NINETEEN
Combo
Nick olhou-se no espelho antes de sair de casa por volta das oito horas. Ele havia buscado o Corvette na garagem da concessionária de seu amigo Carl um pouco mais cedo, queria aparecer pra pegar Mark com ele como a primeira surpresa da noite. Ajeitou os cabelos loiros com as mãos depois de ter vestido uma calça social preta com sapatos da mesma cor, camisa azul e um blazer mais informal por cima, também preto. Os dois primeiros botões da camisa estavam abertos dando um charme único ao filho de Jensen Ackles. Sorriu para si cheio de expectativas e resolveu sair logo antes que se atrasasse.
Durante o caminho até o apartamento na Soho, tudo o que pensava era a reação de Mark ao ver aquele carro de novo depois de tanto tempo. Um carro que pra eles não era só um veículo qualquer; eles tinham lembranças demais para dividir ali. Cada parte era especial e nem o fato de Mark ter se acidentado com ele fora motivo para ofuscar todas as coisas boas que aquele veículo trouxe para suas vidas.
Ele estacionou o carro do lado oposto a entrada do prédio onde iria encontrar Mark, para que ele não visse o carro logo de cara. Ligou no momento em que estava na porta de entrada do prédio onde os dois costumavam morar juntos informando que já estava na portaria e pedindo a ele que descesse.
Nick estava tão acostumado a ver Mark de branco que quando o avistou vindo em sua direção com uma camisa vermelha e calças pretas, parecidas com as que ele usava, sorriu de uma maneira que simplesmente não conseguiu esconder. Céus, como ele era bonito!
O estudante de medicina abriu a porta devagar quando viu Nick e o músico teve certeza que Mark olhou pra ele da mesma forma que costumava fazer quando estavam juntos, como se ele fosse a única pessoa no mundo. Sentiu tanta falta daquele olhar e estava feliz que, mesmo sem palavras, Mark ainda conseguiu inconscientemente dizer como se sentia.
- Cadê o Jaguar? – Mark perguntou estranhando não ver o carro por perto.
- Está em casa. – Nick disse sorrindo, mordendo o lábio inferior.
- O que? Como assim? – Mark não estava entendendo nada, mas começou a andar com Nick pra avenida ao lado do prédio, onde embaixo de um poste, reluzia um Corvette preto. Um velho conhecido Corvette preto.
Nick nem olhou o carro, não queria tirar os olhos de Mark quando visse a reação dele ao reconhecer o carro. E realmente, o conserto do carro, a expectativa, nada daquilo se comparava a poder contemplar a expressão de um Mark Padalecki perplexo, andando na direção do carro como se quisesse ter certeza que não era uma miragem, que não estava sonhando.
- Cara... Eu não acredito! – Ele disse olhando Nick com o maior sorriso que ele já tinha visto em meses.
- Falei com meu pai e ele topou que reformássemos por você e pelo tio Jared. – Nick explicou tirando as chaves do bolso e entregando ao outro. – Fico feliz que tenha gostado.
Padalecki pegou as chaves e viu seu antigo chaveiro com uma guitarra pendurado, já gasto e o metal já estava um pouco torto, mas aquilo lhe deu uma sensação de segurança e tranquilidade que há algum tempo não sentia. E antes que percebesse o que estava fazendo puxou Nick para um abraço. Deitou a cabeça sobre o ombro do loiro e sentiu aquele perfume conhecido. Nick sentiu o abraço tão apertado que mal conseguia retribuir. Ele apenas soltou Nick por um momento para segurar em seu rosto e falar de perto, olhando naqueles olhos castanhos apaixonados por ele.
- Obrigado. De verdade, isso é uma coisa que não vou esquecer nunca. – E foi sincero, Nick teve certeza. Mas foi só. Mark o soltou aos poucos e ainda estava sorrindo, parecia querer acariciar o carro todo e Nick se sentiu aliviado ao perceber que estava no caminho certo.
- Vamos. Se chegarmos muito atrasados perderemos a reserva. – Nick disse já entrando no carro seguido por Mark que mal acreditava que iria colocar as mãos naquele volante novamente.
- Onde você fez reserva? – Mark perguntou dando partida no carro.
- Surpresa. – Nick disse rindo.
- Claro, então vamos dirigir pela cidade até que eu adivinhe pra que lado tenho que ir? – Mark disse rindo ainda mais e Nick se sentiu idiota por um segundo.
- Certo, certo... – Ele respirou fundo antes de dizer. – Vamos ao Del Posto.
- Com que dinheiro? – Mark olhou para Nick incrédulo. – Ficou maluco? É o restaurante mais caro de Nova York!
- Mas a ocasião pede! – Nick disse e Mark ainda olhava pra ele rindo incrédulo, murmurando coisas como "vamos assaltar um banco no caminho então, quem sabe dê pra pagar a conta." – Papai nos deus de presente, ok? Ele é amigo do chef, Joe Bastianich.
- Ah eu conheço ele da TV. – Mark respondeu, mas ainda assim não acreditava que iam comer lá.
- É, dizem que a comida é ótima. – Nick disse não muito impressionado.
- Pra cobrar quase 900 dólares num jantar pra duas pessoas, é melhor que eles coloquem pó de ouro na comida pra justificar esse preço.
- São doze pratos, Mark.
- O QUE?
E seguiram nessa "discussão" até o tal restaurante. Nick checava as direções pelo GPS do celular em algum aplicativo qualquer de mapas e Mark continuava achando tudo um absurdo, mas se divertindo ao mesmo tempo, estava muito mais impressionado em ter seu carro de volta do que com qualquer jantar com doze pratos bancado por Jensen.
x.x.x.x.x.x
Mark imaginava o Del Posto como um restaurante enorme, magnífico, quase imperial, mas não era nada disso. O lugar era discreto e o grande motivo de ser tão caro – além da qualidade da comida – era que o lugar era intimista e foi feito para apenas 26 pessoas. As reservas levavam meses para serem agendadas, mas a satisfação era garantida. Quem ia sempre queria voltar.
Ao serem levados até a mesa pela hostess, um garçom imediatamente trouxe a carta de vinhos e a entregou para Nick.
- Boa noite, senhor Ackles. – Ele disse enquanto Nick segurava o cardápio com os vinhos mais espetaculares já vendidos. Ele estranhou o "senhor Ackles", afinal, esse sempre foi o pai dele.
- Boa noite. – Nick respondeu cordialmente e em seguida dirigiu os olhos para os vinhos tintos.
- E o senhor deve ser o senhor Padalecki, certo? – O garçom virou-se para Mark que arqueou as sobrancelhas surpreso, e também tendo o mesmo pensamento que Nick ao ser referido como "senhor Padalecki".
- Sim... sou eu. – Ele pigarreou e tentou não parecer amador.
- Doutor Ackles pediu que lhe entregasse esse envelope assim que chegassem. – O garçom então entregou um envelope branco simples, no que parecia ter uma mensagem dentro. Nick automaticamente prestou atenção também, não sabia do que se tratava.
- Gostaríamos de um Bordeaux. – Nick disse fechando a carta de vinhos. – Chateau Margaux. – O garçom assentiu pegando a carta de vinhos das mãos do loiro e se retirando discretamente.
Mark abriu o envelope e Nick sorriu por antecipação, nem imaginava o que seu pai tinha escrito ali. O jovem médico retirou o pequeno papel, parecendo apenas uma nota, e leu em voz alta.
- "Mark,
Hoje é um dia muito especial pra você e queria dizer que é pra mim também. Eu e seu pai estamos orgulhosos de você e tenho certeza que Nick também está. E uma coisa que você não sabe: dividiremos a sala de cirurgia. Uma honra pra mim, poder um dia dizer às pessoas que tive o privilégio de trabalhar com um dos melhores médicos de Nova York. Aproveitem a noite e comemorem.
Com amor, Jensen e Jared."
- Uau! – Nick estava surpreso e Mark parecia muito emocionado. – Definitivamente é motivo pra comemorar.
- Cara, que fantástico! – Mark guardou de volta a nota e ainda sorrindo respirou fundo. Ele segurou uma das mãos de Nick sobre a mesa. – Não me sinto assim há muito tempo. Obrigado, Nick!
- Pare de me agradecer. – Nick disse sorrindo em resposta. – Até parece que estou te fazendo favores... Sabe que eu te amo... – Ele meio que deixou escapar, mas não tinha se arrependido por ter dito.
- Eu sei. – Mark disse não querendo dar o braço a torcer e dizer o que realmente queria, que também o amava e só queria sair dali e jogá-lo na cama. Mas seu orgulho ainda falava mais alto. – E nada disso estaria acontecendo na minha vida se não fosse por você.
- Você é responsável por suas próprias conquistas. – O loiro apressou-se em responder. – Sei que fizemos a diferença um na vida do outro, mas só estou feliz de participar da sua vida... Sei que tivemos nossos problemas, mas... – Ele fez uma pausa e respirou fundo antes de continuar. – Sei que vamos superar.
- Estão prontos pra pedir? – O garçom reapareceu pra tomar nota dos pedidos dos dois e atrapalhando mesmo sem querer o momento. Ambos pegaram os cardápios que ele havia trazido e passaram a ouvir as sugestões da casa para entradas, pratos principais, saladas e sobremesas. O garçom também ofereceu a eles o serviço que assustava Mark: comer os doze pratos. Para duas pessoas, nada mais, nada menos que 889 dólares.
x.x.x.x.x.x
- Bem que seu pai poderia bancar a gente nesse lugar com mais frequência. – Mark brincou enquanto entravam no carro ao sair do restaurante. Nick riu concordando. – Excelente, tudo... Tudo estava incrível.
- Não poderia concordar mais. – Nick disse fechando a porta do banco carona ao mesmo tempo que Mark. – E aquela mousse de chocolate com pedaços de morango? Ah cara... – Apesar de ter comido até não aguentar mais, ele ainda estava babando por uma das sobremesas.
- Concordo! – Mark deu partida no carro. Era quase dez da noite e eles agora se encaminhavam para a festa que reunia os formandos da escola onde haviam terminado o ensino médio, Kennedy High.
Não demoraram mais que meia hora para chegar e passaram o caminho todo falando sobre o restaurante e Nick quis detalhes sobre a tal cirurgia que Mark iria participar com James Lafferty e Jensen. O filho de Jared realmente estava empolgado não apenas com a cirurgia, mas com a reaproximação com os amigos e com Nick, as várias oportunidades aparecendo em sua vida. Sentia-se calmo e não mais sob tanta pressão.
Ao chegarem ao local da reunião, Mark deu o carro ao manobrista e olharam para o gigante condomínio fechado em Upper East Side, na ilha de Manhattan, no qual o evento estava acontecendo. Era na cobertura alugada com um salão de festas enorme, piscina e uma bela vista para a Estátua da Liberdade.
- Está pronto pra isso? – Nick perguntou quando o elevador já estava chegando ao vigésimo quinto andar do prédio, o último.
- Mas é claro que estou. – Mark disse ao mesmo tempo em que pegava em uma das mãos de Nick, entrelaçando os dedos, como costumavam fazer na escola quando assumiram o namoro.
O loiro sorriu largo, sentindo aquele frio na barriga e parecia que os papéis tinham se invertido; Mark estava muito mais seguro que ele. Mark segurou mais firme ao perceber que Nick estava sorrindo mais de nervoso do que de felicidade por estar ali, nunca pensou que seria assim que se sentiria. O médico involuntariamente ergueu o queixo quando as portas do elevador se abriram e os dois puderam sentir todos aqueles olhos – mais uma vez – em cima deles.
- Vocês vieram! – Claire, que estava na porta recepcionando os convidados, exclamou quando viu os dois e seus olhos praticamente brilharam. Sua expressão parecia um pouco adolescente, talvez pelo clima de relembrar os tempos de escola.
- Claro que sim. – Nick disse tentando ficar mais à vontade. – Não perderíamos por nada.
- Bem vindos! – Ela disse entregando a eles dois crachás com seus nomes, tipo adesivos, que eles só precisavam colar na roupa.
- Obrigado. – Mark disse recebendo um abraço da ex-colega que em seguida abraçou Nick.
Os dois andaram de mãos dadas passando por alguns colegas que não lembravam, mas cumprimentaram do mesmo jeito. Mark andava na frente ainda segurando Nick pela mão enquanto passavam entre alguns colegas até chegarem onde realmente queriam: um círculo razoavelmente grande de ex-jogadores e amigos mais próximos dos dois.
- Droga! – James dizia quando seu melhor amigo estava pronto para abraça-lo. – Acabei de perder cinquenta dólares.
- Apostou que eu não viria. – Mark respondeu rindo ao ver Steve comemorando que tinha levado uma grana.
- Que droga, cara, sério. Você só me dá prejuízo. – Brincou o velho amigo, acompanhado de Carl, Becca, Ron e mais alguns ex-jogadores.
- Espero que tenha gostado do carro. – Carl perguntou, realmente curioso.
- Então foi você o responsável pela obra prima! – Mark pôs uma das mãos no ombro do amigo. – Ficou incrível cara, obrigado, sério mesmo. Não é a toa que você acabou bem sucedido nesse ramo, seu trabalho no Corvette ficou impecável.
- Não quero levar os méritos sozinho, sabe que tenho uma grande equipe comigo. – Respondeu Carl, modesto.
- É, mas você foi quem os escolheu, isso prova que sabe o que está fazendo. – Mark incentivou e o amigo agradeceu discretamente. - Columbia fez muito bem a você.
- Então isso quer dizer que você e o Nick já estão numa boa...? – arriscou o moreno de cabelos encaracolados enquanto estendia um copo de bebida a Mark.
- Não sei como responder a isso. – Ele respondeu olhando Nick que havia se afastado para conversar com Becca e outras colegas que ele não via literalmente desde a formatura da escola. Pareciam perguntar sobre planos e carreiras. – Estávamos numa fase mais complicada, agora parece que estamos voltando aos trilhos, não sei... – Mark não tinha dúvidas quanto ao seu sentimento, mas ainda assim estava com um pé atrás. - Ficamos um tempo sem nos falarmos, acho que de certa forma foi bom. Ás vezes a gente precisa sentir saudade.
- Não sei muito bem o que aconteceu. – Carl dizia percebendo que Mark não tirava os olhos e Nick enquanto bebia o que parecia ser uma cidra não muito doce. – Mas vocês dois estão juntos há tantos anos, não joguem fora tudo o que já viveram.
- É, tem muito a ser considerado. – Mark suspirou quando respondeu. – Mas não vamos falar disso agora, quero saber onde está o Ron. – Mark disse rindo lembrando que seu amigo jogava na NFL, a liga nacional de futebol americano dos Estados Unidos. – Agora porque é celebridade não fala com as pessoas normais? Ei, senhor NFL! – Mark o chamou de longe, o garoto pediu licença as pessoas com quem conversava e foi até o jovem médico lhe dando um abraço. – Como estão as coisas, hein?
- Cara, nem acredito que você está aqui, geral falando que você nem viria. – O garoto alto e forte ainda era o mesmo adolescente com sorriso contagiante e os olhos infantis.
- Ah eu acho ótimo que pensem isso, adoro quando surpreendo, assim ninguém nunca sabe o que eu vou fazer. – Mark brincou com o tom misterioso que deu a si mesmo. – E você hein... New York Giants...
- Era pra ser você lá, cara. – Ron disse mais sério ao lembrar o grande jogador que Mark era na escola e no início da faculdade. – Não sei por que desistiu de ser jogador.
- Nunca esteve nos meus planos. – O moreno alto foi sincero. – Sei que talvez se eu tivesse treinado forte, me dedicado como a maioria que tem esse "sonho" faz, quem sabe eu teria chegado a NFL... Mas não, esporte não é pra mim, ao menos não profissionalmente. Mas estou feliz por você, sabe que sou Giants.
- Eu sei, lembro sempre quando jogo. Espero que venha aos playoffs quando a temporada começar. – Incentivou o amigo jogador.
- Claro, vai ser um prazer. Nick sempre fala, mas eu estou tão ocupado no hospital... – E novamente ele se deu conta de que talvez estivesse negligenciando a relação dos dois.
- Me avise, mando os ingressos. – Ron disse com um falso ar prepotente e Mark gargalhou.
- Metido... – Mark disse em meio a risos de todos e, novamente olhou de longe pra ver onde Nick estava, mas não conseguiu encontra-lo.
Olhou ao redor com mais cuidado, mas não o via em lugar nenhum. Os amigos com quem ele conversava estavam no mesmo lugar, mas nada do loiro ainda por lá. Tomou o último gole de sua bebida e disse aos amigos que iria procurar outra com a desculpa de tentar achar o loiro alto. Aquela onda de ciúmes que sempre lhe percorria acabava de aparecer mais uma vez enquanto ele enchia a cabeça de fantasias sobre o que Nick poderia estar fazendo.
- Boa noite pessoal. – E lá estava finalmente o loiro no pequeno palco montado para a banda. Mark parou onde estava, no meio de uma pequena multidão se perguntando o que Nick estava fazendo lá.
Alguns gritos de "e aí, Nick" soaram em meio aos vários colegas presentes e mais algumas meninas com seus "uhul", entre outros tipos de sons mais típicos de adolescentes do que de adultos em uma festa como aquela. Mark prestou atenção curioso.
- Bom, já que ninguém parece muito apto a discursar ou dizer algumas palavras, me voluntariei agora a pouco quando a Claire procurava alguém pra fazer as honras. – Ele segurava uma taça de vinho em mãos e brindou no ar olhando pra moça, que sorria em resposta retribuindo o gesto.
- Vai fazer alguma declaração pro Mark? – Alguém gritou do fundo arrancando risos de todos, inclusive do próprio Nick e de Mark que gritou algo como "quebro a sua cara" de volta.
- Estamos aqui para relembrar os momentos bons que passamos em uma fase tão complicada da vida. – Nick recomeçou ao microfone numa espécie de resposta ao colega. – E um dos momentos bons pra mim, e acredito que pro Mark também, foi aquele dia da rádio. – Ele olhou Mark no meio da multidão, que agora era dono de todos os olhares dos presentes. O jovem médico balançava a cabeça negativamente sorrindo sem graça. – E sim... Quero aproveitar a oportunidade de estar entre velhos amigos e reforçar o que todos vocês sempre souberam. – Ele virou-se mais uma vez para olhar Mark. – Eu te amo, você é a pessoa mais especial que eu tenho na minha vida e eu espero que possamos concluir todos os planos que começamos a traçar ainda na escola. Não tenho dúvidas que você é o homem da minha vida e a pessoa que sempre quis ter por perto. Obrigado por todos esses anos, todas as nossas conquistas juntos e todos os problemas que passamos... Espero que essa noite consiga trazer de volta a mesma paixão que sempre nos impulsionou a encarar quem somos e não termos vergonha ou receio de amarmos ninguém. Que o nosso amor só cresça. – Ele finalizou e Mark abriu o maior sorriso que conseguia sem tirar seus olhos dos do loiro, que sorria em resposta e descia do pequeno palco para encontra-lo.
A pequena plateia aplaudia com gritos de "o amor é lindo" enquanto assistia os dois se abraçarem e sorrirem, legitimamente felizes. Quem via a cena tinha absoluta certeza que se amavam mais do que qualquer coisa.
Ficaram na festa por cerca de uma hora mais do que previam. Nick aproveitou pra beber como há algum tempo não fazia, já Mark se controlou mais, pois estava dirigindo. Parou no segundo copo. Conversaram com os amigos como há anos não faziam e obviamente fizeram mil promessas de não "perder contato" e não ficar mais "tanto tempo se se falar", aquelas coisas que a gente diz e jura que vai fazer, mas no dia seguinte já volta a sua rotina normal e a famosa desculpa de estar sempre "na correria". Não era maldade de ninguém, era só vida real batendo na porta e todos entendiam isso bem.
Mark estacionou o carro em frente ao seu antigo apartamento no Brooklyn para deixar Nick, que estava um pouco sonolento devido a bebida. Ele olhou o loiro com aquele olhar e aquele sorriso relaxado e sabia muito bem como Nick ficava quando bebia um pouco a mais. Não o impediu quando ele inclinou seu corpo para lhe dar um beijo que foi totalmente correspondido. Sentia mais falta daquilo do que poderia explicar, daqueles lábios, daquela língua passeando pela sua boca, praticamente fazendo amor com a sua. Correu os dedos pelos cabelos de Nick e o apertou pela nuca enquanto sentia Nick descer a mão pela sua barriga tentando desabotoar sua camisa.
- Nick... Nick, já chega. – Ele sabia muito bem onde aquilo levaria, mas sentiu que não era hora.
- Mark, volta pra mim! – Era praticamente uma súplica ao pé do ouvido. – Eu não sei mais o que fazer pra te mostrar que é com você e mais ninguém que eu quero ficar.
- Por favor... só me dê um tempo pra pensar. – Mark respondia enquanto tentava se desvencilhar de um Nick com a boca colada em seu ouvido e correndo as mãos pelo que conseguia de seu corpo. – Eu preciso pensar.
Nick suspirou resignado e voltou a sua posição original no banco do carona. Mark respirou fundo como se tentasse mandar seu tesão embora e não olhar para o volume nas calças de Nicholas.
- Tudo bem... – O loiro respondeu tentando ser compreensivo, mas claramente frustrado. – Eu acho que já fiz tudo que podia, Mark... Agora é por sua conta. – Ele disse como se aceitasse uma realidade obscura. – Mas... Confio no seu amor, confio na gente junto e sei que vai tomar a decisão certa...
- É complicado pra mim, você me conhece... – Mark disse como se admitisse que era mesmo uma pessoa difícil e sabia disso. – Além do mais, isso foi armadilha sua. – Ele riu sem graça. – Disse que íamos falar sobre a despedida de solteiro dos coroas e sequer tocamos no assunto.
- Não foi de propósito. – Nick riu como se realmente tivesse feito alguma travessura. – Eu já tive uma ideia de onde levar o seu Jensen...
- O que tem em mente? – Mark agora estava curioso.
- Pensei em falar com tio Christian e chamar os amigos dele do hospital para irem ao show do Paul McCartney em Vegas. – Nick não fazia ideia de como iria conseguir uma façanha daquelas, mas lhe pareceu uma grande ideia. – Despedidas de solteiro em Vegas são clássicas!
- Uau, vou ter que pensar bem então pra fazer algo à altura. – Mark agora estava oficialmente preocupado em impressionar o pai.
- Vou pensar em algo também pra ver se tenho alguma ideia pra te dar. Além do mais, a minha ideia é só sugestão, não sei se vai funcionar. Fala com Chad, seu padrinho deve até disponibilizar o bar se quiser fazer uma comemoração por lá... E pode falar com Jeffrey!
- É, aparentemente temos mais pessoas para ajudar do que pensávamos. – Mark parou pra pensar no seu leque de opções.
- Bom, eu estou um pouco bêbado e estou feliz que ao menos amanhã é sábado. Vou poder curtir uma ressaca em paz. – Ele nem queria pensar na dor de cabeça que sentiria.
- É, eu acho que sim. – Mark riu e não tirou os olhos do músico quando ele deixava o Corvette. – Durma bem... e se cuide.
- Você também. – Nick respondeu pela janela. – Não esquece o que eu falei.
- Claro que não. – Mark sorriu de canto e Nick se afastou andando pela calçada a poucos passos da entrada do prédio. Mark apenas deu partida no carro e voltou pra seu apartamento na Soho.
Antes de entrar em casa, Nick viu que tinham algumas mensagens em seu aplicativo Whatsapp. Eram de algumas horas mais cedo, mas ele sequer pensou em tirar o celular do bolso com a noite agitada que teve. Durante a tarde, havia mandando mensagens para Melody, mas parece que ela só havia respondido bem mais tarde.
Nick Ackles:
Trapaceira! :D
Eu realmente acreditei que você fosse talentosa, mas é só genética!
Mel P.
Não é trapaça! A culpa não é minha! :P
Como descobriu?
Nick Ackles:
Ué, sabe como é, as celebridades eventualmente são reconhecidas!
Mel P.
Meu convite pra você conhecer meu pai ainda está de pé.
Nick Ackles:
Desculpe não responder mais cedo, estava ocupado.
Mas será um prazer conhecer Mike Portnoy. Só marcar que estarei disponível.
Bem, acho que você devia estar dormindo essa hora, então nos falamos amanhã.
Boa noite e obrigado, Mel. :)
Nick guardou o celular após reler a conversa e sentiu-se mais confiante. Nem imaginava o que aquele encontro poderia proporcionar a ele, afinal, não tinha nada a ver com ser baterista ou entrar pra uma banda, o mais importante pra ele é que ele sabia que Mike Portnoy não era apenas um grande baterista, mas também tinha uma das melhores e maiores gravadoras dos Estados Unidos.
