Aprisionados

Laila arrumava o cabelo e olhava para seu rosto um pouco cansado. Havia um espelho enorme em seu quarto, sua moldura era completamente adornada com desenhos rústicos e ao mesmo tempo belos, de uma cor ocre inigualável. Pensando melhor em tudo aquilo, tudo ali naquele lugar era belo. Desde o chão que pisava até os ornamentos e pinturas que havia no teto.

Usava a mesma roupa do dia anterior: uma calça escura colada ao corpo e botas que iam até o joelho. Vestira a blusa de malha fina com mangas compridas da cor verde. Depois de algum tempo, percebeu a cor que estava usando e sorriu, mas logo depois seu sorriso sumiu. Estava uma manhã bem fria ali, e ela não sabia o que a esperava realmente. Respirou fundo, olhando-se no espelho uma última vez.

Dormira mal. Estava muito nervosa para o dia seguinte e acabou pensando demais. Logo, não havia descansado. Isso era visível em seu rosto. Não estava de olheiras, mas ela se conhecia o suficiente para detectar com facilidade os sinais camuflados de cansaço nas linhas dos olhos.

Alguém bateu na porta e Laila sentiu seu coração dar um salto. Ela colocou a escova ornamentada com que escovara seu cabelo na penteadeira e dirigiu-se até a porta, abrindo-a com cuidado.

Havia uma mulher a esperando. Seus cabelos escuros eram lisos e iam quase até a cintura. Os olhos claros a fitaram com visível curiosidade. Era alta e usava uma roupa similar à roupa de guerreiros antigos. E era uma das mulheres mais belas que Laila já havia visto em sua vida.

Contudo, mesmo com sua beleza, aquela mulher parecia triste, como se carregasse um fardo estranho sobre si. E ela não parecia muito satisfeita de estar ali, mesmo que o sorriso dela antes de cumprimentar Laila indicasse o contrário.

- Bom dia, meu nome é Sif.

Ela fez um pequeno cumprimento com a cabeça e Laila sorriu para ela, voltando o cumprimento.

- Bom dia. Sou Laila.

Sif gesticulou para que Laila a acompanhasse e no momento em que a garota fechou a porta, a mulher começou a andar a passos largos pelo corredor longo. Não olhava para Laila quando disse o motivo de estar ali.

- Thor me pediu para que eu a acompanhasse até a cela onde Loki está cativo. Thor a encontrará lá.

Àquelas palavras, Laila franziu o cenho.

- Espere. Cativo?

Perguntou para a mulher, que dessa vez desviou os olhos claros para ela. Laila permaneceu em alerta. Para ela, Loki era filho de Odin, mesmo que adotado, e nunca poderia ser preso. Ele teria uma política de julgamento diferente, não? Sif tratou de esclarecer a mente de Laila.

- Loki é considerado um inimigo de Asgard desde que colocou os pés em Midgard pela primeira vez. Ao retornar, foi mantido cativo por alguns anos, sempre meticulosamente vigiado, pois, como você deve saber, é perito em enganar as pessoas...

Laila não gostou nem um pouco de ouvir aquilo. Aquelas palavras lhe lembravam da dúvida mais embaraçosa que rodou sua mente por seis meses. Loki teria enganado e manipulado sua mente? O que ela sentira por Loki fora fruto de uma trapaça?

Sif continuou.

- Infelizmente, Odin e Thor decidiram dar uma segunda chance e ele foi solto, mas vigiado do mesmo modo. Não podia sair do palácio de Asgard sem permissão do irmão ou do rei. E mesmo com todos os vigias, Loki conseguiu fugir. Nos assustamos quando isso aconteceu... Quando voltou a ser capturado, Odin decidiu colocá-lo novamente em uma cela por motivo de segurança.

Naquele momento, elas entraram em um corredor bastante escuro. Laila estava tão absorta nas informações que Sif estava lhe dando que perdera a conta de quantos corredores haviam virado e quantas escadas tinham descido. Mas ali era claramente subterrâneo. O frio piorara incrivelmente e a luz era mais esverdeada. Thor a esperava em uma espécie de sala. Olhou-a com visível prazer e sorriu minimamente, sabendo que aquele era um momento delicado para sorrir abertamente. Laila gostava do loiro, ele lhe passava confiança e carinho, ao contrário de Sif, que parecia cada segundo mais tensa por estar ali.

A câmara onde estavam era mais clara que o corredor. Uma luz amarelada, mais clara e muito bem vinda iluminava o local. Laila conseguia ver os rostos dos dois com clareza agora. E por causa da iluminação, Thor percebeu o rosto da garota ficar levemente sério.

- Por que Loki está cativo?

Laila não sabia se tinha permissão para questionar o príncipe daquele planeta tão diretamente, mas aquela questão estava a deixando inquieta e ela sabia que era questão de minutos até que ela saísse de sua boca. Thor abriu a boca para responder, mas Sif o interrompeu.

- Porque Loki é um assassino. E corretamente julgado em Asgard. Ele é culpado.

- Eu sei disso tudo, mas... Ele não é príncipe de Asgard também?

Laila perguntou, olhando para Thor, mas novamente foi a morena que respondeu.

- Loki é traiçoeiro, as celas são mais seguras para pessoas como ele.

Ao ouvir aquilo, a paciência de Laila se alterou um mínimo e a simpatia momentânea que ela sentia por aquela mulher diminuiu drasticamente. Ela olhou para Sif.

- Você não gosta muito dele, não é?

Perguntou. A morena abriu a boca para responder, mas foi impedida por Thor, que levantou a mão e gesticulou gentilmente para que ela se retirasse do local. Laila a olhou com ódio, e depois se sentiu envergonhada com sua própria atitude. Ela não tinha direito de julgar Sif daquela maneira. Ao ver que a mulher virara o corredor, olhou para Thor com visível irritação.

- Como assim, cativo? Me chamou até outro planeta para me mostrar que ele não melhora por estar em uma cela? Isso chega a ser irônico!

Ela disse quase gritando, estava furiosa com aquilo. Conhecia Loki, não sabia se o conhecia tão bem quanto o irmão, mas era claro que ele não era um homem que apreciava o aprisionamento. Thor fez uma pequena careta.

- Loki é um fugitivo, Laila. E as leis de Asgard englobam todas as pessoas. – ele pautou. – Sem contar que Loki quebrou a confiança de todos quando fugiu de Asgard meses atrás.

Laila respirou fundo. Thor tinha razão e ela não sabia por que estava praticamente gritando com ele, já que ele era um príncipe, um deus e irmão de Loki. E ela uma mera mortal que fora chamada ali por circunstâncias estranhas. Thor virou-se para um corredor oposto ao que ela entrara com Sif e começou a andar, gesticulando para que a garota o acompanhasse.

- Loki está em sua pior forma. Ele costuma ser meio irracional quando está assim. – Thor começou a contar, parecendo um pouco inseguro ao falar. – Peço que não se assuste... Teremos guardas ao redor, caso ocorra algo.

Laila não respondeu, apenas continuou o seguindo. Logo entraram por uma porta que já estava aberta, como se os guardas já soubessem da possível visita. Ali era ainda mais frio que na câmara anterior. E mais escuro. Apenas uma luz azulada vinha da cela onde Loki estava. Laila parou a quase dez metros da cela, olhando para dentro com visível aperto no coração.

A cela era completamente de vidro e era a fonte do brilho azulado que ela percebera ao entrar no local. Havia apenas uma cadeira em um canto, mas Loki não estava sentado ali. Ele permanecia sentado no canto da cela, seus olhos estavam fixos em um ponto do chão, e ele não parecia se dar conta de nada que estava acontecendo ao redor dele.

A cela estava modificada por ele, Laila podia reparar no teto visivelmente congelado. Havia uma névoa característica do frio pairando sobre o local. Porém, o que ela conseguiu observar mais facilmente, não fora o jeito que a cela estava ou como os guardas a olhavam com curiosidade, foi como ele estava.

A pele de Loki estava com aquele tom azulado. Seus olhos vermelhos pareciam desfocados, e ele realmente estava imerso em pensamentos, pois nem ao menos virou o rosto em direção à porta quando ela entrara com Thor. Uma pequena nuvem saía do nariz dele quando ele soltava o ar.

Laila se preocupou com a falta de atenção do moreno. Virou-se para Thor.

- Há quanto tempo ele está na forma Jotun?

Thor parecia visivelmente surpreso com a pergunta dela. Eles começaram a se aproximar da cela.

- Já o viu dessa forma? – Laila assentiu, mas não deu muitos detalhes. Loki continuava a olhar para o chão, mas agora parecia ciente de que havia alguém perto de sua cela. – Há dois meses...

Ele respondeu. Laila respirou fundo e olhou para um guarda.

- Abra a porta.

Ela pediu. Não queria saber quem mandava ali ou se era Thor que precisava pedir aquilo ao guarda, ela sentia uma necessidade absurda e quase desesperadora de entrar na cela e confortar o homem que estava sentado no chão.

O guarda olhou para Thor e o loiro assentiu, dando a permissão. Ele abriu a porta da cela e a névoa saiu, fazendo todos ali fora sentirem o gelo que acompanhava o interior. Laila arrepiou-se com o frio, mas logo quando a névoa deu espaço para o interior da cela, ela conseguiu ver Loki com mais precisão. Ao ouvir que a porta se abrira para o que pareceu ser a primeira vez em seis meses, ele finalmente levantou o rosto e focou seus olhos nas pessoas que estavam ali. As orbes avermelhadas fitaram Laila com incrível surpresa e fascínio.

Thor percebeu um brilho diferente correr os olhos do irmão, mas nada disse. Mas de certa forma, temeu pela garota, sentindo-se indiretamente responsável caso algo ocorresse.

- Quero conversar com ele. A sós.

Laila pediu, fazendo com que Thor se remexesse inquieto.

- Acho que não é uma boa ideia.

- Eu não sei aqui, mas em Midgard é falta de educação conversar sendo ouvido por desconhecidos.

Ela não mencionou que o sistema prisional do seu planeta era muito parecido com aquele, mas sabia que Thor não deixaria os dois sozinhos caso ela falasse aquilo. Finalmente o príncipe assentiu, gesticulando para que os guardas se retirassem e a olhando com atenção.

- Qualquer coisa, é só me chamar. – ele olhou para Loki. – Tenha cuidado.

Laila assentiu e esperou todos saírem. Depois de alguns segundos, a porta da cela voltou a se fechar e as pessoas não estavam mais na câmara. Laila sentiu o frio quase cortante ali dentro, respirou fundo, vendo a fumaça sair pela sua boca quando soltou o ar, e virou-se.

Loki a olhava atentamente, como se estivesse duvidando de que era realmente ela parada a sua frente. Laila olhou para ele com visível carinho e saudade.

- Olá, Loki.

Outra nuvem saiu da boca dela ao cumprimentá-lo. Loki não respondeu e voltou a fitar o chão. Ela ignorou aquilo, aproximando-se e ajoelhando-se no chão frio da cela, em frente a ele. No momento, mesmo contrariado, os olhos rubros de Loki a fitaram novamente.

- O que você está fazendo aqui?

Ele perguntou, visivelmente irritado. Ela não respondeu de imediato, mas sustentou o olhar dele com coragem visível.

- Thor me chamou. – disse depois de alguns segundos.

Loki fez um barulho estranho com a boca.

- É claro que ele te chamou. – ele respondeu sarcasticamente.

- Não fale dessa maneira... Ele fez isso para o seu bem.

- Eu estou bem.

- Estou vendo isso.

Ela respondeu bruscamente, dando uma pausa naquela discussão idiota. Um silêncio estranho se instalou na cela. Apenas o barulho das respirações se era ouvido. A dela estava um pouco alterada, o frio começava a fazer efeito em seu corpo. Loki percebeu claramente os lábios dela começarem a ficar esbranquiçados. Laila aproximou-se ainda mais dele, olhando-o com atenção.

- Você sabe que está mentindo. Pare com isso... – ela disse calmamente. – Eu vi você apenas uma vez dessa forma... E você não estava bem. Assim como não está agora.

Loki a olhou com irritação.

- Você agora lê meus pensamentos? – ele perguntou. – Me deixe em paz!

O tom da voz dele se alterou um mínimo, mas isso não fez com que Laila se assustasse. Ela respirou fundo e cruzou as pernas, procurando uma posição mais confortável e sentando-se em frente a ele.

- Não, não vou lhe deixar em paz. – ela disse, ignorando o tom de voz dele. – Não vou sair daqui até você melhorar. – Loki a olhou de repente, vendo-a juntar as mãos em cima das pernas. - Você afasta a todos, mas a mim não vai conseguir. Viajei até outro planeta para tentar te ajudar, não vou desistir tão facilmente.

Aquilo o pegou desprevenido, mas nem por isso ele disse algo mais. Apenas continuou a fitando com estranho fascínio. O silêncio voltou novamente à cela. Laila fitava o chão, esperando esperançosa por algo. Depois de alguns minutos ali, Loki começou a ficar inquieto.

- Laila... – foi a primeira vez que ele disse o nome dela. – Você está ficando branca...

- Eu estou acostumada com o frio. – ela respondeu, sorrindo.

- Não com o frio dessa forma...

Ele parecia preocupado. Olhou em volta da cela, percebendo que havia gelo no teto e névoa por toda parte. A pele dela estava branca e os lábios estavam ainda mais esbranquiçados. Uma nuvem saía do nariz dela toda vez que ela soltava o ar. Ele se sentiu mal por ela, mas nada disse. Olhava-a com atenção quando ela abriu a boca novamente.

- Eu senti sua falta... De verdade.

Ele sentiu o sentimento por trás daquelas palavras.

- Laila...

Começou, mas não terminou. Queria dizer que aquilo tudo era errado. Que era absurdo e que os sentimentos que ela nutria por ele não seriam devolvidos. Moravam em planetas diferentes e a vida daquela humana era completamente diferente da dele. Nunca daria certo, ele nunca sentiria o mesmo por ela, nunca iria amar uma humana. Ele tentou dizer aquilo tudo, mas ficou calado. As palavras simplesmente se recusavam a sair de sua boca, como se estivessem gritando a ele para que ele não a machucasse tão profundamente.

No momento em que Loki pensava no que dizer para que ela saísse logo dali, foi surpreendido com o toque quente daquela humana em seu rosto. Os dedos dela passavam um calor bem vindo até mesmo naquele frio incomum. Ele estremeceu, tentou ignorar aquilo, mas seus olhos vermelhos buscaram os olhos castanhos dela de forma automática.

Ela estava perto, bem perto. Loki conseguia sentir o cheiro característico daquela garota. Aquilo só tornou tudo mais difícil.

Laila se aproximou ainda mais, colocando agora as duas mãos no rosto dele.

- Volte para mim.

Ela pediu, tocando carinhosamente os lábios frios dele com os seus. Apesar do local, Loki sentiu que a pele dela estava quente, como se ela se recusasse a entrar naquele mundo gelado dele, aquele mundo que era ruim e triste. Os lábios dela fizeram com que uma eletricidade incomum passasse pelo corpo dele, e sem conseguir se conter, antes que pudesse comandar o seu corpo a fazer o contrário, ele a puxava para si.

Laila sentiu-o abraçá-la. Bem como sentiu os lábios finos dele se afastarem, obrigando-a a fazer o mesmo. A língua gelada entrou na boca dela e Laila tentou ignorar que estava o beijando daquela forma Jotun. Mas não se importava muito com isso. O queria, sempre o quis, e sempre iria querer. Eles ficaram se tocando por bons minutos, até que Loki se afastou do rosto dela, mordiscando levemente o lábio inferior da garota e sentindo o gosto que ele tanto amava sentir ali. O corpo dela estava perto do seu, e os olhos castanhos o observavam com atenção.

O rosto dele começou a perder a cor azulada, a pele pálida começou a tomar o lugar que pertencia. Os olhos vermelhos foram ficando claros, até se tornarem aqueles olhos azuis que ela tanto amava. As linhas no rosto e mãos estavam sumindo aos poucos, mas depois de alguns minutos haviam desaparecido completamente.

O local ainda estava frio, mas aquele frio não emanava diretamente do corpo dele. Laila olhou para Loki, vendo-o voltar ao normal. Sorriu sem conseguir se conter. Mas apesar de sua real satisfação, Loki não parecia sentir o mesmo. O rosto dele estava sério.

Depois de alguns segundos ele suspirou.

- O que você está fazendo... É errado. – ele começou. – Uma humana em Asgard é errado. E eu sou perigoso, Laila. Sempre fui. – ele acariciou brevemente a bochecha dela. – Eu faço o que eu quero. E não meço consequências.

Laila ignorou boa parte daquilo. Ela sabia daquilo tudo antes mesmo de subir para aquele planeta. Não precisava daquela mulher Sif ou de Thor lhe dizendo a todo o momento que Loki era perigoso. E agora ele ousava dizer o mesmo? Ele não entendia que aquilo tudo era irrelevante?

Ela passou a mão pequena pelos cabelos lisos e negros, acariciando-o ali como sabia que ele adorava. Loki fechou os olhos, como se fosse um felino recebendo carinho depois de longos meses sem aquilo.

- O que você quer agora?

Ela perguntou, ainda o acariciando. Ele abriu os olhos azuis, fitando-a com atenção. Ela ainda estava perto, e os braços longos dele ainda a seguravam.

- Quero estar dentro de você. Experimentar todo o seu corpo com minha boca e língua. Apertar a sua carne...

Percebeu Laila ficar ruborizada, o rosto dele foi percorrido por um sorriso maldoso, um sorriso característico demais para que ela não se sentisse satisfeita em ver. Ele estava de volta. E continuou.

- Quero fazer você gritar meu nome. Senti-la se contrair quando chega ao orgasmo...

- Loki... – ela tentou falar, sentindo seu rosto queimar ainda mais.

Ele parou de falar, deixando o resto para a imaginação dela. Apoiou a cabeça no vidro da cela e respirou fundo, ainda com Laila nos braços, como se temesse que ela fugisse.

- Eu quero sair daqui...

Ele deixou no ar. Laila o olhou com atenção.

- Bom... Eu posso conversar com Thor. Seu irmão está muito preocupado com você...

Tentou se levantar, mas logo foi impedida pelos braços dele, que a enlaçaram novamente. Ele a puxou para si, colocando o nariz no rosto dela e aspirando aquele perfume delicioso que descobrira sentir falta por meses.

- Não... Fique mais um pouco. Por favor.

Ouvir aquelas palavras saindo da boca dele fez uma sensação engraçada de cócegas correr o corpo dela. Laila sorriu, sentando-se ao lado dele e voltando a acariciar os cabelos negros.


Odin olhava para Thor com visível atenção, mas algo no olho do rei deixava transparecer sua dúvida.

- Loki já está em sua forma normal... Ele melhorou bastante desde que a garota chegou aqui... – Thor relatou. – Pai, temos que retirá-lo daquela cela. Loki precisa ficar ao lado da humana. E ela não pode descer sempre àquele lugar.

Odin continuou olhando para o filho, ponderando seu pedido. Era perigoso tirar Loki da cela, já havia o perdido uma vez, uma possível fuga não seria impossível. Contudo, ele sabia que aquela oportunidade era única. A garota humana mexia com seu filho bastardo mais do que normal e aquilo era praticamente impossível.

- Ela tem grande influência sobre Loki... Isso é inegável.

Odin soltou em meio aos seus pensamentos, fazendo com que Thor assentisse.

- Solte-o. Mas quero guardas por todo o palácio. Quero a guarda redobrada! Ninguém dorme enquanto Loki estiver solto!

Odin disse, fazendo com que Thor desse um meio sorriso. Sabia que era exagero do pai, mas também sabia que precisava ser categórico em acatar suas ordens. Ele virou-se para sair dali e tirar seu irmão da cela, quando a voz do pai chegou aos seus ouvidos.

- Thor, a garota não pode ficar por tanto tempo em Asgard. Ela é uma humana.

Thor virou-se para Odin novamente, olhando-o com curiosidade.

- Está pensando no bem estar da garota agora?

O sorriso pequeno de Odin surpreendeu o filho.

- Não. Estou pensando além disso.