– O que está dizendo Madara? –Fugaku questionou voltando-se e sentindo uma fisgada na perna machucada.

– Escutastes muito bem. Olhe só para isso! O distrito Uchiha e seus samurais não passam agora de ruínas, sombras do que um dia já foram. Mas eu posso reconstruir tudo, ou melhor, fazer um grande poder renascer de forma inovadora. –exclamou em tom superior.

– Pelo jeito que diz me parece satisfeito com todo esse caos. Não me surpreenderia se tivesse nos entregado á Akatsuki tanto quanto Sasuke. –rebateu.

– Não irei discutir com um homem que está transbordando em sangue. –referiu-se ao ferimento em sua perna. – Obito, encontre qualquer um que tenha capacidade para fazer um curativo decente. –o outro pareceu hesitar, esperando um comando vindo de Fugaku, mas foi Madara quem continuou á ordenar: – Ande logo, está esperando o quê?

– Estou intrigado onii-san, como planeja nos reerguer? –Fugaku não se conteve, mesmo tendo que ser apoiado pelo filho e esposa.

– A quantidade de samurais agora não deve chegar á um quarto do que era. Não foram eles os responsáveis por evitar um desastre ainda maior. –fez uma pausa, usando com cautela as palavras que ia proferir no momento seguinte: – E se digo que devo comandar os Uchiha é justamente por isso, não foram apenas os seus homens que confrontaram a Akatsuki, meus soldados também estiveram aqui o tempo todo, derrotando os inimigos, agindo sorrateiramente e garanto que permaneceram tão intactos quanto estavam antes de entrar em batalha.

– Sua tropa estava aqui e se prejudicou tanto quanto as outras. –Itachi contrapôs.

– Não me refiro aos meus samurais, eles já não me eram de bom uso de um jeito ou de outro. –sorriu sarcasticamente e então, do meio da escuridão saíram figuras negras como o breu da noite. Homens vestidos e encapuzados de preto.

Sasuke sentiu uma estranha familiaridade e o olhar assustado da garota de cabelos cor de rosa comprovava que ele estava certo: quando tinha sido envenenado há oito anos, seu adversário estava trajado justamente como um daqueles indivíduos misteriosos, o mesmo adversário que tinha assassinado Shisui.

– O responsável pela morte de Shisui era exatamente igual á esses homens. –anunciou sério e atento a qualquer investida que os mesmos pudessem fazer.

– Grande capacidade de observação a sua Sasuke. –Madara caçoou.

– Sendo assim... Foi você o mandante do assassinato? –Itachi supôs sem muita surpresa.

– Agora que fui questionado sobre isso... Bem, na época meu exército de ninjas não poderia ser descoberto e Shisui, espertinho como sempre foi, estava á um passo de trazer isso á tona. Foi um sacrifício necessário. –confessou sem nenhum indício de culpa, apenas com as mesmas expressões vazias de um Uchiha.

– Madara, és um assassino! –Mikoto foi a primeira a exclamar, chocada pela naturalidade com a qual o outro dissera aquilo.

– Todos os Uchiha são, cara Mikoto. –concordou.

– Era um traidor desde o início, isso sim. Temos nossas espadas e aprimoramos nossas habilidades para defender nossa causa e não matar companheiros de clã. –Fugaku disse tentando ir à direção do irmão, mas a dor mais uma vez o barrou.

Logo Obito chegou acompanhado de uma mulher com roupas esfarrapadas e sujas graças ao fogo, seus olhos negros pareciam paranoicos e atordoados. Conduziram-se todos ao casarão Uchiha, uma das únicas construções que ainda jaziam intactas, e após o tratamento da ferida de Fugaku, a discussão foi reiniciada, enquanto homens de negro cercavam cada entrada, cada janela que levasse ao exterior da casa.

– Agora podemos resolver essa discórdia como verdadeiros samurais. –o irmão mais novo pôs a mão sobre a espada ainda na bainha.

– Não seja ridículo Fugaku. –Madara cortou-o sem humor. – Olhe ao seu redor, não há mais chances para você. Seu comando terminou e hoje se inicia uma nova fase dos Uchiha.

– Discordo. –desembainhou a katana movimentando-se com a postura de um samurai e então, antes que seus olhos pudessem acompanhar os movimentos, havia três ninjas o cercando. Um deles tirou a lâmina de sua mão, o segundo o segurava pelos braços e o último ficou á sua frente apontando-lhe uma adaga diretamente ao rosto.

– Como disse, sem chances. –Madara parecia entediado.

– Fugaku! –Mikoto exclamou correndo até o marido que só foi deixado em paz quando o Uchiha mais velho fez um sinal para que seus vassalos o soltassem.

– Tens duas opções: permanece aqui como um bom pai de família. Não peço que saia desta casa, apenas desocupe o quarto principal, é claro. Não se meterás em nenhum assunto tático, apenas viverá na maior tranquilidade. –sua voz tomou um tom mais sombrio. – Ou então, terei de mandá-lo ao calabouço.

Fugaku voltou-se para a mulher ao seu lado, então para o filho mais velho e por último ao caçula, só assim voltou a encarar o irmão e pronunciou em desafio:

– Nesse caso prefiro apodrecer na prisão a vê-lo destruindo a honra que nossos antepassados lutaram para construir.

– Tudo bem. Homens... Ouviram nosso prisioneiro.

– Não, onegai Madara, não faça isso. –Mikoto suplicou enquanto os ninjas voltavam a segurar seu marido.

Otou-san. –Itachi aproximou-se em posição de ataque, mas o tio voltou á falar:

– Quanto ao resto da família... Itachi é de fato um jovem muito inteligente e faria bom proveito dessa sua virtude, porém se preferirdes seguir o seu otou-san como sempre fez, não irei me opor, creio que existem lugares suficientes nos calabouços.

– Nesse caso –começou.

– Itachi. –Sasuke advertiu deixando a preocupação lhe transparecer naquele momento.

– Nesse caso –continuou –irei junto de meu otou-san.

– Não, parem os dois com isso. Não quero vê-los presos de forma alguma. –Mikoto lamentava-se pela família.

– Adorável Mikoto. –Madara chamou-lhe a atenção. – Não é justo que perca todas as suas regalias por ter um filho e um marido tão bakas, por minha própria decisão, digo que irá permanecer aqui. Poderá manter seus quimonos e até essa sua acompanhante. –referiu-se a garota de cabelos cor de rosa.

– Não irei abandonar minha família. –negou-se.

– Homens. –chamou. – Levem as senhoras até seus aposentos.

– Não! –gritou. – Fugaku! –tentou soltar-se do homem de negro que a segurava, mas o marido lhe assegurou.

– Fique Mikoto. –por uma das poucas vezes, demonstrava ternura em público pela mulher. – O calabouço não é lugar para ti, fique... Por mim.

A morena não via problemas em chorar em público, buscou apoio nos olhos do filho mais velho, que apenas dirigiu-se ao irmão:

– Cuide bem dela Sasuke.

Um grupo de ninjas levaram Fugaku e o filho para o calabouço, enquanto outros dois conduziam a Uchiha e sua fiel acompanhante de cabelos rosados pelo casarão á dentro.

– Se eles tocarem em um fio de cabelo dela –Sasuke começou obscuro.

– Eu sei o que fará. Não se preocupe, jamais permitiria que sua okaa-san sofresse um arranhão. –Madara comentou, avaliando não só as expressões do sobrinho como também dos outros três remanescentes na sala, eram eles: Naruto, Kakashi e Obito. – Sabe Sasuke, o entendo plenamente. Sei como é se apaixonar por uma mulher formosa. –referiu-se á Mikoto.

– A única coisa que Konan fez foi me cegar, mas quando eu por minhas mãos nela novamente, irei fazê-la se arrepender do dia em que começou com tudo isso. –via-se o ódio nítido em seus olhos negros.

– Isso irá acontecer quando tudo decorrer como deve. –argumentou e então continuou: – Também o entendo, pois assim como você, sempre fui o mal compreendido da família e é por isso que quero mantê-lo ao meu lado, como meu braço direito.

Sasuke estreitou os olhos ao tio, a verdade é que eles nunca tinham se dado bem e Madara poderia ser qualquer coisa, menos confiável. Apesar de tudo, se negasse poderia parar no calabouço junto do pai e o irmão e daí sim, não serviria para nada. Permanecendo ao seu lado, também poderia botar as mãos em Konan, afinal o tio não deixaria a Akatsuki ilesa por ferir seu orgulho Uchiha.

– Não acredito que esse seja o verdadeiro motivo pelo qual me quer por perto.

– Desde quando passou a desconfiar do óbvio Sasuke? –indagou sarcástico. – Sua função será me ajudar á manter tudo sobre controle e só.

– Considere-me seu aliado então. –assentiu firme.

– Quanto á vocês –referiu-se ao trio que ainda presenciava tudo em silêncio –de que lado ficarão?

Naruto caminhou em passos rígidos e pôs-se ao lado de Sasuke. Logo ele que quase nunca ficava em silêncio, não soltou uma palavra sequer, sua decisão não surpreendera os outros. O loiro sempre teve uma forte ligação com aquele Uchiha, pois Sasuke sempre fora o único que o aceitara entre os outros samurais mesmo sem demonstrar.

Kakashi também tomou a mesma atitude. Permaneceu quieto, era difícil saber o que se passava pela cabeça do Hatake, na verdade não se conhecia muito ao seu respeito além de suas habilidades.

– Será bom contar com suas qualidades Hatake. –Madara comentou. – Falta um.

Gomen, mas não posso. –Obito curvou-se brevemente e se retirou, sentindo os olhos dos ninjas sobre si através da abertura nas máscaras.

Só então, Madara pôde se pronunciar novamente:

– Kakashi, vá com uma equipe de ninjas procurar por feridos e reunir pessoas capazes de socorrê-los. Naruto, cheque as construções que ainda podem ser usadas como abrigo e leve os sobreviventes para lá. Vão até a cidade se necessário em busca de mantimentos. Não deixem que a tragédia se espalhe, amanhã mesmo irei ao Imperador. –instruiu e logo os dois samurais deixaram a sala, juntamente com o grupo de negro.

– Hiashi não fará nada. –Sasuke se pronunciou.

– O único compromisso que terá conosco é fornecer alimento e homens para reconstruir as casas, mesmo que essa não seja sua vontade. Provavelmente amanhã renomeará a Akatsuki como a força militar de seu império.

– Isso porque pouco lhe importa a forma covarde com a qual a Akatsuki nos atacou e sim, que os agora mais poderosos, fiquem do seu lado.

– Exato. E é por isso que devemos derrubar a Akatsuki o quanto antes.

– Como pretende fazer isso? –Sasuke indagou intrigado, enquanto o tio apenas soltou um risinho e respondeu:

– Da mesma forma que eles fizeram conosco, tudo o que precisamos é do jovem ingênuo e da bela gueixa.

...

Após terem sido deixadas nos aposentos de Mikoto, a morena não tardou em cair aos prantos. Tudo o que queria era ver a família unida e que tudo estivesse tão sereno e apaziguado quanto na manhã anterior.

– Eles irão apodrecer numa prisão Sakura, meu filho e meu marido estão destinados á esse triste fim. –repetia quando sentiu os braços finos da garota ao seu redor.

– Não queira adivinhar o futuro Mikoto-sama, pois ele pertence aos deuses. Muita coisa há de mudar ainda e justiça virá á tona mais cedo ou mais tarde. –pronunciou em tom consolador.

Mikoto voltou a olhá-la ainda com lágrimas correndo pelo rosto, o sorriso acolhedor de Sakura encheu o seu coração de ternura e as palavras, lhe deram uma esperança real. A rosada fazia aquilo, pois de fato acreditava e, além disso, sentia que dessa vez era ela quem deveria oferecer o colo e a atenção, para aquela que lhe dera um tudo após a vida tê-la deixado com um grande e vazio nada.

...