N/T: Esse cap devia ter vindo no fim de semana, mas a vida sempre entra no meio ¬¬ As palavras com asterisco já estão no dicionário, deem uma olhadinha, se precisarem. Espero q gostem e bem-vindos(as), novos leitores(as)! ^^

Capítulo 3: Injusto.

Danny ligou o carro, pisou na embreagem e acionou as luzes azuis e sirene, dirigindo furiosamente em direção ao apartamento de Matt. Ele agradeceu a qualquer Deus que estivesse no comando por ter se esquecido de atualizar a polícia de Newark com seu novo endereço desde o divórcio. Isso lhe garantiria alguns minutos em que poderia recuperar o fôlego e decidir para onde diabos ele correria em seguida. Não tinha dúvida de que teria o Sentinela em seu encalço, junto com todos os recursos de comunicação Naval para apoiar o outro. Fugir era inútil, mas Danny não era nada se não teimoso.

Abandonou o carro seis quarteirões antes da casa de Matt e foi à pé indo por cada beco e atalho que conhecia. Quando enfim subia as escadas para o apartamento do irmão, já estava mancando e sem fôlego, contudo tinha o esboço de um plano. Só precisava evitar o Sentinela por tempo o suficiente para que os frágeis laços da infante União definhassem... o homem provara de leve seu cheiro e o havia visto brevemente, porém, e mais importante, ele não tivera a oportunidade de tocar em Danny ou iniciar formalmente Reconhecimento e Marcação*. Se Danny pudesse evitá-lo por tempo o suficiente para impedir isso, a União iria se desfazer até virar nada. Devastaria o Sentinela, sabia que sim, e Danny até se sentia mal pelo cara, de verdade, mas tinha de pensar na Grace. Ele era um pai em primeiro lugar, não um maldito Guia pertencente à Corporação (1).

Ele destrancou a porta do apartamento e correu para seu quarto. Abriu com força seu closet e tirou as caixas do caminho com impaciência, procurando pela pequena mochila de suprimentos que guardara ali. Em seu coração, Danny sempre soube que um dia teria de ir embora e havia se preparado para essa eventualidade o melhor possível. O maior era problema era ele não ter ideia de como contatar a rede do submundo de Guias não-registrados. Era só uma questão de tempo antes que os vastos recursos da Corporação Sentinela o alcançassem.

Tirou a mochila dali e checou os suprimentos: um passaporte e identidade falsos, alguns telefones descartáveis, uma pequena quantidade de dinheiro acumulado (ele precisaria parar num caixa eletrônico e sacar a toda a vergonhosa quantia da sua conta antes que fosse congelada), latas de neutralizador de odor e uma arma de choque não registrada. Rapidamente adicionou umas roupas casuais e um casaco com capuz, então mudou para jeans, uma camiseta, tênis e um boné de basebol escondendo os cabelos claros. A Corporação estaria procurando um homem vestido profissionalmente; um estilo diferente poderia lhe garantir segundos preciosos numa busca visual. A última coisa que colocou foi um álbum digital contendo sua coleção de fotos da Grace. Pausou brevemente na sua mesinha para digitar o comando que limparia por completo a memória de seu laptop.

Ele deixou um bilhete codificado para Matt na mesa da cozinha. Matty sabia que seu irmão era um Guia sem registro e agiria de acordo. Cooperaria plenamente com as autoridades, podendo honestamente afirmar não ter ideia de onde seu irmão mais velho estava. Danny dirigiu-se para a porta. De um jeito ou de outro, ele nunca veria sua família de novo. As autoridades não eram de perdoar Guias fugitivos.

DW*-*DW

Steve andava sem parar de um lado para o outro perto da mesa de Williams no sétimo andar enquanto Catherine coagia impiedosamente o capitão de Williams a liberar o resto das informações pessoais de seu subordinado, ignorando os olhares hostis e murmúrios dos polícias no local. Ele deslizou uma mão de leve pela parte de trás da cadeira da mesa de Williams, inspirando o fraco aroma remanescente do homem, os olhos avidamente observando os objetos sobre o móvel. Uma foto de um Danny sorridente segurando um bebê que fazia careta, um desenho de giz de cera emoldurado do que parecia ser uma sereia e uma onda azul autografados com um rabiscado Eu te amo Danno,um carro de polícia de argila pintado brilhante e infantilmente, outra foto mais recente de Danny sorrindo contente e segurando bem próximo de si uma também sorridente garotinha. Tocou o último objeto desejoso. Talvez um dia Danny sorriria desse jeito para ele.

"Por que diabos vocês, imbecis, não podem deixá-lo em paz? Ele é um dos melhores detetives da Homicídios com que eu já tive o privilégio de trabalhar e um pai amoroso. Como vocês podem justificar aparecer do nada e tirar tudo isso dele? O que dá a vocês o direito? Ele não pediu para nascer um Guia."

Steve psiocu e se virou para dar de cara com uma um dragão cuspidor de fogo na forma de uma pequena mulher que estava com as mãos nos quadris, encarando-o lá de baixo, pálidos olhos azuis brilhando com raiva. Ela era linda, com sardas e cachos claros cor de cobre presos num prático rabo de cavalo, usando jeans, regata e botas de motoqueiro. Tinha um distintivo de detetive preso próximo ao coldre no cinto. Esta, ele percebeu, de acordo com o arquivo pessoal que ele havia lido avidamente no computador do andar de cima, era a parceira de dois anos de Danny.

"Tampouco eu pedi para ser um Sentinela," Steve replicou com simplicidade. "e não tirarei nada dele que ele não queira me dar."

Isso era verdade. Ele havia lutado e ignorado os sintomas da manifestação de seus sentidos superaguçados durante meses antes de experimentá-los por completo numa estressante missão na Coréia do Sul. Depois disso, passou-se mais meses até ele aceitar e começar a usar os sentidos do jeito que foram feitos para serem usados. Havia esperado desesperadamente por um Guia com quem pudesse formar uma parceria em todos os sentidos, uma de verdade, como a do lendário Ellison* na época em que Sentinelas e Guias eram raros e quase desconhecidos. Isso não aconteceu e fora forçado a lidar com uma série de Guias temporários, em geral por curtos períodos.

Ela o encarou e bufou em descrença.

"Sim, claro! Danny é um cara de mente aberta e tudo, mas não está interessado em homens. Você está mesmo afirmando que não vai pular nele na primeira chance que tiver?"

Com a cabeça, ela indicou a foto que Steve segurava com força numa mão. Danny sorria na imagem, bonito e irresistível, olhos azuis brilhantes de felicidade. Steve queria provar aquele sorriso.

Ele baixou o olhar ao ouvir o feio riso de escárnio que ela soltou por entredentes e não replicou. A verdade era que ele não sabia se conseguiria se controlar, a vontade de marcar* e possuir* seu Guia era crescente e piorava a cada segundo que passava. Era algo primitivo vindo de dentro de si. Não sabia se poderia conter ou resistir, nem tampouco se ia querer se impedir.

"Foi o que eu pensei."

Ela bufou de novo, deu meia volta e afastou-se pisando duro. Atrás dela, Steve guardou discretamente a pequena foto, com moldura e tudo, no bolso do seu uniforme.

Continua...

(1) Corporação Sentinela (Sentinel Guild) ou só Corporação (Guild): O nome já havia aparecido, mas eu só decidi traduzir agora, já arrumei nos outros caps. É como é chamado a organização militar responsável pelo recrutamento e cuidado de Sentinelas e Guias e qualquer assunto relacionado à eles.