THIRTEEN

It just happened

Mark estava parado debaixo do chuveiro quente há uns 40 minutos, um sorriso bobo no rosto. Vez ou outra balançava a cabeça, para diminuir o fluxo de água sobre os olhos e tentar, ao mesmo tempo, colocar ordem em seus pensamentos. Por fim, desligou a torneira, pegando a toalha azul escuro para se enxugar.

Saiu do box, ainda sentindo as gotas que escorriam se seus cabelos descerem por suas costas e parou diante do espelho. Fez a barba, passou a loção e foi para o quarto se arrumar o melhor que pode.

Escolheu a calça de brim bege claro, a camisa mesclada em tons de azul que ganhou de Nick no último Natal e dispensou os sapatos. Para o que tinha preparado para aquela noite, sapatos eram desnecessários. E ele esperava intimamente que outras peças de seu vestuário também não demorassem muito a se tornarem obsoletas.

Guardou, pela primeira vez, toda a bagunça que fazia ao se arrumar. O banheiro estava impecável, a toalha estendida e as roupas sujas no cesto. A noite tinha que ser perfeita, sem discussões.

Olhou mais uma vez para o quarto e pensou, orgulhoso de si mesmo, que estava a altura do namorado. Uma mesa redonda com uma toalha branca havia sido posta próxima à janela. Sobre a mesa, um balde com gelo e champanhe, pratos, talheres, taças e velas. Aliás, velas estavam espalhadas em pontos estratégicos pelo quarto todo, além de pétalas de flores. Nick gostava dessas coisas de romantismo e aquela noite merecia.

Abriu as cortinas que cobriam a imensa janela de vidro e notou com um sorriso pretensioso que até os céus conspiravam a seu favor, com aquela imensa lua cheia iluminando a cidade de Nova York.

Agora, era só controlar a ansiedade e esperar que Nick chegasse em casa. Foi até a cozinha checar o cozimento do medalhão de frango ao molho de abacaxi que Nick adorava, também verificou se tinha comprado o pote certo de Häagen-Dazs: chocolate com amêndoas. E foi nessa hora que ouviu o clique indicando a porta sendo destrancada. Ele sorriu ainda mais e correu para encontrar Nick, que trazia consigo apenas seu casaco preto.

Enlaçou o namorado num abraço apertado o erguendo no ar e beijando apaixonadamente. Nick foi pego de surpresa e não sabia se correspondia ao beijo ou ria de susto, alegria e nervosismo.

Há poucos minutos, outro beijo desse tipo havia bagunçado sua cabeça e agora chegar em casa com aquela recepção por parte de Mark fez seu coração falhar uma batida, indeciso entre o remorso e a realização.

- Você demorou! – Mark protestou, sem tirar o lábios agora do pescoço do namorado.

- Eu... eu estava... – Nick arfava, sentindo as mãos de Mark jogando seu casaco longe e invadir sua camiseta, apertando sua cintura como se quisesse marcar território – Estava vendo um show... coisa da faculdade.

- Não importa! Você chegou. Vem comigo...

Mark empurrava Nick, que andava de costas em direção ao quarto, perdido entre os beijos que o mais alto lhe roubava com fervor. Assim que chegaram na porta, Mark tampou os olhos do loiro com as mãos e o levou para dentro.

- O que está acontecendo, Mark? – Nick sorria, nervoso.

- Isso!

Ele tirou as mãos dos olhos de Nick e esperou a reação do mais novo, que simplesmente não falava nada, apenas sentia os olhos encherem de água. Sentia-se o mais idiota de todos os homens, por ter se deixado beijar pelo professor enquanto Mark estava em casa lhe preparando toda aquela surpresa.

- Eu não... – ele tentava falar, mas a voz falhava – Eu não... Mark, isso...

- Bom, não está assim tão legal, porque eu tive pouco tempo desde que cheguei de viagem, e você sabe que eu não sou bom com romantismo...

E ele não continuou a falar, porque Nick já tinha se jogado em seus braços e agora o beijava com a mesma paixão adolescente de quando ainda estavam na high school. Uma paixão tão intensa que Mark se esqueceu do jantar, do sorvete, do champanhe. Teriam tempo para tudo aquilo depois.

Sentiu o loiro querer tirar sua camisa e não deixou, segurou as mãos dele delicadamente enquanto o fazia andar em direção à cama, onde ele caiu sentado e Mark sorriu, agora o empurrando com o corpo para que deitasse.

Ajoelhou-se sobre Nick, uma perna de cada lado do quadril do loiro, e tirou a camiseta do jeito mais lento possível, depois, puxou as mãos do namorado para o botão e zíper da calça e quando Nick abriu a peça de roupa notou, com uma expressão mista de surpresa e tesão que Mark não usava nada por baixo e já estava duro, por ele, para ele.

Envolveu a ereção do outro com as duas mãos, fazendo movimentos ritmados e ouvindo os gemidos que ele não se preocupava de conter. Mark não só gemia, como rebolava em cima de Nick, que se sentia ficar cada vez mais duro com aqueles movimentos.

Antes que gozasse nas mãos do loiro, Mark se abaixou, beijando-o com sofreguidão e procurando abrir a calça que Nick usava, puxando-a para baixo junto com a samba-canção, as meias e os tênis. Ajoelhou aos pés da cama e puxou o loiro pelas pernas, imediatamente segurando o membro dele com uma das mãos e colocando-o de uma vez na boca.

Se Nick estivesse em condições de classificar, aquele seria de longe o melhor boquete que já teve na vida. Depois de tantos anos, Mark sabia exatamente quando sugar com mais força, quando passar a língua pela glande e principalmente, quando deixar o membro de lado e deixar a língua brincar por outras partes do corpo do loiro.

Sabia o quanto Nick gostava que ele lambesse entre suas nádegas e forçasse sua entrada com a ponta da língua. Sentia tanto prazer com aquilo que não eram raras as vezes em que ele até choramingava na cama. E naquela noite em especial, Nick parecia estar ainda mais sensível, implorando para ser comido de uma vez.

- Mark... oh, céus... Mark, me fode logo, por favor!

- Pra que a pressa? – o moreno respondeu, ameaçando sair de perto para pegar o lubrificante.

- Não dá tempo disso. – Nick gemia entre os dentes, pedindo com os olhos que Mark metesse fundo de uma vez.

- Oh, baby! Não fala comigo assim. Me deixa louco, sabia? Quando implora para eu te comer.

- Então come, porra! Por favor, amor, me come logo! Não aguento mais...

Mark colocou seu pau bem na entrada do outro que já manipulava o próprio pênis. Respirou fundo e entrou de uma vez, ouvindo Nick gritar. Segurou os movimentos o mais que conseguiu para evitar que Nick gozasse rápido demais e quando notou a respiração dele mais controlada, começou a se mover, para frente e para trás, aumentando aos poucos a velocidade, depois estocando com força, enquanto ouvia o rapaz pedir "mais rápido".

Sorriu, vendo Nick gozar tão forte que um pouco de porra foi parar perto de seu pescoço e logo gozou também, com um urro forte, se deixando cair sobre o corpo do namorado. Ambos ofegantes.

- Nada mal para um primeiro round. – Mark sussurrou enquanto lambia o sêmen do outro espalhado pela barriga, peito e até o pescoço.

- Primeiro round? – Nick tinha a expressão extasiada, observando Mark saborear o líquido perolado.

- Sim, isso é só o começo da nossa noite. Agora você toma um banho, enquanto eu termino o jantar.

Nick obedeceu e foi para o banheiro da suíte ainda sem acreditar na perfeição da noite. Era a melhor comemoração de aniversário que eles poderiam ter. Melhor até que o final de semana em Winnipeg.

Quando saiu do chuveiro e foi para o quarto apenas de roupão, Mark já o esperava com a mesa posta. Ele sorriu satisfeito com o cardápio e o moreno estourou o champanhe. Comeram em silêncio. Não exatamente em silêncio, eles conversavam sim, mas daquele jeito único, apenas com os olhos, sem precisar articular palavra para dizer o quanto se amavam. E ficaram naquele clima apaixonado, até Mark propor um brinde, o brinde que Nick esperava, ao aniversário deles. Pena que não foi bem o que aconteceu.

Simplesmente aconteceu

Não tem mais você e eu

No jardim dos sonhos

No primeiro raio de luar

- Então, - Padalecki começou, com aquele sorriso que era exclusivo de Nick – queria propor um brinde.

Nick sorriu e pegou sua taça com uma mão enquanto a outra segurava a de Mark por cima da mesa.

- Um brinde a nós dois, a tudo o que nós podemos ter. Hoje é um dia especial demais, Nick, e eu queria saber... – ele respirou fundo – Queria saber o que você acha de Maryland.

Simplesmente amanheceu

Tudo volta a ser só eu

Nos espelhos

Nas paredes de qualquer lugar

O sorriso antes aberto de Nick começou a diminuir e dar lugar a um ponto de interrogação que saltava de seus olhos. O que diabos Maryland tinha a ver com o aniversário dos dois?

- Como assim, Mark?

- É, amor, o que acha de Maryland? Ia ser ruim você se mudar para lá comigo?

- Maryland, Mark? Por que... O que Maryland tem a ver com tudo isso?

- Maryland é a razão de tudo isso, amor.

- A razão de... razão de que?

- Dessa comemoração, oras! Eu consegui, Nick. Consegui a residência no John Hopkins Hospital, em Baltimore. Duas vagas pro país inteiro e eu consegui! Você tem ideia do quanto isso vai ser bom para minha carreira? Mas vou ter que passar dois anos lá e é óbvio que...

Não tem segredo

Não tenha medo de querer voltar

A culpa é minha eu tenho vício de me machucar

De me machucar

- Tudo isso é sobre a porra de uma residência naquela roça que é Maryland? - Nick quase quebrou a taça ao coloca-la sobre a mesa com violência, fazendo Mark arregalar os olhos. – Eu sou mesmo uma besta de achar que isso era pelo nosso aniversário.

- Aniver... aniversário? Mas amor, nosso aniversário foi semana passada. – ele comentou, não entendo a raiva de Nick.

- Exatamente, Mark. E nós íamos viajar este fim de semana, lembra? Claro que não lembra, porque você tomou a liberdade de cancelar nossa viagem pra se enfiar na puta que pariu junto com o Hoechlin e nem se lembrou de me avisar. E agora você chega em casa e faz esse teatrinho todo apenas pra me convencer a ir com você pra essa droga de lugar apenas pra te ver enfiado cada vez mais no hospital e me sentir a empregada da casa, arrumando a sua bagunça e limpando a sua sujeira enquanto você esquece que eu existo.

Lentamente aconteceu

Seu olhar largou do meu

Sem destino

Sem caminho certo pra voltar

- Nick, não é nada disso. Ok, eu ando meio esquecido, mas...

Nick perdeu a cabeça com aquele comentário. Levantou da mesa e começou a andar pelo quarto, falando alto e gesticulando.

- Meio esquecido? Meio esquecido o meu cu pra você. Eu já to de saco cheio, Mark. São quatro anos aguentando isso, seu esquecimento, sua dedicação exclusiva pra faculdade, você e sua maldita medicina, sem tempo pra mais nada além de livros e doentes e enfermeiros gostosos que te levam para viajar enquanto eu fico feito um idiota te esperando. O Kerr tem razão, eu mereço mais do que você me dá.

Não tem segredo

Não tenha medo de querer voltar

A culpa é minha eu tenho vício de me machucar

De me machucar

- Kerr? – Mark sentiu o sangue subir a sua cabeça ao ouvir aquele nome. – O que aquele seu professorzinho arrogante tem a ver com essa conversa, Nick?

- Tudo a ver, Mark. Porque a única pessoa que tem me dado atenção ultimamente é ele.

- Oh, sei bem o tipo de atenção que ele quer te dar. Aposto que ele está dando em cima de você.

- Pois é, está mesmo. E do jeito que as coisas estão entre nós dois, ele pode dar muito bem em cima, em baixo, onde ele quiser.

- Ah com certeza – Mark agora gritava no mesmo tom que o loiro – Aposto que ele quer que você toque a flauta doce dele.

- Exatamente, Padalecki. É exatamente isso que ele quer, e se eu não fosse o idiota apaixonado por você que eu sou eu teria ficado lá na casa dele hoje, terminado aquele beijo e tocado a flauta doce como você mesmo disse.

Nick respirava com dificuldade, as mãos na cintura, percebendo o choque estampado no rosto do namorado. E só então se deu conta do que tinha acabado de falar.

- Beijo? – Mark murmurou, olhando para o chão.

- Mark, eu não quis... – ele tentou consertar.

- Você... você estava na casa do Kerr Smith e vocês estavam se beijando? – ele ainda falava baixo e massageava a têmpora.

Mark sempre foi do tipo estourado, que briga, xinga e sai no braço com todo mundo. Era o que todos esperavam dele, talvez, por isso mesmo, ele estar falando tão baixo fosse tão assustador.

Ninguém ama porque quer

O amor nos escolheu você e eu

Não tem segredo

Não tenha medo de querer voltar

A culpa é minha eu tenho vício de me machucar

De me machucar

- Desculpe, eu... – Nick se aproximou, tentando colocar a mão no ombro de Mark, mas recebeu um empurrão e um olhar ferido do moreno. Tão ferido, tão machucado, que ele sentiu seu peito rasgar ao ver aquela expressão.

- Eu não desculpo. – ele tinha os lábios crispados de raiva, as veias em sua testa estavam saltadas e ele respirava pesadamente – Não posso desculpar você por ser um egoísta filho da puta que nunca conseguiu olhar nada além do próprio umbigo!

- Egoísta? – Nick tornou chocado.

- Sim, Nicholas! Egoísta, é o que você é. E sabe por quê? Porque você passou os últimos cinco anos me cobrando atenção, pedindo que eu me importasse com você, enxergando só o agora e sem conseguir perceber que essa vida de merda que eu levo é só porque eu penso em você o tempo inteiro!

Nick abriu a boca para revidar, mas não encontrou palavras.

- Chocado? Pois é, você nunca me perguntou por que eu estudava tanto, você nunca se deu o trabalho de tentar entender o que eu estive fazendo esse tempo todo. E todo esse tempo eu só pensava em estudar e em ser o melhor porque eu queria que você sentisse orgulho de mim, ok? Como da primeira vez que eu tirei um A- em matemática e você me olhou como se eu tivesse salvado o mundo com aquela droga daquela prova. Era aquele olhar que eu esperava de você quando ia bem em cada uma das matérias da faculdade.

- Mark! – Nick exclamou, realmente surpreso.

- Eu queria ser o melhor, pra poder dar pra você a vida que seu pai te deu esse tempo todo, para não te fazer ter que sair de casa pra morar na droga de um apartamento no Brooklin, economizando na hora de escolher onde jantar no fim de semana. Enquanto você grita comigo falando que eu não te dou atenção, eu estava pensando no nosso futuro e você sempre preocupado com a droga de uma toalha molhada em cima da cama ou a porcaria de um filme que estreou no cinema ou sei lá mais que coisa pequena perto de tudo o que eu queria construir pra gente.

Era estranho ver Mark despejar todas aquelas palavras como se fossem veneno escorrendo de sua boca, sem alterar o tom de voz, sem gritar, apenas mágoa se transformando em palavras.

- E eu sei que não sou o melhor dos namorados, Nick, mas pelo menos eu nunca te traí e nunca traí todos os planos que fizemos no dia do baile de formatura, quando combinamos que faríamos faculdade, íamos morar juntos e depois ter a nossa família.

Ele saiu de perto de Nick, catando as roupas e vestindo. Calçou o primeiro sapato que encontrou no guarda-roupa e ia saindo do quarto, quando parou e olhou o loiro que continuava parado no meio do quarto sem saber como agir:

- Quer saber, eu que peço desculpas. Por ser idiota de te amar.

Simplesmente aconteceu

Quem ganhou e quem perdeu

Não importa agora

Nick pareceu ter despertado com aquela frase e correu pelo apartamento atrás de Mark.

- Onde você vai?

- Pra qualquer lugar sem você. Agora já não importa mais.

- Mark, espera...

- Não. Eu não posso olhar na sua cara agora, Nicholas. E nem sei quando poderei olhar de novo. Vou pra casa do tio Chad, ou do meu pai ou do Ty. Amanhã alguém vem buscar as minhas coisas.

- Mark, não seja irracional, esse apartamento é do seu padrasto.

- Que seja, então... Eu volto amanhã a noite. Mas não quero te ver aqui.

E sem olhar para trás, ele saiu de casa, batendo a porta. Nick ficou onde estava, olhando a porta fechada, sentindo a tristeza pesar demais para permanecer em pé e se ajoelhou no chão da sala, chorando copiosamente.