TEN
Part of where I'm going,
is knowing where I'm coming from.
Depois de muita conversa, muitas ligações, Nick conseguiu organizar uma festa bem intimista para o namorado. O lugar escolhido foi o Lani Kai, um bar na Soho, sofisticado, especializado em comida havaiana.
Ele estava no telefone com Steve há mais de quinze minutos, finalmente o amigo tinha chegado a Nova York depois de conseguir algumas semanas de férias com o início do verão europeu. Nick entrou no prédio do conservatório de música cedo, ainda estava vazio e ele procurava falar baixo no celular, pois sua voz dava um eco muito grande. Parou no corredor antes de entrar na sala de música para finalizar a ligação com o melhor amigo.
- Então, vai ser no Lani Kai, na Soho. - Nick dizia lá pela terceira vez, pra ter certeza de que ele não iria errar. - Vou te mandar uma mensagem com o endereço certo.
- Vou estar lá, não se preocupe. - Steve respondia rindo do outro lado da linha.
- Certo. - Nick respondeu e apressou-se em desligar. - Qualquer coisa, me ligue.
- Pode deixar... Boa aula. - Steve disse depois de Nick despedir-se dele rapidamente guardando o celular no bolso.
Ele entrou na sala de música onde encontrou dois ou três colegas. O que ele não viu, foi uma porta aberta no corredor, onde um homem alto, de olhos azuis e sorriso largo tinha acabado de ouvir a conversa. Kerr Smith encostava-se na soleira da porta de sua sala e parecia arquitetar uma grande ideia do que faria naquela noite.
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O lugar estava recebendo poucas pessoas no geral e, no mezanino do local, o casal recebia os amigos mais próximos e suas famílias. Surf music podia ser ouvida pelo bar todo, clássicos como Jack Johnson e Ben Harper, Duas garrafas de champanhe, cortesia da casa, tinham acabado de chegar. O Lani Kai era "open-bar" e possuía uma larga mesa com frios e comida típica havaiana.
Christian Kane chegou com Katie Cassidy, abraçou o afilhado e entregou o presente: uma caneta Mont Blanc personalizada em prata, onde as inscrições "Dr. Mark Padalecki" podiam ser lidas na lateral. O aniversariante mal sabia o que dizer, era o presente mais "adulto" que ele já tinha recebido em toda sua vida. Ele pediu pra que Nick guardasse enquanto ele cumprimentava outras pessoas.
Jared e Jensen pensaram em dar presentes separados, mas concordavam tanto nas ideias que tinham que então resolveram comprar os presentes juntos.. Mark ganhou de Jensen um relógio preto fosco, da Emporio Armani, acompanhado de um livro acadêmico sobre neurocirurgia e células tronco. Ele adorou os presentes, mas a dedicatória do médico foi o que mais o emocionou, ele leu em voz alta para alguns amigos que estavam por perto.
- "Quando fizer o julgamento de Hipócrates, lembre-se que aquilo não é só protocolo, pois medicina é um sacerdócio. O estudo é importante, mas citando Calr Jung, 'não é o diploma médico. O decisivo, é a qualidade humana'. Salve vidas. Jensen." - Ele abraçou o futuro colega de profissão mais forte do que todas as vezes que já o tinha feito. - Muito obrigado, Jensen.
- Feliz aniversário, Mark. - Foi a resposta do sogro.
Já Jared escolheu um livro especial, que ele julgou perfeito para Mark. Não era didático mas certamente serviria para isso. Ele escolheu um dos autores preferidos de Mark dentro da faculdade e entendeu porque o filho gostava tanto dele. O livro se chamava "Alucinações Musicais", contava como o cérebro funcionava de acordo com a música. Como a música poderia instigar memórias e recordações perdidas na mente.
- Oliver Sacks? - Os olhos do futuro médico brilharam ao ler o nome do autor e do título. - Pai, você é o melhor!
- Você merece por me encher de orgulho. - Jared disse abraçando o filho novamente. Ele abriu o livro e leu também em voz alta a dedicatória do pai.
- "Filho, eu sei que já passei muitos aniversários com você e que desejar felicidades é mais do que clichê, porque isso é o que eu desejo para sua vida desde que soube que você estava a caminho. E eu sei que em todos os seus aniversários, desde o primeiro, quando você mal sabia falar papai ou mamãe ou sequer entender o que falávamos com você, que eu digo que te amo. E mesmo depois de tanto tempo, eu me surpreendo como esse amor consegue crescer ainda mais.
Hoje eu vejo o homem que criei e me orgulho imensamente. Não pela roupa branca, não pelo título de doutor que em breve você ostentará. Mas pelo ser humano maravilhoso, esforçado, corajoso, honesto que existe por baixo do jaleco. Agora, este meu presente para você é mais como um conselho. Um conselho de pai, de amigo, para que você nunca esqueça suas origens, nunca esqueça a música que existe em seu coração. Porque a Medicina é um sacerdócio, sim, mas até os mais altos sacerdotes precisam entoar seus cânticos. Afinal, meu filho, a música é a cura para as dores da alma. Com amor, papai." - Ele mal terminou de ler e já secava uma das lágrimas que resolveram correr pelo rosto mesmo quando ele insistia para si eu detestava aquelas coisas. Jared também se emocionou e todos ouviram as palavras do pai para o filho.
- Espero que leve a sério. - Jared recomeçou olhando o filho abraçado com Nick. - Não esqueça de onde veio.
- Não vou. - Ele disse sério olhando nos olhos do pai orgulhoso.
Na entrada do bar, Jeffrey tinha acabado de chegar com a esposa e a filha. Tinham presentes em mãos quando foram diretamente ao encontro de Mark. Sandy foi a primeira a abraçá-lo, mal acreditando que ele já tinha 21 anos. Ela entregou a ele os presentes que tinha comprado, dois suéteres com gole rolê, um cinto, enquanto que o marido entregou a ele um DVD raro de uma banda que ele gostava. Mya o abraçou um pouco insegura, pois já era claro que Mark não gostava muito dela, e entregou a ele uma caixa de chocolates belga.
- Obrigado. - Ele disse rindo, mal conseguindo segurar tudo. - Eu não estava muito a fim de fazer festa, mas estou vendo que fiz bem. - Ele riu ao se ver rodeado de coisas novas, enquanto Nick o ajudava a segurar, colocando em uma mesa reservada para isso.
Tanto Nick quanto Mark abriram seus melhores sorrisos ao ver na porta um de seus melhores amigos chegando. James Sullivan, um quase economista jogador de hóquei entrou mostrando um sorriso na mesma intensidade. Ele abraçou o aniversariante e amigo de escola desejando tantas coisas que Mark nem conseguia acompanhar direito. Eles ainda ficaram um tempo trocando tapinhas nas costas e conversando coisas como "cara, você não mudou nada" ou "mano, que barba é essa?", Mark ainda brincou com o esporte que James havia escolhido para praticar e entregou um CD do Ozzy Osborne para o amigo.
- Achei que você e Steve viriam juntos. - Nick disse ao sentar-se na mesa ao lado do namorado e de James.
- Ele está vindo, está estacionando o carro. - James respondeu. - Demoramos porque a Becca demorou.
- Becca? - Mark reconheceu o nome da colega que não via há anos.
- Becca... da escola? - Nick também já começou a abrir o sorriso quando lembrou que ela fez significativa parte na vida dos dois.
- Está de brincadeira que a namorada dele é ela! - Mark disse e em seguida olhou para Nick, para ver a reação do namorado. - Por isso ele te disse que já conhecíamos quem era.
- Sim, estão juntos tem quase seis meses. - James dizia também divertindo-se com a história. - Se encontraram em Londres, pois ela também está lá, ambos estão em Cambridge, ele se forma em Odonto no próximo mês e ela está no penúltimo ano de Direito.
- Meu Deus... - Nick riu. - Demos certo, não é? Digo, pra um bando de adolescentes que só pensavam em festa e jogar futebol, nos demos muito bem na vida. - Os três riram com a conclusão de Nicholas.
= Carl está em Columbia, Ron foi pra Califórnia ser ator... Acho que está em Los Angeles fazendo pontas como caras mortos de CSI. - James riu fazendo os outros também rirem. - Sinto falta desses moleques, precisamos nos reunir.
- Precisamos. - Mark concordou. - Acho que em alguns anos é bem capaz de ter algum encontro de formatura da escola.
- Mas então, Becca... - Nick não conseguia parar de pensar naquilo, nunca imaginou os dois juntos. - Como é que foram acabar juntos?
Nick mal teve tempo de terminar a frase e um casal conhecido entrava no bar. A hostess, como havia feito com todos, entregou colares havaianos para os dois enquanto eles entravam de mãos dadas e sorrindo para os três sentados num canto do bar. Ele não havia mudado praticamente nada, só estava com cara de mais velho, obviamente, e tinha cortado os cabelos bem curtos. Ela estava totalmente elegante, já com o mesmo porte de uma advogada. Sorria sem graça para os dois ao ver as caras que eles fizeram ao vê-la com Steve.
- Disseram que tinha uma festa aqui. - Ele disse olhando para os três se levantando rindo para cumprimentar ele e a namorada. - Feliz aniversário Padalecki. - Ele abraçou Mark.
- Obrigado cara, nem acredito que vocês dois estão aqui. - Mark respondeu realmente feliz por conseguir reencontrar boa parte de seus amigos. - Becca... - Ele disse indo de encontro a ela que o abraçou imediatamente. Ele a levantou do chão por alguns segundos.
- Parabéns, Mark! - Ela disse entre um abraço quase sufocando de Mark e Nick trocava um abraço mais ou menos parecido com o melhor amigo.
- E aí, Jim! - Steve disse agora cumprimentando o outro colega. - Hóquei é?
- Eu não acredito que vocês vão ficar malhando de mim o resto da vida porque jogo hóquei agora. - James disse fingindo uma indignação.
- É estranho mesmo. - Becca disse sentando-se ao lado de Nick, que a abraçou pelo ombro. - Ainda mais na Noruega!
- Ah quer falar de estranheza? - James rebateu com um sorriso divertido. - Você está namorando Steve! Quer competir? Ok, você já ganhou! - Todos riram inclusive a própria Becca que agora era abraçada pelo namorado.
- Por que estão assim tão surpresos? - Steve perguntou como se não fosse nada demais.
- É estranho, brother, nem adianta tentar explicar. - Nick disse tomando um gole de seu coquetel havaiano, feito com vodca, damasco, uma dose de licor Cherry Brandy e suco de mamão.
- Eu achei que iam ficar felizes por nós! - Becca disse sorrindo um pouco vermelha.
- E estamos! - Nick disse.
- Mas não deixa de ser estranho. - Mark complementou e os quatro novamente riram.
Estavam felizes, especialmente Mark, que parecia reviver momentos bons que há tempos tinha esquecido como era. Não só pela dedicação aos estudos, mas porque já tinha deixado a escola há tantos anos que ele definitivamente percebeu que sentia uma grande falta daquilo.
Na balcão do bar do local, Nick viu de soslaio um rosto conhecido e estranhou a presença. O que seu professor estaria fazendo ali? Kerr Smith bebia alguma coisa que Nick não conseguiu identificar e olhava para os lados, como se parecesse bastante perdido. Por um momento, percebeu seus colegas entretidos numa conversa sobre futebol enquanto Becca parecia se enturmar com Mya. Ele deu um beijo em Mark dizendo que já voltava. O moreno alto não se preocupou, pois parecia mais preocupado em discutir com James, mostrando as vantagens porque futebol era infinitamente melhor do que hóquei.
O loiro andou entre as pessoas e passou uma das mãos pelo rosto. Sentiu um pouco de culpa ao ver Smith ali, como se tivesse algum tipo de peso na consciência. Respirou fundo e ajeitou instintivamente a camisa que usava, uma bola "V" cinza com calças pretas.
- Professor? - Ele disse e Kerr fingiu surpresa ao ver o aluno.
- Nick! - Ele sorriu tocando o ombro do loiro. - Como está?
- Estou bem. - Ackles respondeu com o sorriso um pouco forçado. - O que está fazendo aqui? - Ele perguntou não tentando parecer ofensivo.
- Alunos. - Kerr mentiu. - Pessoal do terceiro período está fazendo uma comemoraçãozinha. - Ele sorriu como se fosse algo natural. - Me convidaram para vir.
- Que coincidência. - Nick disse naturalmente, tinha acreditado de fato. - Estamos aqui com alguns amigos comemorando o aniversário de Mark...
- Seu namorado? - Kerr disse como se não lembrasse direito do nome de Padalecki, mas nunca mais esqueceu desde que ouvira a primeira vez. - Legal, coincidência mesmo.
- Mas cadê seus alunos? - Nick disse ao perceber que ele na verdade estava sozinho.
- Já foram. - Smith respondeu como se fosse a primeira resposta que lhe veio a mente. - Era uma coisa mais tranquila, eu quem resolvi dar uma esticada.
- Esse lugar é mesmo incrível, não é? - Ackles enterrou as mãos nos bolsos e olhou ao redor. - Venha, vou te apresentar meu namorado, ele vai adorar te conhecer.
- Acho que isso não será necessário. - Kerr disse com um sorriso prepotente, ao ver Mark com cara de poucos amigos se aproximando de Nick, como se marcasse território. Nick virou-se ao ver Kerr olhar para algum ponto atrás dele e deu de cara com um Mark que nem lhe deu tempo de falar, o beijou de uma maneira exagerada.
- Ahn... - Nick balbuciou assim que Mark o soltou. - Professor, esse é Mark Padalecki, meu namorado. - Ele disse com um sorriso sem graça, passando uma das mãos pelos lábios discretamente, pensando que Mark deu uma mordida desnecessária neles. - Amor, este é um dos meus professores, aquele que sempre falo pra você, Kerr Smith.
- Muito prazer, Padalecki. - O professor esticou a mão tentando parecer natural e não intimidado ao ver o quanto o garoto era alto e o quanto era bonito.
- "Doutor" Padalecki. - Mark corrigiu ao retribuir o aperto de mão de Kerr. Nick revirou os olhos achando graça.
- Já está formando? - Smith disse tentando provocar.
- Não, mas falta pouco. - Padalecki respondeu abraçando-se a Nick como se percebesse o jeito como Kerr olhava pra ele. Já o odiava só por isso.
- Feliz aniversário, aliás. - O professor disse finalizando sua bebida e colocando o copo vazio no balcão.
- Obrigado. - Padalecki respondeu no automático. - Nick te convidou? - Ele disse achando realmente que ele estava ali por causa de Nick, como já estava óbvio, mas ele maquiou a resposta.
- Não. - Ele apressou-se em responder. - Vim com um grupo de alunos mais cedo, mas todos já foram.
- Sai sempre com seus alunos é? - Padalecki provocou e nem fez questão de esconder. Kerr sorriu aberto.
- Só com os especiais. - Ele respondeu olhando Nick que sorriu sem graça e encarou em seguida os olhos de um Padalecki furioso, mas controlando-se.
- Bem... - Mark respirou fundo antes de continuar. - Se nos der licença, temos convidados no mezanino. - Padalecki disse já arrastando Ackles consigo.
- Claro, sem problemas. - Kerr respondeu percebendo que tinha tirado Mark do sério e adorado aquilo. - Até amanhã, Nick.
- Até. - Nick respondeu sem jeito enquanto Mark o puxava escada acima de onde tinham vindo.
Eles andaram até um canto mais afastado dos amigos, Mark estava claramente com raiva e morrendo de ciúmes. A música onde eles estavam era mais baixa, o lugar parecia ser meio caminho pros banheiros. Estavam embaixo de uma espécie de palmeira e na parece belas fotos de praias havaianas.
- O que é que foi aquilo? - Mark perguntou, exaltado, mas sabendo que não era exatamente culpa de Nick.
- O que? - Ackles foi um pouco ingenuo mesmo de achar que Kerr disfarçaria seu interesse por ele ao menos na frente do namorado.
- Isso está há milhas de ser coincidência. - Mark dizia ao mesmo tempo que passava uma das mãos pelos cabelos, tirando a franja dos olhos.
- Deve ser, Mark! - Nick dizia como se tentasse fazer com que o namorado fosse paranoico. - Ele não sabia que estaríamos aqui. - Para Ackles era óbvio.
- Ele te comeu com os olhos, Nicholas! Quem é esse cara? - Mark apesar de sustentar a postura defensiva, estava tentando se acalmar. - Não gosto dele. Nem um pouco! Ele está super a fim de você, não acredito que não me contou que tinha um professor na sua! - Padalecki estava indignado.
- Eu não me importo com nada disso! - Nick dizia convicto, olhando nos olhos do namorado. - Pra mim só existe você! Você sabe disso! Eu sou louco por você e não precisa se preocupar com nada, nada vai acontecer. - Nick dizia enquanto se aproximava ainda mais do namorado. Mark suspirou.
- Eu também... Eu não posso pensar na possibilidade de você com ninguém mais. - Mark dizia e agora abraçava o namorado apertado. - Mas eu não gostei desse cara, ele está super a fim de você.
– Não dou a mínima. - Nick riu e sentia-se muito amado pelo namorado naquele momento. Eram as melhores demonstrações de Mark. - Vem, vamos voltar pra sua festa, esqueça isso, certo? - Ele puxou um Mark Padalecki mais resignado de volta para a multidão.
Num canto mais afastado, James conversava com Mya animadamente, ela parecia empolgada com o rapaz. Por ser canadense, ela entendia ao menos de jogos olímpicos de inverno melhor que qualquer outro ali. Sandy voltou a ficar ao redor do filho junto com Jared e Jensen enquanto Jeffrey conversava com Becca e Steve, já que ela em breve se formaria em Direito e ele, como todo bom advogado que adora ter um pupilo, já estava se rasgando em elogios para a Universidade de Cambridge, onde ela estudava. Trocaram dicas e interagiram bastante. Nick não largou de Mark praticamente a noite toda.
