Bordeaux
Eles desembarcaram em Bordeaux no final da manhã de uma segunda-feira. Laila olhava tudo com fascínio dentro do táxi, como se estivesse visitando aquele lugar pela primeira vez. Mas não estava. Já estivera ali. Bordeaux era uma de suas cidades preferidas na França, e apenas a oportunidade de fotografar aquele belo lugar já era motivo suficiente para sorrir. Loki a observava com atenção, mas seus olhos também corriam pelas ruas. Mesmo que estivessem dentro de um carro, ele temia ser exposto.
Ficar por algum tempo em uma pequena cidade na Rússia era totalmente diferente de andar pelas ruas de uma cidade turística.
Eles chegaram ao hotel depois de dez minutos. Laila saiu do táxi rapidamente. Loki pegou a bolsa de mão dela e as malas também. Estavam leves, e ela sorriu para ele diante a gentileza. De qualquer maneira, ela já estava carregando o que ela julgava ser a mala principal, a mala que continha seu equipamento de fotografia.
Ela pagou o táxi com o dinheiro que Igor dispusera para ela durante os dias em que ficaria na França e o agradeceu em um sotaque russo carregado, o que fez o taxista sorrir. Minutos depois estavam subindo a pequena escada do hotel, Loki olhando para o lado e decorando cada canto do lugar, cada pessoa que estava ali. Laila não percebeu a pequena tensão em que ele se encontrava. Um homem se aproximou, pedindo com gentileza as malas que estavam com Loki. Ele ficou estático, mas ao ver que Laila andava para o balcão central, entregou as malas para o humano e a acompanhou.
Ela chegou à recepção e disse seu nome, esclarecendo que o jornal local da cidade de Novosibirsk havia ligado dias atrás para fazer uma reserva. A mulher pediu um momento e olhou por um computador. Loki apenas esperou, percebendo como humanos eram lentos em certos aspectos. Logo depois a mulher sorriu, entregando o cartão para Laila.
- Suíte para casal número cento e quatro.
- O quê? Desculpe, minha senhora... deve haver um engano. Eu pedi uma reserva para um quarto para dois.
- Sim, para casal.
- Não...
Laila colocou os dedos na ponte do nariz e apertou-a ligeiramente. O seu francês era perfeito, ou quase, pelo visto. Ela poderia ter se enganado nas palavras e pedira um quarto de casal em vez de um quarto com duas camas. Ela não quis fazer uma cena ali mesmo, e sabia que Bordeaux era uma cidade cheia demais naquela época, ter conseguido um quarto em um hotel bom fora um milagre. Ela não queria correr o risco de perdê-lo.
Sorriu para a mulher, gesticulando com o cartão e agradecendo. A recepcionista informou que as malas já estavam no quarto e Laila assentiu, indo em direção ao elevador. Loki a seguiu, e no momento em que as portas se fecharam, deixando os dois a sós, ela respirou fundo.
- Não acredito que cometeram esse engano ridículo. – ela disse, parecendo um pouco irritada e entregando o cartão para ele no processo.
- Não se importe com isso. Eu durmo no sofá.
Ele respondeu, tentando acalmá-la. A última coisa que precisava era ter alguém histérico ao seu lado. Isso chamaria ainda mais atenção, algo que não seria bem-vindo no momento. Nem um pouco.
- Não é esse o problema... é porque esse hotel é quatro estrelas, erros assim não são comuns...
Depois ela percebeu o que havia falado e sentiu seu rosto queimar. Loki viu a pele dela ser percorrida por um fraco rubor e sorriu. Laila era o tipo de garota que não pensava muito antes de falar, e normalmente ficava em uma má situação quando soltava aquele tipo de declaração. O mais encantador, era que ela sempre ficava envergonhada depois, e ele percebeu que ele apreciava muito aquilo.
Ele passou o cartão no leitor e entrou, sendo seguido por Laila. Ela correu os olhos pela suíte, e logo depois se arrependeu de ter se irritado com a recepcionista. O lugar não era imenso, mas era confortável demais para ela reclamar. Havia um grande quarto que podia ser visto da sala. A cama de casal era imensa. Ela percebeu que sua mala já estava em cima de um móvel, assim como a pequena mala dele. Ela colocou a mala onde seu equipamento estava ao lado do sofá e se espreguiçou.
- Bom... ao menos o sofá é maior que o meu.
Loki sentou-se no sofá e percebeu isso imediatamente. Ele deu um pequeno sorriso para Laila, mas ela já estava abrindo a mala onde sua câmera estava.
- Igor vai querer rapidamente as primeiras fotos para a matéria de quarta-feira. Preciso pelo menos de três fotos boas. Eu já volto...
Ela parecia agitada, como se a expectativa de sair para fotografar a deixasse ansiosa. Loki apenas a olhou, relaxando um pouco quando ela sumiu para dentro do quarto e fechou delicadamente a porta.
Ele respirou fundo, seus pensamentos girando em vários assuntos no mesmo momento. Ele não conseguia acreditar que estava ali, em uma cidade turística. E se alguém o reconhecesse? Que ideia de imbecil foi aquela de ter concordado em sair da cidade com a humana? Loki não sabia o que o fizera tomar essa decisão, mas sabia que se negasse o pedido, isso geraria suspeitas.
Ele precisava se afastar dela, já estava tempo demais na companhia dela e quando a proximidade ficava maior, ele sentia que ela não ia deixá-lo ir embora sem fazer o que os humanos chamavam de questionário. Ela ia fazer perguntas demais para uma despedida saudável, e ele queria evitar aquilo de todas as formas. Parte por não querer responder as perguntas, parte por não querer magoá-la.
Não querer magoá-la?
Ele se levantou do sofá e começou a caminhar de forma inquieta pela suíte. O que ele estava pensando segundos atrás? Por que ele se importava com o modo que ela ficaria quando ele sumisse da vida dela? Aquilo era inevitável. Ele não poderia ficar em Midgard. Pelo menos não do modo como estava. Se ele quisesse tomar aquele planeta para si novamente, ele precisaria no mínimo de mais ajuda do que na vez anterior.
Pelo menos os seus poderes já haviam voltado. Sim. Ele andara praticando na ausência dela, quando Laila saía para trabalhar. Ele não conseguia se transfigurar, mas as magias primárias ele já havia conseguido dominar novamente, o que indicava que ele não ficaria ali por muito tempo. E em breve sumiria daquele planeta nojento. E dela.
Seus pensamentos foram cortados quando Laila abriu a porta e saiu do quarto. Havia mudado de roupa, usava agora um vestido um pouco curto e solto ao corpo na cor verde, algo que ele apreciou muito. Ela parecia uma garota com aquela roupa, e na certa a preferência dele não era mulheres humanas, mas Loki tinha que admitir que ela possuía belas pernas, e escondê-las debaixo de tantas roupas igual ela escondia quando estava naquela cidade gelada era praticamente um absurdo. Ela usava um tipo de tênis bonito e pendurou uma pequena bolsa no ombro, indo em direção à mala onde continha seu equipamento e escolhendo a lente certa para a câmera.
Ele a observou nesse meio tempo. Ela havia tomado banho. Ele podia sentir o cheiro do sabonete misturado ao cheiro característico da pele dela. Algo naquele aroma o fez se aproximar dela de forma automática, e ela olhou para ele no processo. Loki apreciou demais aquela visão da garota ajoelhada diante de seus pés. Ela poderia ser uma serva... se fosse asgardiana. Infelizmente ele duvidava que ele estivesse com créditos em Asgard para levar uma humana para dentro do palácio.
- Por que está me olhando desse jeito?
Ela perguntou, quebrando a linha de pensamentos dele pela segunda vez. Loki meneou a cabeça e deu um sorriso estranho, um sorriso que ela nunca vira naquele homem. Como se fosse um sorriso de alguém que estava planejando algo... ruim.
- Estou te observando mexer na câmera. Apenas isso.
Ele respondeu, fazendo-a dar de ombros. Ela escolheu a lente e se levantou, fazendo um movimento com a cabeça que deixou o seu aroma ainda mais forte. Loki inalou aquilo discretamente, mas nada disse.
- Vamos, preciso fotografar.
Ela o chamou. Juntos saíram da suíte.
Ela estava fotografando há quase duas horas. Ele a observava com atenção, principalmente quando ela agachava de forma estranha para pegar um ângulo diferente, na visão dela. Ele não conseguia conter seus olhos, que iam diretamente para as pernas dela quando o vestido subia por causa das posições ou porque o vento forte do fim do dia batia no tecido leve. Laila não parecia perceber isso, estava absorta demais em seu dever para ver que chamava a atenção dos homens na rua, e do homem que estava atrás de si, olhando todos em volta.
Ela terminou de tirar a última fotografia, conferindo tudo pelo visor. Havia levado sua máquina digital, sabendo que não teria tempo para fotos manuais, que eram suas favoritas. Mas ela não ousava reclamar. Estava em uma das suas cidades preferidas, e com uma companhia até boa. Infelizmente ele não parecia compartilhar do entusiasmo dela. Estava mais sério do que quando saíra da Rússia. Seus olhos azuis corriam pela rua como se ele estivesse procurando por algo. E ele parecia... tenso.
Ela franziu o cenho, fitando-o com atenção. Mas ele não pareceu perceber isso, olhava para uma rua que cortava os bares e lojas que estavam ali. Laila guardou sua câmera em uma bolsa apropriada, cruzando a alça no seu ombro. Ela prendeu o cabelo com um elástico e o chamou.
Loki pareceu sair de um transe e viu que ela gesticulava para ele. Foi em direção a ela, vendo que ela estava levemente corada por causa do trabalho.
- Eu terminei... podemos voltar para o hotel agora. – ele pareceu visivelmente mais aliviado. – Mas antes quero passar em um lugar... acho que você vai gostar.
Ela sorriu, pegando na mão dele e o puxando. Logo depois se lembrou de que Loki não gostava muito de ser tocado e o largou, andando calmamente pelas ruas. Ela sentira o modo tenso que ele ficara logo quando ela pegara a mão dele, e preferiu se afastar brevemente. Mas ele não estava tenso pelo contato, mas pelo o que esse contato proporcionara. Loki sentiu um leve choque quando ela pegara a mão dele, e estranhou muito a reação do seu próprio corpo ao sentir aquilo. Mas ela havia entendido a reação dele de forma errada.
- Aqui é a capital do vinho... naturalmente vamos beber pelo menos uma garrafa antes de dormir, não?
Ela disse, fazendo-o sorrir. Lá estava algo que ele apreciava muito. Vinho. Ele só esperava que o gosto de Laila fosse mais refinado que o de Thor. Seu irmão não se importava de onde a bebida vinha, ele engolia tudo como se todos tivessem o mesmo sabor. Loki revirou os olhos ao pensar em seu irmão, mas logo sua atenção voltou para a garota, que parecia empolgada ao abrir a porta de uma loja e entrar.
- Aqui é uma das minhas lojas preferidas... podemos achar vinhos de todos os sabores e origens... vê?
Ela mostrou uma garrafa para ele e Loki sorriu, olhando para o rótulo. Ela o deixou ali e foi em direção a uma prateleira, parecendo saber exatamente o que queria. Pegou uma garrafa do seu vinho preferido, agradecendo mentalmente o dono da loja por sempre repor as garrafas. Passou por Loki e foi até o caixa para pagar.
Quando estava tirando as notas da bolsa, percebeu Loki colocar mais duas garrafas na sacola. Ela o olhou, um sorriso divertido nascendo em sua boca. Arqueou as sobrancelhas para ele, que apenas deu de ombros.
- Eu gosto de vinho.
Ele disse de forma simples.
- Vamos levar os três.
Ela disse à mulher da recepção, que parecia um pouco atordoada com a presença de Loki ali. Laila não podia culpá-la. A beleza dele não era comum. Homens com cabelos negros daquela forma eram praticamente raros, principalmente quando vinham acompanhados de pele pálida, olhos azuis e uma altura anormal.
A mulher embalou os vinhos e deu a sacola para Loki, que a pegou sem pestanejar. Juntos saíram da loja e voltaram para o hotel.
- Me fale mais de você.
Os dois estavam sentados no sofá da suíte há quase duas horas. Duas garrafas de vinho já haviam sido esvaziadas. Nenhum dos dois estava sentindo o efeito do álcool. Loki estava acostumado com vinhos mais fortes, feitos em outros planetas. Os de Midgard eram bons, o que ela escolhera era ótimo, mas nada comparado aos vinhos mais saborosos de sua terra. Laila não ficava bêbada facilmente, bebia vinho intercalado com água e isso a ajudava a ficar consciente. Mas ela, naturalmente, se sentia mais solta, e fizera o pedido de forma simples, de repente sentindo mais curiosidade por aquele homem do que o normal.
- O que você quer saber?
- Não sei... o que você quiser contar... – ela estava dizendo a verdade. – Não sei muito sobre você, Loki... você é muito calado.
Ele deu um pequeno sorriso, olhando para a taça e pensando no que poderia falar para saciar a curiosidade anormal daquela garota. Mas, de certa forma, ela era impaciente demais para ficar calada.
- Eu sei que você não gosta de falar sobre você... mas eu percebi como você ficou ressentido quando toquei no assunto família. Você mudou, ficou mais calado. Se é que isso é possível.
Ela deu um pequeno sorriso, mas ele não parecia tenso quando da última vez em que ela se referiu à família. Laila continuou a tagarelar.
- Todos têm problemas na família. A minha não é perfeita... ou não era. Como sabe, perdi minha mãe há alguns anos. Você ia gostar dela... caso a conhecesse... era uma mulher forte.
Loki não conseguia imaginar uma humana forte, mas nada disse, deixou que ela continuasse.
- Infelizmente nos decepcionamos muito com as pessoas... – ela pareceu refletir por um momento. – Esse tipo de coisa refletiu em mim. Comecei a desconfiar de todos. Mas logo parei... – ela tomou um gole do vinho. – Você tem sorte de ter me conhecido agora. Em outra época, teria te deixado no meio daquele parque.
Ela sorriu, terminando sua taça. Esticou-se para colocar a taça na mesa de centro, e quando voltou com o corpo para o sofá, percebeu que ele estava bem próximo dela. Ela fechou os olhos, colocando a mão no peito.
- Loki, você precisa parar com isso.
Ela disse de forma séria, fazendo-o sorrir.
- Isso o quê?
Ele perguntou, aproximando-se mais dela. Podia sentir o cheiro dela com mais facilidade agora. Laila percebeu aquele mesmo sorriso malicioso percorrer o rosto dele. Um sorriso que ela nunca vira antes, mas que ela descobriu apreciar muito.
- Parar de se aproximar assim, silenciosamente... você não anda, você flutua. E você parece vapor quando se trata de aproximação.
O sorriso dele ficou mais nítido.
- Eu gosto de ser silencioso. – ele se aproximou ainda mais, quase encostando seu nariz à pele dos ombros dela. – Gosto do seu cheiro...
Inalou o aroma que tanto gostava sem precisar ser discreto, finalmente. Laila ia se afastar, ia perguntar o que estava acontecendo ou até mesmo se ele bebera vinho demais. Mas ele parecia saber exatamente o que queria, e tal desejo não parecia ter saído de uma garrafa de vinho. Era algo...
As mãos dele foram em direção aos cabelos dela e ele passou os dedos longos pelos fios sedosos e ondulados, sentindo o aroma dela ficar ainda mais forte.
- Eu gosto do seu cabelo... – ele disse em um sussurro. A voz dele ficava ainda mais bonita quando ele sussurrava algo. Os dedos foram em direção ao colo dela, acariciando de leve a pele ali. – Gosto da sua pele...
Aquilo estava tomando proporções grandes. Ela fechou os olhos e apreciou o contato dos dedos gelados dele sobre a pele dela. Mas logo ela pensou melhor. Se continuassem com aquilo, não teria volta, e as coisas poderiam ficar estranhas. Ela abriu os olhos e o olhou.
- Loki...
Mas antes que ela pudesse protestar, os lábios dele estavam finalmente sobre os dela. Lábios frios, mas que deixaram uma sensação de queimação nos lábios femininos no mesmo momento em que os tocaram. Laila sentiu seu coração bater mais forte apenas com aquele toque, e a moleza em seus músculos ajudou-a a abrir a boca, sentindo a língua aveludada dele entrar com facilidade, buscando a dela e tocando-a com surpreendente calma.
Laila gemeu dentro da boca dele, deixando Loki ainda mais excitado. Sabia que o que estava fazendo poderia ter consequências absurdas. E sabia que aquilo era idiota. Mas depois que a escutou falar sobre sua família, sentiu uma necessidade absurda de beijá-la. Ele só não sabia o real motivo. Se fora para finalmente calá-la ou se fora porque sentiu desejo pelos lábios femininos. Provavelmente o segundo, julgando o modo como as mãos dele começaram a viajar pelo corpo dela, sentindo os músculos levemente trêmulos, escutando a respiração descompassada.
Ele deixou a boca dela vagarosamente, indo em direção ao pescoço e plantando beijos lascivos por toda a extensão da pele branca. Laila gemeu novamente, suas mãos indo em direção às costas dele e correndo por ali, sentindo os músculos ligeiramente retesados. As mãos femininas foram em direção à cintura dele e ela levantou um pouco a blusa negra que ele usava, sentindo a pele fria com as palmas das mãos.
Loki não podia negar, estava há muito tempo sem companhia feminina. Fora praticamente privado de tais luxos quando ficara encarcerado no palácio, e nenhuma asgardiana queria deitar-se com ele depois que sua fama se espalhara, nem mesmo as mulheres que eram pagas para isso.
Laila o arranhou levemente nas costas, sentindo a pele pálida se arrepiar com aquilo. Loki perdeu um pouco da sanidade naquele momento. As mãos quentes dela estavam o explorando sem pedir permissão, algo que ele não estava muito acostumado. Era fato que ele preferia as concubinas de Asgard, e sempre quando não se deitava com as concubinas, estava acostumado a mulheres que esperavam uma ordem ou gesto dele para continuar. Laila não, não queria perder tempo, apenas parecia querer senti-lo igual ele estava fazendo com ela.
Mas ele ia mudar aquilo. Ele apreciava demais uma mulher submissa para deixar que ela comandasse tudo. As roupas foram sendo arrancadas uma por uma em uma rapidez até mesmo surpreendente. Ele se afastou para tirar a própria blusa, deixando o corpo à mostra. Aquele corpo que ela se pegara olhando desde que o vira dormir a primeira noite em seu apartamento.
As mãos dele foram decididas para a calça dela, retirando-a com facilidade. Loki queria vê-la, precisava vê-la. Queria correr as mãos pelas coxas que ele apreciara o dia inteiro enquanto ela tirava fotos. A pele dela era quente e sedosa ao toque, e ele praticamente gemeu ao sentir as pernas dela o cercando. Deitou-se novamente e ela sentiu o membro dele pressioná-la pela calça jeans. Ele livrou-se da blusa dela com facilidade, apreciando a lingerie cor lavanda que ela usava. Algo simples, mas ao mesmo tempo sensual.
Mas ele não queria apreciar a lingerie. Seu desejo estava focado em outra coisa, e ele se livrou daquela peça de roupa também com uma facilidade que deixou Laila perguntando-se quantas vezes ele já havia feito aquilo. Mas logo seus pensamentos foram cortados, pois ela sentiu lábios decididos sugarem um dos seus seios, enquanto uma mão masculina apertava sem escrúpulos o outro. Ela abriu a boca e arqueou-se em direção a ele, não suportando a ideia de tê-lo ainda com a calça no corpo. As mãos dela foram em direção ao botão da calça que ele usava e ela o abriu, enfiando uma mão por dentro do tecido e tocando-o quase diretamente.
Loki gemeu, empurrando-se automaticamente em direção à mão dela. Ele não apreciava humanas, nunca havia se deitado com uma, de fato. Mas Laila... ela era diferente. Algo nela o excitava, e ele era o tipo de homem que tomava o que queria. E a queria naquele momento. Como nunca quisera outra mulher. Ele só não sabia o motivo disso. Provavelmente porque estava há muito tempo sem algo que ele acostumara a ter todas as noites.
Ele se levantou do sofá e livrou-se da calça facilmente, assim como de sua roupa íntima. Laila não queria olhar, mas não conteve seus olhos quando eles correram pelo corpo dele. Era... ela não tinha palavras. Estava um pouco absorta naquele corpo, e quando voltou a olhar nos olhos dele, viu que ele sorria maliciosamente e os olhos azuis possuíam um brilho único.
Ele a pegou no colo com facilidade, indo em direção ao quarto e jogando-a na cama. Suas mãos foram decididas para as laterais da lingerie dela e ele se livrou daquele pedaço de tecido, a única barreira que separava o corpo dele do corpo dela.
Ela abriu as pernas para recebê-lo e Loki encaixou-se perfeitamente entre elas, esbarrando seu membro na entrada dela. Ambos fecharam os olhos, ele apreciando como ela estava quente e úmida, ela perguntando-se quando ele iria finalmente tomá-la.
Algo que ele não a deixou esperando. Logo ele a invadiu, a penetrando completamente de uma vez. Laila arqueou-se em direção a ele. Ele era grande, e isso causou um pouco de dor, já que ela não tinha companhia há muito tempo. Mas logo seu corpo acostumou-se com ele ali, o que ele percebeu com facilidade, pois no momento em que ela relaxou os músculos, ele começou a estocar, mexendo os quadris em um ritmo divino e lento.
Loki era lento de propósito. Ele queria senti-la. Queria sentir aquelas pernas torneadas apertando-o na cintura. Queria sentir os músculos dela estremecerem quando ele a penetrava, queria ouvir a respiração descompassada da humana e seus gemidos no ouvido dele. Laila estava de olhos fechados, deixando-o conduzir quase tudo. Ela não conhecia muito da personalidade dele, mas sabia que naquele quesito, ele parecia ser passional. Ele fazia tudo como se estivessem fazendo aquilo por um motivo maior ao sexo.
E, em um passe de mágica, ele enfiou a mão por debaixo do corpo dela e a virou, deitando-se sobre ela por trás e sentindo-a estremecer com isso. Loki levantou-a ligeiramente e voltou a penetrá-la, fazendo-a gemer seu nome. Aquilo o deixou louco e ele aumentou o ritmo dos quadris. Laila empinava-se em direção ao corpo dele, como se as estocadas fortes não fossem o suficiente. Queria ser tomada por ele de todas as maneiras, e ficou surpresa quando atingiu seu orgasmo de uma forma que seu corpo nunca havia atingido. Fora forte, e deixou-a completamente em êxtase naquele momento.
Loki colocou o cabelo dela para o lado e mordeu ferozmente a nuca da garota, sentindo-a apertar o membro dele. E com mais uma estocada, derramou-se dentro dela, gemendo de forma extasiada no ouvido daquela humana, sentindo-a amolecer levemente debaixo do seu corpo.
Eles ficaram quietos por alguns minutos. A mente dela viajava por vários lugares, mas ela percebeu quando ele se afastou, desabando ao lado dela na cama e respirando com dificuldade. Ela virou-se em direção a ele. Ele olhava para o teto, e parecia um pouco fora de si, assim como ela.
Logo depois os olhos azuis pousaram nos olhos castanhos e ele deu aquele sorriso malicioso que ela tanto apreciava. Laila teve tempo apenas de sorrir de volta antes de cair no sono.
Laila observava algumas fotos tiradas horas atrás pelo visor de sua câmera, tentando decidir quais editaria e mandaria para Igor. O notebook estava ligado em cima da mesinha da sala, e as garrafas de vinhos já estavam no lixo. Ela escutava vagamente o barulho do chuveiro. Ele estava tomando banho há quase dez minutos. Não conversaram muito depois do que havia ocorrido, mas ela não se arrependera do que fez. Nem um pouco.
Sentia seu corpo leve e os músculos ainda recuperavam a força. Loki fora intenso, deixando-a um pouco dolorida. Ela nunca havia experimentado algo assim, nem quando fora para a cama com desconhecidos por puro desejo carnal. Ela ligou a televisão para escutar as notícias do dia. O repórter francês falava tudo com rapidez, mas ela conseguia acompanhar a fala.
Ela voltou a mexer na câmera quando escutou algo vindo da televisão que a interessou.
"Cinco anos depois da tragédia de Nova Iorque."
Ela voltou sua atenção para a notícia, ficando realmente interessada com a história fantástica que a jornalista contava. Na época, Laila estava com problemas maiores. Ficara sabendo por alto sobre a tragédia, pois aquilo era inevitável, já que trabalhava em um jornal. Mas não dera importância para o fato, assim como a Rússia não alardeou muito.
Mas agora seus olhos estavam no televisor, que passavam imagens daquele pseudo-herói que todos chamavam de Homem de Ferro. Usava uma armadura e jogava pequenas bombas em seres que Laila não conseguiu distinguir o que eram. Pareciam alienígenas.
Mas aquilo não existia. Ou existia? Ela parecia estar ligada em um filme, e não em um jornal. Havia um homem louro com algo que parecia um martelo nas mãos. Ele distribuía socos e raios saíam do artefato. E o famoso Capitão América também estava na confusão.
As imagens não eram boas, sabia que muitos jornalistas se arriscavam a registrar zonas de guerras e batalhas, mas ficar no meio daquela confusão parecia suicídio, e Laila admirou a coragem do câmera. De repente tudo parou.
"Não temos notícias do criminoso por trás da destruição, mas nossos informantes conseguiram captar a imagem do homem responsável pelas mortes de nossos cidadãos."
Então a câmera fechou em algo que parecia um círculo. Estava claro que a pessoa que estava filmando estava escondida, mas a imagem estava perfeita. O louro do martelo, que se chamava Thor, segurava alguém pelo braço. Esse outro estava amordaçado e permanecia de cabeça baixa, até um momento em que ele levantou o rosto e olhou diretamente para a câmera, como se soubesse que alguém estava o filmando.
Laila parou, em choque.
- Não...
"O homem é conhecido por Loki, mas a empresa responsável pela sua captura não quis dar mais detalhes...".
Laila colocou a mão na boca, horrorizada. Sentiu algo estranho em seu corpo e virou-se rapidamente para trás para alcançar o telefone. Mas assustou-se quando viu que já havia alguém na sala.
Ele entrara na sala sem fazer nenhum barulho adicional, como sempre fazia. Passou os olhos rapidamente pela televisão e logo depois olhou para ela com olhos incrivelmente calmos, mas ela conseguia distinguir a raiva por trás da calma.
Ele estava lá, parado atrás dela com uma toalha negra amarrada na cintura. O homem que havia a tomado horas atrás e a deixado em êxtase. O homem que ela hospedara em seu apartamento como se fosse um velho amigo.
O mesmo homem que havia matado milhares de americanos e destruíra uma cidade inteira.
Nota da Autora: para mais NC's com Loki e Laila, confira minha fanfic "Dúbio". Até o próximo!
