SEVEN

Birds

Nick passou pelo largo corredor do hospital rumo a sala de seu pai. Entrou sem bater, não era do feitio dele, mas naquele momento não estava pensando muito. Jensen, pela pressa que Nick entrou na sala, automaticamente desligou o telefone e olhou preocupado para o filho.

- Mark está bem? - A pergunta óbvia que lhe veio a mente, pois somente Mark era capaz de mudar assim o humor do filho.

- Pai, o que é que tem de errado com você? – questionou, olhando um Jensen bastante surpreso com a pergunta.

- De que está falando, Nicholas? - ele cruzou os braços encarando o filho.

- Quem é aquele enfermeiro? Eu posso cuidar de Mark, ele não precisa daquele cara! - Nick dizia gesticulando com os braços, como se apontasse para o quarto onde Mark estava com Tyler. - Sabe o que ele foi fazer? Dar banho no Mark! Como é que você faz uma coisa dessas comigo?

- Nick! - Jensen sorriu achando graça do desespero do filho por uma coisa que ele considerava banal. - Ele é um profissional! Não acredito que esteja com ciúmes do enfermeiro Tyler!

- Não é ciúmes, pai. – retrucou, realmente sem ter certeza. - Mas olha só pra ele! Vai dizer que nunca reparou que ele é... Ele é bonito pra cacete! E aquele sorriso? – a voz de Nick pingava indignação como se a beleza do enfermeiro fosse um crime – Pai, o sorriso dele faz unicórnios nascerem!

- Como é que é? - Jensen agora gargalhou deixando seu corpo cair de volta em sua cadeira, rindo até sentir o rosto esquentar. - Unicórnios?

- Não tem graça. - Nick protestou sem parar pra pensar direito no que tinha dito. - Eu não quero esse cara com Mark!

- Nicholas, pelo amor de Deus! - Jensen já se recuperando da crise de riso levantou-se da cadeira e andou até o filho. - Desde quando ser ciumento faz parte da sua personalidade?

- Não é ciúmes, só acho desnecessário. - Nick disse rápido, como se tivesse pensado naquele argumento.

- Claro, porque uma pessoa que acabou de sofrer um acidente não precisa de um enfermeiro por perto. - Jensen ainda rindo ironizou.

- Eu posso cuidar dele. - Nick insistiu.

- Com certeza, porque você tem muito conhecimento da área. - Jensen insistiu na ironia.

- Pai! - Nick protestou.

- Nick! - Jensen disse, imitando o tom de voz do mais novo, como se o filho não estivesse fazendo sentido, como de fato não estava.

– Beleza. - Nick fez um bico infantil e preparava-se para sair da sala. - Vou ficar também, não vou deixar Mark sozinho com esse cara.

- Nicholas... - Jensen massageou as têmporas. Pelo que conhecia daquele sentimento chamado 'ciúmes', sabia muito bem que quanto menos ele fazia sentido, mais forte ele era. - Você está sendo irracional, meu filho.

- Estou? - Nick com a mão na maçaneta, sorriu para o pai como se propusesse um desafio. - Vamos supor que tio Jared estivesse deitado naquela cama...

- Nick... - Jensen advertiu.

- Ia mesmo colocar Tyler pra tomar conta dele? - O músico arqueou as sobrancelhas ao ver Jensen fechar a cara como se admitisse internamente que ficou na dúvida para responder. - É, foi mesmo o que eu pensei. - Nick concluiu diante do silêncio do pai, deixando a sala com o peito estufado, vitorioso.

Jensen balançou a cabeça negativamente, mas considerou, por um momento, que isso até que poderia ser uma boa coisa, afinal, isso significava que muito sentimento ainda existia ali e esses dois não iam se separar tão cedo.

x.x.x.x

Três dias já haviam se passado e Mark ainda estava no hospital. Seu estado melhorava consideravelmente a cada dia, mas tanto Jensen quanto Christian acharam melhor mantê-lo ali, para ficar em observação. Jared ficou com ele o quanto podia, mas não precisou dormir nenhuma das noites, pois Nick fez questão de dizer que não sairia dali nem amarrado. Ele dormiu muitas vezes na grande poltrona ao lado da cama de Mark.

Naquela manhã, Mark acordou e não fez barulho. Abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi Nick num sono profundo, jogado de qualquer jeito naquela poltrona pouco confortável. Uma manta fina o cobria e Mark se perguntava como ele conseguia dormir tão mal acomodado.

Depois de alguns breves minutos, Nick acordou com Mark olhando pra ele. O moreno alto sorriu apaixonado enquanto Nick esfregava os olhos com as mãos para acordar melhor.

- Bom dia. - Padalecki disse recebendo um gemido de dor nas costas em resposta. Nick se ajeitou na poltrona deixando a manta de lado e levantando para ir até a cama de Mark. Ele deu um beijo na testa do namorado após afastar com cuidado os cabelos castanhos de Mark.

- Bom dia, meu amor. - Nick respondeu com voz de sono e sua cara era ainda pior. Mas estava sorrindo.

- Sabe que eu amo você, não é? - Mark começou segurando uma das mãos do namorado enquanto Nick sentava-se na cama. - E não me sinto bem te vendo aí dormindo mal todas as noites, cansado e sem ir pra faculdade...

- Está enjoado de me ver aqui é? - Nick disse rindo beijando a mão do namorado.

- Estou preocupado com você, pare com isso. - Mark disse rindo. - Que coisa mais mulherzinha. - Nick tinha que admitir, nem que fosse internamente, que Mark estava certo.

Ackles estava quase cedendo e pensando em ir pra casa naquela noite, quem sabe aparecer na faculdade a tarde, dar as caras em algumas aulas e tocar um pouco, mas então era como se lembrasse do outro motivo dele estar ali assim que Tyler entrou no quarto com outro soro em mãos.

- Bom dia, Mark. - Ele disse e Nick viu novamente aquele sorriso. Era perturbador, sentia que não podia competir com aquilo. - Bom dia pra você também, Nicholas.

- Bom dia, Ty. - Mark disse distraído. Não se deu conta que o chamou pelo apelido e, de todas as caras feias que Nick já tinha feito por causa de Tyler, aquela foi a pior. Ele ficou tão frustrado que não respondeu ao enfermeiro.

- Como está hoje, Mark? Tudo bem? - Ele perguntou prestando atenção no moreno sentado na cama. - Como está o ombro? Ainda sente dor?

- No geral, está tudo bem. - Mark foi sincero. - Minha clavícula ainda dói, mesmo quando eu tento mover o ombro, na parte de cima, entre a articulação acromioclavicular e a cabeça do úmero. - o enfermeiro se aproximou e tocou a parte onde ele havia indicado.

- Isso é normal, ainda vai levar um tempo para parar de doer completamente. - Tyler dizia sério checando o ombro de Mark ao tirar a faixa de proteção. - Mas está bom, sem um grande inchaço! Você vai precisar de algumas sessões de fisioterapia, mas nada muito sério. - Enquanto Tyler fazia seu trabalho, Nick sentia aquela vontade insana de tirar as mãos dele de cima de seu namorado.

- Alguma chance de eu ver algum raio x? - Mark perguntou como bom estudante curioso que era. - Queria ver se foi só a clavícula ou se meu acrômio também está quebrado. - Ele disse e Tyler sorriu de canto.

- Fale com doutor Ackles, de repente ele mesmo possa te mostrar. - O enfermeiro disse enquanto checava a velocidade com que o soro corria nas veias de Mark. - Temos um ortopedista aqui muito bom, Nick deve conhecê-lo.

- Doutor Collins. - Nick respondeu sério, como quem não queria muita conversa com ele. - Ele esteve aqui algumas vezes.

- Isso mesmo. - Tyler concordou. - Foi ele quem me indicou para o doutor Ackles. Também quer ser ortopedista, Mark?

- Não. - Padalecki respondeu convicto. - Gosto muito da área sim, mas acho que prefiro ficar com a neurologia.

- Vejo que doutor Ackles o inspirou até nisso então? - Tyler disse anotando algo no prontuário de seu paciente, Mark apenas concordou com a cabeça.

- Por que preferiu ser enfermeiro ao invés de médico? - Mark perguntou e Nick pensou que provavelmente ele não era bom o suficiente para ser médico, mas não disse nada.

- Gosto de passar mais tempo com as pessoas. Cuidar de fato dos pacientes. - Tyler respondeu como se realmente tivesse orgulho da profissão. - Ficar mais em contato com eles.

- É porque os médicos não fazem isso, não é mesmo? - Nick ironizou como se tivesse pessoalmente se ofendido.

- Não, não é isso. - Tyler sorriu agora e Mark balançou a cabeça negativamente como se reprovasse o que Nick tinha acabado de fazer - É porque geralmente os médicos tem muito mais responsabilidades, mais coisas pra fazer e muito mais pessoas... Quando se é enfermeiro, a gente consegue dar uma atenção mais especial. - Ele explicou calmamente.

- Isso é ótimo. - Mark respondeu antes que Nick pensasse em outro comentário espertinho.

- Certo então, Mark. Descanse agora. Seu soro contém um pouco de morfina, dosagem baixa, mas é para aliviar sua dor no ombro então, deve conhecer os sintomas. Vai sentir sono, seria bom se você dormisse e deixasse seu corpo trabalhar um pouco.

- Claro, pode deixar. - Padalecki respondeu e Tyler se despediu de ambos com mais um de seus sorrisos.

Um breve silêncio se instaurou entre eles até que Mark não conseguiu aguentar mais segurar o riso. Ele olhava Nick com aquele bico de criança emburrada e só fazia rir, segurando firme a mão do loiro. Ele jogou a cabeça pra trás e recostou a nuca no travesseiro sem tirar os olhos do namorado.

- Se eu soubesse que você ia fazer esse bico quando está com ciúmes, talvez eu tivesse tratado de provocar mais vezes. - Padalecki disse já sentindo os efeitos da morfina em seu corpo, o acalmando e o deixando mais relaxado.

- Pare de se aproveitar do fato de saber que não vou brigar com você porque você está aí... - Nick disse tentando parecer adulto, mas falhando terrivelmente. - Eu não gosto desse cara perto de você, mas eu confio em você e sei que não iria... - Antes dele terminar a frase, Mark já estava dormindo. Provavelmente o fez sem se dar conta. - Ah Padalecki, olha o trabalho que você me dá... - O loiro disse passando uma das mãos pelos cabelos do namorado. Arrumou o lençol sob o corpo de Mark certificando-se de que ele estava confortável,

Achou que poderia ser mesmo uma boa ideia ir pra casa tomar um banho, levar algumas roupas de Mark pra lavar, pegar outras e descansar, porque ele ficava constantemente preocupado com o namorado, não descansava direito. Queria estudar, sentia falta de seu violão e precisava frequentar as aulas mesmo que não fosse prestar atenção.

Ligou para Jared para avisar que iria pra casa aquela noite. O sogro, por sua vez, aprovou a ideia e disse que cuidaria de Mark naquela noite. Jensen fez visitas constantes ao quarto do filho de seu noivo, sempre checando sua condição e preocupado. Não que Mark corresse risco de vida, mas era filho do amor da sua vida, todo cuidado era pouco. Até porque depois de todos aqueles anos, também tinha se apegado a aquele moleque marrento e cheio de razão o tempo todo. Especialmente porque via o bem que ele fazia ao seu próprio filho.

x.x.x.x

Nick tinha tomado um banho decente pela primeira vez em dias. Finalmente pode ficar horas embaixo do chuveiro. Demorou de propósito, sentia seu corpo mais revigorado depois de dormir por mais ou menos umas duas horas. Acordou, fez um café da manhã decente, envolvendo comida e não apenas café. Se arrumou, pegou livros, anotações e o violão. Era como se o Jaguar o esperasse na garagem, finalmente foi pra faculdade pra assistir a primeira aula da semana de volta as aulas.

Ele gostava mesmo era de tocar, mas tinha sorte de ter os melhores professores de música da atualidade, fazendo assim com que ele se permitisse gostar também da teoria. A aula era sobre história da música e ele particularmente gostava bastante, pois ao longo do curso percebeu que não estudaria apenas a história da música erudita europeia, mas também toda a evolução cultural que isso trouxe e como, de fato, a música afetava as pessoas.

- Música na pré-história. - Joshua Jackson disse de um jeito engraçado, como se aquilo soasse estranho. Bem, ele em si não era um professor muito normal. - Imagina aquele povo cantando! - Ele riu arrancando risos igualmente de seus alunos.

- Professor! - Um aluno ergueu uma das mãos, sendo corrigido por Joshua no mesmo instante.

- Josh. - Ele apontou para o garoto com uma voz engraçada, meio James Bond.

- Ok, Josh. - O aluno era provavelmente novo por lá, pois todos sabiam que Jackson preferia ser chamado pelo nome. - Eles não cantavam propriamente, certo? Os hominídeos do paleolítico inferior apenas imitavam os sons da natureza.

- E isso não é cantar? - Josh desafiou sorrindo. Começou a assoviar pela sala imitando os cantos de vários pássaros. Dos mais rústicos, como a Araponga, a arara-azul e o anu branco, passando pelos mais suaves, como o do azulão, o bem-te-vi e o bico de veludo, até os mais estranhos, como os pombos, as corujas e dos pássaros bico-de-pimenta.

- Não. – o rapaz respondeu após o professor parar de imitar bichos.

- E isso é fazer o que então? - Josh perguntou já rindo.

- Imitar cantos de pássaros. - Ele respondeu como se fosse óbvio e todos riram, especialmente Nick. Ah esses novatos que não conheciam Josh.

- Moleque, você é um idiota, está fazendo o que aqui? - Josh brincou fazendo todos rirem, inclusive o garoto quem provocou. As aulas dele eram sempre assim.

A aula seguiu tranquilamente, com ainda muitos risos. Há tempos Nick não se sentia tão bem, tão relaxado, sabendo que não apenas Mark estava bem, mas que eles dois estavam numa boa – com exceção claro de alguns enfermeiros. Ele sentia-se leve pela primeira vez em meses. Se permitiu rir ainda mais de tudo, saiu com alguns colegas depois da aula. Foram até o conservatório e tiraram algumas músicas juntos. Uma das meninas, espécies raras em faculdades de música, acompanhou os garotos dizendo que faria os vocais para o que eles tocassem. Nick arriscou na bateria em algumas músicas – instrumentos de percussão não eram seu forte, mas ele se divertiu, pois aquilo sim era o legitimamente "fazer barulho".

Tocou sax e baixo. Estava praticamente se formando e era como se fosse seu primeiro ano de faculdade, sentia-se redescobrindo as coisas. A única coisa que o impedia de ser cem por cento pleno era a incerteza do que aconteceria quando Mark saísse do hospital. Era o medo de que as coisas voltassem a ser como antes.

Já estava quase escurecendo e ele percebeu que nem notou o dia passar. Ainda queria ir visitar Mark antes de voltar pra casa. Os amigos o convidaram para uma festa qualquer de fraternidade, mas ele recusou. Não era mais solteiro há muito tempo e aquilo já tinha perdido a graça pra ele.

Todos deixavam a sala de música principal do conservatório e ele ainda ficou terminando de arrumar alguns instrumentos. Na porta, um professor entrava apressado.

- Desculpe. - Ele disse distraído, mas sorriu sem graça ao ver que era Nick quem estava lá.

- Sem problemas, professor. - Ele disse colocando o contra-baixo no suporte. - Já estou saindo.

- Fique. - Kerr Smith disse antes que Nick pudesse sequer dar outro passo em direção a porta. O loiro engoliu a seco, não sabia o que responder. - Quer dizer, podemos repassar algumas coisas sobre as partituras que me entregou.

- São apenas composições soltas minhas, não é nada sério. - Nick disse enterrando as mãos nos bolsos do jeans claro. - Apenas quero ver se os compassos estão corretos, ainda nem tentei colocar um arranjo de percussão, não tem letra. - Ackles olhava para o chão sentindo-se amador.

- Ackles, qual é. - Smith sorriu percebendo a modéstia do outro. Independente de tudo aquilo, as composições de Nick eram dignas de muito talento. - Sente-se, fiz algumas anotações, você pode partir delas. - Kerr sentou-se em um dos bancos espalhados pela sala e Nick puxou outro mais pra perto.

Nick se animou com a ideia, há tempos não mexia naquelas composições. O resultado foi que perdeu a hora completamente. Eles tocaram juntos, conversaram sobre música, Kerr inclusive mostrou a Nick algumas boas técnicas para compôr arranjos em outros instrumentos sem precisar exatamente tê-los por perto. Nick nunca tinha ouvido seu professor cantar, apenas tocando piano. Mas aquela noite no conservatório, ele teve que admitir que achou incrível.

- Uau. - Foi o que o loiro disse quando Kerr Smith terminou de tocar Keith Urban no piano. - Isso foi realmente incrível.

- Obrigado. - O professor respondeu olhando de volta para Nick. O loiro apenas sorriu e, novamente sentiu aquele olhar incomodo do outro. Era como se o professor o medisse com um sentimento intenso, quase desejo, como se fosse algo platônico que ele sabia que nunca teria.

- Eu acho que... - Nick estava pronto para se despedir quando Kerr percebeu que estava sendo invasivo, mas ele simplesmente não conseguia se conter.

- Não tem vindo as aulas. - Ele voltou ao tom profissional ao tirar os olhos de Nick e voltar-se para os papéis espalhados em cima do piano com partituras de Nick. - Está tudo bem entre você e seu namorado? Não vejo você desde a noite em que brigaram.

- Ele teve um acidente de carro, estive no hospital com ele. - Nick recomeçou após um longo suspiro. - Mas ele já está bem, espero que logo ele volte pra casa. Estamos na mesma, mas não brigamos mais pelo menos.

- É, não vão brigar enquanto ele estiver no hospital ao menos. - Kerr disse entregando suas anotações a Nick com as partituras. - Espero que resolvam. - Ele disse, mas não era de todo verdade aquele desejo.

- Isso me lembrou que eu perdi a hora. - Nick disse olhando o relógio. Já passava das dez da noite. - Queria vê-lo antes de ir pra casa, mas agora ele já deve estar dormindo e não quero incomodar. - Nicholas levantou-se.

- Podemos fazer isso mais vezes. - Kerr sugeriu inseguro ao levantar no segundo seguinte que Nick o fez. - Quer dizer, temos muito a explorar com seu... - Ele fez uma pausa e novamente Nick percebeu que ele estava olhando para sua boca. Dessa vez, Kerr percebeu o que fazia e, no segundo seguinte, voltou a olhar os olhos de Nick. - ...talento.

- Claro. - Nick disse pouco acreditando que era mesmo de "talento" que Kerr estava falando.

- Quero que saiba que... - Kerr recomeçou aproximando-se mais de seu aluno. Nick não se mexeu mas nunca sentia-se completamente a vontade quando as conversas começavam com aquela frase. - Você é um aluno diferente pra mim, você é especial. - Se Nick tinha alguma dúvida que seu professor estava dando em cima dele, todas elas desapareceram naquele momento.

- Eu acho que realmente preciso ir agora. - Nick respondeu educado, calmo, como se aquilo não o afetasse. Ficou claro nas entrelinhas que ele deveria mesmo ir para evitar que o próprio professor fizesse alguma coisa da qual se arrependeria depois.

- É, eu acho também. - Kerr concordou entendendo o que Nick quis dizer. Ele provavelmente não teria resistido por mais muito tempo olhando para aqueles belos lábios de Nick Ackles. - Boa noite. - Ele disse desviando seus olhos azuis para o piano. Uma ponta de arrependimento podia ser lida neles.

- Boa noite, professor. - Nick dizia já de costas, deixando a sala do conservatório.

Sabia que não era boa coisa aquilo, especialmente porque já tinha deixado claro que era comprometido, mas não deixou de sentir-se um pouco lisonjeado com tudo. Afinal, depois de tantos anos com Mark, deixou de prestar atenção em outras pessoas e muito menos notava se alguém prestava atenção dele. Era bom saber que ainda despertava certo interesse alheio, era bom para a autoestima. Não era bom apenas se você tinha um namorado ciumento como Mark Padalecki.