No dia seguinte, Madara, Sasuke e mais uma dupla de ninjas se dirigiram ao palácio de Hiashi. Nas ruas, camponeses e comerciantes os observavam por meio de olhares tortos, alguns demonstravam piedade, outros satisfação, afinal, os membros do clã Uchiha nunca se preocuparam em ser simpáticos com a população.

Notícias ruins corriam como uma correnteza e foi inevitável que o massacre do distrito viesse á tona, já que agora em cada ponto estratégico se via um samurai de vestes negras com o desenho de nuvens na armadura. A Akatsuki havia sido ligeira e Hiashi ainda mais rápido para providenciar sua nova guarda.

Assim que chegaram ao palácio, foram barrados por um Akatsuki:

– O Imperador não tem nenhuma audiência contigo e não está disposto á ser incomodado, retorne quando for combinado.

– Sasuke me corrija se estiver errado, mas... Não pedi permissão á nenhum verme, pedi? –indagou sarcasticamente, o sobrinho apenas balançou a cabeça em negativa. – Foi o que pensei, agora me deixe passar.

– Ou o quê? Não tem mais um exército para protegê-lo Uchiha. –o samurai continuou a confrontá-lo, os dois ninjas que estavam ao lado do mais velho fizeram menção de avançar, no entanto Sasuke chamou a atenção de todos.

– Hinata-sama. –chamou a morena que caminhava pelo jardim da frente, a mesma voltou seus olhos perolados á ele reconhecendo-o. – Como deves saber, precisamos da ajuda de seu otou-san, mas esse homem não quer permitir nossa passagem. –explicou sério e calmamente.

Ela já sabia o que tinha acontecido com o distrito Uchiha, naquela mesma manhã Hiashi tinha feito uma curta cerimônia nomeando os samurais da Akatsuki como sua nova guarda. Pessoalmente, achava a decisão do pai muito errada, afinal escolhera para protegê-lo, homens que haviam atacado covardemente seus rivais. No entanto, sua opinião não contava em nada e nem ao menos era questionada por alguém.

– Os deixe passar. –ordenou com sua voz suave e fina.

– Mas Hinata-sama –o homem tentou argumentar.

– Um samurai deve obedecer às ordens da família imperial, por acaso não a escutou? –Madara questionou com um ar de riso, e derrotado o samurai cedeu o espaço necessário para que passassem. – Fiquem aqui. –ordenou aos ninjas que se imobilizaram na mesma hora.

Arigatô. –Sasuke pronunciou à morena sem fazer nem ao menos uma simples reverência, realmente ele não dera a mínima para si desde o dia de seu noivado.

Seguiram o caminho até a sala onde Hiashi costumava ficar lendo documentos, petições, e relatórios de colheitas e impostos. Dois outros samurais guardavam a entrada, porém a cederam facilmente e sem nenhuma reprimenda, quando apenas Madara cruzou a porta.

– Vossa Majestade. –curvou-se.

– O que faz aqui? –Hiashi perguntou sem levantar os olhos dos papéis que tinha sobre a mesa.

– Vejo que foi mais rápido do que imaginei, a Akatsuki já está por toda parte. Não o critico apesar de tudo, já que até então eles eram os melhores depois dos Uchiha.

– Ainda não respondeu minha pergunta. –cobrou olhando-o com superioridade.

– Vim oferecer-lhe algo melhor do que a Akatsuki e ainda mais superior do que os Uchiha sempre foram. –respondeu direto. – Tenho o dobro de homens da sua guarda atual sob meu comando.

– Isso é uma brincadeira? Vocês foram massacrados. –soltou com desdém.

– Não, os meus homens não. Eles não são samurais, são muito mais habilidosos que isso, são ninjas.

– Ninjas? Como aqueles dos quais se ouviam rumores nas províncias do sul?

– Exatamente e eles são a nova força Uchiha. –confirmou.

– Mesmo que os tenha... Acha que vou substituir aqueles que foram capazes de destruir o grande e poderoso clã Uchiha? Definitivamente não cometerei o mesmo erro novamente, dando tamanho renome a quem provou não ser digno de tanto. –pronunciou sem titubear. – Em respeito aos anos que me serviu, enviarei suprimentos suficientes e operários para reconstruir o distrito, mas não me peça mais do que isso.

– Se me permite dizer Majestade... Não preciso do seu respeito e é bom que seus novos soldadinhos sejam tão bons quanto pensa. –pronunciou com rancor, erguendo-se logo em seguida.

– Deveria matá-lo por essa ameaça, vê o quanto estou sendo prestativo? E antes que me esqueça, o noivado de seu sobrinho com minha filha está rompido. –declarou sem se mover em seu lugar.

Sasuke pôde ver a fúria nos olhos negros de Madara e não disse nada, estava bem claro que Hiashi não aceitaria sua oferta tão facilmente. O jeito seria partir para o plano inicial.

...

Kakashi já tinha feito aquilo muitas vezes ao longo de sua vida e poucas delas, vira alguém tão resistente quanto o rapaz de cabelos escuros e sobrancelhas grossas. Nesse momento, seu rosto estava inchado pelos golpes, havia sangue seco encrostado em suas narinas e nos cantos dos lábios, hematomas por toda a parte e três de seus cinco dedos da mão esquerda estavam fraturados. E mesmo com a dor, soltara apenas gritos e nada revelador sobre sua participação no massacre ou se era um Akatsuki.

Naruto entrou no dojo naquele momento, vendo o estado em que o rapaz se encontrava e sentira pena por ele, afinal o próprio sabia como era ser inimigo dos Uchiha, mas na época não hesitara um minuto em dizer tudo o que sabia, o que não era de muita importância de uma forma ou de outra.

– Acho que já basta, não? –indagou aproximando-se do rapaz caído ao chão.

– Ele não contou nada, é melhor esperar que Madara decida o que fazer com o mesmo. –respondeu, não estava disposto á continuar com aquela tortura.

– Qual o seu nome? –indagou, mas foi Kakashi quem respondeu:

– Lee, Rock Lee.

– Lee pode nos ser útil, soube que deixou dois samurais desacordados e deu certo trabalho até para Itachi. –argumentou.

– Veremos... Acho que de nada servirá essas feridas agora, se quiser leve-o a alguém que o trate, parece desidratado. –Kakashi sugeriu.

Naruto ajudou-o a se erguer, apoiando praticamente todo o seu peso sobre si. A mesma moça quem cuidou de Fugaku tratou de suas feridas e imobilizou sua mão graças aos dedos quebrados, então Naruto lhe trouxe um ensopado, que Lee consumira de forma faminta e entornara de uma só vez um recipiente de água.

– Posso sentir o poder de minha juventude voltando. –disse deixando o loiro confuso.

– Sente-se bem?

– A vida corre por minhas veias, então é claro! –exclamou com os olhos arregalados ainda mais horrendos pelo inchaço.

Foi então que o loiro avistou Madara e Sasuke caminhando para a casa principal e chamou-lhes a atenção. Explicou a situação de Lee, que tinha resistido as mais duras torturas de Kakashi, mas que também tinha se mostrado um bom guerreiro.

– Não serei como meu otouto, que vivia a abrigar órfãos. –ralhou. – Entretanto, veremos o quão é habilidoso. –com um gesto de sua mão, os dois ninjas ficaram diante dele.

– Mas ele está ferido! –argumentou o loiro, aquela não seria uma luta justa, porém um fogo pareceu reacender nos olhos de Lee.

– Os mandarei de volta ao inferno com o poder de minha juventude! –num momento, ele estava no chão preferindo aquelas palavras e no outro, tomara impulso em um grande salto e com um chute, derrubara um deles. Rapidamente, chutara o outro que foi erguido no ar, então como se voasse, Lee colocou-se abaixo do ninja segurando e rodopiando seus corpos unidos, a queda veio com o inimigo acertando o chão.

Os três ficaram chocados com o que tinham acabado de ver, o rapaz ergueu-se naturalmente encarando-os com os grandes olhos negros. Já os ninjas, ergueram-se tão rapidamente e polidos como se nem ao menos tivessem sido tocados há segundos antes.

– Naruto, cuide para que o rapaz tenha onde ficar. –Madara ordenou impressionado.

...

Bateu levemente na porta, a garota de cabelos cor de rosa a abriu e por um momento, certo alivio tomou conta de seus olhos verdes.

– Onde está minha okaa-san? –indagou entrando no cômodo.

– Estou aqui. –Mikoto apareceu, suas feições não estavam nada boas. – Quanto tempo mais ficaremos aqui de braços cruzados Sasuke? Seu otou-san eonii-san estão trancafiados no calabouço. –perguntou sem conter o desespero.

– Eu seu disso. –concordou seco. – Não há nada que possa fazer por enquanto, preciso da confiança de Madara, só assim ele irá cogitar a ideia de liberá-los.

– E enquanto isso irá participar de seus planos sujos? Não é certo que trabalhe pelos fins errados. –repreendeu-o com seu tom maternal.

– Madara tem um exército de ninjas consigo. O que eu e os outros poucos samurais que sobraram podemos fazer? Apenas nos juntaríamos aos outros dois fracassados. –cuspira as palavras e sentiu uma ardência no lado esquerdo de sua face, provocada pelo tapa.

– Desde quando ficou tão parecido com ele? –a morena questionou furiosa.

– Humpf... Estou apenas salvando nossas peles. –disse antes de virar as costas e sair dali.

– Mikoto-sama... –Sakura caminhou até a mulher, porém com um gesto a mais velha a parou.

– Não, onegai. Tenho de fazer algo em relação á isso. –disse deixando a garota confusa.

Ao menos não tinham ninjas na entrada de seu quarto, mas conforme se aproximava de Madara, mais deles enchiam seu caminho. Encontrou-o na sala onde Fugaku costumava ficar, a que por direito era de seu marido.

– Mikoto? A que devo a honra de sua presença? –cumprimentou-a assim que a viu.

– Precisamos conversar. –disse apenas.

– Como quiser... Homens. –não foi preciso dizer duas vezes e no instante seguinte estavam á sós.

Ela caminhou ficando á sua frente, mas Madara não se deixou levar pela beleza que os anos não tinham roubado, Mikoto ainda estava muito nervosa pela prisão do marido.

– Não irei enrolá-lo... Quero que deixe Fugaku e Itachi em liberdade. –declarou firmemente.

– Mikoto... Eu adoraria, mas foram eles quem fizeram suas escolhas. –rebateu prontamente, falava de forma mais leve do que costumava ser com seus soldados.

– Não me interessa o que eles escolheram, os quero soltos e não trancafiados no calabouço. –persistiu.

– Pois eu me importo com a vontade de meu otouto. –fez uma pausa. – Será que não o vê, querida Mikoto? Escolhestes o irmão errado. –sorriu de canto.

– Não fiz escolha alguma, quando irá entender isso? Além do mais, amo meu marido e o quero de volta. –demonstrou-se decidida.

– Infelizmente não posso atender a sua vontade... Ao menos, não sem obter algo em troca. –Mikoto temeu pelas intenções de Madara, mas o mesmo continuou: – Há algo que somente tu podes fazer por mim, na verdade por nós.

– E o que seria? –tomou coragem e perguntou.

– Preciso que ensine a uma sucessora, todas as suas técnicas e práticas que a fizeram uma gueixa tão reconhecida no passado. –revelou, deixando a mulher intrigada.

– Por que isso seria importante?

– Para retomarmos tudo o que nos foi tirado. –disse apenas.

– Quem seria minha sucessora? –indagou interessada.

– Perdemos muitas jovens no massacre e poucas têm características que fujam dos padrões de nossa linhagem, mas creio que aquela sua acompanhante é a mais adequada para isso.

– Sakura? –espantou-se.

– Sim, se esse é o seu nome... Precisamos de alguém que não seja reconhecida pela Akatsuki.

– Akatsuki? No que está querendo envolvê-la?

– Precisamos que ela encante certo rapaz com a mesma precisão que tu encantaste á mim. –respondeu direto.

– Isso não é certo, não pode colocá-la em tamanho risco. –protestou ignorando as palavras do Uchiha.

– Ela terá segurança, pode aprender a se defender. –replicou. – Pense bem Mikoto... É da liberdade de Fugaku e Itachi que estamos falando.

A Uchiha se encontrava em um duro dilema. Se por um lado, sabia que Sakura atenderia qualquer pedido seu, não podia ignorar a segurança da garota. Apesar de tudo, adoraria ter sua vida de volta.

...

Sakura caminhou perdidamente pelo distrito ou ao menos, pelo que restara dele. Ao menos o riacho que tanto gostava ainda estava intacto. Viu seu reflexo nas águas, suspirando pesadamente, ultimamente vinha sentindo um grande vazio dentro de si e a destruição do distrito, só fez com que se sentisse ainda mais pra baixo.

Foi enquanto refletia, que viu uma estranha figura aparecer ao lado da sua na água. Virou-se na mesma hora, encontrando um homem com expressões inchadas e várias bandagens pelo corpo:

– Quem é você? –indagou receosa.

– Sou Rock Lee, discípulo e sucessor da grande besta verde, e me curvo diante da beleza da mais bela flor. –curvou-se flexionando os joelhos.

– Sou Haruno Sakura. –informou estranhando o ato daquele jovem tão peculiar, não o conhecia de lugar algum. – Onegai, erga-se. Estás me deixando constrangida.

Como um servo, Lee atendeu seu pedido imediatamente e lançou seu melhor sorriso:

Hai Sakura-san.

– Sakura-chan! –ouviu mais ao longe, era Naruto que parecia desconfiado do rapaz á frente da rosada.

– Já vou Naruto. –gritou de volta. – Com a sua licença Lee-san. –disse antes de sair, o sorriso no rosto do rapaz já estava a assustando.

– Ele estava te incomodando? –perguntou o loiro assim que Sakura o alcançou.

– Não, não. Na verdade Lee foi bem educado. O que quer? –perguntou mudando de assunto.

– Não sou eu quem quero, foi Madara que mandou chamá-la. –respondeu apreensivo.

Mesmo estranhando e não fazendo a mínima ideia do que Madara poderia querer consigo, Sakura encaminhou-se até ele, disposta a descobrir do que se tratava.

...