Naquela manhã o distrito estava movimentado, tudo graças á uma reunião que só ocorria de vez em quando e unia todos os samurais do clã Uchiha em um só lugar. Os soldados concentravam-se no pátio do distrito enquanto apenas alguns ocupavam os lugares principais, eram eles: Fugaku e seus dois filhos, Shisui, Obito, Kakashi e Madara.

Shisui era a mente mais brilhante de todo o clã, sua inteligência era reconhecida por todos. Obito estava sempre de bom humor e mesmo não sendo o samurai mais habilidoso, tinha uma dedicação que superava quaisquer limites. Kakashi Hatake diferente dos demais não era um Uchiha, conhecido como o "Canino Branco" havia sido um prisioneiro, que assim como o rapaz Uzumaki despertara os interesses dos superiores, tinha boas habilidades, discrição e uma boa visão de batalha. Já Madara era o irmão mais velho de Fugaku e dividia com ele o comando, considerado praticamente uma lenda com uma espada em mãos, mostrava com frequência que sua língua era quase tão afiada quanto sua lâmina.

Deram instruções para que os esquadrões reforçassem suas barreiras aqui e ali, puniram alguns homens descomprometidos com seu dever, aumentaram o tempo de treinamento de outros e ao fim, restaram apenas os homens os membros mais importantes:

– Conversando com o Imperador ontem, chegamos á um acordo. –Fugaku começou. – É algo político, algo que pode nos assegurar mais ainda o comando sobre a Akatsuki. Prometi que um de meus filhos desposará a princesa mais nova quando a mesma tiver idade para o matrimônio, visto que ainda é apenas uma criança de nove anos de idade.

Sasuke que até então esteve tranquilo por seu erro de algumas noites passadas não ter sido lembrado, viu-se tenso. Sabia que o certo era que o filho mais velho assumisse tal compromisso, pois mesmo que no futuro sucedesse o Imperador, jamais pensaria em se casar com alguém que não fosse a mulher que havia lhe encantado.

– Eu mesmo ajudei meu irmão á decidir qual dos meus sobrinhos deveria assumir fardo esse tão pesado. –Madara disse sério, porém notava-se o sarcasmo em sua voz.

– Chegamos à conclusão de que deve ser tu, Sasuke. –Fugaku continuou sem prestar muita atenção nas palavras do irmão.

– Mas otou-san, o filho mais velho quem deve ser entregue em matrimônio primeiro, ainda mais se tratando de uma união com esse peso. –Sasuke ergueu-se irritado.

– Baixe o tom de voz garoto. –mais uma vez era Madara quem abria a boca.

– Não me trate por uma criança. –rebateu no mesmo tom gélido.

– Sasuke, acalme-se. –Itachi disse ao seu lado, não era um conselho e sim uma ordem, mas o caçula sabia que era para o seu bem.

– Tem razão Sasuke, no entanto ao menos que Itachi queira desposar alguma dama um dia, continuará sozinho. Ele será meu sucessor, o título de líder já pesará o bastante para que, além disso, se preocupe com o país todo. –esclareceu com seu jeito controlado.

– Então não me quer como seu sucessor, mas desejas que eu seja o Imperador? –indagou rindo tensamente.

– Sinceramente não sei o que poderia resultar disso, visto que nem como comandante consegue arcar com suas responsabilidades, porém se tivermos alguém entre nós no poder as coisas serão mais fáceis.

– O que seu otou-san quer dizer é que precisamos de um baka como você para manter as aparências, enquanto nós tomamos as decisões mais concretas. –Madara interveio.

– Não irão me usar dessa forma, quanto menos decidir o meu futuro por mim! –exclamou.

– Sou seu patriarca e superior, tenho sim o poder para fazê-lo. –Fugaku falou de volta, não ia permitir que sua autoridade fosse desrespeitada na frente dos outros.

Otou-san pense bem no que está propondo, Sasuke tem muito mais sede de batalhas do que eu, é mais sensato que ele tome seu lugar. –Itachi argumentou.

– Não venha tomar as dores de seu irmãozinho agora Itachi, ele é apenas uma criança rebelde. –Madara provocou.

Nesse instante, Sasuke desembainhou sua katana e no momento seguinte a tinha pressionada sobre a veia principal do pescoço do tio. Shisui, Obito e Kakashi que até então haviam permanecido quietos e silenciosos ao canto, partiram para segurar-lhe:

– Me parece que o filhote de gato está mostrando as garras. –o mais velho riu recuperando-se, havia conseguido apenas um arranhão de raspão no pescoço.

– Já basta. –Fugaku cortou-os pondo fim ao debate.

O filho caçula ainda tentou soltar-se, mas foi em vão.

– Venha garoto, vamos sair daqui. –Kakashi disse-lhe segurando-o por um dos ombros.

Só quando se viram á sós no pátio novamente é que o Hatake tornou a abrir a boca:

– Precisa aprender a controlar melhor seus impulsos garoto. –aconselhou.

– Até tu me julgas por um menino? Sou um homem.

– Mesmo? Então comece á agir como um. –sorria-lhe, mas suas palavras eram duras como rochas.

– Não importa o que eu faça, otou-san sempre irá preferir Itachi. Ele sim é o filho e soldado perfeito que tanto deseja. –desabafou.

– Viu só? Estás agindo como uma criança que quer a atenção do pai. Tens duas escolhas Uchiha: ou cumpre as ordens de Fugaku como o filho obediente que espera ser reconhecido, ou vai atrás de suas próprias vontades sem esperar reconhecimento algum em troca. –os olhos negros de Kakashi cobravam alguma atitude, um de seus olhos, aliás, o esquerdo dizia-se que havia sido transplantado de um inimigo, depois de uma grande batalha vencida quando o Hatake não era mais que um rapaz assim como Sasuke.

O moreno ficou em silêncio e pegou-se refletindo, quando voltou à realidade já estava sozinho.

Passou o dia todo daquela forma, agradecia por ninguém ter ido procurá-lo, mas por outro lado aquilo só confirmava o fato de que ninguém se importava com o que ele sentia. Bem, ninguém exceto... Ela.

Konan era a mulher que amava e sabia que era amor mesmo tendo tão pouca idade. Desde a primeira vez que a vira em um banquete no palácio, havia se encantado. No começo, quando se viam apenas cumprimentavam-se cordialmente, depois notara que os olhares que a lançava eram correspondidos e um dia quando se esbarraram por acaso em um dos corredores, sabia que não tinha mais volta e em um único gesto ela havia o trazido para si e o tomado de corpo, alma e coração. Viviam um romance secreto, sentia falta de sua presença em momentos como aquele que enfrentava agora, mas sabia que daquela forma as coisas eram muito mais perigosas e isso apenas aumentava seu desejo.

Lembrava-se do perfume da mulher que amava quando ouviu passos atrás de si, ao virar-se viu que se tratava da menina de cabelos cor de rosa:

– Ainda por aqui pirralha? Pensei que teria se assustado o suficiente para ir embora e nunca mais voltar. –riu sem humor. – Ah sim, és muda... Mas não é de fato uma inútil, vá até a cozinha e me traga uma garrafa de saquê. –fez uma pausa. – Agora! –ordenou e viu os olhos verdes claros arregalarem-se, a menina saiu em disparada e segundos depois voltou carregando o que havia pedido.

Foi a primeira de várias que se seguiram, Sakura estranhou tal atitude vinda de Sasuke, mas ele parecia carregar uma angústia mal contida, algo que a mesma não seria capaz de compreender.

– Sabe pirralha, eu só queria uma vez me sentir dono do meu próprio caminho... –sorveu mais um gole da garrafa. – Entende como me sinto? –questionou a menina que estava parada ao seu lado. – Argh, deixa para lá! Quem mandou ser uma pirralha enxerida que não entende o que falo? –virou a garrafa mais uma vez, mas não obteve uma gota sequer, o conteúdo tinha acabado.

O moreno então se levantou com dificuldades e cambaleou para o lado, no chão as garrafas vazias jaziam acumuladas. A menina então se apressou a chegar ao seu lado e segurou-lhe pela mão. Começou guiá-lo, agradecendo aos deuses por Sasuke ainda ter forças para caminhar, apenas seu senso de direção havia sido gravemente afetado.

Notou o quanto a mão dele era fria e grande comparada á sua e continuou conduzindo-o pelo exterior do distrito quando avistou uma cabeleira loira familiar:

– Sakura-chan o que está fazendo aí com Sasuke? Ai não, esse teme está bêbado! –exclamou caminhando para eles, estava com sua armadura, provavelmente voltava de sua patrulha.

Tratou logo de socorrer a garota e o amigo, passando sua mão pelo tronco do moreno apoiando seu braço sobre o próprio ombro.

Teme é bom que não se aproxime do fogo ou causará uma explosão! –provocou, mas Sasuke parecia estar em outro mundo, seus olhos estavam fechados e o corpo ainda mais mole do que antes.

Sakura preocupou-se com o rapaz, o mesmo parecia doente e sabia que aquelas garrafas todas de saquê haviam provocado tais sintomas, estava apenas cumprindo suas ordens sem imaginar que algo como aquilo poderia acontecer.

– Não fique com essa face assustada Sakura-chan. –Naruto disse como que adivinhando seus pensamentos. – Sasuke tem uma queda por saquê, já estou acostumado com esse transtorno.

Carregou-o até seus aposentos, com a ajuda da menina arrumou seu leito e por fim, o deitara sobre o futon.

– Agora tudo o que ele precisa é de uma longa e boa soneca, mais tarde irá precisar de um balde também. –falou com nojo. – Não o culpo por estar assim, todos já sabem do dia difícil que Sasuke enfrentara. –agora tinha pesar em sua voz. – Fez muito bem em tê-lo ajudado Sakura-chan. –sorriu-lhe orgulhoso e a culpa da menina amenizou-se um pouco. – É melhor que Mikoto-sama não saiba de nada, ela não gosta muito de ver Sasuke bêbado e Fugaku-senpai não deve nem desconfiá-lo... Ou seja, isso ficará apenas entre nós não é? –a menina concordou com a cabeça. – Hum... Vamos deixá-lo descansar agora. –disse conduzindo-a com a mão levemente em suas costas, entretanto antes que deixassem o quarto Sakura voltou e agachou-se perto de Sasuke, ajeitou os lençóis para que o cobrissem até o pescoço e plantou um beijo em sua testa, como sua mãe sempre fazia antes de colocá-la na cama.

Só então seguiu o loiro para fora, torcendo para que o Uchiha melhorasse.

...