(Cap. 2) Capitulo 2

Pov Edward

A vida às vezes é irônica demais, meu maior sonho era chegar onde estou hoje, mas nunca imaginei que seriam nessas circunstancias. Nunca sonhei que seres como eu existissem. Logico que mesmo quando ainda era um mero mestrando em literatura eu conhecia ficções como a de Bram Stoker, Johann Wolfgang Von Goethe ou Joseph Sheridan Le Fanu, porém nunca imaginei que algo tão surreal pudesse acontecer comigo.

Após quase um século ainda me lembrava como ontem daqueles monstros matando minha doce amada, lembrava dos seus olhos assustados, de Carlisle, meu pais por assim dizer, chegando e acabando com todos eles. Lembrava-me da dor da transformação e de suas palavras de conforto durante todo o processo.

No inicio fomos só nós dois, eu conheci uma vida diferente ao lado dele. Não precisava ser como os monstros que mataram minha amada, eu poderia ser melhor que eles. E assim fui, Carlisle era medico, impressionante para um vampiro, mas para ele não era nada demais, era completamente apaixonado por sua profissão, foi em uma dessas conversas que contei a ele qual era meu sonho antes de tudo acontecer. Contei toda a minha história até quando ele entra nela e me ajuda superar a dor da perda de Izabel.

Citar o nome dela ainda me dói profundamente. Meu anjo estava morto, eu fazia visitas periódicas ao seu tumulo, isso até 15 anos atrás. Antes eu sentia a presença dela no local, era como se ela estivesse mesmo ali, e me escutasse, eu sentia seu amor, mas agora nada mais. Era como se ela não estivesse ali. Esme, companheira de Carlisle me confortava dizendo que talvez eu tivesse entendido que ela tinha partido e que morava agora em meu coração, mas não era isso, eu agora a procurava em tudo e todos que via, era como se eu precisasse disso para viver, essa procura incessante pela presença dela me dominava quase tanto quanto meu sonho de ser diretor.

Minha família era razoavelmente grande. Somos sete vampiros ao todo, Carlisle nosso pai era o mais velho, ele viveu sozinho por quase 300 anos antes de eu me juntar a ele. Depois vinha eu que era considerado seu filho. Impressionantemente eu devo ter um chamado por que dois meses depois passando por uma cidadezinha no sul da Califórnia ataquei uma mulher no povoado, era Esme e tenho sorte de ela ter me perdoado, eles se apaixonaram e então eu tinha um pai e uma mãe novamente. Dois anos depois estávamos em Rochester quando encontramos Rose, sua família ficou muito amiga da nossa, com o tempo não saia de nossa casa, o noivo ficou enciumado e o desastre aconteceu, ele só não contava que protegêssemos os nossos, a transformamos e mudamos de cidade. Seis meses depois foi a vez de Jasper, esse foi totalmente sem querer, ele era um caçador e estava na floresta na hora errada, como dizem lugar errado hora errada vitima perfeita, Rose o mordeu sem querer, mas conseguimos tirar ela antes que o matasse, a pobrezinha ficou tão arrependida que acabaram se tornando praticamente irmãos. Agora sim as coisas tinham se equilibrado, um casal e seus três filhos, com o passar dos anos, aquela era nossa família, somos unidos como uma, e ainda não encontramos nossos companheiros. Cada um contribuiu para o agora.

Somos poderosos. Eu leio pensamentos, Rose cria ilusões e Jasper é um empata. Sabemos a intensão das pessoas, podemos manipula-las e ficar em um mesmo lugar por até 25 anos sem que ninguém perceba nada e quem percebe podemos dissuadi-lo dessas ideias. Os Volturi, a policia do nosso mundo, nos cobiçam, mas nunca deixaríamos nosso pai para nos juntar a eles, como não somos muitos e nunca demos motivos pra sermos atacados vivemos em paz com eles.

Há cinco anos havíamos chegado a Forks, era um lugar tranquilo e tínhamos a intensão de ficar uns 30 anos por aqui. Eu logo fui contratado como professor de literatura, ao que tudo indica eu era um jovem prodígio de 20 anos. Rose e Jasper eram gêmeos e meus irmão mais novas. Carlisle trabalhavam no hospital da cidade e Esme em uma firma de decoração em Port Angeles. As coisas iam bem, a vida era tranquila, ninguém desconfiava de nada e assim levávamos as coisas. Até que um dia o diretor Aron me chamou para conversar em sua sala, ele anunciou sua aposentadoria e me perguntou se eu queria o seu lugar, vendo que era o mais apto para o cargo, eu logicamente aceitei.

Meu sonho ia ser realizar. Finalmente depois de anos eu teria minha oportunidade. Não consegui me conter quando ao final do ano letivo ele fez o pronunciado de sua saída e que a escola ficaria em minhas mãos. Os dias que se passaram foram insuportáveis, não aguentava mais esperar para ter minha chance. Até que finalmente a escola voltou a funcionar, para a minha alegria eu comecei a atuar no que mais sonhei, era o diretor. De inicio era só coisas simples, conversa com alunos desistentes de anos anteriores, horários de alunos e professores, coisas simples, eu queria era que chegassem as aulas, pois meus trabalho com certeza se tornaria mais interessante.

Tudo ia maravilhosamente bem até que a senhora Gail, minha secretaria sofreu um infarto antes do período de volta as aulas. Ficar sem secretaria estava fora de cogitação, então liguei imediatamente para minha melhor amiga, Tânia, ela morava com sua família no Alasca, mas a pedido meu veio e ficaria hospedada em minha casa. Ela era companheira de Robert, eles eram feitos um para o outro, assim como Carlisle e Esme. No outro dia Cá estavam eles e ela contratada e me ajudando.

Hoje era o primeiro dia de aula, eu teria de fazer um pronunciado para os novos alunos, para dizer a verdade eu conhecia a todos, em uma cidade tão pequena todos se conheciam e quase ninguém se mudava, mas esse ano nos filhos dos Swan estavam se matriculando, eles chegaram na cidade a um mês então seriam novidade por aqui.

Levantei-me de minha cadeira, olhei em volta, com um suspiro de satisfação fui sai da sala. Estava na hora de encontrar os alunos. Tânia veio sorridente atrás de mim como sempre fazia. Chegando no ginásio olhei em volta e senti que aquele ano seria diferente eu estava realizando meu sonho. Isso era muito importante pra mim. Passando pelas arquibancadas eu vi que uma garota tentava subir para se sentar, não iria dar certo ela ia acabar ainda.

Dito e feito, ela escorregou ao passar por uma menina de cabelos vermelho fogo e cairia em cima de mim. Só precisei abrir os braços e lá estava ela em meu colo. Uma pequena desastrada, fui lhe dar um pequeno sermão sobre segurança na escola quando nossos olhares se encontraram.

Merda, tudo o que eu procurei no mundo estavam ali naqueles lindo olhos castanhos chocolates, a doçura e meiguice, a inocência e admiração que eu sempre vi na minha pequena agora estavam ali naquela garotinha. Era pequena e delicada, não poderia ter mais de 15 anos, ela usava roupas largas que não era possível ver muita coisa dela, mas eu a tinha nos braços, era magrinha, mas tinha corpo. A coloquei no chão, mas mantive meus braços firmes em sua cintura, seu corpo ainda colado ao meu.

– Desculpe Sr. Cullen. Eu sou muito desastrada– ela disse abaixando a cabeça. Foi inevitável não lembrar de Izabel.

Flash Back on

Eu estava sentado em uma das milhares de mesas da biblioteca lendo os livros indicados para o meu mestrado. Era um dia calmo como outro qualquer. Virei-me para pegar mais um exemplar da pilha que havia feito atrás de mim, era melhor por os livros empilhados ali por que estava em um canto e ninguém tropeçaria nela, mas uma pequena figura com um livro nas mãos não havia visto que o como acabaria ali, mas antes que pudesse avisar a pequena garota tropeça na enorme montanha de livros e cai sentada em meu colo. Logo fui arrancado de orbita por lindo olhos castanhos, mas não era qualquer castanho pareciam com duas pinhas enormes com rajadas verdes. Ela me hipnotizava, docemente ela corou e levantou-se quase correndo.

– Desculpe Sr. Masen. Sou uma completa desastrada. – disse com sua voz de anjo.

– Não foi nada pequeno anjo, mas tome mais cuidado no futuro. – eu disse tocando seu rosto e ela corou mais ainda. Eu sabia naquele momento que tinha encontrado o amor da minha vida.

Flash Back off

Tudo se passou em minha cabeça em menos de um segundo, ela ainda estava em meus braços quando minha lembrança acabou.

– Não foi nada pequeno anjo, mas tome mais cuidado no futuro. – eu disse. Naquele momento eu sabia que havia reencontrado o grande amor da minha existência.

Ela corou mais ainda se possível, olhando para baixo. Levantei seu rosto e lhe sorri. Ajudei que senta-se em um lugar vago depois me fui até o pequeno palco feito no meio do ginásio.

– Um novo ano letivo se inicia queridos alunos. – eu disse olhando para eles. – o nosso caro Sr. Melton não poderá mais estar conosco, seus anos de trabalho e dedicação a esta escola foram de grande valia para que hoje pudéssemos estar aqui, em um ambiente tão amigável e acolhedor, ele dedicou sua vida a tornar está escola uma das melhores do estado e conseguiu. Somos uma referencia em educação e bons resultados, por isso meus queridos alunos, eu como o novo Diretor tomo como missão dar sequencia em seu trabalho e tornar essa escola ainda melhor. Vamos fazer isso juntos, por que não é um avalista que mostra o quanto somos eficientes em ensinar, são vocês a cada dia que crescendo intelectualmente nos fazem os melhores. Então meus caros, bem vindos a FHS e bom ano de estudo.

Terminei meu discurso olhando para ela que ficou ainda mais vermelha ao perceber que eu ainda a observava. É esse ano seria realmente longo.

Um mês já havia se passado desde que fiz meu discurso e devem estar se perguntando como vai minha relação com a minha recém-descoberta alma gêmea. Praticamente inexistente. Ela é uma ótima aluna, nunca há vi na diretoria, ao contrario de toda a ala feminina da escola que aparentemente anda aprontando só para ter um momento a sós comigo. Era tedioso, ouvir os pensamentos atrevidos delas, eu descobri muita coisa sobre o corpo docente da escola dessa forma, e já fazia minha lista dos piores tipos de mentores para serem substituídos.

Os momentos mais prazerosos dos meus dias eram as horas na biblioteca da escola, não pelos livros, apesar de ama-los tanto, mas ela estava lá, adorava ler, passava horas naquele local, até bem mais tarde do que deveria. Ela sabia que eu ficava lá. Ela sempre sabe demais. As vezes nossos olhos sempre se encontra e nos perdemos nos minutos, já cogitei milhões de vezes ir falar com meu doce anjo, mas era impossível. Se eu começasse uma relação com ela as coisas não iriam ficar bem, para ela. Nunca é bom para um cordeiro fazer amizade com um leão, nunca se sabe quando a fome do predador estará insuportável.

– Está se tornando meio psicopata irmão. Deveria parar de encarar a pobre garota, ela poderia ser sua neta. – disse Jasper rindo chegando sentando-se na cadeira ao meu lado, eu já sabia que era ele, mesmo se a mente dele não fosse tão familiar para mim, o cheiro e o ritmo de seus passos eram inconfundíveis. Ele agora estava focado na mesma mesa que eu, mas seu objetivo era outro, a pequena morena com cara de fada que estava ao lado do meu pequeno anjo.

– Somos dois então sofrendo da mesma doença. Deveria falar com ela Jasper, por que não o faz? – eu disse o provocando.

– Por que você não vai falar com a sua garota? – disse ele estreitando os olhos.

– Por que sou o diretor e ela é menor de idade. – eu disse com um sorriso torto.

– Ambos sabemos que não é verdade. Fazer amizade com a comida não é nada legal ou seguro. Vai que fica com fome. – disse ele sério, suspiramos e ouvimos dois suspiros femininos ao longe.

"Ele é tão lindo." Um pensamento quase inaudível, um sussurro praticamente, invadiu minha cabeça. Era da mesa que meu anjo estava, por um momento achei que pudesse ser ela. Eu nunca a ouvi, ela era muda pra mim, o que só me fazia ter mais curiosidade. "Mas por que Jasper não vem falar comigo? Todos os garotos me acham linda e me desejam, é injusto o único que eu quero não me notar"

– Ela está pensando sobre você Jasper. – eu disse e ele me olhou incrédulo e sinti uma onda de impaciência e esperança me imunda.

– Não me encha de falsas esperanças meu irmão, sabe que não suportaria. – disse ele apertando meu braço.

– Sabe que nunca mentiria sobre isso irmão. – Disse solidário. – Ela disse que te acha lindo. Creio que seja míope uma verdadeira lastima. Mas também disse que acredita que não é percebida. Ela já está apaixonada Jasper.

– Não pode ser. Tem um ano que nos conhecemos Edward e eu nunca fiz nada para merecer tal amor. – ele disse meio desesperado e uma onde de carinho e ternura tomou o ambiente.

– Você a ama Jasper, não fuja, transforme-a e vivam juntos como Carlisle e Esme. Acho que se há alguém digno de amar nesse mundo irmão esse alguém é você ninguém perdeu tanto com a transformação quanto você. Ela é a sua redenção. – eu disse e olhei para a mesa onde elas estavam.

– Bella. – disse a fadinha para meu anjo em sussurro. – Eles estão nos olhando Bella, isso não é demais? – sua animação era contagiante.

– Alice Brandon para, por favor, vamos só estudar. – Bella disse baixinho, a vi olhando para nós e corando.

– Isabella Swan pare com isso agora mesmo, você está louca para sentar no colo do diretor e não adianta mentir. – Agora me interessei por essa conversa, desviei meu olhar para o livro que lia e vi Jasper pegar um dos que estava na mesa e fazer o mesmo.

– Não tem nem vergonha de se aproveitar de sua super-audição para espionar a conversa de duas crianças Jasper. – eu disse com um sorriso.

– Cale a boca que está fazendo o mesmo. – ele disse por entre a respiração também.

– Pelo menos EU não estou segurando o livro ao contrario. – eu disse e ele virou o livro e percebeu que antes estava certo. Eu ri baixinho e me olhou com falsa raiva.

– Ali... – disse meu anjo e parecia desconfortável.

– Nem venha Bella, você gosta dele que eu sei. Por que outro motivo ficaria aqui por tanto tempo e lendo os mesmos livros que tem em casa, e os que não tem seu pai compra. – ela disse meio indignada, vi pelos seus pensamentos que minha garota olhou para mim.

– Eu gosto dele sim Alice, tanto quanto você é apaixonada por Jasper, mas até agora não fez nada a respeito. - Disse ela um pouco desconfortável e eu suspirei. Elas nos amavam. Merda.

Eu e Jasper nos entreolhamos. Elas suspiraram de frustação e recolheram suas coisas indo embora.

– Tá na hora de agir não é irmão? – disse á Jasper.

– Acho que sim. Elas já nos amam mesmo, eu pude sentir. – ele disse e arrumamos as coisas para irmos embora.

Pelo visto, não adiantava fugir do amor, está na hora de ir até lá e lutar por ela com unhas e dentes, mas dessa vez eu não permitiria que nada e nem ninguém nos separa-se.