Redenção

Laila murmurou algo incoerente debaixo do cobertor e com relutância abriu os olhos. Duas coisas ela tinha certeza, a primeira era que havia dormido mais do que o suficiente, e a segunda era que estava de ressaca. Sua cabeça estava explodindo e sua boca estava seca como areia do deserto. Ela não precisava retirar o cobertor do rosto para saber que já era dia, e apenas xingou algo baixinho quando o fez e a claridade bateu no seu rosto, duplicando sua dor de cabeça.

Demorou alguns segundos para perceber que Loki estava sentado de frente para ela, observando-a com atenção.

- Bom dia.

Ele desejou, olhando-a fazer uma careta de dor e resmungar algo.

- Como posso ter um dia bom se o primeiro rosto que vejo é o seu?

O sorriso que Loki deu foi mínimo.

- Vejo que alguém acordou de mau humor.

Laila não respondeu. Algo estava começando a tomar sua mente. Ela estava em casa, claramente, mas não se lembrava de como havia conseguido ao menos entrar ali. Como subira as escadas? Como saíra do bar? Como chegara até a cama... ?

Um desespero visível tomou conta dela e rapidamente retirou o cobertor de cima do corpo, soltando um suspiro de alívio ao ver que a roupa que vestia era a mesma que ela estava no dia anterior, indicando que nada acontecera.

Loki, sempre astuto, percebeu de imediato a reação dela.

- O que você está pensando?

Ele perguntou, visivelmente curioso. Laila não respondeu novamente, mas ele já estava desconfiado do que poderia tê-la tirado do sério por breves segundos. Ele deu um sorriso cínico.

- Acha que a tomei na noite passada?

Ele perguntou de forma direta.

- Acho que você é capaz de tudo.

Ela respondeu, no qual Loki a olhou com certa raiva.

- Acha que eu tomaria uma mulher inconsciente? Acha que eu tomaria uma mulher contra a vontade dela? Isso é ridículo.

A expressão no rosto de Laila indicava que ela sabia que ele não havia a tomado, mas que não acreditava que ele não seria capaz daquilo. Ela o olhou brevemente e logo saiu da cama, andando em direção ao banheiro.

- Além do mais, não preciso disso, consigo ter a mulher que quiser.

Ela parou de andar e ficou de costas para ele no meio do quarto. Respirou fundo e virou-se. Mas ele não estava sorrindo, parecia ter falado aquilo seriamente. Ela travou o maxilar.

- Você parece muito confiante.

Ela pontuou, tomando cuidado com as palavras. O sorriso malicioso voltou ao rosto dele e ele a olhou com uma intensidade perturbadora.

- Você não me conhece. Um dia verá que posso ser muito... persuasivo.

- Boa sorte com isso.

Ela desejou, saindo do quarto e batendo a porta do banheiro. Loki escutou o chuveiro sendo ligado e olhou para os lençóis amarrotados da cama dela, o sorriso malicioso ainda em seu rosto fino.


Depois de quase meia hora ela saiu do banheiro, uma nuvem de vapor a acompanhou quando abriu a porta,mas já estava vestida. Os cabelos estavam úmidos e a roupa que usava era simples, indicando que ela tinha planos de passar o dia em casa. Usava uma calça preta que era justa ao corpo, delineando as formas graciosas das pernas dela, e uma blusa de lã confortável.

Ela percebeu que ele ainda estava em seu quarto. Sua cama estava arrumada e havia uma bandeja com um café da manhã ali, obviamente comprado em uma padaria por perto. Mas ela não podia reclamar de nada, sua cabeça ainda estava doendo muito, e sentia fome.

Laila o olhou, desconfiada.

- Por que está fazendo isso?

Ela perguntou. Loki deu de ombros de forma simples.

- Preciso de seus favores.

A expressão dela passou de confusa para irritada em apenas dois segundos e ela voltou a olhar para o café, não resistindo e sentando-se na cama. Mordeu com vontade o pãozinho que estava ali, tomando um gole grande de café e percebendo sua cabeça melhorar enquanto ela colocava comida em seu organismo.

Depois de alguns minutos, ela percebeu-o sentar em sua cama, de frente para ela. Laila o sentia olhando-a, e estava começando a ficar incomodada com aquilo. Finalmente o fitou, e quando ele percebeu isso, o pedido foi feito.

- Preciso que você ache os contatos das pessoas que estavam por trás daquela matéria que passou no jornal...

- E por que você precisa dos contatos?

Ela perguntou, desconfiada. Ele não respondeu, mas também não continuou a olhando. Seus olhos azuis se desviaram dela para o chão. Laila demorou algum tempo para juntar as peças e descobrir o que ele estava pretendendo.

- Você vai matá-los, não é?

Loki olhou para a janela, parecendo evitar olhá-la diretamente.

- Por que você se importa com isso? Você nem os conhece. – ele pontuou. – Além do mais, Midgard é povoada demais, menos humanos aqui não faria mal.

O modo como ele falou aquilo, como se estivesse dizendo que iria arrancar ervas daninhas de um jardim, deixou Laila com náuseas. Ele era frio... e calculista.

- Não vou fazer nada. – dessa vez ele a olhou com fúria, mas ela continuou mesmo assim. – Me fiz uma promessa, não vou ajudá-lo mais com essas loucuras. Já fiz o que podia fazer, mas não vou ser responsável por mortes de inocentes.

- Isso não é um pedido, Laila. Posso obrigá-la, se não quiser fazer o que eu mando.

Ela se levantou rapidamente, quase derrubando a bandeja no processo.

- Me obrigar como? Você já me ameaçou demais para ser saudável! Se quiser, me mate agora, seu covarde!

Aquilo era um tiro no escuro, mas ela sabia que não podia mais ficar tolerando as ordens daquele assassino. Loki a olhou com atenção, mas estranhamente de forma calma.

- Não vou matá-la porque ainda preciso de seus favores, que isso fique bem claro.

- Meus favores? – ela se aproximou dele automaticamente. – Você não terá nada de mim.

Naquele momento foi ele que se levantou, deixando a diferença de altura entre ambos bem visível. Ele era muito mais alto que ela e isso era ridículo, pois a cada momento que olhava para cima para fitá-lo diretamente nos olhos, ele parecia ainda mais perigoso, e ela ainda mais insignificante. Principalmente porque a paciência dele parecia ter acabado.

- Posso te convencer a fazer o que quero, garota. Ando tendo muita paciência com você, mas se você não colaborar comigo, eu vou...

- Vai o que? – ela já estava gritando. – Vai me bater? Já vi muita violência para ser saudável! – Loki percebeu os olhos dela começarem a tomar um brilho incomum, como se lágrimas estivessem se acumulando ali. – Não vou ver um homem usando a força para machucar uma mulher novamente.

Aquilo pegou Loki desprevenido. Do que ela estava falando? De onde saíra aquilo? Ele perdeu um pouco o rumo da conversa e franziu o cenho, ficando confuso no processo.

- Está surpreso? – ela perguntou, ainda gritando. – Posso contar algo inédito para essa sua mente pequena? Não é só você que se sente mal quando o assunto é família!

Quando terminou de falar, estava corada e parecia visivelmente chateada. Loki ficou ali parado por um tempo, mas antes que ele pudesse perguntar ou falar qualquer coisa, Laila deu as costas para ele, saindo do quarto e abrindo a porta que dava acesso ao pátio externo. Ela fechou-a com violência, e o barulho ecoou pelo corredor.

Ele permaneceu ali, sozinho, por algumas horas. Longas horas.


Loki ainda estava no quarto dela, andando de um lado para o outro, visivelmente confuso. Ele pensava em tudo o que fora dito antes que ela saísse do quarto. Como Laila sabia que ele se sentia tão mal quando o assunto era algo relacionado à família? Qual foi a decepção que ela sofrera com a sua própria família?

Aquilo não importava de fato, o que estava o incomodando no momento, a pergunta que estava girando em sua mente era uma só: como ela conseguia lê-lo tão perfeitamente?

Aquilo gerou frustração na mente dele. Não estava acostumado a ser facilmente entendido por pessoas que não tinham algum tipo de vínculo com ele. Mas aquela humana... ela parecia ler os pensamentos dele, do mesmo modo como ele fazia com as pessoas. Era como se fosse uma troca de identidade, uma inversão de personalidade. E ele não estava gostando nem um pouco daquilo.

Vindo de uma humana, uma raça que ele julgava tão inferior, aquilo era no mínimo curioso.

E sabia que não conseguiria achar uma resposta satisfatória andando de um lado para o outro naquele quarto. Se quisesse sanar suas dúvidas, teria que perguntar diretamente para ela, descobrir como aquela garota conseguia fazer suposições tão próximas da realidade.

Saiu do quarto e procurou-a por todo o apartamento, mas não a achou ali. Contudo, ele sabia que ela não havia saído, então concluiu que ela estava no térreo. Abriu a porta de vidro, sentindo o vento frio encontrar o seu corpo, algo muito bem-vindo para aplacar um pouco a tensão que ele estava sentindo no momento.

Subiu os degraus rapidamente. Ela não estava na estufa, onde ficava arrumando aquelas plantas e mexendo na terra quando estava nervosa.

Ele andou diretamente para o estúdio onde ela costumava entrar e onde ele visitara em seus primeiros dias ali, quando queria conhecê-la melhor e saber com quem estava lidando. Abriu a porta. Havia um pano negro em frente à entrada e ele colocou-o para o lado no momento em que a fechou, entrando no estúdio. Seus olhos claros capturaram uma luz vermelha que o deixou no mínimo sufocado, mas logo ele se acostumou com aquela claridade.

Depois de se habituar àquela iluminação, ele percebeu facilmente a silhueta dela um pouco mais a frente. Estava de costas, e parecia segurar uma pinça grande, colocando algo em uma tigela com um líquido transparente.

Loki permaneceu onde estava por alguns minutos, observando os movimentos graciosos daquela garota. Ela fazia tudo parecer fácil, mesmo que para ele aquela sala não fizesse sentido nenhum com aquelas máquinas e tigelas. O cabelo dela estava preso de forma despreocupada, fazendo grandes mechas descerem pelo rosto e quase esbarrarem na mesa em que ela se apoiava. Ela nem ao menos havia se dado conta de que não estava mais só, tamanha sua atenção.

Ele sorriu, andando calmamente em direção a ela.

Laila sentiu um par de mãos grandes pegando sua cintura e, como era de se esperar, derrubou a pinça, assustando-se. A foto caiu na tigela, mas ela não soube disso, pois no momento em que sentiu o toque, virou-se, afastando-se brevemente.

- Pare de fazer isso. E não me toque.

Loki revirou os olhos.

- Até quando vai se desviar dos meus toques?

O modo que ele fez a pergunta deixou bem claro o que ele sentia. Loki desejava aquela humana, e já estava farto de esconder isso dela, ou de negar a si mesmo aquele desejo. Ela o atiçava de uma maneira estranha, o preocupava e o deixava curioso sobre tudo o que se relacionava a ela. Laila fez uma careta, mas não respondeu.

Eles ficaram em silêncio por um bom tempo, até ela se virar e perceber que a foto ficara tempo demais no líquido e agora era apenas uma folha negra. Fez uma careta de irritação, mas antes que pudesse xingá-lo, ele a interrompeu com uma pergunta.

- Como sabe que tenho diferenças com a minha família?

Lá estava. A pergunta que tanto rondava a mente dele, mas que ele sempre relutou em fazê-la em voz alta. Laila jogou a foto queimada em um lixo que estava ali perto e virou-se novamente, olhando-o com atenção. Ele parecia realmente interessado na resposta.

- Desde que toquei no assunto você ficou estranho. Por dias. – ela deu de ombros, como se fosse óbvio. – Eu também tenho ressentimentos, apenas uma pessoa assim teria essa atitude.

Ele não disse mais nada. Seus olhos azuis desviaram-se para o chão e ele pareceu afundar-se em seus próprios pensamentos. Com a luz avermelhada, Laila não conseguia ver de forma satisfatória as feições dele e nem as suas expressões, mas sabia que o silêncio significava algo.

Ela ficou quieta, apenas esperando uma reação por parte dele. Ele finalmente a olhou depois de algum tempo, mas parecia querer mudar de assunto.

- O que você está fazendo?

Ele perguntou, e ela soube que era hora de deixá-lo em paz. Resolveu não prolongar o assunto que o incomodava tanto.

- O que eu estava fazendo? – ela pareceu irônica. – Revelando fotos...

E então começou. Ela ficou por quase vinte minutos explicando como ela fazia para revelar uma foto do modo que ela gostava. Uma revelação tradicional. Ela explicou como aquela máquina estranha funcionava e qual o procedimento de tudo. Explicou também o que cada líquido peculiar fazia. Aparentemente eram iguais, mas cada um tinha um objetivo.

- Esse sistema parece arcaico. – Loki disse.

- Sim, não se usa muito isso, agora com a tecnologia. Mas eu gosto de revelar minhas fotos pessoais assim. Acho que ficam mais bonitas.

Ele esticou o pescoço para ver o que ela estava revelando. Eram fotos de Bordeaux, fotos que ela tirara nos tempos de folgas. De lugares que ela adorava visitar e de momentos aleatórios de pessoas desconhecidas. Loki não queria admitir, mas eram belas fotografias.

Ela continuava a falar, e de repente ele percebeu que ela conversava com ele normalmente, como se ele fosse alguém qualquer e não um assassino em seu apartamento. O ressentimento havia sumido para dar lugar a uma conversa trivial. Laila costumava falar muito quando o assunto era de seu interesse. E à medida que ela ia se empolgando, sua expressão ficava mais leve e sua voz parecia mais liberta.

Loki gostava disso, e percebeu que precisava apenas ficar calado para que aquilo continuasse. Também tentou convencer a si mesmo de que gostava disso não por ser a Laila que ele um dia conhecera, e que antes não sabia quem ele realmente era, mas por ter que suportar aquilo como uma oferta de paz. Afinal, precisava dela. Ainda. Não?

Então por que não conseguia parar de olhá-la?

E então, como se uma força estranha o atraísse, ele estava ao lado dela. Laila percebeu a aproximação dele, sabendo que em volta dele havia algo, como se realmente ela sentisse a magia que ele podia manusear. Loki a atraía de uma forma sobrenatural. Mas ela não esperava algo diferente. Afinal, aquele homem ao lado dela não era comum.

Ela manteve a calma, tentando não pensar muito que estava ao lado de um deus nórdico assassino.

- Você quer saber minha história?

Ele perguntou, pegando-a desprevenida. Ela colocou a última foto em um pregador que estava ali perto e respirou fundo, olhando para ele com leve relutância e desconfiança.

- E por que isso agora? – devolveu a pergunta.

Ele não soube responder. Odiava aquilo, não era o tipo de pessoa que precisava procurar por respostas a perguntas usuais.

- Eu... talvez eu tenha necessidade de falar sobre isso com alguém que passou por algo similar...

Ele parecia pensar na própria resposta. Laila percebeu que eles estavam entrando em um terreno perigoso.

- Na verdade, Loki... – ela o olhou com atenção. – Só quero saber de sua história se você realmente sentir vontade de contá-la... e se sentir à vontade com isso.

- A única pessoa que me sinto à vontade é com você.

Ele respondeu prontamente, deixando-a até mesmo surpresa. Aproximou-se mais um pouco dela.

- Posso lhe dizer tudo, mas antes quero fazer algo...

A aproximação foi lenta, mas logo ele estava com o rosto quase colado ao rosto dela. Laila estremeceu, mas ficou quieta, apenas esperando uma reação dele. Loki abaixou-se um pouco e correu com leveza os lábios finos pelo rosto dela, saboreando superficialmente o gosto daquela garota. Ele desceu o toque levemente, mordiscando o queixo dela e fazendo-a fechar os olhos.

- Loki...

- Não resista, Laila...

Ele disse, mais como uma ordem do que como um pedido, mas a verdade era que ele queria também, queria tanto que doía, e se ela recusasse, ele enlouqueceria. Mas ela não parecia querer recusar, pelo contrário, seu corpo começava a aproximar-se do corpo dele, sentindo o seu peito largo subir e descer por causa da respiração tranquila.

E quando ele percebeu que ela não ia afastá-lo, capturou os lábios carnudos com os seus, finalmente sentindo-os do jeito que queria senti-los desde que a colocara na cama na noite anterior. Sua língua invadiu a boca dela com facilidade e ele apertou-a de encontro à mesa em que as tigelas estavam, fazendo com que ela sentisse como ele estava excitado.

O beijo era lento, mas ao mesmo tempo ávido. Loki queria senti-la estremecer, queria correr as mãos pelo corpo dela. E Laila... Laila não conseguia pensar muito no que estava fazendo. Ele era sim, persuasivo, e nem precisava muito usar as palavras para isso. Com meros toques nos lugares certos, lugares que ele parecia saber quais eram, e ela estava entregue. Completamente entregue.

Tão entregue que não percebeu as mãos dele pegarem a cintura dela e a levantarem. Ele derrubou facilmente com a mão esquerda as tigelas, no mesmo momento em que a colocava em cima da mesa. Laila se separou dos lábios dele brevemente, olhando com olhos bem abertos o estrago que ele havia feito no estúdio.

- Loki!

- Eu conserto. Tudo. Com magia. Depois...

Ele deitou-a na mesa, suas mãos ágeis retirando facilmente as peças de roupas dela. Ela usava uma blusa leve de tricô, que deixou o seu corpo sem que ela precisasse ajudá-lo nisso. Puxou sua calça rapidamente, livrando-se das roupas íntimas também com rapidez. E quando ele deslizou a última peça de lingerie pelas pernas dela, Laila sentiu como se alguém estivesse a estudando com os olhos. Seu rosto pegou fogo, mas o fogo real estava nos olhos azuis dele, e no modo como ele fitava tudo o que havia descoberto.

Ele se aproximou dela, seus lábios encontrando levemente sua barriga e sugando a pele ali. Laila respirou fundo ante o contato íntimo, mas nada disse, seus olhos castanhos estavam focados na lanterna que emitia a luz vermelha, mas sua mente tomava nota de todo o caminho que ele fazia com a língua e com os lábios, e se sentiu um pouco envergonhada quando ele desceu vagarosamente para as pernas dela, mordiscando a coxa com delicadeza.

E logo depois, ela sentiu. A língua dele passou por seu sexo como se ele estivesse saboreando uma fruta exótica, e quando ela arqueou-se em direção a ele, dizendo por meio desse gesto que apreciara muito aquela ousadia, ele penetrou-a com um dedo, os lábios finos capturando a parte mais sensível dela e sugando-a para experimentar a sua essência. Laila abriu a boca, mas nem mesmo o gemido conseguiu deixar a sua garganta. Pois toda a energia de seu corpo estava focada apenas na sensação de tê-lo ali, saboreando-a da forma mais íntima possível.

Ela queria apertar algo para descarregar seu desejo, mas não tinha nada ali, então ficou à mercê de suas reações, arqueando-se mais à medida que ele a sugava e a lambia cada vez mais avidamente, mexendo com maestria o dedo e deixando-a quase à borda.

De repente ele parou, fazendo-a gemer em frustração. Laila retirou seus olhos da lanterna vermelha e com relutância o fitou. Loki estava com um sorriso malicioso e satisfeito no rosto, tendo a certeza de que ela apreciara cada investida e cada movimento de sua boca. Laila sentiu-se corar, mas não teve tempo para vergonha, pois logo percebeu que ele estava nu.

- Co-como...

- Magia é muito útil, Laila.

O modo como ele falava o nome dela... a deixava em êxtase. Ela assustou-se quando as mãos dele envolveram os tornozelos dela e ele a puxou em direção a ele bruscamente, fazendo-a quase cair da mesa. Mas ela não caiu, o corpo dele estava estrategicamente ali para fazê-la bater nele.

Loki sorriu antes de movimentar-se em direção a ela e penetrá-la, e o fez vagarosamente para sentir cada movimento do sexo da garota o apertar enquanto ele a invadia. Ele fechou os olhos com a sensação, mas ela permanecia de olhos abertos, não querendo perder nada da expressão dele. Ele parecia vulnerável naquele momento, e incrivelmente belo. Mas de qualquer maneira ele parecia ser o dono da situação, e ter controle total sobre ela.

Para Laila, aquilo era no mínimo insignificante, contando que ele continuasse ali.

Loki pegou as coxas dela para fazê-la ficar imóvel enquanto afastava o quadril e depois voltava a encontrá-la, prensando-a na mesa. Laila queria contorcer-se, mas ele a segurava com tanta força, que ela sabia que ficariam no mínimo as marcas dos dedos dele em suas pernas.

Ele tomou um ritmo prazeroso para ambos, mas depois de algum tempo o contato íntimo pareceu mais urgente e ele se aproximou, deitando-se sobre ela e capturando um dos seios com a boca. Mexeu-se mais rapidamente enquanto saboreava aquele pedaço de carne. Ela estava novamente em um estado de êxtase, mas ao contrário de minutos atrás, Loki não parou os movimentos, na verdade, parecia querer deixá-la daquela maneira, à beira da loucura.

E quando ela sentiu o desejo chegar ao seu máximo, deixando-a levemente tonta, abriu a boca para gemer, boca que ele tomou com prazer no momento em que travava seu corpo ao dela e derramava-se dentro dela sem nenhum pudor.

Pois era isso que acontecia quando eles esqueciam as diferenças. E pelo visto, seria um padrão. Ambos se entregavam ao desejo físico, ao desejo maior que sentiam um pelo outro. E o pudor era esquecido completamente.


Os dois estavam deitados no chão do estúdio de revelação há quase uma hora. O lugar estava um pouco quente por causa da porta fechada, mas mesmo assim ela sabia que iria esfriar rapidamente. A noite já devia ter chegado. Tinha muito tempo que ela estava ali dentro.

Ela pousava seu rosto no peito nu dele e os dedos dele acariciavam as costas dela quase como se estivesse dizendo a ela para não sair dali.

Laila pensava em tudo o que Loki acabara de contar, sobre o passado dele. Era realmente uma história longa. Uma história que não era comum, mas ela tinha que lembrar que eram histórias de outro mundo, e se passavam entre deuses.

- Em que está pensando?

Ele perguntou quase em um sussurro, quebrando o silêncio do local. Laila se remexeu ali, mas logo depois decidiu ser sincera.

- Acho que o que Odin fez com você foi um erro... ele não podia omitir isso de você... contudo, a intenção dele pode ter sido outra.

- Odin me pegou para barganha, Laila.

Ela ficou quieta por um momento, mas depois se apoiou no peito dele, olhando-o com atenção.

- Odin pode ter se arrependido. – ele bufou em descrença, mas algo no olhar dela o fez parar. – Sentimentos podem mudar, Loki.

O modo como ela o fitava quando disse aquilo o pegou desprevenido. Intenso... como se ela quisesse dizer algo por trás daquelas palavras. Aquilo mexeu com ele, de certa forma. Percebeu que estava há alguns segundos admirando-a, o modo como seus lábios pareciam inchados por causa dos beijos trocados, o modo como seu cabelo estava bagunçado e caía de qualquer forma em volta do seu rosto. Ela ficava linda daquela maneira, e ele quase lamentou quando ela voltou a se deitar sobre o peito dele. Logo seus dedos voltaram a acariciar as costas dela.

Laila tinha certeza de que aquilo era errado. Deixar aquele tipo de homem tocá-la. Pior: deixá-lo tocá-la novamente. Mas ela não queria pensar muito naquilo. Era errado, mas se sentia bem, e o momento era bom demais para que saísse dali.

- De qualquer forma... você tem sorte de ter um pai que o ama, mesmo que do jeito dele. – ela disse, visivelmente sonolenta. – Está frio... precisamos entrar.

Ela tentou se levantar, mas ele a impediu, o que a deixou ainda mais preguiçosa. A primeira vez que se deitara com ele também foi daquela maneira. Era como se ele esgotasse cada força dela.

- Você ainda não me contou sobre sua família. – ele pontuou.

- Eu estou com frio... – ela voltou a falar.

Loki gesticulou com a mão e sua palma foi percorrida por chamas verdes, que a esquentaram imediatamente. Laila se levantou, repentinamente fascinada com aquilo. Os olhos dela estavam claros devido às chamas.

- Como fez isso?

- Eu sou um feiticeiro, Laila. Fogo é um dos elementos que controlo.

Era quase cômico o modo como ela fitava as chamas, que agora saíam da mão dele e flutuavam em cima dos dois.

- Pode tocar.

Ele disse, percebendo a vontade que ela sentia.

- O fogo não vai me queimar?

- Apenas se eu quiser.

Ela olhou para Loki, mas logo depois voltou sua atenção para o fogo. Com relutância, estendeu o braço e tocou as chamas. Mas ela não sentiu a queimação, apenas um leve aquecimento, como se estivesse enfiando os dedos em água morna. Era agradável.

Ela sorriu. Um sorriso brincalhão e sincero demais para que ele não o admirasse no rosto dela. Mas logo depois ele se lembrou de algo.

- Laila, me conte o que aconteceu com você.

Ela percebeu ali o tom defensivo, como se ele estivesse obrigando-a, e não pedindo algo. Ela respirou fundo, sabendo que devia isso a ele, pois ele contara tudo para ela e confiara nela o suficiente para isso.

- Meu pai era muito violento. Ciumento. Minha mãe era uma mulher bonita, chamava bastante atenção na pequena cidade onde morávamos. O ciúme começou a descontrolá-lo. Ele partiu para a agressão física...

Ela ficou em silêncio por alguns segundos. Loki teve pouco tempo para processar a informação até que ela continuasse.

- Ele começou a violentar a minha mãe. Quando eu era pequena, apenas me escondia dele. Quando cresci, tentei impedi-lo. Foi quando a violência dele abrangeu nós duas.

Loki ficou estático onde estava. Ela estava sentada, e passava levemente os dedos por entre as chamas verdes. Os olhos dela pareciam lacrimosos, e brilhavam ainda mais por causa do fogo. Ele a admirou por breves segundos, entendendo-a perfeitamente. Entendendo o motivo de seu rancor.

- Até hoje sinto medo dele.

- Ele está vivo?

- Acho que sim... mas depois que eu e minha mãe nos mudamos, nunca mais o vi. – ela voltou a brincar com as chamas. – Mas nunca se sabe... às vezes o que queremos é apenas uma consciência tranquila. Eu teria uma se soubesse que ele está morto.

Loki não soube o que falar, apenas a puxou novamente e deixou que ela deitasse em seu peito. Seus dedos voltaram a acariciar as costas dela. Ficaram assim por muitos minutos, ela encolhida ali, não pelo frio, mas como se o corpo dele lhepassasse proteção, algo totalmente inviável, já que ele também representava o perigo.

Mas não naquele momento.

Loki respirou fundo quando sentiu o corpo e a respiração dela ficarem mais pesados, indicando que ela estava dormindo. Ele apagou as chamas verdes e o estúdio foi coberto com a luz vermelha usual. Levantou-se, pegando-a no colo e saindo do estúdio, onde ele desligou a luz e fechou a porta.

Andou calmamente até a porta de vidro que dava para e escada. Ele não sentia frio. Sua pele era acostumada ao vento gelado devido à sua origem. Desceu as escadas e entrou no apartamento, indo até o quarto.

Colocou-a na cama e cobriu-a com cuidado, conjurando as chamas verdes novamente, que flutuaram ao lado dela, aquecendo-a um pouco. A noite estava fria. Para uma humana aquilo devia ser desconfortável, julgando que ela estava nua debaixo daquelas cobertas.

Ele esperou-a se aconchegar no colchão e saiu do quarto, decidido a deixá-la descansar.

E precisava colocar alguma roupa também.