Cotidiano
Laila acordou na manhã do dia seguinte sentindo-se completamente renovada. Dormiu por poucas horas, mas não havia sonhado com nada e não tinha acordado por nada em específico também, tendo uma noite tranquila e fundamental para seu descanso.
Ela abriu os olhos de forma relutante, tendo plena consciência de que aquela era uma manhã de domingo, mas que de qualquer maneira ela teria que sair de debaixo dos seus cobertores quentes e deixar o conforto do seu apartamento para trabalhar. A reportagem que Igor queria publicar no jornal era para terça-feira e Laila precisava estar com as fotos prontas até amanhã.
Ela espreguiçou-se debaixo dos cobertores, sentindo seus músculos se esquentarem levemente e o sono deixar seu corpo aos poucos. Pensou em quais lugares teria que visitar para conseguir as fotos que precisava. Não queria passar muito do seu tempo de domingo tirando fotos, mesmo que aquilo pudesse ser considerado um hobby. Então decidiu fazer milagres e conseguir boas fotos na avenida principal da cidade, onde tinha cafés e bares cheios a todo o momento, e também no parque, onde ela corria todas as noites.
Com relutância, saiu de debaixo dos cobertores, sentindo rapidamente o vento gelado percorrer seu corpo quente. Estremeceu de leve, mas sabia que ia se acostumar com a temperatura depois de alguns minutos.
Passou as mãos no rosto, no mesmo momento em que saía do quarto e caminhava pelo corredor. Ao chegar à sala, a primeira coisa que percebeu foi que o homem que antes estava dormindo ali agora estava acordado, sentado com uma postura perfeita no sofá. As roupas de cama estavam dobradas e empilhadas de forma arrumada e sua roupa agora estava no corpo, mesmo que o tecido de couro parecesse um pouco danificado e sujo de terra.
Loki a olhou rapidamente, tendo plena consciência dos olhos castanhos dela sobre si. Ele queria muito roupas novas, mas não podia simplesmente transfigurar todo aquele couro, ou aquilo geraria suspeitas. De qualquer forma, ele não tinha certeza se possuía forças para tentar magia naquele momento.
- Bom dia. – ela desejou, sorrindo levemente. – O que você costuma comer no café da manhã?
Ela não esperou ele voltar o cumprimento. Virou-se de costas para ele e começou a andar em direção à cozinha. Loki percebeu que ela usava uma camisola curta. Muito curta, para parâmetros normais. Mas ela não parecia se dar conta disso.
- Qualquer alimento é bem vindo.
Ele respondeu e Laila começou a pegar ingredientes para fazer panquecas. Percebeu que ele usava as palavras de uma forma diferente do que ela estava acostumada, mas não ousou perguntar nada sobre isso.
Ela ficou na ponta dos pés para pegar algo que estava dentro do armário e Loki não pôde deixar de observar o tecido leve da camisola subir com esse gesto, revelando assim as pernas torneadas que ela possuía. Seus olhos atentos cravaram-se ali por breves segundos, até ela voltar à sua posição normal e ele se levantar do sofá.
Ela pegou os ovos dentro da geladeira e fechou-a, virando-se para colocá-los no balcão. Quando percebeu, o homem que segundos antes estava sentado no sofá, agora estava em pé atrás dela, muito perto de si, para ser saudável.
Ela se assustou minimamente, sempre achando que a qualquer momento ele tiraria daquela roupa esquisita de couro uma arma e daria um tiro nela, roubando tudo o que tinha de valioso ali. Mas ele não fez aquilo, apenas a fitou com incrível atenção.
- Gostaria de agradecer por você ter me deixado passar a noite aqui. Pela confiança e pela recepção.
Ele disse, sabendo que aquilo era um esforço sobrenatural para ele. Agradecer uma humana estava longe de ser algo plausível em uma circunstância normal.
Laila fitou-o com atenção, ficando um pouco zonza por causa da falta de espaço entre ele e ela. Ele tinha um cheiro incrível, e era muito bonito. Qualquer mulher se sentiria um pouco idiota perto de um homem como aquele, principalmente pela distância que ele estava dela. Ela meneou a cabeça.
- Não precisa agradecer. Você quer comer alguma fruta até que as panquecas estejam prontas?
Ela gesticulou para uma fruteira e ele pegou uma vermelha, mordendo-a calmamente e sentindo o gosto adocicado que a fruta possuía. Não era doce como as frutas de Asgard, mas ainda era boa. Laila virou-se de costas e rapidamente começou a preparar as panquecas. Loki tentou ignorar a presença dela ali, mas a camisola que ela usava revelava mais do que ele estava acostumado a ver, comparado aos vestidos das mulheres de Asgard. As pernas dela eram bonitas demais para serem ignoradas.
De repente ela se virou e ele desviou os olhos rapidamente. Laila se aproximou e colocou um prato com uma panqueca grande em frente a ele, assim como talheres, e gesticulou para que ele começasse a comer.
Loki atendeu ao pedido dela sem pensar duas vezes. Já sentia fome desde que acordara. Ele colocou um pedaço daquele alimento na boca com relutância, mas ao mastigá-lo, quase fechou os olhos. Aquela comida era boa. Muito melhor do que a comida midgardiana que ele comera desde a última vez que ele estivera ali. Ele descobriu tarde demais que apreciava muito tudo o que ela preparava para ele.
Laila observava Loki com atenção, percebendo com facilidade os olhos azuis dele um pouco fora de foco, como se ele estivesse imerso em pensamentos. E a cada minuto que se passava, a fisionomia dele mudava. Ele parecia perdido, quase triste.
- O que há com você?
Ela perguntou sem conseguir se conter. Era curiosa demais para ficar calada, mas aquela expressão estava no rosto dele desde que ele entrara ali, e isso estava deixando-a inquieta. Loki engoliu o pedaço de panqueca e a olhou de forma surpresa. Ele era conhecido por ser uma pessoa fechada, poderia dizer que apenas sua mãe adotiva conseguia dizer se ele estava diferente ao olhá-lo. Aquela garota não, o conhecera há menos de vinte e quatro horas e já descobrira que algo estava errado.
Ele precisava rapidamente inventar uma história convincente. Algo que sua mente já estava acostumada a fazer.
- Eu estou procurando algo novo na minha vida. Na verdade, estou precisando. A começar por um lugar para ficar...
- Você trabalha em que? – a pergunta veio na velocidade de um raio.
- Sou um pesquisador, mas agora procuro algo diferente.
Ele respondeu calmamente. Estava acostumado demais a mentir e nunca dava sinais de que estava fazendo algo errado. Mas Laila permaneceu calada, algo lhe dizia que aquela história que ele contava não era verdadeira, por mais que ele estivesse calmo e convicto ao dizê-la. Ele era misterioso, nunca respondia suas perguntas de forma aberta. Sempre faltava algo. Algo que a deixava intrigada e curiosa demais para ser saudável.
Ela estava disposta a pagar o preço.
- Você pode ficar aqui até achar o que procura.
Um convite. E justamente o convite que Loki procurava desde que colocara os pés naquele apartamento. Manipulá-la fora fácil. Mais fácil do que ele previra. Porém, algo lhe dizia que aquela garota era mais esperta do que ele achava que era, mas ele estava disposto a descobrir isso também. Precisava ficar ali, precisava traçar um plano para sair de Midgard. E para isso, precisava de tranquilidade para pensar, sem ter que se preocupar muito com Thor e seus amigos humanos o procurando.
De repente ela se levantou.
- Eu vou precisar sair pela manhã para fotografar. Mas fique à vontade aqui.
Loki não tinha ideia do que era fotografar, mas ele precisava sair para andar um pouco pelo local onde havia caído. Precisava se situar.
- Posso acompanhá-la?
Ele perguntou e Laila o olhou com atenção. Não via motivos para não deixá-lo acompanhá-la. De qualquer maneira, aquilo seria até mais tranquilizador, já que não estaria deixando um estranho sozinho no seu apartamento.
Ela assentiu com a cabeça, virando-se de costas e andando diretamente para o quarto.
Andava pela cidade há quase uma hora. Loki estava atento a tudo à sua volta, querendo captar tudo o que seus olhos e seus instintos conseguiam. Ele olhava atentamente por onde passavam. Ali era frio. Na verdade, era o lugar midgardiano mais frio que ele um dia visitara. Mesmo que o sol banhasse a rua onde estava, as pessoas ali andavam com cachecóis e casacos pesados. O vento era gelado, mas a temperatura baixa não o incomodava. Porém, mesmo que ele percebesse algumas pessoas esfregando as mãos umas nas outras, ele sabia que não era exagero. O frio não o afetava como uma pessoal normal, tampouco como um humano.
Ela estava vestida como o restante das pessoas. Usava uma calça de couro escuro, muito semelhante à que ele vestia, uma blusa de lã vermelha de gola alta e botas de cano alto. Por cima, jogou um casaco mais pesado, que possuía um capuz com peles.
- Qual animal vocês utilizam para fazer os casacos?
Laila virou-se para ele depois de alguns segundos percebendo que ele se referia ao casaco dela. Ela sorriu.
- Provavelmente raposa ou algo semelhante. Mas todos os meus casacos são de pele sintética. Sou contra a matança de animais sem motivo.
Loki podia até perder seu tempo explicando para ela que não era sem motivo, que matar um animal para pegar sua pele era instinto de sobrevivência. Mas ele não conhecia os motivos humanos para eles usarem peles, então não quis dizer nada. Laila ainda o fitava.
- O meu casaco consegue me aquecer do mesmo modo que um casaco feito de raposas. E nenhum animal sofre para isso.
Ela sorriu. Um sorriso que Loki descobriu apreciar muito. Não pôde deixar de notar como o sorriso dela era bonito. A claridade do dia batia no rosto dela, iluminando parte da pele pálida que ela possuía. Os olhos dela estavam mais claros por causa disso, amendoados. Ele pegou-se a observando mais do que o necessário.
- Você não está com frio?
Ela perguntou, despertando-o de sua análise. Ele deu de ombros.
- Um pouco. Vou comprar roupas quentes em breve.
- Estamos em setembro e a temperatura já está desse jeito... – ela correu os olhos castanhos pelo local onde estavam - Mês que vem vamos sofrer nessa cidade.
Ela sorriu, desviando-se de uma árvore por perto. Ele percebeu que haviam saído da rua principal e começavam a se embrenhar no mesmo parque em que ele caíra na noite anterior. Ela olhou para ele.
- Preciso tirar umas fotos por aqui... por que não aproveita o tempo para olhar umas lojas aqui perto? – ela apontou para a direção leste. – Há pequenos shoppings naquela direção.
Não estava o dispensando, mas ela tinha que admitir a si mesma, andar com ele ao lado vestindo aquelas roupas estava gerando uma curiosidade estranha por parte das pessoas na rua. Curiosidade que ele parecia não apreciar, ela já havia percebido.
Ele apenas assentiu e virou-se, andando na direção que ela dissera. Laila respirou fundo, percebendo que ainda teria uma longa manhã pela frente.
Não havia nem ao menos começado a fotografar o que realmente queria.
Laila mexia na lente da câmera quando percebeu que fazia força demais para ler os números que estavam ali. Ela levantou o rosto, notando que a claridade do dia havia ido embora e que o céu estava em um tom alaranjado muito bonito. O crepúsculo já se aproximava. Era um dos momentos do dia que ela mais apreciava, mas ela se assustou ao perceber que já estava anoitecendo. Havia planejado fotografar apenas pela manhã. Perdia totalmente a noção do tempo quando fotografava, principalmente naquele lugar onde estava. Um lugar que ela adorava.
Ela escutou passos por perto e um vulto negro se aproximou rápido demais, fazendo-a virar-se para trás para verificar quem era. O homem que antes a acompanhava agora estava perto dela, segurando muitas sacolas e a olhando com atenção. Laila colocou a mão no peito, fechando os olhos e respirando fundo.
- Você me assustou.
Ele continuou a fitá-la, mas depois de alguns segundos apenas deu de ombros.
- Você se assusta muito.
Laila fez uma careta. Ele não tinha ideia do modo como se aproximava das pessoas? Quase não fazia barulho, parecia um felino andando pelas ruas. Sempre quando ela se dava conta da presença dele, ele já estava por perto. Olhou-o com atenção, desistindo de colocar aquelas opiniões em voz alta.
- Vamos.
Ela gesticulou para ele, e Loki a seguiu, percebendo que ela estava indo em direção ao prédio onde ela morava.
A primeira atitude que tomou quando ela entrou no apartamento foi fechar as janelas e ligar o aquecedor. Sabia que o domingo estaria frio, mas nunca imaginou que seria tanto. E o inverno ainda não havia chegado em Novosibirsk. Ela estremeceu e virou-se para o homem, que depositava as sacolas no sofá ali perto.
- Eu vou fazer um jantar. Fique à vontade.
Ele assentiu, dizendo que iria tomar um banho e colocar roupas novas. Laila gesticulou para ele e foi em direção ao próprio quarto, colocando com cuidado a bagagem com os equipamentos de fotografia e a sua bolsa pessoal em cima da cama. Ela escutou o barulho da porta do banheiro se fechando e o chuveiro sendo ligado. Sentia necessidade de um banho quente também, e de colocar uma roupa mais confortável, mas sabia que no momento em que fizesse isso, desistiria de preparar um jantar e pensaria apenas em enfiar-se debaixo das cobertas.
Ela andou novamente até a cozinha, notando de imediato que estava cansada demais para cozinhar algo elaborado. Então decidiu apenas fazer um macarrão ao molho com manjericão. Ela pegou a panela e colocou a água para esquentar, indo em direção à pequena dispensa e escolhendo os ingredientes. Começou a preparar tudo. Não se deu conta quando a porta do banheiro foi aberta.
Loki saiu do banho dez minutos depois, sentindo-se melhor por estar com roupas novas. Não eram confortáveis quanto às roupas de Asrgad, o algodão que as tecelãs de lá usavam era o melhor do reino. Mas não podia reclamar.
Seu nariz capturou um cheiro muito convidativo saindo da cozinha e ele caminhou até lá calmamente, observando a garota jogar algo que parecia ervas em cima de dois pratos cheios de algo que ele não reconheceu.
Ela fitou o homem que havia acabado de entrar na cozinha e sorriu, gesticulando para que ele se sentasse e colocando o prato em frente a ele. Ele estava vestindo uma calça negra e uma blusa de algodão grosso em um tom verde escuro. Ela percebeu que aquelas cores eram as preferidas dele, estavam também predominantes naquela roupa estranha que ele usava na noite anterior. Mas os tons escuros deixavam os olhos claros ainda mais frios. Ele olhou para a comida com visível interesse.
- É macarrão, com manjericão.
Ela disse o óbvio. Ainda não havia conhecido alguém que não soubesse o que era macarrão, mas ele olhava para o prato de forma tão curiosa que ela suspeitou que ele não fazia ideia do que estava a sua frente. Ele apenas assentiu, pegando o garfo e colocando um pouco de macarrão na boca. Quando ele começou a comer avidamente, Laila notou que ele havia aprovado o prato escolhido por ela.
Sorriu, começando a comer também. Adorava quando alguém apreciava a comida que ela fazia. Cozinhar era um dos seus hobbys, e ver alguém satisfeito ao comer o que ela servia era sempre algo prazeroso.
Ficaram em silêncio por um tempo até finalmente Loki abrir a boca e iniciar uma conversa.
- Você nasceu aqui?
Laila o fitou com um pouco de surpresa. Aquela quebra de parâmetro na conversa podia ser um convite para se conhecerem melhor, algo que ela nunca ia recusar, já que ele ficaria ali por mais tempo do que o planejado.
- Não... sou de Kozani. – ao ver a confusão nos olhos frios, acrescentou. – Grécia.
Grécia... Loki conhecia aquele lugar. Passara por lá brevemente quando os agentes da SHIELD estavam tentando localizá-lo quando ele roubara o Tesseract. Era um lugar bonito. Havia algo de interessante nele, diferente de quase todos os lugares que ele visitara em Midgard. Havia algo que remetia ao passado daquele povo. Ele sempre apreciava algo assim.
Mas por que ela se enfiara naquele buraco frio?
- Por que mora aqui?
- Vim para cá por motivos pessoais... – Laila deixou no ar, não querendo entrar muito naquele assunto, principalmente com alguém que ela acabara de conhecer. – Mas acabei entrando para a faculdade aqui e conseguindo um emprego. Adoro Novosibirsk.
Ela respondeu, mas Loki ficou intrigado com a falta de informação. Motivos pessoais? Ele era uma pessoa que conseguia ler cada nuance nas expressões do rosto de alguém, e percebeu fácil demais que ela havia ficado um pouco triste apenas em pensar no motivo pessoal de ter mudado da Grécia.
- Você trabalha com o que? – ele perguntou, decidido a conhecê-la melhor.
- Sou fotógrafa de um jornal local... fiz jornalismo, mas acabei seguindo um lado artístico do meu curso. – ela deu de ombros. – Não importa, eu amo o que eu faço.
O modo como ela disse aquilo o deixou até mesmo desconcertado. Nunca havia visto tanta paixão nas palavras de uma midgardiana. Aquilo o intrigou, deixou-o curioso e até mesmo o atraiu, o que era considerado um feito. Nunca havia conhecido uma humana assim, peculiar.
Ela terminou de comer e olhou para o prato dele, que já estava vazio.
- Com licença... eu vou tomar um banho. Se quiser, pode comer mais. – apontou para o fogão. – Tem macarrão de sobra.
Ela piscou para ele e Loki franziu o cenho com aquele gesto, observando a garota sair da cozinha e caminhar diretamente para o banheiro. O chuveiro foi ligado minutos depois. Loki permaneceu ali, quieto. Até olhar para o fogão e decidir comer mais.
Laila saiu do banheiro minutos depois de banho tomado e dentes escovados. Olhou pelo corredor para se certificar que ele não a veria andar de toalha por ali. Correu até o quarto e fechou a porta, pegando uma lingerie e colocando sua camisola. Deixaria para lavar os cabelos na parte da manhã. Poderia deitar-se mais cedo naquela noite. Tirara as fotografias com a câmera digital, pois Igor achava mais fácil analisá-las no computador e mandar diretamente para os editores.
Laila preferia a fotografia tirada com a câmera manual, mas deixava aquilo para as fotografias pessoais.
Ela saiu do quarto, indo em direção à sala. Ele estava perto da janela, os olhos frios estavam focados na paisagem lá fora, como se ele estivesse observando algo que Laila não conseguia ver. Ela pigarreou para chamar a atenção dele, andando calmamente para perto dele. Loki virou-se rapidamente, fitando-a com extrema atenção. Ela usava aquela mesma camisola curta. Laila fez uma pequena careta, como se pedisse desculpas com esse gesto.
- Eu preciso dormir... amanhã trabalho cedo. Mas fique à vontade.
Ele sorriu. Um sorriso mínimo e enviesado, que combinou perfeitamente com o rosto dele. Com a rapidez de um lince, ele se aproximou dela, pegando com delicadeza a mão feminina e depositando um beijo demorado ali. Os olhos frios a fitavam no mesmo momento em que ele desejou.
- Boa noite.
Laila corou, sem conseguir sem conter. Achou-se idiota por sentir seu rosto queimar com um simples beijo na mão.
- Boa noite.
Ela desejou, virando-se rapidamente e saindo da sala para ficar só. De alguma forma, sentia-se um pouco zonza depois de tudo. Aquele homem era extremamente misterioso e não havia trocado quase nenhuma palavra com ela. Beijar a mão dela fora um salto. Salto que ela apreciou em demasia. Mesmo que tivesse durado poucos segundos, ela sentiu como os lábios dele eram frios, assim como os olhos azuis. Mas o contato dos lábios fora diferente.
Fora quente.
