Sua

Laila estava na sacada do seu quarto observando tudo lá fora com atenção e certo fascínio. Asgard era muito diferente da Terra. Em tudo. No tipo de moradia, de arquitetura, as armas que usavam... Algumas pareciam ter saído de um filme de ficção científica, lasers e certos campos de força. Outras seriam julgadas arcaicas em seu planeta. Espadas, arcos e flechas, machados...

As mulheres sempre possuíam cabelos longos, que iam praticamente até a cintura. Usavam vestido de seda ou de tecidos que ela ainda não sabia quais eram, mas não se esforçava muito para descobrir, pois não era especialista no assunto. Na verdade, Laila era bem simples no modo de vestir, mas pelo visto os asgardianos acharam no mínimo estranho suas calças jeans e suas botas, pois no dia seguinte seu armário estava repleto de vestidos das mais diversas cores e sandálias douradas e prateadas.

Ela respirou fundo, sentindo o aroma diversificado que chegava à sacada do seu quarto. Sua cabeça era preenchida por diversos pensamentos, mas todos foram cortados quando ela escutou um barulho de batida na porta.

Ela saiu da sacada, andando até a porta e a abrindo. Thor estava do outro lado, e a olhou com atenção quando ela o fitou. Laila deu um espaço -enorme - para que ele passasse e o Deus do Trovão entrou no quarto. Ele parecia destoar de tudo ali. Thor era musculoso demais, alto demais e sua aparência parecia selvagem. E mesmo assim era belo.

O loiro a olhou e mexeu em uma flor que estava em um vaso ali perto, olhando as pétalas. A cena ficou ainda mais estranha.

- Loki foi solto pela manhã... – ele soltou, olhando-a logo depois para ver a reação da garota, que parecia surpresa e ansiosa com a notícia. – Eu gostaria de lhe agradecer... Por tudo. Por tudo o que fez por ele. Você poderá vê-lo mais tarde.

Ele disse em um só fôlego. O sorriso que Laila deu foi no mínimo reconfortante, quebrando a formalidade da conversa. Thor sorriu também, um sorriso tímido, que ela descobrira ser comum para pessoas não muito próximas, como ela.

- Até quando ficarei aqui?

Perguntou sem conseguir se conter. Havia passado uma noite tranquila, mas aquela pergunta sempre dava um jeito de aparecer em sua mente, perturbando-a. Não sabia até quando ficaria ali, e ela não podia ignorar que aquela não era uma viagem comum, afinal, ela estava em outro planeta. A expressão de Thor ficou mais séria.

- Primeiro eu preciso ver como Loki irá reagir depois de ser solto... – ele começou. – Preciso ver como ele vai reagir com você por perto...

Ao ver que Laila o olhava de forma questionadora, continuou.

- Ele precisa me escutar... Loki é uma pessoa muito difícil de conviver.

- Eu o acho simples. – Laila deu sua opinião. – Mas parece que todos têm uma opinião diferente aqui.

O sorriso de Thor naquele momento foi mais caloroso.

- Você não parece representar todos para Loki. – ele se afastou do vaso e caminhou até a porta. – É por isso que preciso de você aqui.


Quando ela viu que a noite havia chegado, saiu finalmente do seu quarto e caminhou em direção ao corredor leste, seguindo as coordenadas que Thor lhe dera. Fora extremamente desconfortável escutar a conversa de Thor, dizendo a ela que Loki estaria no quarto dele pela parte da noite e ela poderia ir vê-lo. Ela não sabia se em Asgard os costumes eram outros, mas onde morava não era comum uma garota da idade dela ser convidada a entrar no quarto de um homem. Principalmente de um homem como Loki.

Mas lá estava ela, andando calmamente pelo corredor. Ela conseguiu avistar a porta verde escura rapidamente, característica marcante da personalidade dele, aquela cor. Respirou fundo uma vez e bateu na porta, ajeitando o seu vestido, que ainda não estava habituada a usar.

Não houve resposta.

Ela esperou alguns minutos, sentindo seu coração começar a se acelerar na expectativa de vê-lo. Poderia ser idiotice, mas quando o vira a última vez, Loki estava em uma cela, vigiado por guardas. Ali não... Ele estava só. E ela não sabia o que aquilo poderia significar.

Demorou cerca de dois minutos para decidir abrir a porta ela mesma. Loki já havia feito isso em seu apartamento diversas vezes, invadindo sua privacidade. Por que ela não poderia fazer o mesmo?

Ela percebeu que o quarto estava vazio logo quando abriu a porta, mas havia claridade saindo de uma porta à esquerda, o que indicava que Loki devia estar no banho.

- Loki?

Ela o chamou. Porém, igual da última vez, não houve resposta.

Laila decidiu por não invadir mais a privacidade dele e começou a andar pelo quarto. Observou tudo com atenção, tentando se controlar para não tocar em nada. O quarto dele era diferente de tudo o que ela já havia visto. Por mais que Loki fosse considerado cativo e praticamente um desertor, o cômodo onde o príncipe bastardo dormia parecia estar intocado por outras mãos que não as dele.

Havia uma estante grande e alta, preenchida por livros com capas de diversas cores, alguns pareciam antigos, outros, mais recentes. Alguns estavam intocados, outros estavam colocados em uma mesa próxima, abertos ou marcados por algum tipo de pergaminho. Ela aproximou-se da mesa e correu os olhos pelas páginas dos livros, tentando descobrir o assunto que o mantinha entretido. Mas era inútil. Ela não conhecia aquele idioma, os símbolos eram muito diferentes, e mesmo que Laila estivesse acostumada com o alfabeto russo, ela nunca havia visto aquilo em nenhum lugar.

Voltou a andar, esquecendo-se da leitura de Loki. A cama era imensa, possuía lençóis negros, que estavam meticulosamente esticados como se uma criada tivesse acabado de sair dali. As cortinas verdes escuras esvoaçavam perto da grande porta da varanda. Tudo ali estava aberto. Um vento frio encontrava o corpo dela e fazia com que as chamas já baixas da lareira ameaçassem apagar definitivamente. Ela olhou com curiosidade para a grande porta. A vista ali era bonita. Mais bela do que a vista do seu próprio quarto. A varanda de Loki não dava para o centro de Asgard. Pelo contrário, o quarto dele ficava do outro lado do palácio, em um local mais distante, e apenas uma pequena parte de Asgard era vista. As montanhas e esculturas em pedra eram vistas com mais facilidade ali.

Ela se afastou da varanda, andando até o quarto novamente. Ao lado da cama, ela podia ver uma mesa com tampa de vidro. Aquilo chamou a sua atenção. Caminhou até lá e viu com fascínio uma coleção de adagas por detrás do vidro. Estavam colocadas em uma espécie de veludo e estavam meticulosamente alinhadas e limpas.

Laila ergueu a mão, como se fosse tocar em alguma.

- Sua mãe não lhe ensinou a não tocar no que não te pertence?

A voz grave e sibilada de Loki chegou aos seus ouvidos e Laila recolheu a mão no mesmo momento, olhando firmemente para a origem do som. Surpreendeu-se quando percebeu que estava em frente à porta do banheiro. A abertura agora era o suficiente para vê-lo.

Loki estava na banheira, os braços longos jogados para trás. Os cabelos estavam para trás, como sempre. Mas molhados. O banheiro era preenchido por um vapor pouco denso, o cheiro dos sais saía do banheiro e agora chegava ao nariz de Laila.

Ela não sabia o que dizer ou fazer, apenas ficou ali, parada e o observando, esperando que ele saísse da banheira e se trocasse para conversar com ela. Mas Loki não fez isso. Seu rosto fino foi percorrido por um sorriso jocoso e ele gesticulou com a mão para que ela entrasse no banheiro, pedido que ela pensou um pouco antes de acatar.

Timidamente, Laila entrou no banheiro. O aroma a consumiu no mesmo momento. Parecia algo como cravo... Mas apenas parecia. Era diferente, de um modo... Incomum. Mas era delicioso. Ela parou em frente à enorme banheira que ele estava e o observou.

Os olhos gélidos de Loki correram pelo corpo dela de forma atenta e Laila teve a sensação de que o deus estava a despindo com aquele olhar, teve a sensação de que, por mais que fosse ele ali na banheira, era ela que estava nua.

Decidiu por quebrar o silêncio constrangedor.

- Você tem uma coleção de adagas?

A pergunta soou com sarcasmo, como se ela estivesse o chamando de psicopata por ter aquele monte de facas dentro de um móvel. Loki apenas sorriu.

- É uma das minhas paixões...

- Tenho medo de suas paixões. – ela brincou.

- Eu também. – ele voltou a olhar para ela intensidade. – Principalmente paixões novas, que descobri ter há pouco tempo.

O rosto dela foi percorrido por um rubor agradável e Laila novamente ficou sem palavras. Então decidiu olhar para a janela que ficava ali perto. Não se via nada lá fora, apenas árvores e neblina. Loki cortou o silêncio.

- Você estava querendo falar comigo?

Ela o olhou, assentindo.

- Seu irmão me disse que haviam te soltado... Gostaria de saber como você se sente.

Loki fez uma pequena careta.

- Como se eles tivessem feito um favor.

- Bom... Você está solto. O motivo disso não importa. – ela tentou acalmá-lo.

- O motivo foi você.

Silêncio novamente. Loki colocou a cabeça no encosto da banheira escura e fechou os olhos. A pele pálida dele contrastava com tudo ali. Ele engoliu em seco e voltou a olhá-la.

- Thor acha que você pode me deixar mais... Manso.

Ele sorriu de forma maliciosa, fazendo com que Laila revirasse os olhos.

- As pessoas acham que você é um animal feroz. Eu discordo... Você apenas é... Bom, você.

Loki franziu o cenho, não entendendo muito o que ela quis com aquilo. Laila ficou um pouco deslocada ali. A conversa estava tensa demais para uma primeira conversa com ele livre. Ela gesticulou para ele.

- Vou esperar você terminar seu banho... Estarei no seu quarto.

Ela se afastou da banheira, mas logo parou de andar, pois a voz dele chegou aos seus ouvidos novamente, como uma ordem.

- Aonde você pensa que vai?

Um arrepio estranho percorreu o corpo dela. Laila virou-se para ele, um sorriso percorrendo o seu rosto jovial.

- Não preciso mais fazer o que você manda, Loki. Esqueceu?

- Você não vai fazer porque eu mandei. Você vai fazer porque quer fazer.

Ela se sentiu desafiada. Voltou a se aproximar da banheira e cruzou os braços.

- Tudo bem. Comece.

Ela disse, olhando-o com diversão. Mas Loki tinha planos mais... Maliciosos para ela.

- Dispa-se.

O rosto dela perdeu a expressão de diversão e logo ela parecia confusa com o pedido, mas Loki a olhava de forma tão intensa que ela sabia que ele não desistiria, e retiraria a roupa dela ali mesmo, ou a perseguiria até ela tirar. Um rubor dessa vez mais forte percorreu seu rosto, mas ela sorriu para ele.

- Me dê um bom motivo para fazer isso.

Ela o provocou, mas Loki não pareceu tão surpreso com a ousadia.

- Você não quer entrar na banheira? Você não sabe o que está perdendo... Em todos os sentidos.

Loki era terrível, e maldoso demais para que ela conseguisse sair ganhando daquele jogo de palavras. Laila revirou os olhos e colocou as mãos nas costas, no laço do vestido que estava usando, puxando o tecido fino, que desapertou o corpete no mesmo momento. Os olhos de Loki faiscaram.

- Mais devagar, Laila.

Ele pediu, fazendo-a ficar extremamente desconcertada com aquilo. Ela tentou levar tudo na brincadeira, mas ela tinha consciência do modo como ele a olhava, como se ela fosse um pedaço de carne que seria dado a um animal selvagem depois dele ficar muito tempo em uma jaula, faminto.

Ela retirou todos os nós do vestido vagarosamente e o tecido foi caindo aos poucos, revelando os seios e a barriga delgada. Loki não desgrudava os olhos azuis do corpo dela, e quando Laila finalmente deixou o vestido cair pelo seu corpo, permanecendo apenas com sua roupa íntima, ele sorriu.

- Livre-se disso e venha aqui.

Laila fez o que foi pedido, como se Loki fosse seu dono, ou algo do tipo. Ela caminhou lentamente para a banheira e entrou ali, sentando-se aos poucos e sentindo a água quente e deliciosa percorrer o seu corpo. Ela fechou os olhos ao contato, suspirando de forma baixa.

Aquilo o deixou louco.

Ele se aproximou dela, fazendo com que ela abrisse os olhos para fitá-lo com certa expectativa. O cheiro divino não vinha da água, mas dele. Como se ele tivesse lançado um feitiço de atração em seu próprio corpo, deixando-a zonza apenas em aspirar aquele cheiro.

- Eu adorei vê-la vestida com algo asgardiano... – ele começou, aproximando-se ainda mais. – Mas prefiro você nua.

Ela desviou os olhos para a água, mas logo percebeu o rosto dele próximo ao seu. Com cuidado meticuloso, ele tocou os lábios finos nos lábios dela, sentindo o sabor que ele tanto apreciava ali. Loki gemeu, fazendo com que um arrepio delicioso percorresse o corpo dela.

Timidamente, ela o enlaçou com os braços, e ele aproveitou-se desse gesto para puxá-la em direção ao seu corpo, sentindo os seios firmes apertarem o peito dele, sentindo as pernas trêmulas dela ao lado do corpo dele.

Ele estalou os dedos e ela percebeu uma iluminação diferente percorrer o banheiro. Pareciam velas, mas não eram. Eram apenas pequenas chamas que flutuavam em volta da banheira, iluminando-os com um brilho amarelado. Ela sorriu.

- Isso tudo para parecer romântico?

Ela não se conteve em fazer a pergunta, mas Loki apenas mordiscou a orelha dela.

- Isso tudo para, caso você queira fugir daqui, eu possa aumentar as chamas.

Ela sorriu e ele capturou novamente a boca dela, iniciando daquela vez um beijo mais lascivo. A língua dele envolveu-se com a língua dela, e Laila tomou consciência das mãos longas pegando a sua cintura, uma permanecendo ali, como se temesse que ela saísse de perto dele, a outra descendo sensualmente pelo corpo dela, até encontrar o meio de suas pernas e tocá-la da maneira mais íntima que ele poderia tocar.

Ela gemeu, finalizando assim o beijo e puxando-o mais para perto, como se pudesse sentir melhor os dedos dele fazendo o trabalho divino que estavam fazendo. Laila não acreditava muito que estava ali, em outro planeta, com um deus nórdico a tocando em uma banheira no mínimo imensa. Parecia um sonho. Um delicioso e erótico sonho.

- Eu preciso sentir... Você.

Ela pediu, pela primeira vez desde que se conheceram. Ouvir aquele tipo de pedido saindo da boca dela foi quase como um presente para ele. Loki fechou os olhos, respirando fundo.

- Você está deixando tudo mais difícil para mim. – ele reclamou.

- Por quê?

- Estou tentando me controlar desde que escutei você entrando no quarto.

Laila sorriu com as palavras dele, beijando o queixo de Loki levemente.

- Nunca pedi para você se controlar nesse quesito.

Os olhos dele pareciam refletir o fogo das chamas, mas ela sabia que tal fogo vinha dele mesmo. Loki tomou a boca dela novamente, retirando sua mão de entre as pernas dela e direcionando seu membro para o lugar que ele desejava estar desde que aquela garota entrara em sua cela, com palavras tolas e pedidos afetuosos.

Ele a penetrou com cuidado, sentindo cada parte do interior dela, sentindo o sexo dela o apertar, como se soubesse quem ele era e que o lugar dele era ali.

- Ah... O céu.

Ele disse em meio a um sussurro, fazendo-a sorrir e mordiscar o ombro dele levemente.

- Então desfrute do céu... Desfrute do que é seu.

Aquelas palavras finalmente o pegaram desprevenido. Ele empurrou e puxou a cintura dela com delicadeza para que ela movesse o quadril, fazendo com que ambos sentissem os movimentos.

- Minha...

Ele disse, saboreando o significado daquela palavra. Sim. Laila era sua. Nem mesmo outro humano tocaria naquela garota. Ela era sua no momento em que esbarrara com ela naquele parque, o corpo suado dela derrubando-o de forma quase violenta. Estava fraco naquele dia, e um pouco desorientado. E ela o ajudou.

Inocente, bela e amável.

Características que ele assumia achar tolas para qualquer pessoa, mas que desenhavam de forma bela aquela garota que ele possuía. Laila era assim, sua essência era ser boa para com os outros, e ele gostava dela por causa disso. Não sabia dizer ao certo em qual momento aquilo começara atrai-lo, mas sabia que naquele momento ele só conseguiria pensar em Laila. Possui-la, proporcionar prazer a ela.

Ela fechava as pernas no corpo dele, puxando-o em direção a ela cada vez com mais força, como se quisesse senti-lo cada vez com mais intensidade. Loki percebeu o desejo dela, e logo começou a mexer o quadril ele mesmo, penetrando-a mais fortemente e fazendo-a gemer com os gestos. As unhas dela fincaram nas costas largas do deus, e os dentes fecharam-se no ombro dele, fazendo com que ele chegasse à sua borda.

Ele possuiu-a com toda a força que ele conseguia possuir com os corpos envoltos em água, ele a tomou com prazer, lascívia e desejo puro, mas algo em seu íntimo se regozijava ao vê-la estremecer nos braços dele, senti-la apertá-lo com as pernas e com seu sexo, ouvi-la gemer o nome dele de forma quase idolatrada.

Sim... Ele gostava disso. Ele gostava de pessoas o idolatrando.

Ele mexeu-se uma última vez, derramando-se dentro dela e sentindo-a entregue, do mesmo modo que sempre ficava quando a possuía e quando ambos descobriam-se grudados fisicamente, exauridos por causa do prazer que haviam proporcionado um ao outro.


Estavam deitados na cama dele há horas. Os lençóis negros já não estavam meticulosamente arrumados como antes, mas agora tampavam boa parte do corpo dela. Ele estava descoberto. Parecia não sentir frio, mas Laila tinha consciência do vento gelado entrando pela porta da varanda. Mas as chamas da lareira, agora reanimadas, proporcionavam um calor agradável ao quarto.

Ela deitava sobre o peito dele, sentindo os dedos longos de Loki acariciarem os cabelos dela. O silêncio não era desconfortável. Com aquele quarto mergulhado na quietude, ela podia escutar o coração dele com facilidade, e sua respiração tranquila.

Mas ela decidiu que já era hora de romper aquela paz.

- Não posso ficar em Asgard por muito tempo.

Disse, esperando a resposta. Mas a pergunta que veio a seguir a surpreendeu.

- Quem disse? – ele a questionou.

Laila levantou o rosto para fitá-lo diretamente nos olhos.

- Loki... Eu tenho uma vida na Terra. Além do mais, eu sou humana... Não posso ficar aqui, aqui é um lugar feito para imortais...

Loki permaneceu quieto, então ela continuou.

- Um dia terei que ir... E esse dia não irá tardar, arrisco a dizer.

Aquilo o deixou visivelmente inquieto. Loki se remexeu entre os lençóis, mas os olhos azuis permaneceram focados no teto. Laila respirou fundo.

- Você pode vir comigo.

Ela fez o pedido, sentindo seu coração se acelerar ante a expectativa da resposta. Mas Loki a decepcionou. Mais uma vez.

- E voltar para aquele antro de estúpidos?

Ele perguntou de forma quase ácida. Falar da raça dela parecia ser um esforço para ele, parecia irritá-lo. Laila se sentiu no mínimo triste com a pergunta.

- Loki, não fale assim da minha raça. Não se esqueça de que também pertenço àquele antro. – ela deu ênfase à última palavra. - Você está deitado com uma humana!

Ele revirou os olhos, mas não pediu desculpas.

- Você é diferente. – Loki soltou.

- Diferente como?

- Não sei... Diferente.

A explicação foi evasiva, deixando-a ainda mais perturbada. Ele ficou calado novamente, e ela percebeu que aquilo estava indo para um caminho que ela não queria que fosse. Respirou fundo, tentando se controlar com as palavras.

- Somos muito diferentes, Loki...

Ele enrijeceu.

- O que você quer dizer com isso?

Finalmente ele a olhou, mas Laila já não o olhava mais, temendo que, ao fitar aqueles olhos gélidos, perdesse a coragem de dizer o que pretendia.

- Eu acho que isso tudo um dia terá que acabar. É loucura... Eu sei. Agora eu sei. E para que eu não sofra mais, é melhor que acabe rápido. – ela agora tinha a total atenção dele. – Eu sei que você é um imortal frio, mas eu sou humana, e tenho sentimentos... E sentimentos são difíceis de irem embora.

O sorriso enviesado que Loki dera apenas a deixou mais irritada.

- Sente algo por mim?

Ele perguntou, deixando-a envergonhada. Mas ela tomou a coragem necessária para olhá-lo.

- E se eu sentir?

Devolveu a pergunta. Mas a resposta a deixou sem rumo.

- Será o maior erro que você um dia irá cometer.

Duas coisas Loki percebeu logo quando terminou a frase; os olhos castanhos dela tomarem um brilho incomum, uma mistura de lágrimas e fúria, e o corpo dela deixando o colchão, fazendo um estranho vazio correr o corpo dele.

Ela se levantou, procurando o vestido e começando a recolocá-lo de qualquer jeito no corpo.

- Aonde vai?

Ele perguntou. Ela era rápida, e já estava atando o último nó do vestido, fazendo o último laço. Ela calçou as sandálias.

- Para meu quarto. Amanhã converso com Odin, seu pai. Vou voltar para a Terra.

Ela respondeu, andando para a porta do quarto dele. Loki ficou atônito com a atitude dela. Ao colocar a mão na maçaneta dourada, ela virou-se rapidamente para ele.

- Já fui magoada demais por pessoas...

Ela deixou aquilo no ar. Uma informação nova e preciosa. Mas antes que Loki pudesse perguntar quem havia a magoado no passado, o som da porta se fechando chegou aos ouvidos dele.

Estava só.

Novamente.