Esse capítulo será do ponto de vista do Shun, para compensar que no prólogo a parte dele foi June POV.
"Pela décima vez, Hyoga, eu estou bem."
O loiro desviou o olhar.
"Mas eu-Eu não-"
"Você estava me olhando com aquele ar preocupado de novo." Shun sorriu. "Olha, eu sei que eu te deixei umas mensagens de voz tensas e te liguei chorando, e posso ou não ter chorado um pouco no avião-"
"Chorou! Dormindo! Eu vi…"
"Mas eu estou bem. Eu tenho um dever a cumprir e pessoas para proteger." E pessoas para encontrar. "Então por favor pare de se preocupar, sou mais forte do que pareço."
"Tá." Ele suspirou. "Tá, tá bom… Desculpe."
"Ah, aqui." Shun se apressou para o topo das escadas, apontando para a placa pregada perto do teto. "Quarto andar, certo?"
"Certo. O número 408."
O apartamento 408 tinha a metade inferior arranhada. Podia ouvir pessoas do outro lado, embora não pudesse distinguir bem o que diziam – tecnicamente poderia, concentrando-se, mas isso seria rude.
Shun trocou de um pé para o outro, acalmando o coração e se abraçando mentalmente.
Então Hyoga tocou a campanhia.
A porta foi atendida por um pug e uma garota, nessa ordem, e ele definitivamente não estava esperando por isso.
"Zeus, não!" A garota puxou o cachorrinho - que já se ocupava com a perna de seu namorado - e os olhou com cautela. "E vocês, quem são?"
Desculpe, foi engano.
As palavras estavam presas na ponta da língua, e quando uma parte de sua mente começava a dizer que este era - de fato - o número 408, Seiya surgiu na porta dirigindo-lhes risos bêbados.
"Hyoga, Shun! Um abraço!" Ele levantou os braços, lançando-se sobre eles forçosamente. "Eu senti tanto a falta de vocês!"
"Eles são os cavaleiros?" Perguntou a garota.
"Sim!"
"Então está bem. Podem entrar."
Shun piscou, confuso, com a virada de eventos. Deu batidinhas gentis nas costas do Pegasus, para que os largasse.
"É bom vê-lo também, Seiya-kun."
"Seiya." Disse Hyoga.
Quando o moreno se afastou, sua visão deu lugar a um pequeno apartamento bem decorado e ligeiramente bagunçado. No balcão da cozinha, mais afastado, viu Shiryu cortando legumes.
Ele abaixou a cabeça em sinal de cumprimento, ao que Shun devolveu com um aceno tímido.
"Senhorita Marin, esses são Hyoga e Shun; cavaleiros de Cisne e Andrômeda. Shun, Hyoga; esta é Marin de Águia. Ela está gentilmente nos oferecendo abrigo e suporte, por hora."
Andrômeda curvou-se.
"Marin-san, obrigada por sua gentileza."
Ele pensou ter visto Hyoga balançar a cabeça pelo canto do olho, mas não teve certeza.
"Não é nada." Ela fez um gesto displicente com as mãos.
Escaneou os arredores uma segunda vez. Era como ele previa.
"Ikki não veio, afinal."
"Nós estávamos esperando que você tivesse notícias deles." Shiryu despejou um punhado de vegetais e legumes numa grande panela. "O número que ele deixou para contato quando nos separamos não funciona."
Negou com a cabeça, tomando um assento no sofá enquanto Hyoga encostava suas bagagens na parede. Ele tinha a sensação de que ia terminar desse jeito. Não possuía contato real com o irmão há tempos.
"Eu não sinto a presença dele em lugar nenhum." Pelo franzir de sobrancelhas de Shiryu, resolveu completar com o que pensava. "Mas ele vai aparecer, estou certo disso."
"Podemos espera-lo um pouco, se estiver tudo bem com a senhorita Marin."
A moça ergueu as mãos.
"Claro, podem alugar meu apê o quanto quiserem. É a única coisa que posso e vou fazer por vocês."
Hyoga se manifestou.
"O que quer dizer com isso?"
"Quer dizer, é claro, que vocês são os únicos que acreditam que Saori Kido é Atena e eu só posso me mover quando o Santuário disser que sim."
Balançou a cabeça, confirmando, enquanto Seiya soltava um gemido angustiado de "Ateeeeena…"
"Sim, é o mesmo para June-san." Ele pausou, fitando o colega com preocupação. "O que há com Seiya-kun, aliás?"
"Ele estava um pouco agitado." Respondeu Shiryu. "Então drogamos ele."
"Vocês o quê?" Hyoga pareceu segurar uma risada.
"Eu tinha alguns calmantes e uns remédios que minha avó deixou por aqui." Marin se manifestou. "Ele não parava de andar em círculos e gritar pela Saori."
"Saoooooori."
"Vê?"
"Isso parece meio errado." Comentou ele.
Seiya parecia um pouco lesado, mas fora isso tudo bem. E ele devia estar realmente agitado pra não dormir após ingerir não-sei-quantos calmantes e não-sei-quantas pílulas da vovó – as quais Shun realmente esperava que não estivessem vencidas.
Hyoga saiu de onde estava encostado na parede para se sentar ao seu lado, pousando uma das mãos em seu ombro.
"Há algo que me incomoda. O Santuário não devia estar tomando alguma medida quanto a isso? Mesmo desconsiderando a questão de Atena, o que vocês disseram…"
"A mansão inteira desapareceu, e havia ainda traços de um cosmo poderoso onde ela antes estava. Mesmo quando eu cheguei lá, ainda pude sentir. Foi realmente assustador."
"E?"
"E o Santuário está deliberando. Sobre os motivos para essa força desconhecida ter abduzido Saori Kido e sua própria casa, sobre quem pode ter sido e por quais motivos."
"Porque ela é Atena. Por isso."
Marin balançou a cabeça.
"É mais complicado que isso. Está sendo deliberado."
Isso pareceu irritar Hyoga.
"Bom, enquanto eles deliberam, não teremos carta branca para agir."
"Não sob as ordens do Santuário. Vão estar por conta própria, agindo contra ele. É bom que não mencionem o meu nome."
"É claro."
Ela suspirou.
"Se é que já não estou em apuros…" Pareceu pensar alto, fitando a parede e acariciando a nuca de Zeus.
Ela é corajosa. Pensou Shun, querendo agradecer á estranha uma segunda vez, ou talvez desculpar-se. Uma verdadeira amazona.
Marin cutucou Seiya com o pé, arrancando um gemido confuso do garoto semi-desorientado jogado no sofá.
"Você me deve uma, cérebro de cavalo." Ela sorriu. "Cérebro de passarinho."
Ou apaixonada. Ele tocou a mão de Hyoga em seu ombro. Ajudando numa causa na qual nem acredita realmente, uma pobre tola apaixonada. Mas eu suponho que valente mesmo assim.
"Então esperamos Ikki?" Shun se pronunciou.
"É. Ou uma mensagem. Eu tenho motivos para acreditar que seja lá quem fez isso vai querer se pronunciar. Eles devem aparecer com alguma mensagem ou sinal em breve."
Um silêncio desconfortável se instalou na sala, cortado apenas pela respiração do pug e os ocasionais balbucios nosense de Seiya.
"O jantar está pronto." Anunciou o Cavaleiro de Dragão. "Espero que gostem de sopa."
Naquela noite, deitado próximo a Hyoga em um colchão de acampamento no meio da sala de Marin, Shun fechou os olhos e desejou muitas coisas.
Seu irmão. Força. Coragem. Orientação. Principalmente Orientação.
O capítulo foi curtinho, mas é mais porque o momento 'reunião' passou rápido mesmo. Vou me esforçar para que os próximos sejam mais longos. A frequência com que posto depende se ainda tem alguém lendo isso aqui, e da duração dos meus bloqueios de escrita lindos.
Yep.
Reviews?
Respondendo reviews: Katrini Magnus: Acho que o Seiya é gracinha sim, culpa da aura shoujo. Espero que ainda acompanhe.
Retired Kitkat: Espero que o Shun não ser do jeito que você imagina não seja muito desanimador, ele também é meu personagem favorito e sei como isso pode ser - mas espero que acompanhe.
