O caos continuava instaurado do distrito e quando pensavam que a situação não podia piorar, viram um samurai da Akatsuki tão grande que poderia facilmente ser confundido com um armário.

– Oh não, mais problemas! –exclamou Naruto, observando o olhar vazio que transparecia pela proteção que revestia sua cabeça.

– Obito não podemos fazer nada enquanto mais casas estiverem sendo consumidas pelo fogo, acabe com quem quer que esteja o provocando, se possível junte alguns soldados ou até mesmo civis para apagar as chamas. –Itachi ordenou e o outro assentiu prontamente. – Tenho de ir atrás de meu otou-san, algo me diz que ele está mais exposto do que nós. Será que consegue dar conta desse aí sozinho Naruto? –referia-se ao grandalhão de antes.

Por mais que sua vontade fosse responder um grande não e dizer que o Uchiha só poderia estar louco em pensar que poderia derrubá-lo sozinho, assentiu mostrando sua postura mais corajosa:

Hai Itachi-sama!

O moreno se afastou deixando Naruto á sós com seu oponente "á altura".

Itachi resolveu cortar o caminho de volta entre as construções, ou pelo menos o que restara delas, notando o tamanho do estrago que havia sido feito em tão pouco tempo. Lamentou-se por ver tantos samurais Uchiha caídos ao chão e outros que ainda lutavam por suas vidas bravamente.

Foi em uma das ruínas que fora surpreendido por um grito agudo e um punho aberto em sua direção. Olhando o estranho indivíduo que tinha se colocado á sua frente, reconheceu-o de algum lugar, mas não conseguiu se lembrar de onde, aqueles olhos redondos e cabelo lustroso não eram tão comuns á ponto de confundi-lo.

O rapaz que trajava verde passou a atacá-lo com os mesmos punhos em posição de corte. Era bastante ágil, de forma que Itachi teve um pouco de trabalho para se livrar das investidas, principalmente porque o peso de sua armadura o tornava mais lento.

– Se me der a honra, irei mostrá-lo que quem conta com o poder da juventude sempre sai vitorioso! –exclamou o rapaz cheio de animo.

Então, o moreno recordou-se do inimigo esquisito: ele tinha confrontado Sasuke na noite do ataque á vila na qual encontraram a garota órfã que agora acompanhava sua mãe. Entretanto, naquela noite seu adversário não estava com a Akatsuki e sim com os samurais desconhecidos... Tinha alguma coisa errada e muito suspeita em tudo isso.

...

Mesmo que outros duelos estivessem ocorrendo á sua volta, Fugaku tinha apenas o rival em seu campo de visão. Ambos prepararam-se e avançaram um contra o outro ao mesmo tempo.

As lâminas se chocaram e continuaram sendo forçadas uma a outra, até que um deles cedeu. Fugaku investiu baixo, mirando um ponto no abdômen do outro, uma parte entre a proteção do tronco e a das pernas, uma brecha para seu ataque triunfar. No entanto, Nagato não só conseguiu desviar-se á tempo, como também revidou prontamente lançando a katana com firmeza sobre a mesma estratégia do adversário, porém diferente do outro, teve êxito.

Um corte profundo foi cravado no início de sua coxa e mesmo sem soltar qualquer som de dor, Fugaku curvou-se sentindo a lâmina deslizar para longe de sua pele.

– Agora sim está em seu devido lugar e curvado diante de quem lhe é superior. –Nagato afirmou satisfeito. – Últimas palavras? –indagou colocando a katana sobre o pescoço do Uchiha.

...

Após ter recrutado alguns homens para carregar alguns vasos, tigelas e jarros de água, Obito flagrou o responsável. Ele ascendia mais um tipo de bomba quando o samurai saltou sobre si. Ambos rolaram pelo chão, mas o Uchiha conseguiu ficar por cima e antes que o outro reagisse lhe cortou a garganta com um punhal que sempre carregava consigo.

– Precisando de ajuda, jovem indefeso? –foi Kakashi quem perguntou quando o moreno ergueu-se com as luvas sujas de sangue.

– Pare de brincadeiras e trate de procurar por outros dementes com bombas nas mãos. –rebateu aparentemente cansado.

Naruto por sua vez, continuava á encarar o grandalhão. Para isso, tinha de erguer a cabeça um bocado, porém ainda assim fazia questão de mirá-lo ou ao menos tentar, olhar em seus olhos. Ele não carregava uma katana e sim, outra grande espada que segurava com as duas mãos.

Aos poucos a ergueu como um menino erguia sua espada de treinamento que nem de verdade era, então praticamente jogou-se sobre o loiro que rolou no chão para não ser atingido. A grossa lâmina foi fincada na terra e Naruto reparou no tempo que o oponente levou para reerguê-la novamente. Ainda estava sentado no chão, elaborando uma estratégia quando ela caiu sobre si novamente, mal teve tempo de afastar-se e sentiu um grande alívio ao notar que permanecia inteiro. Entretanto, quando foi mover-se, viu que a espada prendera parte do tecido de seu traje, de forma que sua perna ficara presa.

Apressado, segurou a perna com ambas as mãos e a puxou, o tecido rasgou provocando um grande buraco na peça, mas ao menos agora estava livre. Mais uma investida, dessa vez conseguiu esquivar e enquanto o grandão se agachava para recuperar a espada, Naruto saltou sobre suas costas.

O grande homem sacudia-se como um touro furioso, tentando alcançar o rapaz á todo custo, porém Naruto segurou-se firme com uma mão enquanto alcançava sua katana com a outra e por fim, dera seu primeiro e último golpe no inimigo.

Itachi continuava enfrentando a destreza de seu adversário inusitado. Tinha de reconhecer que ele era habilidoso mesmo que não utilizasse de nenhuma arma além dos próprios membros.

Recuou até parte de uma parede que continuava de pé. Sentiu algo esbarrar em sua cabeça e quando olhou para cima, notou que era um tipo de escultura de madeira que se pendurava na entrada das moradias para obter proteção sagrada. Por ironia da situação, Itachi viu que aquilo era uma grande sorte para si.

– O que é que dizia mesmo sobre o poder da juventude? –indagou fingindo interesse.

– Que quem consegue conservar seu espírito jovem, obtém maior poder.

– Pois eu duvido. O poder é daqueles que possuem uma alma evoluída e a mente aberta. –rebateu impondo seu jogo.

– Não é possível! –o garoto rebateu teimosamente.

– Não? Pois então, prove-me o contrário. –fez sinal para que ele o atacasse.

E assim foi, o jovem vestido de verde rodopiou dando vários chutes no ar e quando ia acertar Itachi, o mesmo saiu de seu caminho. O baque na parede foi tão forte que a escultura caiu sobre sua cabeça, aquilo provavelmente resultaria num galo.

– Renda-se agora. –encostou a espada sobre as suas costas, era o fim. Ao menos tinha capturado aquele estranho rapaz.

...

Sakura permanecia agachada ao chão, abraçada com Mikoto. Elas tentavam ignorar os gritos, mas era algo impossível. Não puderam fazer nada se não orar aos deuses para que aquele confronto se encerrasse logo e seus aliados permanecessem sãos e salvos.

Então viram uma sombra aproximar-se através da parede fina. A mais velha tentou soltar um grito, mas Sakura lhe tapou a boca. Logo, a figura de um samurai adentrou o aposento. Não era um Uchiha, nem um samurai vestindo marrom como o que matara seus pais, ainda assim era um inimigo: um Akatsuki.

Ele aproximou-se lentamente e quando estava á três passos das mulheres desembainhou sua espada devagar, fazendo o barulho parecer ainda mais arrepiante. Mesmo trêmula, a garota de cabelos róseos ergueu-se e se colocou de costas para a mulher e de frente ao assassino, com os braços abertos em rendição.

– Sakura não faça isso! Sakura, onegai... Não! –Mikoto exclamou, mas a Haruno pareceu não ouvir.

O homem ergueu a espada e quando a acertaria enfim, foi decapitado. Quando o corpo caiu, Sakura viu o rosto que a salvara anos antes daquela mesma forma e sentira-se então, muito mais aliviada do que naquela época.

Mikoto caiu nos braços do filho chorando e repetindo graças aos deuses pelo bem estar de todos e agradecendo á Sakura que tinha tido a atitude tão nobre de protegê-la.

Sasuke manteve-se em silêncio e com seus atentos e frios olhos negros, avaliou a condição da mãe, sem encontrar nenhum indício de violência, então se voltou para a garota e assentiu.

Com um único olhar, ela havia expressado sua gratidão enquanto ele com o mesmo gesto, reconhecera que a garota teria ido até o fim para salvar a vida de sua okaa-san se necessário.

...

– Que tal arigatô onii-san? –uma terceira voz se fez presente e quando Nagato deu por si, tinha as duas katanas de Madara apontadas em sua direção.

O ruivo apressou-se em se afastar, se colocando em alerta:

– Não pensei que apareceria para salvar seu irmão Madara.

– Sabes como é... Ainda sou um Uchiha e Fugaku tem o mesmo sangue que o meu correndo por suas veias. –comentou tranquilamente.

– Eu ficaria muito satisfeito em derrotar Fugaku, mas não é justo que você interfira nisso. –caminhou para o lado discretamente.

– Minha presença o incomoda tanto assim? Pois para seu descontentamento, não irá encostar em um fio de cabelo do meu irmão derrotado. –declarou estreitando os olhos, Fugaku tinha se posto de pé com dificuldades.

– Nisso tem toda a razão. Afinal já venci seu irmão e essas ruínas são testemunhas disso. –Nagato assentiu, de repente tomou impulso como se fosse atacar, os irmãos se colocaram em defesa, porém o ruivo aproveitou-se disso e passou por entre eles sem acertar nenhum propositalmente.

Seus homens o seguiram, enquanto o mesmo corria para fora dali.

Fugaku fez menção de segui-lo mesmo com o ferimento, mas foi barrado pelo irmão:

– Não, não vale á pena otouto. Ele ainda pagará por tudo o que nos fez, mas essa hora não é agora, estamos destruídos. –concluiu sem arrogância, sarcasmo ou qualquer outro sentimento á não ser sinceridade.

O outro concordou, olhando á sua volta e vendo o estrago irreparável que havia sido feito. Os Uchiha nunca mais seriam os mesmos.

Logo Kakashi, Obito e Naruto retornaram com relatos de que o restante da Akatsuki havia recuado. Apesar disso, todos compartilhavam do mesmo sentimento de perda e angústia.

Itachi alcançou-os tranquilizando-se ao ver que o pai estava vivo, porém ferido e quando Sasuke surgiu junto da mãe e sua acompanhante, pôde enfim soltar a respiração e o medo que lhe enchia o peito.

Apesar de tudo, o momento de paz durou pouco. Fugaku afastou a esposa do filho e apontou a katana para a face do mesmo:

– Fugaku o que está fazendo?! –a mulher perguntou descontrolada.

– Ele nos traiu. Tudo isso aconteceu por sua causa Sasuke! –acusou em alto e bom tom. – Há quanto tempo tinha um caso com Konan? –quis saber. – Responda!

– Desde os meus quinze anos. –confessou de cabeça baixa.

Sasuke não se lembrava de ter sido diretamente questionado por Konan á respeito de qualquer forma de organização dos Uchiha, entretanto talvez ela tivesse sido esperta o suficiente para fazê-lo soltar pequenas e insignificantes informações, que juntas poderiam montar o quebra-cabeça e fornecer tudo o que Nagato precisava para algo grande como o que fez àquela noite.

– Todo esse tempo nos entregando á Akatsuki em uma bandeja. Você não merece ser chamado de Uchiha, esquecerei á partir desse momento que tive outro filho á não ser Itachi. –pronunciou as palavras como facas.

Mikoto ia intervir, mas o filho mais velho a impediu.

– Quero-o fora daqui. –determinou dando as costas, porém foi barrado por uma lâmina em suas costas, voltou-se constatando que era Madara quem a segurava.

– Á partir de agora se não seguir as minhas ordens, será você quem irá para fora... Otouto. –sibilou decidido, soltando um sorriso de canto em seguida.

...