NINE
Anniversary
Já fazia cerca de três semanas que Mark e Nick tinham voltado para o apartamento na Soho. Nada tinha mudado muito naquele meio tempo. Aos poucos, as esperanças de Nick iam se esvaindo e tudo o que sentia quando pensava em Mark era "cansaço". Ele voltou a se afundar nos livros, a passar horas estudando – mais até do que antes, pois parecia que Mark tentava retomar o tempo perdido no hospital. Era domingo de manhã quando Nick acordou sozinho na cama. Mark nem tinha ido dormir.
Levantou e checou o relógio: dez e sete da manhã. Estava de cuecas e andou até o banheiro. Escovou os dentes, lavou o rosto e foi calmamente até o quarto de estudos do apartamento. Nem precisou olhar com muita atenção, apenas repetiu o que, ao menos três vezes por semana fazia.
- Mark. - Ele disse alto e o rapaz acordou num susto. - Está dormindo em cima desse livro de novo. - Nick disse e saiu, deixando Mark meio atordoado, notando que ainda estava de branco após ter voltado da clínica da faculdade onde atendia.
- Nick, me desculpe. - Mas Nick não ouviu, estava na cozinha. Ele esfregou os olhos e se levantou. - Eu perdi a hora.
Padalecki fechou o livro e andou com sono até onde o loiro estava. Ackles preparava um café e comia uma fruta qualquer. Não olhou Mark na cozinha o encarando da soleira da porta, nem com vontade de discutir estava, não tinha vontade de nada que se relacionasse a Mark nesses momentos. Havia se acostumado com a ausência do futuro médico.
- Nick... - Mark tentou, mas o loiro sequer o olhou. - Eu sei que disse isso muitas vezes, mas só peço que me entenda, estou em semana de provas e ainda tenho a clínica agora, estou tentando recuperar...
- O tempo perdido. - Nick disse finalmente completando a frase do outro. Já tinha perdido as contas de quantas vezes já tinha ouvido aquilo nesse meio tempo. - Que seja, Mark.
O loiro pegou seu café e pôs sob a bancada onde costumavam tomar café da manhã juntos. Não fazia mais diferença pra ele as desculpas de Mark. O moreno alto andou na direção do namorado e segurou o rosto dele dando um beijo em seguida, de leve, quase como se não tivesse o direito de fazer aquilo. Ele não soltou do rosto do outro, apenas olhou nos olhos dele por alguns momentos.
- Não desista de mim, ok? - Mark pediu sussurrando. - Eu amo você. Não esqueça.
- Eu também amo você, Padalecki. - Nick disse quase sem acreditar em si mesmo. - Só estou cansado disso.
Ele se desfez das mãos de Mark e foi pro chuveiro, deixando o outro sozinho na cozinha. Sabia que quando saísse do banheiro Mark provavelmente estaria estudando de novo até a noite, em que faria seu plantão na clínica virando a noite e, de manhã, seguiria direto para a faculdade. Parecia que aquela tinha se tornado a vida deles agora.
x.x.x.x
Nick tinha o violão em mãos no intervalo da aula de Instrumento de Cordas. Era seu último ano e ele iria se dedicar como nunca. Era a única coisa que ocupava sua mente. Fechou os olhos e começou a dedilhar uma de suas partituras. Era melancólica, de uma tristeza bonita. A perfeição como seus dedos se moviam nas cordas e a facilidade que tinha para fazer aquilo dar certo eram o que mais impressionavam o professor Kerr Smith, parado a soleira da porta do conservatório, sem avisar que estava ali.
Para a surpresa do professor, era uma das raras vezes que via Nick soltar a voz. Não era exatamente nada pronto, dava pra perceber que ele estava compondo de cabeça com um arranjo quase pronto, mas encaixava tão perfeitamente na melodia que parecia feita e terminada há meses. Mas ele sabia do que Nick estava falando quando cantou os únicos versos da música que compôs de cabeça.
Well our love story reads like a book of lies
(Bem, nossa história de amor é feito um livro de mentiras)
Good intentions, better alibis
(Boas intenções, álibis melhores)
No happy endings, no straight lines, no movin' on,
(Sem finais felizes, sem linhas retas, sem seguir em frente)
But no goodbyes.
(Mas sem adeus)
This bittersweet revelry will be the death of me.
(Essa bagunça agridoce será minha morte)
- Isso foi profundo. - Kerr disse entrando na sala assim que Nick parou de tocar.
- É disso que música se trata, não é? - Nick respondeu sem se importar muito com a presença do outro. - Não sei o que estou fazendo, no entanto. - Ackles respondeu apoiando os braços no violão que segurava em seu colo.
- Não sabia que suas composições já tinham letra. - Smith disse pegando um pincel anatômico usado para quadros brancos e começou a escrever no bloco de vidro que usava para ensinar alguma teoria em suas aulas.
- Não pus. - Nick disse sincero. - Isso só foi algo que me veio à mente, estava pensando longe. - O loiro disse enquanto Kerr escrevia os versos que Nick cantou no vidro, como se desenhasse uma partitura.
- Quer trabalhar nisso agora? – o professor sugeriu ao apontar para as linhas escritas. - Aproveitar essa onda de inspiração? Acho que podemos conseguir uma coisa boa aqui.
- Não estou a fim de mexer nesses sentimentos. - Ackles foi sincero.
- Isso me lembra uma frase de Axl Rose, que dizia que compor era ir ao inferno, resgatar o que tinha mandado pra lá e escrever uma música boa.
- Ele tinha razão. - Nick sorriu de um jeito fraco. - Tenho uma visão diferente sobre música agora.
- Como se sente? Vamos! Solte-se! - Kerr gesticulava com as mãos como se incentivasse o outro.
- Confuso, correndo em círculos... - Ackles tentou se expressar, mas nem ele sabia muito bem o que dizer.
- Está falando de seu relacionamento, certo? - Smith perguntou e Nick confirmou acenando com a cabeça, dizendo sim. - Você tenta resolver as coisas e tudo acaba do mesmo jeito...
- É. Seguimos rodando, tentando fazer dar certo... Mas tudo que consigo é um inferno pronto. - Nick disse e Kerr musicou aquilo na cabeça. Voltou ao quadro de vidro e escreveu o que Nick havia dito. - Nunca muito longe de onde estamos... - Nick continuou e Kerr escreveu novamente. - O que está fazendo?
- Eu? Nada! Já você está compondo. - Smith disse mostrando um belo sorriso e Nick voltou a pegar o violão tentando arranjar de várias formas o que tinha acabado de dizer. O professor escrevia os versos na pauta improvisada que tinha desenhado no vidro.
We go round and round, tryin' to work it out
(Seguimos rodando, tentando fazer dar certo)
And all I get is hell bent and bound
(Mas tudo que consigo é um inferno pronto)
Never far from right where we are
(Nunca muito longe de onde estamos)
- Isso é... - Ackles dizia enquanto olhava no quadro o que tinha acabado de dizer se transformar em música bem diante de seus olhos.
- Incrível. - O professor completou a frase de Nick olhando para ele, aquele olhar de garoto extasiado, como se visse algo nascer bem a sua frente pela primeira vez. - É essa mesmo a sensação de fazer algo seu. Fruto de algo que veio direto da sua alma. Isso é música, Nick.
- É! - Nick abriu um de seus melhores sorrisos para o professor, um daqueles que fez Kerr morder o lábio inferior como se, por um momento, se contivesse a fazer algo que não poderia, mas queria muito. - Obrigado por isso.
- Imagine, é o meu trabalho. - Smith disse quase sussurrando medindo o outro dos pés a cabeça enquanto Nick ainda encarava o quadro escrito. Puxou o celular do bolso e anotou o que estava escrito nele.
- Vou terminar isso sim, com certeza. - Nick disse e colocou o violão no suporte, virando-se novamente em seguida para encarar o professor. - Não é nada digno de John Mayer, mas eu acho que um dia eu chego lá. - Ele brincou e os dois riram.
- Eu sei que você se inspira muito nele, você tem uma pegada meio blues pra tocar, acho que sem querer deixou ele te influenciar bastante. - Kerr elogiou.
- Também não é pra tanto. - Nick baixou os olhos sem graça.
Aquele silêncio constrangedor entre eles voltou a se instaurar, como toda vez que acontecia quando eles ficavam sozinhos. Kerr olhando pra ele como se estivesse prestes a fazer alguma coisa e Nick lá, tentando fazer com que ele entendesse que nada iria acontecer entre eles. Dessa vez, porém, as coisas funcionaram um pouco diferente
- Nick, ouça... - Kerr tentou parecer um amigo naquele momento e Nick deu valor àquilo. - Eu sei que não deveria estar dizendo isso, mas desde que comecei a te dar aulas, percebo você muito triste, desmotivado até, por conta desse garoto com quem você namora. Não quero opinar sobre nada, mas vejo o quanto você sofre... - Ele escolheu com cuidado as palavras que diria em seguida. - Talvez... acho que você... - Ele respirou fundo e realmente não tinha um jeito certo de dizer aquilo. - Você merece uma pessoa que tome conta de você, que não seja somente você o coração dessa relação, que não seja sempre você quem cede... Acho que você precisa de equilíbrio.
Nick ficou em silêncio como se digerisse as palavras que tinha ouvido. Ele não tinha uma boa resposta – na verdade iria dizer que aquilo não importava, que amava Mark, mas aquilo lhe soou infantil. Kerr percebeu o silêncio do outro e tratou logo de fazer o que achava certo.
- Me desculpe, eu não quis me intrometer assim, eu acho que...
- Quer sair pra tomar um café qualquer hora? - Nick o interrompeu convidando e pode jurar que o olhar de Kerr mudou, como se um brilho de esperança se acendesse.
- Claro. - Ele ficou empolgado mas respondeu como se fosse um convite qualquer, normal. - Tenho que dar aulas hoje, mas... quando quiser, Nick.
- Certo. - Nick sorriu de canto, em seguida checando seu relógio e via que já passava das cinco da tarde. - Amanhã nos falamos então... Kerr. - Ele chamou-o pelo primeiro nome e o professor percebeu, mas não disse nada, apenas sorriu assentindo com a cabeça em resposta.
Ele deixou a enorme sala não sabendo se tinha feito a coisa certa. De qualquer forma sentia-se um pouco influenciado pela música. Talvez não devesse ter feito aquilo, era como se desse alguma esperança ao professor, mas não era isso que queria. Mas agora já era tarde, concentrou-se no fato de que era, de longe, seu melhor professor e que sentia falta de poder sair pra tomar um café com alguém que conseguia conversar sobre tudo, mesmo sabendo do desejo interno de Kerr de claramente querer levá-lo pra cama.
Tomou rumo da aula maluca de história da música com Josh Jackson e riu só de imaginar como seria a aula, uma vez que voltariam a falar sobre música na idade da pedra. Encontrou alguns colegas no caminho para o campus e contou a eles sobre sua composição, todos pareceram animados e insistindo pra que ele cantasse e tocasse mais tarde. Se Mark iria se concentrar nos estudos, ele poderia fazer o mesmo.
x.x.x.x
Mark Padalecki estava na sala de estagiários da Clínica Central de Manhattan, ao lado do campus principal da faculdade de Medicina da NYU. Tinha atendido alguns pacientes – tudo observado pelo neurocirurgião-chefe do local, doutor James Lafferty.
- Está distraído Padalecki. - Ele chamou atenção de Mark assim que entrou na sala fazendo anotações em uma prancheta pessoal. - Não pode se distrair nesse trabalho.
- Desculpe, doutor. - Mark tratou de dizer logo, respirando fundo e jogando-se em uma das cadeiras do local. Estava cansado, com sono, suas costelas ainda o incomodavam um pouco, mas o ombro porém, depois das sessões de fisioterapia, tinha voltado a ficar cem por cento.
- O que é isso? - Ele apontou para o prontuário de algum paciente. - Você aprovou essa dosagem? - Lafferty se referia a um remédio qualquer que Mark tinha assinado como autorizado.
- Era somente uma cefaleia comum, não achei necessário aumento da dose. - Mark justificou sua escolha. - Apenas uma enxaqueca que foi evoluindo, provavelmente pressão alta.
- Não existe "provavelmente" nessa profissão, Padalecki. - Lafferty bronqueou - Você não pode "achar" nada aqui, entendeu? Se quer ser neurologista, acho bom começar a prestar atenção nos menores detalhes, exija todos os exames, faça todos os processos meticulosamente, não esqueça que estamos no "controle" central do corpo aqui, faça uma merda e você fode todo o resto! - Lafferty não gritou, mas seu tom de voz foi suficiente para fazer Mark tremer na base. - "Provavelmente pressão alta..." ele repetiu o que Mark disse com ironia, devolvendo o prontuário pra ele. - Refaça. E peça o exame de pressão. Se essa mulher tomar esse remédio nessa dose baixa e ter um AVC, eu acabo com a sua raça, garoto.
Mark nem argumentou, pois sabia que estava errado. Ele anda exagerando em tudo, como bom médico que seria, já deveria saber que iria acabar entrando em colapso caso não desse um tempo para seu próprio corpo. Passou as mãos pelos olhos e escondeu um bocejo. Pegou o celular do bolso – continuava não gostando, mas dessa vez ele não o esquecia mais em casa. Na discagem automática, chamou pelo número de Nick.
- Ei... - Nick atendeu do outro lado na linha. - O que houve?
- É assim que me atende agora? - Mark brincou, rindo um pouco forçado. - Cadê o "oi amor"?
- Estou na aula, Mark. - Ele foi seco. - Está tudo bem?
- Está... - Mark nem discutiu, provavelmente merecia aquilo. - Só queria ouvir sua voz.
Silêncio. Era como se Nick não estivesse mais acostumado com aquilo. Ou esperava uma notícia ruim em breve e Mark estava apenas tentando amenizar. Mark o ouviu suspirar do outro lado da linha, mas não parecia que ele diria alguma coisa.
- Vai estar em casa que horas? - Padalecki perguntou, checando seu próprio relógio.
- Por volta das nove. - Nick respondeu genuinamente incerto. - Por que? Vai chegar tarde?
- Não. - Mark disse, apressando-se. - Vou daqui a pouco, só preciso refazer uma merda que fiz aqui e já me deram bronca... Estarei em casa daqui a pouco, antes das oito. Não vou pra aula hoje.
- Ok.
Silêncio novamente. Era como se Nick não acreditasse que Mark realmente iria, ou se fosse, sabia que ele voltaria a se enfiar em livros novamente e provavelmente nem notaria se ele estava em casa ou não.
- Eu faço o jantar hoje, certo? - Mark disse como se a melhor ideia de todas tivesse lhe vindo a mente.
- Tem certeza? - Foi a primeira vez que Mark ouviu a risada de Nick em dias. - Porque você é péssimo nisso.
- Qual é, Nicholas! - Mark riu agora, sabia que era verdade. - Quero tentar. - Ele sabia que Nick tinha entendido que a frase tinha duplo sentido.
- Certo, nos vemos em casa mais tarde então. Preciso voltar pra aula. - Nick disse ainda rindo.
- Ei... eu amo você, não esquece, acima de qualquer livro, ok? - Mark disse levantando-se de onde estava e pegando o prontuário que iria arrumar.
- Também amo você... - Nick queria desesperadamente acreditar naquilo. - Te vejo em casa.
Ambos desligaram e Mark tratou de resolver aquilo o mais rápido possível. Dessa vez, ele não iria decepcionar o namorado.
x.x.x.x
Nick chegou em casa cansado. Respirou fundo ao girar a chave pra destrancar a porta e sentiu o cheiro de comida. Não parecia nada muito sofisticado, mas riu ao ver Mark com uma panela na mão se sentindo o verdadeiro chef. O loiro se surpreendeu ao ver que Mark tinha feito tacos com nachos na entrada.
- Desde quando você sabe fazer comida mexicana? - Nick perguntou jogando dois livros em cima da cômoda da sala, juntamente com a chave do carro e o casaco.
- Qual é, eu sei mexer na internet... - Mark respondeu abraçando o namorado e dando um beijo apaixonado. - Olhei a receita.
A mesa estava posta, algo bem simples só para os dois e no som John Mayer fazia seu trabalho com maestria. O CD preferido de Nick. O loiro reparou, é claro, mas não disse nada. Uma garrafa de tequila estava sobre a mesa e Mark ficou alguns segundos observando a expressão de Nick ao olhar tudo aquilo. Ele parecia com medo de gostar.
- O que foi? - perguntou enquanto Nick suspirava sorrindo.
- Nada, está tudo bem. - Nick disse não muito seguro, estava realmente feliz por conseguir passar um tempo com o namorado, mas uma voz interior lhe dizia para não se empolgar. Seria apenas mais um momento efêmero.
- Certo, então vamos jantar. - Mark disse indo buscar na cozinha o que tinha feito.
- Obrigado, está tudo incrível. - Nick disse antes que ele pudesse desaparecer de sua vista. Mark apenas sorriu de volta.
Os dois jantaram conversaram sobre seus dias e Nick desejou poder ter aquilo todo dia ou, ao menos, mais frequentemente. Mark contou da bronca que levou, Nick recomendou que ele dormisse melhor, pois exatamente por estar na profissão que estava, deveria saber melhor do que ninguém que dormir bem era mais do que fundamental para ter sucesso estudando. Padalecki ficou orgulhoso ao ouvir sobre a composição.
Tomavam tequila na sala quando John Mayer tocou Daughters, uma das preferidas de Mark. Ele levantou do sofá deixando sua bebida de lado e puxando Nick com ele. O loiro riu ao perceber que Mark estava lhe convidando pra dançar. Eles entrelaçaram os braços no pescoço e cintura um do outro e Padalecki o beijou puxando seu corpo mais pra perto do dele.
- Vamos ter filhos? - Mark perguntou ao se dar conta da letra da música.
- Por que não? Acho que seria bom. - Nick respondeu suspirando enquanto pensava a respeito.
- Acha que seríamos bons pais? - Mark disse sorrindo, sem graça.
- Não é uma ciência exata, acho que só se aprende na prática... - Nick filosofou antes de concluir. - Acho que nós podemos tentar, nos esforçar, dar o melhor que temos e assim diminuir as chances de criarmos um psicopata.
Eles riram e ficaram ali até umas três músicas acabarem, falando bobagens, trocando beijos e fazendo planos. Mark se esforçava, mas Nick sabia que no dia seguinte tudo voltaria ao normal, procurava não criar esperanças. Achou que todo aquele inferno iria terminar somente junto com a faculdade de Mark.
- E a despedida de solteiro dos coroas? - Mark disse num sobressalto. Nem tinham planejado nada ainda.
- Porra, é mesmo. - Nick disse pensando por um segundo. Não tinham ideia do que fazer.
- Vamos falar com tio Chad e Christian... - Mark sugeriu. - Quem sabe eles nos ajudem, não sei bem como fazer...
- Bom... Vamos fazer separados né... - Nick disse rindo. - Se bem que se depender de fazer o que meu pai gosta, ele vai querer ir pescar.
- Seu Jared também não é de querer coisas glamourosas, portanto Vegas está descartado. - Mark brincou e Nick riu apoiando o queixo no ombro dele.
- Mas antes disso temos algo especial daqui duas semanas... - Nick disse e Mark demorou um pouco pra perceber que Nick estava falando de seu aniversário.
- Ah... - Mark disse escondendo o riso no pescoço do outro. - Só nós dois, um jantar... Sem festas.
- Como assim, Mark? - Nick disse franzindo o cenho. - Vamos fazer uma festa sim, nada de muita gente, mas alguns amigos vão querer comemorar seu aniversário, por favor, não banque o nerd antissocial que só sabe estudar! - Nick disse a última frase rindo, fazendo o namorado rir junto.
- Vou pensar ok? - Ele foi sincero, já tinha perdido o pique de badalações. - Se James e Steve estiverem de volta aos Estados Unidos, posso até concordar que eles venham.
- Não vejo Steve há anos. - Nick lembrou do melhor amigo. - Falo com ele toda semana pela internet, mas ver de fato... Desde que se mudou pra Londres.
- James está em Oslo. - Mark lembrou que também trocava e-mails com o amigo de vez em quando. - Nunca pensei que ele fosse gostar da Noruega. Mas acho que ambos vão acabar voltando esse ano depois de se formarem.
- Nunca te perguntei o que James estava estudando. - Nick comentou.
- Está jogando num time de hóquei pela Universidade de Oslo, mas cursa Economia. - Mark respondeu. - Steve ainda está em Cambridge? Vai ser dentista, não é?
- Sim. Na verdade ele disse que estava namorando... E que a gente conhecia a garota.
- Ah é? - Mark estranhou. Há anos não via nenhum dos dois, como poderia conhecer a namorada dele? - Quem é?
- Ele não disse. - Nick continuou dando de ombros. - Só comentou que logo iria contar, assim que ficasse mais sério.
- As desculpas de sempre, só assumir algo quando "fica mais sério"... - Mark riu alto jogando a cabeça pra trás.
- É, o que me faz lembrar que duas semanas depois de seu aniversário, é o nosso aniversário. E olha que nos beijamos no seu aniversário, mas só ficou sério duas semanas depois. - Nick brincou e agora foi ele quem riu.
- O que quer fazer? - Mark perguntou beijando o pescoço do outro. - Podemos tirar o dia pra gente, ir pra um restaurante especial...
- Não... - Nick disse como se já tivesse pensado a respeito. - Vamos viajar, vamos a Winnipeg... - Nick disse sorrindo e Mark olhou pra ele surpreendido. Nick realmente não iria se contentar com qualquer coisa.
- Que coisa você tem com Canadá? - Mark riu divertido. - Certo, então vamos pra Winnipeg. - Ele sorriu aberto beijando o namorado e Nick finalmente começou a ver uma luz no fim do túnel.
