CAPÍTULO DOIS: AS COISINHAS MAIS VISUALMENTE AGRADÁVEIS DO UNIVERSO
Acordei com barulhos no quarto ao lado. Reconheci quase imediatamente as vozes de Petúnia e Paige. Às vezes elas tinham o hábito de se reunir para fofocar ou testar maquiagens em frente ao espelho, o que significava sempre gritaria. Nenhuma das duas conseguia falar baixo.
Além disso, havia uma disputa velada entre ambas. Sua rivalidade era tão grande que ocasionalmente beirava a hostilidade. Lutavam verbalmente por todos os motivos. A última discussão fizera com que Petúnia trouxesse um namorado de arrasto para casa. O tópico do momento era o nível de devoção que seu atual acompanhante devia demonstrar. Obviamente, como alguém que não aceitava perder, Petúnia foi no zoológico e capturou o hipopótamo mais carente.
À parte da sua terrível aparência, ninguém podia dizer que Vernon Dursley não a venerasse. Ao contrário, pois Vernon era tão apaixonado por Petúnia que a recheava de presentes, de mimos e de elogios. Embora não fosse nenhuma beldade, ela tinha uma aparência agradável e sempre estava a par das tendências da moda. Além disso, seu humor áspero podia ser divertido quando sabíamos lidar com ele. O que tornava ainda mais injustificada a sua escolha de permanecer ao lado de Vernon. Ela podia chamar a atenção de rapazes mais distintos.
Mamãe dizia que entendia porque ela não terminava o namoro: acostumara-se a ser reverenciada (o que eu particularmente pensava que devia ser um pouco entediante depois de algum tempo).
"Petúnia, eu estou dizendo, garota." Como a parede que dividia nossos quartos era fina, eu sempre podia escutar todo o tópico das conversas. "São as coisinhas mais visualmente agradáveis do universo."
"Ah, Paige, eu não sei." Petúnia rebateu, com seu tom quase naturalmente arrastado. "Vernon me prometeu um anel de diamantes para o nosso noivado. E uma festa de casamento digna de cinema. Não estou disposta a trocar a segurança financeira pela incerteza. Sou um pouco velha para aventuras inconsequentes."
Noivado, pensei, um pouco surpresa, mas não exatamente surpresa. Eu podia ver a onda vindo apenas pela maneira como ela aprendera a puxar o saco da sogra.
"Bem, não é como se Vernon precisasse saber." Paige deu uma risadinha sardônica. "Ah, vamos lá, você precisa admitir que o sexo entre vocês não deve ser nada fantástico. Ele provavelmente chega ao orgasmo tão rápido que quando você diz 'pode começar', ele já terminou."
"Talvez. Mas se eu me importasse tanto com sexo, não estaria ao lado dele, para começar. Deixe-o em paz, Paige. E fale baixo. Lily pode dormir como uma pedra, mas escutará nossa conversa se estiver acordada."
Houve um bufo alto e deselegante no outro cômodo.
"Está bem. Eu só queria o melhor para você. Mas saiba que vou tentar levar o moreno para a minha cama e depois esfregarei todos os detalhes sórdidos na sua cara." Paige riu sonoramente. "O aspecto da vizinhança melhorou consideravelmente depois da chegada da Srta. Green, não acha?"
Suspirei, jogando os lençóis para o lado e levantando.
Obviamente, ela só podia estar falando de Sirius Black. Não havia nenhum outro rapaz na vizinhança que fosse tão atraente quanto ele. Nem mesmo Louis conseguia superar sua beleza áspera, selvagem e imprudente. E parte do seu charme residia no fato de que estar ao seu lado dava a todos a falsa imagem de ser uma aventura constante.
Espreguicei-me, abrindo a janela do quarto e arrumando a cama. Vesti uma bermuda jeans e uma regata verde e verifiquei o horário: 10h40min. Hora de tomar o desjejum.
Abri a porta do quarto, descendo as escadas até o andar inferior. Mamãe havia saído cedo para o trabalho, assim como papai, e eu tive de preparar meus próprios ovos mexidos. Sentei na frente da televisão com um copo de leite e assisti aos próximos dois programas antes de conseguir espantar a preguiça e ir fazer a higiene bucal e pentear os cabelos.
Havia uma brisa fresca, o que significava que aquele não seria um dia tão quente, mas ainda faria calor o suficiente para entrar na piscina.
Quando pus a cabeça para fora da janela, tentando espiar a rua, pude ouvir claramente o barulho de risadas e o som de AC/DC na casa do lado. Os Neandertais estavam acordados e ativos.
Grunhi, com algum mau humor.
"O que você está fazendo, sua anormal?" Indagou Petúnia, postada logo atrás de mim, curiosa, o que me surpreendeu.
"Uma verificação do território." Respondi, com toda a dignidade possível. "Estou de castigo." Relanceei os olhos por Paige, que estava atrás dela e franzia o nariz para mim. Ela nunca apreciara meu jeito casual de me vestir. "Olá, Paige. Pelo que eu ouvi, você vai se embrenhar numa nova aventura, hein?" Comentei, amigavelmente, dando a entender que escutara sua conversa. "Boa sorte com Sirius Black."
Petúnia franziu as sobrancelhas, passando a toalha de banho para a outra mão. Ela estava preparada para tomar sol.
"Você conhece os hóspedes da Srta. Green?"
"É claro. São meus colegas de escola." Encolhi os ombros, indiferente, o que fez com que uma máscara de horror se formasse no rosto dela. Na maior parte do tempo, fingia que nós éramos iguais, mas a bruxaria ainda a deixava enjoada.
"O que quer dizer que você pode nos apresentar." Disse Paige, não compartilhando dos sentimentos da minha irmã. Parecia, ao contrário, muito radiante com a declaração, embora lhe desagradasse o fato de que eu possuía vantagem com relação aos novos vizinhos. Ela gostava de estar sempre em primeiro lugar.
"Não, na verdade eu não acho que possa." Sacudi a cabeça. "Nós não somos exatamente melhores amigos. Mas por que você não bate na porta da casa ao lado e diz que precisa de uma xícara de açúcar?" Dei um sorriso brilhante e completamente falso na sua direção, cujo delineou um meio-sorriso no rosto naturalmente apático de Petúnia, que adorava humilhar a melhor amiga de algum modo. "Agora, se me derem licença, garotas, eu tenho lição de casa para fazer."
Passei elegantemente por elas, subindo outra vez para o segundo andar.
A parte do dever de casa não era exatamente mentira, mas ainda faltava mais de um mês para o término das férias e eu tinha muito tempo disponível para pôr a tarefa atrasada em dia. Meu conceito de pontualidade só se mantinha ativo no período letivo. No resto do tempo, não dava nem sinal de luz.
Aproveitei o tempo livre para arrumar o roupeiro e tirar pó dos móveis. No meio do processo, espiei pela janela. Paige e Petúnia estavam estendidas nas espreguiçadeiras, brilhantes de óleo de bronzear e com biquínis de cintura alta e cheios de lantejoulas. Como um par de vasos.
O fato de ter Petúnia em casa implicava no fato de que era inviável receber visitas. Ela ficava toda temperamental, dizendo que eu monopolizava a piscina e assustava suas amigas.
Perto do meio dia, já entediada, resolvi fazer o almoço. Numa não-natural amostra de simpatia, resolvi cozinhar para três.
"Ei, Tuney." Chamei, aparecendo descalça no pátio traseiro. Ela usava um papelão prateado para refletir mais sol para o rosto. "Você e Paige vão ficar para o almoço? Estava pensando em fazer massa. Mamãe deixou a carne pronta."
"Se você vai cozinhar e lavar a louça, por que não?" Ela encolheu os ombros, o que me fez revirar os olhos.
Nós almoçamos em parcial silêncio. Não havia muito assunto a compartilhar, e as garotas pareciam mais interessadas em sussurrar entre si do que tentar ser amigáveis. Nem mesmo se preocuparam em agradecer. Ao contrário, pois Paige criticou a quantidade de sal que eu usava e disse que eu devia colocar mais óleo na água da próxima vez, para evitar que o espaguete grudasse.
Limpei a cozinha com um sentimento de aborrecimento crescente. Estava quase me decidindo por tirar um cochilo quando ouvi o telefone tocar.
"Lily falando." Respondi quase no primeiro toque, ansiosa por um pouco de conversa amigável. Nas férias, não fazia o meu feitio ser antissocial.
"Lauren falando." A voz que soou do outro lado era levemente rouca e divertida. Embora Lauren e Isabelle não fossem irmãs gêmeas, eram muito parecidas e o que as distinguia mais facilmente era o tom da sua voz. Alex costumava zombar, dizendo que Lauren falava como um travesti, mas a voz fina e aguda de Isabelle, o completo contrário da irmã mais velha, era muito mais irritante. "Lily, bala de coco, estávamos morrendo de saudades de você!"
"Completamente verdade, Lils." Isabelle disse então, provavelmente na extensão do telefone, antes que eu tivesse tempo de responder. "Aliás, ficamos deprimidas quando descobrimos que você nos convidou para a sua festa da piscina e não estávamos aqui."
"Não que efetivamente tenha sido uma festa, claro. Você sabe que uma festa não é realmente uma festa se tem menos de vinte convidados." Acrescentou Lauren.
Respirei fundo, procurando me acalmar. Elas falavam tão rápido e de modo sincronizado que às vezes faziam minha cabeça rodar.
"Por onde vocês andaram?" Perguntei, com um sorriso divertido.
"Oh, você sabe, um pouquinho da França aqui, um pouquinho da Itália lá..." Isabelle deu uma risadinha. "Apenas para relaxar, aproveitar o verão."
Com a quantidade de dinheiro que seu pai costumava gastar com ambas, pelo simples prazer de ser bajulado, abraçado e coberto de beijos, passeios para fora do país eram mais do que frequentes na sua rotina. Elas passavam tanto tempo na Espanha, França e Itália que não devia nem mais ter graça viajar.
"Meu último verão antes da faculdade." Acrescentou Lauren, pesarosa. "Você sabe, vou para Oxford no outono. Embora, deva acrescentar, não estou nem um pouco empolgada com a perspectiva de continuar a estudar. Com toda essa nova cultura de paz e amor e "dinheiro não importa", por que eu devia me preocupar em ter uma carreira? Não quero ser moderninha."
"Bem, deixe-me dizer que você é bem moderninha pra quem não quer ser moderninha, queridinha." Rebateu Isabelle. "Lily, ela beijou quase dez caras nesse mês."
Mesmo naquele período mais liberal, com toda a onda hippie disseminada pela mídia, ter dez encontros num período de dois meses era um número bastante considerável. É claro, muito provavelmente os encontros de Lauren não se resumiam a nada tradicional. Apenas alguns abraços quentes, mãos debaixo da saia e adeus.
"Meu Deus, Lauren. Dez caras?" Conhecendo-a como a conhecia, aquele não era um número que devesse me surpreender. Mesmo assim, o fez.
"Uma garota precisa aproveitar as oportunidades, ora essa!" Rebateu Lauren quase que imediatamente, em clara defensiva. Como Louis, costumava pensar que a vida fora feita para ser abusada sem a sombra de quaisquer responsabilidades. "E que melhor maneira de curtir a vida do que junto de boas companhias?"
"Aposto como você nem sequer se lembra do nome de cinco dos rapazes com quem teve sexo." Disse Isabelle, um ar obviamente zombador em sua voz.
"Você está disposta a apostar sua mesada nisso?"
"Ah, bem, pra falar a verdade, sim, estou."
"Oh, merda." Resmungou Lauren, depois de alguns segundos. "Você provavelmente ganharia."
Nós rimos e conversamos mais algum tempo sobre as novas tendências da França e sobre o lindo empresário americano que Isabelle conheceu numa das festas sociais e particulares do hotel onde havia se hospedado. O romance só havia dado certo até o momento em que ele descobriu que ela era uma adolescente.
"De qualquer jeito..." Continuou Isabelle, após uma fungadela de aborrecimento. "Queríamos convidá-la para nossa festa de boas vindas. Hoje à noite."
"É claro." Respondi imediatamente. Uma festa seria a cereja do bolo para aquele dia terrivelmente entediante. Na realidade, em se tratando de uma festa das McKenzie, seria quase que um bolo inteiro de satisfação. "Que horas devo estar lá?"
"A hora que você quiser. O céu é o limite!" Respondeu Lauren, sempre exagerada, e soltou uma risada aguda.
Nos despedimos pouco tempo depois, prometendo continuar a trocar fofocas durante a noite, e eu só percebi meu pequeno probleminha quando depositei o telefone no gancho: meu castigo só terminava dali a dois dias e a regra dos amigos entram, mas Lily não sai era a única regra que valia naqueles tempos nebulosos.
Remoí durante algum tempo a respeito do que fazer. Ensaiei algumas desculpas esfarrapadas para justificar minha necessidade de deixar a casa durante a noite, porém conhecia a mãe que tinha e sabia que a probabilidade de que ela se deixasse convencer seria ínfima, para não dizer completamente impossível.
Como meu aniversário de dezessete anos ainda não havia chegado (era dali a duas semanas), não pude realizar o curso de aparatação das férias. De modo que logo concluí que a única opção viável seria a fuga. Surpreendentemente, não era a primeira nem a última vez que fugiria de um castigo, imagino, embora não costumasse fazê-lo, porque escalar a árvore para que pudesse saltar no jardim era um trabalho ingrato. Duas vezes mais árduo na hora de voltar.
Como justificativa por aquela posição tão contraditória (o perfeito exemplo da obediência no período de aulas, o perfeito exemplo da rebeldia no período das férias), costumava dizer a mim mesma que ninguém poderia me culpar por ser um tanto quanto inconsequente no verão. Era para isso que o verão servia, afinal: para que pudéssemos nos divertir.
Às 23h, joguei os sapatos pela janela. Ouvi ambos caírem sobre os arbustos, lá embaixo, provocando um intenso chacoalhar.
Permaneci imóvel, os ouvidos atentos, à procura de qualquer som que denunciasse que mamãe havia acordado. Mas só o silêncio contínuo veio, interrompido pelo cricrilar dos grilos.
Escalar a árvore e descer até o chão usando um vestido de cetim e esperar que o mesmo não tivesse nenhuma sujeira ao final do processo era o mesmo que convencer Petúnia a ir a um show do Kiss: missão completamente impossível. Porém estava esperançosa de que escaparia sem nenhum rasgo irremediável.
Coloquei os pés para fora da janela, sentando-me no parapeito, disposta a testar minha sorte, e estendi o corpo na direção da árvore. Afortunadamente (era o destino afirmando que um pouco de liberdade não caía mal a ninguém), um dos galhos mais grossos aproximava-se o suficiente do nosso telhado e eu dei alguns passos hesitantes sobre as telhas antes de montar no galho mais firme e me arrastar na direção do tronco.
Devo ter dado o suspiro mais dramático do universo quando enfim me embrenhei na copa, sentando-me sobre o galho, podendo visualizar o chão lá embaixo, já escondida pelas folhas. Foi um percurso de segundos, mas pareceu ter durado quase um século.
Meu movimento fez com que algumas folhas despencassem e, novamente, fiquei um longo instante muito silenciosa. Sabia que a probabilidade de ser pega àquela altura era praticamente impossível e que ninguém jamais desconfiaria do simples ruído da brisa sacudindo os galhos, mas tendemos a nos sentir muito culpados e temerosos quando burlamos as regras, o que serviu para aumentar minha cautela.
"Lily?"
Para meu completo terror, como se aquela fosse a realização de todos os meus temores, ouvi uma voz vindo de baixo.
Baixei o rosto, pronta para me deparar com meus pais, ainda que uma parte de mim soubesse que aquela voz não pertencia a nenhum deles, e meu coração estava quase saindo pela boca quando reconheci as figuras estoicas de James Potter e Sirius Black, com suas vassouras debaixo do braço e os cabelos completamente bagunçados pelo vento noturno.
"Shiii." Eu fiz, asperamente, furiosa por ter sido pega.
Potter fez uma cara surpresa, mas não objetou, e eu aproveitei o momento para pular para o chão.
Caí como um gato, escondendo-me atrás do tronco da árvore, de modo que não pudesse ser vista por ninguém de dentro da casa, e comecei a limpar os braços e as mãos, que agora estavam cheios de pequenos arranhões.
"Você está fugindo do seu castigo, Evans?" A voz de Black era claramente zombadora. Ele apoiou a vassoura no ombro com um sorriso indulgente.
"Não." Respondi, na defensiva, enquanto Potter erguia a cabeça e lançava um curto olhar para a janela entreaberta do meu quarto. "Só estou fazendo uma retirada estratégica." Justifiquei, embora soubesse que não deveria, e me abaixei para agarrar os sapatos.
Eles eram dourados e reluziam sob o reflexo da luz do poste, o que certamente deve ter chamado a atenção dos meus convidados.
"Toma." Potter enfiou uma das mãos no bolso da calça jeans e tirou de lá um lenço, o qual estendeu na minha direção quando terminei de me calçar. A sapatilha tinha um salto baixo, portanto eu chegava apenas à altura dos ombros dele. "Há um arranhão no seu pulso." Apontou com o queixo.
"Obrigada." Agradeci, de má vontade, porque logo que visualizei o machucado percebi que uma bolha de sangue se formava sobre a superfície da pele. A consciência trouxe a dor.
"É uma altura bem alta para uma simples retirada estratégica, não acha?" Comentou Black, sarcástico, e deslizou os olhos naturalmente maliciosos pela minha figura. O vestido era de alças, na cor azul suave, que combinava com meu tom de pele. "Está indo para um encontro?"
Era realmente surpreendente como ele podia ser mexeriqueiro.
"Estou indo para uma festa." Respondi, a voz áspera, e ergui o lenço para visualizar o machucado. Ainda sangrava. "Eu não quero, mas poderia levar vocês." Agora que haviam me interceptado, não me deixariam ir sem um interrogatório e duvido que fossem me deixar em paz mesmo lhes dizendo a verdade. "Em troca do seu silêncio."
"Você não precisa barganhar. Nós não iremos delatá-la para a sua mãe." Disse Potter, calmamente. Olhou outra vez para o caminho que percorri, uma expressão de dúvida. "Irá conseguir subir sozinha?"
"Não." Admiti, encolhendo os ombros. "Geralmente Alex me dá um pezinho."
"A Garota-das-regras foi pega no pulo. Parece que esse ano o Papai Noel veio nos visitar mais cedo, Prongs." Black soltou uma risada baixa e rouca que mais se assemelhava a um latido e um sorriso bonachão se formou em seu rosto.
Lancei um olhar duro na sua direção, mas não iria começar uma discussão. Levaria muito tempo e não valia o perigo de ficar à mercê dos ouvidos da mamãe.
"Se isso é tudo, vejo vocês depois." Despedi-me com amargor, porque sabia que, por mais que a ideia me enchesse de aborrecimento, definitivamente iria vê-los outra vez. Eles pareciam ter um dom secreto para esbarrar em meu caminho.
"Não tão rápido." Black bloqueou a passagem quando tentei passar por ele, fazendo-me erguer uma sobrancelha, impaciente. "Leve-nos para a festa."
"Achei que seu amigo houvesse dito que não haveria ameaças."
"Não é uma ameaça. Eu só quero ir a uma festa. Provincialmente, você sabe onde uma está acontecendo." Ele disse, encolhendo os ombros, e pousou a ponta da vassoura no chão. "Vamos lá, tudo o que você precisa fazer é indicar o caminho. Sequer precisamos manter contato visual."
Encolhi os ombros.
Supus que eventualmente Lauren e Isabelle acabariam por conhecê-los e me negar a levá-los seria apenas como retardar o sofrimento certo. Tinha a absoluta certeza de que elas fariam o possível e o impossível para atrair a atenção de Sirius Black. Era exatamente o tipo de garoto com quem se envolviam: feroz, rude e superficial.
"Suponho que eu possa fazer isso." Anuí enfim, com indiferença.
"Está bem, dê-me dez minutos. Vou largar as vassouras e chamar Peter e Remus." Falou Black, estendendo o braço e agarrando a vassoura de Potter, que arqueou uma sobrancelha e lançou um olhar aborrecido na sua direção. "Faça companhia à Evans, Prongs. A noite é cheia de perigos." Sorriu torto e partiu.
Potter ajeitou os óculos sobre a ponte do nariz e suspirou ao vê-lo se afastar com passadas rápidas, subindo os degraus que levavam à varanda da casa da Srta. Green e abrindo a porta.
"Você deveria ter dito não." Ele falou, a voz rouca, voltando os olhos para mim. "Não sabemos o suficiente sobre a cultura trouxa para que possamos ir a uma festa com eles."
"Não estou na escola. Não preciso ser sua babá." Rebati. "Se ele não tiver bom senso o bastante para manter a boca fechada, no máximo passará por louco. Além disso, as festas trouxas e as festas bruxas não são assim tão diferentes. Exceto que eles não usam as ridículas roupas cerimoniais que vocês usam."
"Que nós usamos." Corrigiu Potter, de modo brando. "E elas não são ridículas. São apenas tradicionais."
"Não defenda aqueles trapos de vovó." Resmunguei e baixei o rosto, fitando o ferimento que ainda pressionava. Ergui o lenço. O corte já havia coagulado, mas havia um círculo de sangue manchando o tecido branco do lenço oferecido por Potter. Eu vacilei entre oferecê-lo de volta ou simplesmente me apropriar dele, já que estava sujo pelos meus próprios fluídos. "Você quer seu lenço de volta? Eu posso lavá-lo e devolver amanhã ou algo assim."
"Não, tudo bem." Ele sacudiu a mão. "Minha mãe diz que devemos sempre andar com um lenço no bolso para oferecê-lo a uma dama necessitada." E sorriu, um pouco divertido.
Não tive opção além de sorrir também, embora não pelos mesmos motivos. Era um pouco engraçado que as mães sempre fossem tão encantadoras se comparadas aos filhos. Quem conhecesse a Srta. Green, toda divertida e bem-humorada, nunca poderia imaginar que ela havia posto no mundo a coisinha desagradável que era Peter Pettigrew.
A Sra. Potter havia acabado de comprovar minha teoria.
Estava certa de que a mãe de Remus seria igualmente doce e dedicada, embora ele não fosse nada parecido aos degenerados com quem costumava conviver, então ele não entrava na lista. Ficava apenas a dúvida a respeito de Walburga Black. E, deixe-me dizer, eu não colocaria minha mão no fogo por nenhum Black.
"Ela parece legal." Admiti, abraçando-me num gesto inconsciente. Voltei o rosto para o céu quando uma brisa gelada passou por nós e sacudi o rosto para tirar os cabelos vermelhos da frente dos meus olhos.
Quando me voltei para Potter outra vez, ele tinha a atenção fixa em mim, as mãos nos bolsos e uma expressão impossível de se ler.
"Você gostaria dela. O Big Ben também é sua construção favorita e ela tem o mesmo hábito que você, de morder o lábio quando irritada." Afirmou, calmamente. Estendeu a mão. "Você quer que eu guarde o lenço? Acho que não tem onde carregá-lo."
Hesitei antes de estendê-lo na sua direção. O tecido era de linho e tinha uma textura muito, muito macia.
"Como sabe que o Big Ben é minha construção favorita?" Indaguei, ignorando o calafrio que correu meu corpo quando nossos dedos se roçaram.
"Alice." Ele disse, em tom de quem explica tudo, e eu apenas sacudi a cabeça, em concordância. Afinal, Alice não era a moça mais silenciosa da Grifinória. Seu lema era compartilhar, inclusive informações da história de vida alheia.
Naquele momento, os garotos deixaram a residência da Srta. Green, não se preocupando em manter silêncio. Pettigrew, que parecia anormalmente nervoso, esbarrou num vaso de plantas que havia na varanda e quase fez com que um duende de gesso que havia no jardim se partisse em dois quando o chutou acidentalmente.
Lancei um olhar duro na sua direção, escondendo-me atrás da árvore, mas não me pronunciei. Remus tomou todo o trabalho de repreendê-lo para si e Black agarrou seu cotovelo para impedi-lo de trançar os próprios pés quando ousou erguer a cabeça para fixar a atenção em mim.
É claro, eu era a inimiga número um dos Marotos e o aborrecera durante anos. Pettigrew começava a suar só de me ver.
"Não se preocupe." Eu disse, tão logo ele se aproximou. "Não vou devorar você. Não acho que conseguiria." Zombei, fazendo-o corar. Black riu.
"Você é uma contradição ambulante, ruiva." Falou, quando começamos a andar.
"Evans." Corrigi automaticamente, lançando um olhar por cima do ombro para espreitar minha casa: para a minha sorte, todas as luzes continuavam apagadas, exceto a da varanda, e, se tudo continuasse naquele ritmo, estaria de volta antes que o despertador pensasse em soar.
Mantivemos uma conversa sucinta durante os primeiros minutos do caminho. Remus, um primor de educação, tomou a iniciativa e rompeu o silêncio desagradável, perguntando-me educadamente sobre meu verão e sobre os deveres de casa e educadamente eu lhe respondi que tudo estava bem e que nem havia começado a fazê-los.
Uma vez que Black e Potter pareciam muito entretidos numa conversa de vozes graves alguns bons passos atrás de nós, e eles eram normalmente a dupla mais aborrecedora, pensei que poderíamos manter aquele ritmo e continuar no patamar das perguntas impessoais.
Para meu desgosto, porém, nossos pensamentos aparentemente não estavam sincronizados, porque logo Pettigrew, numa voz que não passava de um sussurro estrangulado, perguntou onde estava meu namorado, e quebrou toda a mágica da cordialidade sumariamente exigida e só.
Voltei-me na sua direção com o maxilar rígido:
"No mesmo lugar em que está a sua namorada, suponho." Rebati, áspera. "Na sua imaginação."
"Mas-mas o loiro..." Ele hesitou e lançou um olhar desesperado para Remus, ao seu lado, como se à espera de ajuda voluntária.
"Alex?" Ergui uma sobrancelha, não exatamente surpresa. As pessoas tinham tendência a pensar que havia algo entre nós quando viam nossa interação. "Não. Alex não é meu namorado. Você está livre para tentar conquistá-lo." Dei um sorriso divertido ao imaginar a situação, o que fez Pettigrew corar e lançar um olhar aborrecido na minha direção.
"Você deve desculpar Peter, Lily." Remus deu uma curta risada constrangida, uma risada graciosa que era típica sua. "Você sabe que ele não é discreto."
Naquele momento, dobramos a esquina e pudemos ouvir o ruído da música.
Era uma sorte que a maior parte dos vizinhos de Isabelle e Lauren viajasse no verão, diferente da minha rua, que tinha seu contingente formado basicamente por velhas solitárias e velhas fofoqueiras, e às vezes uma mescla das duas - e nenhuma delas tinha uma vida social muito ativa. Provavelmente por isso gastassem tanto tempo observando a vida social alheia.
Apontei para a casa dos McKenzie.
"É logo ali." Disse, erguendo a voz para que Black e Potter pudessem me ouvir.
Leonard estava parado na porta, com um baseado preso no canto dos lábios.
Era uma surpresa que ele ainda tivesse alguns miolos sobrando, considerando o quanto de erva tinha fumado nos últimos dias.
Ele riscava um fósforo e acendia o baseado e deu uma profunda tragada quando ergueu a cabeça e nos viu chegar. Estava vestindo uns jeans encardidos e rasgados nos joelhos que provavelmente deviam pertencer a Louis e uma camisa social que contrastava duramente com os chinelos de dedos.
"Hey, Lils." Cumprimentou, sacudindo a mão para espalhar a fumaça pelo ar. "Você demorou. Olívia estava procurando por você."
"Tive alguns contratempos." Expliquei, sem entrar em muitos detalhes.
Pude ouvir a risada sarcástica de Black vindo logo atrás de mim, o que atraiu a atenção de Leonard. Ele desviou os olhos na direção dos rapazes, que pareciam até bastante apresentáveis, com seus jeans e suas camisetas trouxas.
"Uau. Você veio... bem escoltada." Comentou Leonard, franzindo as sobrancelhas, e pareceu levemente receoso, porque, por mais corajoso que fosse enquanto estava chapado, costumava ser sempre o garoto defendido durante a infância. Não havia nem um pingo de força guerreira naquele corpo de músculos flácidos.
"Esses são os amigos do nosso novo vizinho. Pettigrew." Apontei para Pettigrew, que ensaiou um sorriso hesitante. "Black, Potter e este é Remus."
"Eu sou Leonard." Disse o próprio, a voz levemente mole, e deu mais uma tragada antes de estender o baseado na nossa direção. "Vai um fumo aí?"
"Não." Resmunguei, adiantando-me e galgando os primeiros degraus que nos levavam à varanda. "Leo, eu já falei, você deveria parar com isso antes que seu cérebro vire gelatina." Virei-me para encarar os garotos. Eles continuavam no mesmo lugar. "Missão cumprida. Adeus." E entrei na casa.
Os objetos de pequeno porte haviam sido removidos, como sempre, e os sofás foram arredados para o canto da sala.
As luzes estavam parcialmente apagadas. Rolling Stones tocava em alto e bom som. Havia um balde de gelo sobre o aparador do hall de entrada, pilhas de copos de plástico espalhadas por todos os lados e guardanapos amassados e respingados de cerveja.
Encontrei Alex e Olívia curvados sobre o balcão americano da cozinha, rodeados por Danna, Louis e Isabelle, que riam alucinadamente.
Aproximei-me, espiando por cima do seu ombro: eles estavam tentando chupar duas fatias de limão sem usar as mãos.
"Lily!" Disse Isabelle assim que parei ao seu lado, e correu para me abraçar.
Seus cabelos castanho-escuros haviam sido presos num coque desleixado. Ela usava um vestido vermelho e justo que ia até os joelhos, destacando seu corpo naturalmente curvilíneo, e sandálias de couro que pareciam muito na moda nos últimos tempos.
"Oi." Sorri. "Você está bêbada." Comentei ao sentir seu hálito. "Não importa." Cortei-a antes que ela pudesse articular alguma resposta que fosse minimamente coerente. "Eu trouxe uns colegas de escola. Sugiro que você encontre Sirius Black, o moreno alto e de olhos negros, antes que sua irmã o faça, porque tenho certeza de que ela vai querer dar uma dentada naquela maçã envenenada."
"Moreno alto e de olhos negros." Repetiu Isabelle, dando uma risadinha patética, e concordou com a cabeça. "Anotado." E deixou a cozinha acenando.
Voltei a atenção para Alex e Olívia, que naquele momento já derrubavam sal no dorso da sua mão e se preparavam para o que parecia ser uma dose de tequila.
"Lils." Louis me cumprimentou logo, erguendo os olhos. Ele estava preenchendo os copos com uma garrafa que já estava na metade. Seus cabelos tinham um aspecto brilhoso naquela manhã e pareciam excepcionalmente macios. "Devo servi-la?" Sacudiu a garrafa, um ar de riso no rosto.
"Não se deixe ser facilmente convencida, Lily." Aconselhou Danna. Puxou o cigarro que Louis trazia preso no canto dos lábios, dando uma tragada. "Ele está tentando embebedar todos nós."
Seus dedos estavam cheios de anéis prateados e havia dúzias de pulseiras de miçangas em seu pulso.
"Que ultraje." Fiz uma careta e ri quando Alex e Olívia gritaram "Yo-ho-ho e uma garrafa de rum", lamberam o sal, chuparam o limão e viraram suas doses. Tudo ao contrário. "Quantas eles já beberam?" Indaguei Danna enquanto apoiava o corpo contra o balcão de mármore, ao seu lado, e via como os dois à minha frente batiam as mãos num High Five que ecoou pelo cômodo, quase se sobrepondo ao novo som de Jimi Hendrix.
"Seis." Respondeu Olívia, após um soluço, mostrando-me o sorriso mole típico dos bêbados. "Mas não se preocupi, meu bemmm, porque a noitche é uma crianxa!"
Suspirei.
"Enche o meu copo, barman." Disse, estendendo a mão e agarrando o copo de Olívia, que bateu palmas.
Cerca de meia hora depois, ou duas horas depois, não tinha certeza, nós estávamos nos sacudindo ao som de Chucky Berry no jardim dos fundos, dançando em volta das espreguiçadeiras, trançando as pernas e ensaiando passos sincronizados que, com nosso nível de bebedeira, quase não tinham nenhuma sincronia.
Largando o copo de cerveja sobre a mesa de madeira, voltei-me para Danna, que ria de uma piada estupidamente idiota contada por Alex, e lhe disse que ia ao banheiro.
Entrei na casa com um sorriso divertido, desviando dos rostos conhecidos (Molly, Leona, Raphael, Scott, Mia) e subi para o segundo andar, porque o banheiro do térreo estava ocupado. Esbarrei com Lauren no caminho. Ela ajeitava o vestido, saindo de um quarto, a maquiagem borrada e descalça, a própria imagem da perdição.
"Sirius Black, hein, querida. Uau." Sussurrou, piscando o olho na minha direção. "Obrigada." Começou a descer as escadas.
"Lily Evans sempre a serviço do mundo." Bati uma continência e tentei me curvar numa mesura, mas o mundo rodou, de modo que me apoiei na parede. "Terremoto." Falei, arregalando os olhos.
Naquele momento, Black deixou o quarto, vindo logo atrás dela, ajeitando o zíper da calça, e ergueu uma das sobrancelhas ao me ver jogar o cabelo para trás e suspirar, o rosto afogueado das quatro doses de tequila e uma expressão que não condizia com minha personalidade habitual.
"Você está bêbada." Disse, sem conter a gargalhada.
"Alegre." Corrigi, erguendo o dedo indicador, cheia de uma dignidade ridícula. "E realmente precisando urinar. Com licença." Passei por ele, adentrando no banheiro, onde permaneci durante alguns minutos.
Quando saí, esfregando as mãos molhadas no rosto para tentar afastar o ardor e a queimação provocados pela bebida, Black continuava lá, os cotovelos apoiados contra a balaustrada da proteção da escada, olhando para o andar inferior, provavelmente procurando pela sua própria vítima.
"Livre." Avisei, apontando para o banheiro, quando passei por ele, seguindo para as escadas.
Diferente do que eu esperava, porém, Black me seguiu e segurou meu braço ao ver que meu corpo pendeu anormalmente para o lado quando comecei a descer os degraus.
"Dá licença, ô, garoto." Pedi, as sobrancelhas franzidas, com uma careta. "Não passe os germes do sexo desprotegido para mim. Obrigada." E rompi o contato, espalmando a mão direita na parede para usá-la como apoio.
"Dance com James." Ele continuou a me seguir, dando alguns passos para tomar a dianteira, e barrou o caminho. "Uma dança." Prometeu ao ver minha expressão de desgosto. "Apenas uma."
"Eu não danço acompanhada." Encolhi os ombros e tentei desviar, passando por baixo dos braços dele, mas Black me segurou. Bufei. "Não, Black. Eu não quero dançar, está bem? Você pode apenas..." Tentei me livrar do seu aperto. "Me soltar?"
Naquele momento, ele aproximou o rosto perigosamente do meu, as sobrancelhas muito franzidas, uma expressão de concentração.
"Então se sente com nós. Cinco minutos." Sugeriu, impaciente.
Eu inspirei profundamente, porque estava com calor e começando a me sentir levemente nauseada, mas assim que o perfume dele tocou meu nariz, todos os pelos do meu corpo se arrepiaram de um jeito muito impróprio.
"Uau." Repeti a declaração de Lauren, porque não podia pensar em nada que fosse mais contundente. "Você cheira muito bem." Comentei, um pouco surpresa, a língua enrolada.
Black recuou e largou os meus braços como se tivesse sido atingido por um soco no estômago.
"Não é do meu cheiro que você deve gostar. É do cheiro do James!" Falou, e sua voz parecia mais um sussurro estrangulado, uma mescla de repreensão com medo que me fez arquear as sobrancelhas e entrar na defensiva.
"O quê?" Grunhi, muito mal humorada. "Não posso fazer nada." Ergui os braços e funguei. "Vou descer. Já perdi muito tempo com você."
"Se você sentir o cheiro de James, tenho certeza, certeza de que gostará ainda mais." Garantiu Black, cheio de uma segurança recém-conquistada. Olhei-o por um segundo porque, de algum modo, não conseguia descobrir como nossa conversa havia chegado até aquele nível e isso deve tê-lo feito se sentir mais impelido a me pressionar, porque agarrou meu braço. "Vamos, sim, você precisa experimentar."
N/A: Antes de tudo, feliz Natal e desculpa pela demora. O mês de dezembro foi bastante corrido.
De qualquer modo, como prometi, aqui começamos a ter uma palhinha dos Marotos. Sirius e James primeiro, é claro, porque eles são maravilhosos demais para ficarem em segundo plano :D No próximo capítulo, teremos a primeira interação solitária entre nossos protagonistas.
Estou planejando uns dez capítulos, então teremos bastante tempo pra desenvolver essa parceria e posterior relacionamento amoroso dos dois. Como afirmado anteriormente, nossa Lily será um pouquinho menos inflexível, de modo que não precisaremos de longos capítulos até que eles de fato aceitem a coexistência pacífica. Além disso, não há nada que um leve pileque ou uma brisa não resolvam :PP
Lembrando, é claro, que essa não é, de nenhuma maneira, qualquer espécie de apologia às drogas. Mas estamos na década de 70 e a questão das drogas tinha toda uma outra visão.
Niky, obrigada pelo comentário. Espero que tu siga acompanhando!
Um feliz ano novo a todos! Nos vemos em 2015!
