Avisos: Linguagem chula e menção a suicídio.
Capítulo 7: Entendimento.
Danny desceu correndo pelas escadas para o primeiro andar, completamente preparado para sair daquela merda de lugar, todavia, a imagem do olhar devastado no rosto de Steve enquanto corria o assombrava e percebeu-se desacelerando. Confuso, continuava olhando por sobre o ombro e sua relutância em deixar o outro crescia com cada passo que dava. O som de passos lá em baixo o alertou para a presença da segurança do local e Danny rapidamente escondeu-se num escritório escuro. Espiou pelo lado da porta e viu dois homens se aproximando, provavelmente indo em direção das máquinas de lanche no recanto do fim da escada no fim mais distante do saguão.
Um vestia um uniforme azul de vigia noturno e o outro luvas e um jaleco branco de assistente hospitalar, ambos falavam e riam juntos.
"Cara, aquele Guia loirinho realmente nocauteou a Wong? Eu daria uma boa grana pra ter visto isso!"
"Sim, ele é um lutador. Vai ser um Guia perfeito para o Comandante McGarrett. Pena que ele estava tão relutante. É mais fácil se eles consentem."
"Cara e você pode culpá-lo? Quem ia querer se Unir com um outro cara para o resto da vida? Eu num ia querer nem se fosse com uma gostosa."
"Não é como se o Sentinela tivesse direito de escolha. Eles são programados para se Unirem ou enlouquecerem e McGarrett já está há anos sem um Guia para coordená-lo. É uma pena, pois é um puta de um bom Comandante. E é um maldito milagre ele ainda estar são e funcionando. Se ele não completar a União, ele morrerá; já tem a febre* agora e fritará o cérebro dele. Não é possível impedir o processo uma vez que se inicia.
"Pobre coitado."
"Pois é... Ei, você pegou o fim do jogo de ontem à noite..."
Eles continuaram seu caminho e Danny ouviu a porta no fim do corredor fechar.
Danny ficou parado por um momento, atônito, então xingou e correu de volta pelo caminho em que veio. Estúpido e maldito Sentinela SEAL. Danny ia chutar o traseiro dele com toda a certeza... depois que se Unissem. Sorriu desgostoso e continuou seu caminho, determinado a não pensar sobre isso agora.
Ele correu de volta pelas escadas, ralhando e xingando quase sem fôlego devido a dor em seu joelho ruim. Bateu a mão no identificador do lado de fora da suíte e a porta abriu-se obedientemente, permitindo que Danny deslizasse para dentro de novo e deixasse sua mochila no chão. Ele congelou por um momento, com o coração na boca, antes de compreender o que via. McGarrett estava sentado displicente contra a parede transparente, desajeitado ao tentar se injetar com um tipo de seringa, todavia, sua mão tremia demais então ele continuava tentando e derrubando o objeto no carpete.
Pensando se tratar de algum tipo de medicamento para Sentinelas, Danny apressou-se e pegou o objeto, pretendendo ajudar. Olhou de relance para a etiqueta e xingou de novo, alto e com muitas palavras. Seu estúpido e obtuso Sentinela estava tentando dar um fim em si mesmo. Grunhindo sob a respiração pesada, Danny arremessou a ampola com força contra a parede mais distante e observou com satisfação enquanto se quebrava e deixava uma mancha molhada contra a tinta cara. Ele caiu de joelhos na frente de McGarrett, que estava olhando para ele boquiaberto. Não era um olhar muito atraente.
Eles falaram simultaneamente.
"Você é doido ou o quê?"
"O que diabos há de errado com você?"
DW*-*DW -.-.-.- SM*-*SM
Steve encarou o Guia idiota na frente dele. O que diabos havia de errado com Williams? Ele estava tentando ser estuprado, por acaso? Com um grunhido irritado, Steve agarrou o outro pelo pulso, torcendo-o com força, querendo passar a mensagem com violência, se necessário. Antes que pudesse dizer alguma coisa, um belo soco de direita no queixo o desequilibrou, fazendo-o procurar a parede para apoio, literalmente vendo estrelas.
"Ai! Filho da mãe!"
Ele segurou o próprio queixo, sua cabeça de repente clara como água apesar do fato dele ter acabado de ser socado na carae encarou seu Guia idiota, o qual ergueu o rosto e encarou de volta. Aparentemente Daniel Williams não se inscreveu no curso de calma, meditativa abordagem para Guiar Sentinelas.
"Oh, não, nem pense nisso, cara! Não sob os meus cuidados."
Danny falou determinado, alcançou e chacoalhou McGarret com força, querendo despertá-lo. Maldição, o cara estava queimando dentro da própria pele. Não era surpresa ele estar parecendo tão doente. Percebeu que ainda segurava-o pelos largos ombros, sentiu-se mal quando enfim pode olhar direito para o rosto pálido e extenuado e olhos molhados do outro homem. O gentil coração de Danny se derreteu ao ver as lágrimas ainda presas nos cílios escuros. Steve era um homem bom tentando com todas as forças dar a liberdade de seu Guia, mesmo à custa de si mesmo.
Danny engoliu em seco e tomou coragem. Começou falando rapidamente, mãos voando, antes que se acovardasse.
"Você não precisa fazer isso... eu mudei de ideia. Eu estou... disposto a te Guiar se você ainda me quiser."
Ele encarou agressivamente o chocado Sentinela.
"Mas só com a condição de eu poder visitar regularmente a Grace." Ele soltou a última parte rápido.
Steve encarou-o, piscando confuso. Okay, ele devia estar nos últimos estágios de delírio da União agora, pois ele pensava que Danny estava mesmo aqui e estava lhe tocando e falando e se oferecendo para guiá-lo.Ele ergueu um dedo hesitante e cutucou a incrivelmente barulhenta alucinação... com força.
"Ai! Okay, okay, você tá tão fora de órbita, grandão, que nem tem graça. Vem, vamos sair do chão e fazer isso num lugar mais confortável, tipo a cama. Merda, eu nunca pensei que um dia diria isso para um cara, sabe? Eu espero que você saiba o que fazer porque eu não tenho a menor ideia, cara. Para mim sempre foram as mulheres, não que você não seja um cara atraente, você é, você tem a tríade perfeita: alto, moreno e bonito com um uniforme elegante como a cereja do bolo. Minhas irmãs iriam pular em você assim que o vissem e não deixariam nada além de ossos roídos para trás e minha mãe ia com toda certeza te sentar na mesa e te alimentar com a lasanha e tiramisu caseiros dela até que você ganhasse pelo menos uns dez quilos, porque, querido, eu consigo ver suas costelas. Você não comeu de verdade até ter uma mãe que é metade italiana e metade judia cozinhando para você... o quê? O quê? Que olhar é esse? Por que está olhando para mim desse jeito? "
"Você sempre fala tanto?"
Steve perguntou rouco, observando admirado seu Guia com boca-movida-à-motor lutar para colocá-lo de pé, pôr um dos braços de Steve sobre os ombros, deslizar um braço forte na sua cintura e carregá-lo cegamente em direção da cama.
"Sim. Sim, eu falo. É uma herança genética da família Williams falar pelos cotovelos. Diz a lenda que a tia-avó Ida levou três maridos para o túmulo vencendo-os pelo cansaço, de tanto que ela falava. Você deveria vir na reunião de família, o barulho faz um bando de gaivotas parecer uma caixinha de música. Os vizinhos chamam a polícia para nos parar só por jogarmos conversa fora ou gargalharmos. Você, meu amigo, precisaria de protetor de ouvido. Eu também ronco como uma serra elétrica, roubo os cobertores e peido na cama, se quer saber, só pra você ter uma ideia no que está se metendo."
"Todo mundo faz isso, não?" Steve perguntou, piscando em confusão ao ser gentilmente sentado com suas costas para a cabeceira almofadada da cama e depois Danny ergueu suas longas pernas e começou com rapidez a desamarrar as botas dele. Steve estivera na marinha desde os dezenove anos e mesmo ao se tornar SEAL sempre acampava com seu time. Segundo o que sabia, roncos e peidos era a rotina noturna normal. Ele piscou cansado, deliciado com o som da voz de Danny, saboreando seu cheiro e toque, suspirou com suavidade ao sentir a dor da frustrada União começar lentamente a regredir como uma maré findando.
"Você não precisa fazer isso, eu ficarei bem."
Ele desesperadamente mentiu, tentando, uma última vez, dar a oportunidade para o homem escapar, mesmo ao fechar as mãos em dois punhos com o esforço para não tocar.
Recebeu um som irritado e zombeteiro em resposta enquanto Danny tirava a última bota de Steve e a jogava sobre o ombro.
"Ceeerto. E o motivo para a Corporação deixar de me incomodar é eles terem um tipo de regra sobre deixar a 'viúva' de um Sentinela de combate em paz, estou certo, Sr. Cara das Forças Armadas."
"Marinha, sou da Marinha." Steve corrigiu distraidamente, entretido pela deliciosa essência de seu Guia, a visão de brilhantes olhos azuis e o toque das mãos fortes puxando as roupas de Steve. Sentiu uma ponta de esperança e ergueu uma mão hesitante, querendo desesperadamente tocar, mas pensou melhor e recolheu-a antes que Danny pudesse se sentir ofendido e parar de tocá-lo.
Danny percebeu o movimento abortado, hesitou, e então pegou a mão de Steve. Era uma bela mão, bem feita e com calos formados pelo uso de armas e longos dedos. Percebeu-se em seguida distraidamente enroscando os dedos com os dele. Steve inspirou trêmulo e segurou de volta com firmeza, fechando os olhos com algo parecido com alívio devido ao toque consentido. Mais uma vez Danny sentiu um aperto em seu coração gentil. Quanto tempo havia se passado desde que esse pobre coitado conseguia tocar alguém sem que doesse? O assistente hospitalar lá embaixo dissera que Steve estivera sem um Guia de verdade por anos.
Impulsivamente, ele deu um passo mais para perto da cama e deslizou a outra mão com cuidado para tocar a quente, meio úmida nuca de Steve. Os longos cílios do Sentinela tremeram com prazer e ele se inclinou em direção ao toque. Lenta e timidamente, ele ergueu os braços, circulou-os em volta da cintura de Danny e o trouxe perto o suficiente para que fosse possível enterrar o rosto contra o largo peito de Danny. Uma vez lá, deixou escapar um pesado suspiro, tremeu uma vez e apertou seu abraço, sentindo-se seguro e envolvido pelo calor e essência de seu Guia, embalado pela constante batida de seu coração. Danny hesitou apenas por um segundo antes de trazê-lo mais para perto e gentilmente massagear o cabelo suado em retorno.
Ficou um pouco assustado quando Steve ficou mole e afundou como se não tivesse ossos contra ele, mas relaxou quando se deu conta que o Sentinela estava apenas soltando um pouco da tensão em seus músculos depois de tê-los forçado por tanto tempo. Franziu o cenho para o calor vindo do corpo esguio sob suas mãos. O cara realmente precisava se reidratar antes que queimasse de tanta febre. Olhando em volta no quarto, viu uma porta que devia decerto levar para a área da sala e cozinha da suíte. Devia ter algum tipo bem chique de vitamina na geladeira de lá. Danny bateu de leve no ombro de Steve e começou a afastar-se para ir em busca disso, mas Steve fez um som angustiado e aumentou seu aperto nas costas da camisa de Danny.
"Ei, ei, ei, eu não estou indo embora. Eu só quero pegar um pouco de água na geladeira, okay?"
O Sentinela fez um pequeno e confuso som de protesto.
"Você pode me ver de onde você está, eu vou deixar a porta aberta," Danny acrescentou rápido, percebendo que a febre da União estava provavelmente afetando Steve com muita intensidade agora e que ele não devia estar pensando direto. Gentilmente retirou as mãos de McGarrett de si, bateu de leve no ombro dele como forma de reassegurá-lo e saiu do quarto. O Sentinela observava cada movimento seu, as mãos abrindo e fechando em punhos ansiosamente, olhos escuros presos em seu Guia.
Danny encontrou não apenas uma geladeira de um tamanho considerável, mas também um bar completo na pequena copa-cozinha. Exatamente como suspeitava, a suíte estava bem abastecida com vários tipos de comidas top de linha e bebidas. A marinha parecia cuidar muito bem de seus Sentinelas. Ele encontrou um prato com sanduíches de bife assado na geladeira e pegou-o junto com algumas garrafas de água e uma mão cheia de guardanapos, carregando tudo de volta para seu Sentinela.
Steve estava esperando inquieto, um olhar aflito em sua face imóvel, provavelmente temendo que Danny fosse sumir em pleno ar a qualquer momento. Danny estava meio que se perguntando também por que ele achava agora a ideia de abandonar McGarrett horrorosa, quando há apenas algumas horas atrás ele havia seriamente contemplado socá-lo até a inconsciência ou pior. Ele pousou o prato no criado mudo do lado da cama e deu para Steve a garrafa de água.
"Okay, hora para reabastecer e reidratar. Como eu disse, eu não sei nadinha sobre os procedimentos apropriados de uma União mas aposto que é melhor com o estômago cheio. A última vez que eu comi foi o almoço em Newark ontem e um não muito substancial ou nutritivo se quer saber –a não ser que eu esteja inconsciente por mais tempo do que eu acho que estive- e esses sanduíches estão parecendo muito apetitosos."
Ele balançou um para enfatizar o que dizia e seu estômago deu sua opinião involuntária com um som aprovador. Desceu o olhar para McGarret e corou ao ver que os olhos do homem estavam dilatados e fixos na boca de Danny, como se fosse a coisa mais fascinante que já havia visto, a água esquecida em sua mão. Danny suspirou, muito exasperado.
"Okay, eu vi o que você acabou de fazer. Querido, você não pode se Dispersar cada vez que eu abro a boca, porque, se fizer isso, vai passar o resto da vida inconsciente. Aqui, deixa eu te dar uma mão."
Ele pegou a garrafa da mão de Steve que não resistiu, abriu-a e a levou aos lábios, dando instruções para que seu Sentinela engolisse. Steve obedeceu, olhos ainda mudamente presos no rosto de Danny. Ele meio que o lembrava de Grace quando ela estava cansada ou doente: dócil e dependente de Danny para cuidar dela. Depois do primeiro gole, o homem bebeu com muita sede e Danny se perguntou quanto tempo havia se passado desde que McGarret tivera uma comida decente.
Mordida por mordida, ele instruiu Steve a comer dois sanduíches dividindo e trocando pedaços com ele, mantendo um encorajador monólogo enquanto isso. Quando terminaram de comer, as pálpebras de Steve estavam caindo com exaustão e Danny não estava muito atrás. Evidentemente esse trampo como Guia era cansativo. Danny mordeu os lábios por alguns segundos, deu de ombros e tomou uma decisão imparcial. Não era como se ele pudesse desistir agora. Ele tinha um doente e meio-Disperso Sentinela para tomar de conta.
Ele empurrou Steve até deitá-lo na grande cama, tirou os próprios tênis descuidadamente e subiu também, deitando-se do lado dele, nem um pouco surpreso quando o mais alto de imediato se enroscou nele, cabeça de cabelos escuros pesada no ombro de Danny e nariz enterrado no pescoço do loiro, uma longa perna jogada sobre a do outro e uma mão presa firmemente em sua cintura, sendo presumível dizer que era para impedir Danny de fugir. Ele esfregou as longas e esguias costas de maneira reconfortante, satisfeito pela temperatura de McGarret parecer bem mais baixa agora.
O surpreendia que ele, ele mesmo, não estava inquieto ou duvidando de sua masculinidade de forma insana pois, afinal, aqui ele estava, abraçado na cama com um homem que ele mal conhecia ou sabia algo sobre e com o qual eventualmente estaria fazendo sexo. Ao invés disso, ele se sentia incrivelmente calmo e em controle apesar da situação constrangedora. Parecia que essa coisa de União era traiçoeira e uma via de mão dupla.
McGarrett caiu no sono imediatamente, respiração quente e constante contra a garganta de Danny. Franziu o cenho para o teto e coçou sua bochecha coberta com uma leve barba, em vão pensou que realmente deveria ter um Livro de bolso para Idiotas para esse tipo de coisa, bocejou amplamente, quase como se quisesse quebrar o queixo e estava dormindo antes que ele mesmo tivesse percebido. Ambos dormiram profundamente, enrolados um no outro como duas crianças pela pacífica noite havaiana.
Continua...
