... - Jensen voltou a olhar para o filho de Jared. - Este é Tyler, ele vai ser seu enfermeiro aqui, o que precisar, peça a ele. - O médico se aproximou mais dele, fingindo checar alguma coisa no encosto da cama de Mark e aproveitou para sussurrar no ouvido do garoto. - Comporte-se e não traumatize o garoto, entendeu? - Ackles brincou por saber da personalidade do outro. Mark balançou a cabeça negativamente olhando Nick, que não estava com a melhor das expressões.

- Como vai, Mark? - Tyler perguntou com um de seus melhores sorrisos, aproximando-se da cama de Padalecki. Nick fechou a cara.

- Estou ótimo, como já disse. - Mark respondeu, educado.

- Então quer dizer que quer ser médico? - Ele tentou puxar assunto, simpático. Nick revirou os olhos.

- É. - Mark sorriu ao perceber a cara de Nick. - Estou na NYU.

- Que incrível. - Tyler dizia e Mark achou que ele deveria pensar que ele tinha uns 8 anos. - Aposto que está gostando muito. É uma ótima universidade! Em que período está?

- Estou adorando. - Ele mal conseguia conter o riso com as caras que Nick fazia. Era impressão dele ou o namorado estava morrendo de ciúmes? - Estou no penúltimo ano, mas dentro de sala de aula é o último. Já começo residência ano que vem.

- Boa sorte porque vai precisar! - Tyler sorriu e Mark fez uma cara engraçada. - E você deve ser Nick, certo? - Tyler virou-se na direção do loiro parecido com Jensen. - Filho do doutor Ackles, não é?

- Nicholas. - Ele forçou um sorriso, corrigindo o outro. - Muito prazer.

- Prazer. - Tyler percebeu a correção, mas não disse nada. - Mark, você vai precisar de ajuda para tomar banho. Então vou preparar tudo e levarei você, certo? - O enfermeiro estava de costas e não viu a cara de espanto de Nick atrás dele.

- Eu preciso falar com meu pai. - Nick saiu do quarto de Mark em disparada ao ouvir aquilo.

- Nick, qual é... - Mark riu agora enquanto Tyler ficava sem entender o que tinha acabado de acontecer. - Nick! - Ele gargalhou ao ver o loiro se controlar pra não bater a porta.

- O que aconteceu? - Tyler perguntou um pouco confuso.

- Nada não, relaxa. - Mark respondeu ainda rindo. Pôs uma das mãos sob a barriga, ele acabou de descobrir que rir muito fazia tudo doer, mas ele não conseguiu se controlar. - Ele é meu namorado, acho que só está com ciúmes.

- Ah é mesmo? - Tyler foi quem sorriu agora. - Ele não tem nada que se preocupar, sou comprometido e tenho essa política de não sair com pacientes. - Ele brincou e Mark riu.

Por mais que Mark não estivesse nem um pouco interessado no enfermeiro, certamente ia ser engraçado mexer um pouco com o juízo de Nick. Nunca tinha visto o loiro com ciúmes, agora sabia como era estar "do outro lado" da história e achou que tinha encontrado um jeito de se divertir enquanto ficasse preso naquele hospital.