Tácito

Loki seguia Laila pelas ruas do bairro em que estavam, seus olhos azuis correndo por cada canto ali, tentando por meio disso reconhecer algo. Mas não sabia ainda sua exata localização. O lugar estava extremamente ermo por causa do horário. Era madrugada, ele sabia disso por causa da posição da lua. Havia aprendido bastante sobre Midgard quando desafiou os Vingadores na última vez em que visitara o planeta.

Ele percebeu a humana pegar uma chave de dentro da blusa, e não quis nem pensar onde a chave estava. Se ela estava pegando a chave, ela morava ali perto. Eles andaram pouco, e ele percebeu que ela morava muito perto do parque onde ele havia caído.

Laila andava calmamente, girando de vez em quando a chave no seu dedo indicador, olhava de soslaio para o homem sempre quando achava que ele estava mais distraído. Achava estranho o fato de ele estar calado. Muito calado. Nem mesmo uma palavra depois das que eles haviam trocado no parque. Ela não tentou conversar com ele, apenas tentava enfiar em sua cabeça que aquilo que ela estava fazendo podia ser irresponsável: levar um homem estranho para sua casa.

- É aqui.

Ela avisou e ele observou melhor o prédio em que ela havia parado. Era alto, no mínimo dez andares. As paredes eram feitas de tijolos em um tom marrom escuro, ele conseguiu observar um jardim na entrada, a iluminação da rua era boa. Parecia um bairro agradável para humanos. Claramente não era em uma região nobre, mas também não era no subúrbio.

Ela abriu a porta principal e ambos entraram no saguão. No momento em que a porta foi fechada, sentiram-se mais confortáveis. Mesmo que lá fora não estivesse tão frio, o ar mais quente e aconchegante de dentro do prédio era claramente mais bem-vindo. Loki olhou a escada a sua frente.

- Ah, me desculpe. Eu moro no último andar...

Laila disse, olhando-o com cautela. Sempre quando algum conhecido vinha ao seu apartamento pela primeira vez, reclamava das escadas ou fazia piadas de mau gosto com a altura do prédio e a falta de um elevador. Ela percebeu que o homem ainda não havia seguido nenhuma das duas condutas.

- Consegue subir as escadas?

Ela perguntou, no qual ele respondeu com um sorriso enviesado e ao mesmo tempo tranquilizador.

- É claro.

Não foi irônico em sua resposta, ela percebeu. Era a primeira vez que falava depois de terem deixado o parque. Ela achou a voz dele bonita, masculina. Ele devia falar mais. Ela assentiu com a cabeça e gesticulou com a mão para que ele a seguisse. Começaram a subir os intermináveis degraus.

Depois da subida, nenhum estava cansado. Laila achou estranho. Toda visita que ia até seu apartamento chegava ao fim da escada ofegante e com a respiração pesada. Ele não, estava calmo. Ela pegou novamente a chave e foi destrancar a porta. Loki percebeu que ela não estava cansada também, e concluiu que ela deveria estar mais do que acostumada com a escadaria. Ela abriu a porta e convidou-o a entrar.

Loki entrou no apartamento, correndo os olhos rapidamente pelo local. Estava mais quente ali, talvez pelo cômodo ser pequeno.

- Por favor, fique à vontade.

Ela pediu, quase implorando. Ver aquele homem alto em pé, com aquelas roupas estranhas, e praticamente imóvel em sua sala, estava deixando-a aflita. Ele percebeu o convite e se sentou em um sofá próximo, a postura perfeita. Colocou as mãos nos joelhos. Laila não sabia o que fazer.

- Er, só um momento, vou pegar o kit de primeiros socorros.

Ele assentiu e observou-a sair da sala, indo em direção a um corredor e sumindo depois de alguns segundos. Ele conseguia escutar alguns barulhos lá dentro, e aproveitou-se de estar só para observar melhor o local onde estava.

Do seu lado esquerdo, ele conseguia discernir aquilo que os humanos chamavam de cozinha. Era pequena, mas clara. Apenas um balcão separava a cozinha da pequena sala em frente à porta de entrada. A sala onde ele estava era um pouco maior, o sofá era grande e confortável. Seus olhos astutos observaram que as paredes eram cobertas de fotografias enquadradas, em preto e branco ou coloridas. Havia uma que estava logo na entrada, era ela e mais uma mulher muito parecida com ela. Ambas sorriam. O sorriso da garota era bonito. As outras fotografias eram de lugares de Midgard. Ele reconheceu alguns. Havia estado em certos lugares fotografados quando tentou tomar aquele planeta anos atrás. E tinha que admitir que as fotografias eram de bom gosto.

Seus pensamentos foram cortados quando ele escutou passos vindos do corredor. Laila entrou novamente no cômodo, trazendo consigo uma pequena maleta branca. Ela se sentou na mesa de centro que ficava em frente ao sofá, abrindo a maleta e retirando dali uma bolinha de algodão e um potinho com um líquido transparente, estendendo-os para o homem.

Loki não sabia o que ela queria que ele fizesse com aquilo, mas reconheceu na maleta o símbolo da cura para os humanos. De qualquer maneira, ele não poderia dizer a ela que aquilo era inútil e desnecessário, visto que em algumas horas ele não teria mais nenhum machucado no rosto.

- Sabe passar?

Ela perguntou, percebendo que ele havia olhado para o pote e o algodão de forma confusa. Ele fitou-a nos olhos. Ela percebeu que ficava desconcertada quando ele a olhava diretamente.

- Não.

Ela suspirou, molhando o algodão no líquido e olhando-o.

- Isso pode arder um pouco...

Com cuidado, ela estendeu o braço em direção a ele, e colocou vagarosamente o algodão sobre a ferida. Loki fechou os olhos no mesmo segundo. Aquilo ardia. E era idiotice deixar uma humana desconhecida fazê-lo sentir aquilo, sendo que poderia matá-la ali mesmo e dormir tranquilamente, sabendo que seus machucados já estariam curados quando acordasse.

Mas não poderia fazer aquilo. Precisava dela. Teria que usá-la. Precisava de um lugar para ficar até pensar em um plano mais elaborado e concreto. Ela o deixaria ficar ali? Não poderia manipular a mente dela. Estava fraco para tanto, conseguia sentir isso pela velocidade em que estava se curando. Mas poderia manipulá-la de outras formas.

Ela continuava passando aquele maldito líquido em seu rosto. Loki observou-a melhor. Não estava mais corada como estava minutos atrás. A pele do seu rosto era branca e sem imperfeições, o suor havia sumido, a blusa já não estava colada ao corpo, e mesmo assim ele conseguia ver os seios comprimindo o tecido. E o cheiro dela era bom, mesmo que antes ela estivesse correndo. Era adocicado... feminino. Ele percebeu como estava a observando, e perguntou-se pela primeira vez se realmente tinha batido a cabeça quando trombou nela. Remexeu-se, inquieto. Ela parou de passar o algodão nele no mesmo segundo.

- Te machuquei?

- Não...

Ele a olhou. Um olhar confuso, perdido. Os olhos azuis pareciam pedir algo que Laila ainda não sabia, mas que ela poderia descobrir.

- Você tem algum lugar para passar a noite?

A pergunta que ele gostaria de ouvir e estava querendo que ela a fizesse desde que o convidara a ir até ali. E ele havia conseguido isso apenas com um olhar. Ele quase sorriu, mas manteve o olhar grudado no dela.

- Você pode ficar aqui... se quiser.

Laila estava sendo imprudente, disso ela sabia muito bem. Não bastava convidar um completo estranho a entrar em seu apartamento de madrugada, agora o convidava a ficar ali? O que era aquilo que ela estava fazendo?

- Eu não quero incomodar.

Ele falou subitamente, fitando-a com aqueles olhos azuis glaciais, passando uma mensagem clara para ela de homem perdido. E ela se descobriu dizendo que não era incômodo nenhum ele passar a noite ali. Ele assentiu com gratidão e deu um pequeno sorriso a ela. Laila se levantou da mesinha de centro, colocando o algodão e o pote ali.

- Eu vou buscar uma toalha. – fez uma careta logo depois. – Você vai ter que dormir no sofá, não tenho quarto de hóspede.

O que era um quarto de hóspede? Ele se perguntava. Não sabia, mas apenas acenou afirmativamente com a cabeça, já fora um grande passo conseguir que passasse a noite ali, não encheria a humana de perguntas que ele tinha certeza que ela julgaria idiotas.

Laila entrou no seu quarto, abrindo a porta do armário e tirando dali uma toalha limpa. Abriu a gaveta de cosméticos e descartou ali uma escova de dente para ele. Respirou fundo, girando a escova entre os dedos. Repentinamente se sentiu ansiosa, o motivo ela ainda não sabia. Deu de ombros e percebeu que o convite já havia sido feito, e que pensar demais em sua decisão não seria um caminho inteligente a percorrer.

Ela saiu do quarto, andando calmamente pelo corredor. Ao chegar perto dele, estendeu o braço com a escova de dente e a toalha limpa, pertences que ele pegou suavemente da mão dela, levantando-se do sofá.

- Obrigado.

Ele disse. Laila percebeu que ele era alto demais, e quando ela estava mais próxima e fitando-o de frente, sua altura parecia aumentar. Ela engoliu em seco, estendendo o braço e apontando para o corredor.

- O banheiro é na porta à esquerda.

Ele assentiu, indo na direção que ela indicou. Loki fechou a porta atrás de si e respirou fundo quando percebeu que estava finalmente só. A luz branca do banheiro o deixava um pouco zonzo e ele se perguntou quando foi a última vez que se sentira tão fraco. Ao soltar a mão de Thor anos atrás, havia caído em um planeta estranho, mas as possibilidades de cura daquele planeta eram bem maiores do que as possibilidades de Midgard. De qualquer maneira, seus cortes pareciam arder menos agora.

Ele observou com cuidado o banheiro. Era pequeno, mas muito limpo e claro. Ele redirecionou seus olhos para o grande espelho que ficava sobre a pia, e assustou-se quando viu seu reflexo ali. As olheiras não eram tão intensas como quando ele desceu até Midgard pela última vez, mas ele se conhecia o suficiente para saber que ele estava mais cansado do que naquele dia.

Passou a mão no rosto, respirando fundo e começando a recobrar sua paciência, sabendo que teria que ficar ali por um bom tempo. O barulho do chuveiro e a água correndo pelo seu corpo o relaxaram. Mas ele precisava de mais.


Laila permanecia sentada no sofá. Estava lá há quase cinco minutos inteiros, as mãos enrolando sem perceber a ponta de uma almofada. Ainda estava ansiosa, mas queria de todo modo se acalmar. Aquilo era loucura! Havia um completo estranho tomando banho em seu banheiro e ela estava com a roupa de cama do estranho em suas mãos. Mas algo nele lhe chamou a atenção. Ela não sabia se foi o porte dele, andando com tanta confiança mesmo que claramente estivesse em um lugar estranho para ele, ou se foi os olhos azuis a fitando e pedindo gentilmente que o aceitasse ali naquela noite.

Respirou fundo, levantando-se e preparando o sofá para ele dormir. Retirou as almofadas de encosto e puxou o sofá, fazendo-o ficar um pouco maior, o suficiente para acomodar uma pessoa. Até mesmo uma pessoa alta igual a ele. Colocou o travesseiro e o lençol. Depois estendeu um cobertor grosso. Estava um pouco frio naquela noite. Ela caminhou até as janelas, fechando-as. O vento frio parou de correr ali dentro no mesmo instante, aquecendo ainda mais a sala.

Nesse momento, ela sentiu um cheiro diferente chegar ao seu nariz. Um aroma inconfundivelmente bom. Ela só não sabia analisar tal aroma. Franziu o cenho e virou-se. Ele estava atrás dela, em pé. Laila assustou-se, colocando a mão no peito, percebendo pelo toque seu coração bater de forma descompassada.

- Você me assustou. – ela disse e ele sorriu, visivelmente divertido. - Está com fome?

Ele assentiu com a cabeça, fazendo alguns fios molhados do cabelo negro saírem do lugar e caírem rapidamente em seu rosto.

- Também estou, eu vou fazer sanduíches e...

De repente os olhos de Laila observaram com atenção a criatura que estava a sua frente. Ele não possuía roupa, ela havia se esquecido desse pequeno, mas tão importante detalhe. Mas ele deu o seu jeito, colocando apenas a calça de couro daquela roupa estranha que ele estava usando. O peito delineado estava completamente nu, revelando uma pele muito pálida, que brilhava um pouco por ainda estar úmida. Algumas gotas de água caíam do seu cabelo molhado, descendo pelos ombros, percorrendo o tórax e morrendo no cós de couro. Laila perguntou-se se ele estava realmente apenas com a calça. Depois percebeu o tipo de pensamento em que estava submersa e remexeu a cabeça, saindo de seu torpor e ficando visivelmente desconcertada logo após.

- Sanduíches...

Ela repetiu para si, saindo do campo de visão dele e entrando na cozinha. Loki sorriu maliciosamente ao perceber o modo como ela havia lhe fitado, mas nada fez, apenas a seguiu, entrando na cozinha, observando a garota preparar aquilo que ela chamou de sanduíches de uma forma tão rápida que o deixou tonto.

Ela gesticulou para que ele se sentasse. Havia uma mesa pequena ali no canto, então ele se sentou na cadeira, observando-a colocar um prato repleto de sanduíches em frente a ele e convidando-o a comer um. Loki mordeu um pedaço, sentindo sua boca salivar com o sabor gostoso que aquilo possuía, e seu estômago agradecer ao alimento.

Laila se sentou em frente a ele, pegando um sanduíche e mordiscando calmamente, enquanto ele já havia terminado um e estava pescando o segundo no prato. Ela tentou controlar a sua curiosidade, que ela sabia aparecer nos momentos mais inoportunos. Mas não conseguiu tal façanha.

- Qual o seu nome?

Era um bom começo. Depois de fazer a pergunta, Laila realmente não acreditou que ainda não havia perguntado isso a ele. Aquela pergunta era primária para um início de conversa de estranhos, não?

- Loki.

Ele respondeu tranquilamente e ela falou o seu nome em um sussurro, experimentando como as letras soavam. Era um nome diferente, mas não menos bonito do que qualquer nome comum.

- Meu nome é Laila. De onde você é?

Ele terminou o segundo sanduíche e olhou para o prato, claramente indeciso se pegava outro ou se a esperava terminar o primeiro que ainda estava pela metade. Ela fez um gesto para que ele se servisse e ele viu aquilo como um aval para comer mais.

- De muito longe.

Uma resposta vaga, mas ela já sabia que ele não responderia de forma completa aquela pergunta. Quando a fez horas atrás no parque, ele havia dito que morava em outro planeta. Laila achou que ele estava confuso, mas pensando melhor, a resposta que ele lhe dera agora não era tão diferente da resposta anterior. Deixou tal debate arquivado em sua mente, sabendo que teria que se preocupar com aquilo depois.

- Você parece sozinho. Tem dinheiro para voltar para casa?

- Sim.

A resposta dessa vez chegou rápida e ela respirou aliviada. Laila não era nenhuma mendiga, mas não tinha dinheiro de sobra para entregar para alguém desconhecido voltar para um lugar muito distante. Ela assentiu, ficando um pouco sem assunto depois das perguntas. Sabia que poderia ter soado como falta de educação, mas precisava ao menos saber o básico, e ainda achou que ele não havia dado nada a ela, nenhuma resposta satisfatória. Como se ele temesse que ela soubesse de algo mais do que seu nome.

Ele poderia estar mentindo, não? Sim, poderia. Mas se ele quisesse realmente inventar uma história completa e descabível, ele já teria feito isso. Laila se levantou da cadeira e ele parou de mastigar, fitando-a com atenção.

- Vou tomar um banho para deixar você mais à vontade. Amanhã podemos sair para você, ahn, comprar roupas.

Ela fitou novamente o peito nu dele. Loki apenas gesticulou, deixando-a ainda mais desconcertada. Ele era muito quieto, que tipo de problema ele tinha? Não fez mais nada, apenas deu meia volta e caminhou para o banheiro, pegando a toalha na varanda antes disso.

Ela fechou a porta do banheiro atrás de si, observando que ele havia deixado o banheiro impecável igual estava antes. Agradeceu-o mentalmente por isso. Odiava banheiro bagunçado. Ela entrou no chuveiro, deixando a água correr pelo corpo igual pensamentos diversos estavam correndo pela sua mente no momento.

Como iria descobrir mais daquele homem misterioso que estava sentado em sua cozinha naquele exato momento? Quanto tempo ele realmente ficaria ali no apartamento dela? Laila não teria coragem de pedir para que ele se retirasse, mas ele não parecia o tipo de pessoa que se acomodava facilmente em um lugar estranho.

Ela fechou os olhos, deixando a água terminar de limpar os vestígios do sabonete líquido que ela havia passado no corpo, a espuma espessa girava pelo ralo enquanto ela pensava no que teria que fazer no dia seguinte. Seria domingo, tecnicamente um dia de folga, se ela não tivesse que sair para fotografar o que Igor havia lhe pedido.

Laila fechou o chuveiro, saindo do boxe e escovando os dentes. O espelho estava embaçado, mas ela não precisava fitar a si mesma para perceber o seu rosto cansado. Enrolou-se na toalha felpuda. Abriu a porta do banheiro, olhando primeiro se ele não estava por perto para depois correr para o quarto. Secou-se, jogando uma camisola de tecido leve pelo corpo. Estava acostumada à temperatura baixa daquele lugar e seu quarto estava sempre quente quando ela ia se deitar.

Pegou a toalha para estender na pequena varanda. Passou novamente pelo banheiro. A escova de dente dele estava em cima da pia, algo que não estava quando ela saíra do banheiro. Ele era rápido. Laila caminhou pelo corredor, entrando na sala e indo até a varanda para estender a toalha. O prato que antes havia sanduíches o suficiente para um exército estava agora vazio. Ela sorriu, indo em direção à sala.

Ao entrar, percebeu que o homem já havia dormido. E parecia estar em um sono pesado, já que não havia nem ao menos desligado a luz. O cobertor que ela havia posto para ele estava o cobrindo apenas até a cintura. O peito nu descia e subia lentamente por causa da respiração calma. Um braço estava para cima, a cabeça repousando ali com leveza. Laila pegou-se se aproximando mais para fitá-lo melhor. Ele era muito bonito para que ela não caísse na tentação de fazê-lo. Sua vontade era de cobri-lo melhor. Aquela sala era fria de noite. Mas a pele pálida dele não estava nem ao menos arrepiada.

Ela engoliu em seco, fechando e abrindo os olhos para voltar ao mundo real. Saiu de fininho da sala, apagando a luz e encostando a porta atrás de si. Caminhou lentamente para o próprio quarto, caindo na cama e puxando o cobertor para cima do corpo. Adormeceu segundos depois.

Quando Loki escutou-a fechar a porta do quarto, abriu os olhos e fitou com desinteresse o teto da sala. Ela havia apagado a luz, mas ele conseguia enxergar facilmente cada objeto ali. A claridade da lua batia na cortina da sala, e essa projetava sombras estranhas na parede oposta a ela. Ele permaneceu fitando aquilo por minutos, pensando em como a faria deixá-lo ficar ali por um tempo. Tempo suficiente para ele se recuperar e tentar um teletransporte para outro mundo. Midgard era óbvio demais. Seria o primeiro lugar que Thor o procuraria, mesmo que ele estivesse claramente em um lugar afastado e incomum.

Ele adormeceu antes de achar a resposta.