Peço mil desculpas pela demora. Ultimamente tenho estado impossível, mas vou me esforçar pra não continuar demorando tanto.
Então, estou começando a mostrar um pouco dos cavaleiros de ouro.
No episódio de hoje: Afrodite de Peixes (!)


Afrodite acordou com o toque de piano do despertador, que ele tinha escolhido justamente na tentativa de levantar mais relaxado, o que acabou sendo em vão. Piscou cegamente contra a luz do sol vinda da varanda – a noite havia sido quente novamente e ele tinha decidido dormir com o terraço aberto. Desligou o som irritante com um toque na tela, e sentou-se na cama para esperar o sono varrer-se pra fora do corpo.

A vizinha, do outro lado da rua pendurava as roupas no varal. Era uma mulata bonita, e usava shorts que valorizavam as pernas esta manhã, e ela abriu um sorriso cheio de segundas intenções quando se viu sob o olhar do jovem. Nunca devolveu a gentileza, sonolento e zangado como se sentia todas as manhãs, mas também não era para aquele lado que cortava. Ele puxou os lençóis pra longe do corpo, e seguiu nu até o banheiro do quarto, todo o tempo ciente do olhar da morena sobre si.

O que será que o marido dela pensa disso?

Ligou a ducha. Tinha suado naquela noite, apesar de tudo, e teria que trocar os lençóis de novo. Ele torceu o nariz. Estariam suados novamente naquele mesmo dia.

Não teria que tomar tantos banhos se tivesse ficado na Suécia, como planejado, mas ele descobriu que havia pouco que chamasse casa ali. Era um lugar frio e estranho, sem nenhum rosto conhecido. Havia a língua materna, é claro, que ele conhecia bem e era feliz em usar diariamente. Pouco consolo. Não voltaria para a Groelândia. Nunca a Groelândia. No fim acabou aceitando o convite de visita do colega brasileiro e acabou ficando junto dele mesmo.

Dois rostos amigáveis são bons um para o outro, decidiu. E o sexo também não era ruim.

Ele comeu uma salada de frutas para o café da manhã, passando por uma corrente de e-mails recebidos de Máscara da Morte durante a virada da noite. Rolou os olhos. Em sua opinião o italiano tinha neurônios de menos e péssimo gosto para decoração.

Enquanto era verdade que o apreço pela crueldade existia dentro de si (não ia começar a negar agora), mas não era algum tipo sádico doente, tão desesperado em bater em algo que ia sair por aí atrás de uma garota que pode ou não estar afirmando ser a deusa Atena – sinceramente, ele não ligava, contanto que alguma Atena permanecesse no maldito santuário e não o chamasse tão cedo.

Não era um cachorro seguindo uma trilha de sangue. Foi o que disse a ele, antes de bloquear o contato.

Estava prestes a cortar o fio do telefone, também, e talvez deletar o grupo de whatssap com o pessoal do santuário (eles ao menos pretendem parar de discutir?). Imaginava que o Grande Mestre não fosse apreciar que um dos cavaleiros resolvesse que não iria se incomodar com os assuntos dos deuses, e era sempre necessário estar do lado bom do Grande Mestre.

Apenas queria que uma decisão fosse tomada logo, e ele tomaria o lado do Santuário e executaria ordens. Era um bom soldado até quando não era um. Não importava, de qualquer forma, contanto que ele pudesse sentir gosto de poder e então retornar para a contemplação da beleza e as intrigas mundanas da vida mortal que levava.

É prazeroso esmagar alguém, mas na falta de um motivo para fazê-lo não há graça – apenas caos. E não há nada pior que caos.

Ele retornou ao quarto para se vestir para o dia, reconhecendo do canto do olho que a vizinha tinha arrastado a tábua de passar roupa para a varanda e captava seus movimentos. Observou o reflexo no espelho, espalmando a mão por sobre as rosas vermelhas manchadas de negro que se espalhavam de seu ombro até o peito. Eram lindas, verdadeiras obras de arte, e ele não aceitaria quebrar a mácula perfeita de seu corpo com nada menos.

Atirou uma regata rosa por cima do corpo, e um jeans claro manchado. Também prendeu os cabelos azuis, enrolando-os num coque desleixado que caia para a esquerda. Tirando um momento para consideração, pendurou um colar de contas coloridas no pescoço e borrifou-se com um perfume suave.

Era sexta, afinal, e ele não podia ser básico demais.

Afrodite desceu as escadas do duplex, abrindo a porta diretamente para o próprio estabelecimento. As mulheres já estavam trabalhando, andando de um lado para o outro com produtos de beleza e organizando seus postos de trabalho. Tainá (ou como preferia, Tani) estava sentada no balcão dos fundos observando os assuntos das outras, e foi a primeira a notar o chefe:

"Bom dia, chefinho querido." Saudou, sorrindo largamente. "Teve que prender o cabelão também, né? Com esse calorzão, Jesus, até eu!"

Diferente do usual, Tani tinha suas negras madeixas escorridas em uma bonita trança comprida.

"Bom dia." Ele cumprimentou, simples, então elevando um pouco a voz. "Bom dia, meninas."

"Afra!"

"Bom dia!"

"Diga, Afra. Que Deus o tenha."

Foram as respostas. Era engraçado o quanto já tinha se acostumado com o apelido, o jeito rápido com o qual virava a cabeça quando era chamado. Lembrava-se de ter ficado ofendido no começo…

É assim mesmo, meu amigo. Tinha dito Aldebaran, sem nem piscar. Na Bahia todo mundo tem apelido pra todo mundo! E cá na nossa princesinha, que é uma ilha, todo mundo se conhece por nome de dengo.

Princesinha do Sul é como chamavam a cidade, Ilhéus, com o qual Afrodite simpatizava como que a um pequeno paraíso. Até em dias quentes como esse, podia contar com o frescor da brisa e a beleza da ilha. Sorriu.

"Eita, e não é que ele tá brilhando?!" Entoou Shani, piscando os olhos de gata para o homem.

"Hm. Até já sei porque!" Cantarolou Nessa, fingindo examinar as unhas perfeitas.

Todas riram conspiratoriamente.

"Ah, é?! Posso saber o que você sabe?" Quis saber, torcendo o nariz.

Nessa paralisou, meio que limpando o kit de unhas, fitando as outras brevemente em busca de algum tipo de apoio.

"P-Porque é sexta?!" Foi a resposta aguda da loira (oxigenada), e o dono do salão ergueu uma sobrancelha perfeita. "… e amanhã é sábado?…. Todo mundo gosta do fim de semana, Afra!" Completou, nervosa, enfiando a cara nas gavetas de esmalte como se procurando por algum tom especifico.

Shani quem respondeu, afofando a cabeleira crespa no espelho orgulhosamente.

"O que ela tava dizendo, né Afra, é que na sexta de noite você fica no quebra-quebra com o Barão!"

Barão era como se referiam á Aldebaran na cidade, embora o moreno não tivesse titulo de nobreza algum. Afrodite sempre achou que combinava com ele, de alguma forma.

"Quem disse isso?!"

"Ué, era segredo?" Devolveu a outra, na lata. "…Ou vai negar? Porque a gente sabe…"

"É, ué, você quer que a gente acredite mesmo que ele praticamente não vai pra casa no fim de semana e vocês não tão fazendo nada?" Acrescentou Tani, risonha. "Me erra, hein, nasci ontem não."

"Eu não ia negar nada." Respondeu, o mais dignamente que conseguia. "Só não aprecio que fiquem falando da minha vida pessoal por aí. Eu não dei essa liberdade, viu?"

"Ah, chefe, relaxa. Aqui a gente não é família? Então, homem, deixa estar. Ninguém tá falando nada!"

"É, não sei os vizinhos…" Nessa comentou nervosamente.

"Mas deve ser só coisa boa, que nosso fofo aqui se garante!"

Elas riram, dispersando o assunto com facilidade, e Afrodite se viu sorrindo um pouco também. Era impossível tentar por limites nelas. Por um momento tinha estado tenso, imaginando que tinham a ideia errada da situação. Não era algum tipo de romance – ele não tinha romances. Seria potencialmente desastroso se as pessoas tivessem a ideia de que eram um casal, e a noticia chegasse em Aldebaran, que poderia começar a ter ideias.

Não.

Aquilo era sexo, sexo puro e simples. Com algo de amizade e companheirismo jogado na mistura, uma espécie de passado compartilhado. E não queria arruinar isso.

Afrodite foi até a porta de vidro do salão, virando a plaquinha para 'Aberto' e destrancando a fechadura. Ele fitou o exterior.

Um homem deixando um táxi na calçada; cabelo loiro comprido e óculos escuros, jaqueta jeans e mochila nas costas.

Shaka?!

Mas eu nem senti seu cosmos!

Shaka o havia notado, com certeza, o rosto virado na direção de sua loja. Estava prestes a sair dali e marchar na direção do outro cavaleiro quando:

"Afra!" Chamou a voz de uma mulher rechonchuda, cliente regular, ela sorria amavelmente. "Tive que acampar aqui fora hoje! Você não vai acreditar, mas me chamaram de ultima hora pra esse casamento e-"

O pisciano fitou o loiro de esguelha, vendo-o entrar na Ink, o estúdio de tatuagens de Aldebaran.

Ele balançou a cabeça, focou-se na cliente. Não era assunto seu (mas estava se enganando, que assunto teria Shaka com Aldebaran que não envolvesse Afrodite e todos os outros também?).

Por bem ou por mal, saberia mais tarde. Era um longo dia de trabalho.


Eu realmente não sei o que dizer sobre a amizade colorida - simplesmente aconteceu!
Espero que não tenha sido muito estranho. IDEK. Ok, eu admito que Afrodite dono de um salão de beleza é meio estranho, mas essa é uma fic bastante auto-indulgente.
Muitas coisas sobre os personagens foram decididas pelo que eu e uma amiga inferimos de suas aparências quando resolvemos zoar (cof) os novos designs de Legend of Sanctuary, então esperem todo o tipo de profissão daqui pra frente q
Isso é tudo. Espero que tenham gostado e obrigado pelos reviews até agora, reviews me ajudam a continuar motivada com a fanfic!
Até~