CAPÍTULO CINCO: DESMISTIFICANDO A ACROMÂNTULA DIABÓLICA

Gargalhei vendo a expressão confusa de Pettigrew. Embora Alex estivesse realmente se esforçando para ajudá-lo a entender a dinâmica do jogo, não estava sendo bem sucedido - o que não era exatamente surpreendente, uma vez que Pettigrew havia devorado metade da fornada de bolo de maconha antes de descobrir que estava batizada e estava agindo com o dobro de retardamento normal.

"Desiste, Alex. É impossível." Falei, notando sua frustração.

Ao meu lado, Lauren estava sussurrando algo no ouvido de Black, sua dupla (já que nenhum dos caras conhecia as regras do pôquer), e, pela expressão de ambos, podia dizer que eles tinham uma boa mão. Era incrível como Black parecia ter sorte no jogo. Sem se esforçar, ele havia arrancado metade das nossas fichas.

É claro, os melhores jogadores entre nós eram Olívia e Louis, que não estavam presentes, então não era difícil nos ganhar.

Remus não viera. A Srta. Green e Pettigrew haviam chegado do supermercado há cerca de uma hora e ele se prontificara a auxiliá-la a preparar o jantar, o que era bastante doce.

Eu havia devorado dois sanduíches enquanto Lauren explicava as regras gerais para os garotos, então ainda não estava com fome. Mamãe chegaria dali uma ou duas horas e todos estavam esperando para descobrir se ela me deixaria sair de casa para que pudéssemos ir para a lanchonete.

A maior parte do efeito da maconha tinha passado àquela altura.

James estava sentado ao meu lado, tentando decifrar os valores das nossas cartas, e eu inclinei o corpo na sua direção por um momento, mordendo o lábio. Sabia que tínhamos algo pelo qual talvez valesse a pena arriscar: um par, que poderia eventualmente nos render uma trinca, talvez até um Full House.

Não estava muito otimista, apesar disso. Experiências anteriores haviam me ensinado que eu não devia subestimar a sorte do maldito Black. Era muito provável que ele magicamente conseguisse um Straight Flush ou algo assim - apenas para esfregar nossa cara no asfalto, é claro.

"Ok, JP." Sussurrei, o que o fez erguer as sobrancelhas na minha direção. "Nós podemos ter algo aqui. Seu amigo, porém, teve a bunda beijada pela lua. Com certeza tem um jogo formado. Se você blefar bem o bastante, é capaz de fazer Laurie hesitar. Quão bem você pode mentir para Black?"

"Bem o bastante." Respondeu ele. Nossos rostos estavam bastante próximos. "Por que JP?"

"Eu gosto de JP." Encolhi os ombros. "Não vou chamar você de James. Não me leve a mal. Você tem um lindo nome, mas o efeito da maconha já passou."

"Eu gosto de JP." Garantiu James, anuindo, sério por um instante, depois sorriu.

Uma hora depois, embora James houvesse feito o possível e o impossível, Black e Lauren haviam dizimado nossas fichas e estávamos fora do jogo. Ouvimos o barulho da chave girando e logo mamãe entrou, bufando e cheia de sacolas. Alex correu para ajudá-la, como sempre fazia.

Papai costumava pensar que Alex tinha algum tipo de paixão secreta pela mamãe. Já mamãe, por outro lado, pensava que Alex nutria algum tipo de paixão secreta por mim ou por Olívia e que em algum momento das nossas vidas descobriríamos a reciprocidade do nosso amor e faríamos algo realmente louco e preocupante, o que chegava a ser engraçado. Como a vida amorosa de Alex era complicada!

"Sra. Evans, deixa que eu pego isso." Ele disse, polido, com um sorriso arrasador que fez mamãe rir.

Ela largou a bolsa sobre o sofá e se abaixou para dar um beijo no topo da minha cabeça. Estávamos todos reunidos em volta da mesa de centro da sala, meio esmagados entre os sofás e a estante, mas confortáveis de um modo estranhamente paradoxal.

"Olá, crianças." Cumprimentou, ao que recebeu várias respostas, e focou a atenção nos novos integrantes do grupo. "Fazendo amiguinhos, Liloca?" Indagou, divertida.

"Engraçadinha." Rebati, com uma careta, o que provocou risadas em Black e Lauren. "Esse é Peter Pettigrew, filho da Srta. Green. E esses são Sirius Black e James Potter, amigos dele."

Por um momento, ela não aparentou associar os nomes ao dos protagonistas das histórias que eu costumava contar sobre a escola, mas logo, para meu desprazer, houve um disparo em sua memória.

"Espere. James Potter?" Perguntou, reconhecendo, como era de se esperar, o nome do meu principal desafeto. Havia reclamado de James durante horas a fio ao longo daqueles anos. "Você é o rapaz que transformou a vida da Lilie num inferno cabalístico." Mamãe fitou James com diversão, o que o fez corar, sem esconder certo desconforto. "Você é positivamente famoso na nossa casa, meu jovem."

Ele se remexeu no lugar, sem saber como reagir. Ninguém gostaria de ouvir a mãe da garota que você gosta dizer que você transformou a vida dela num inferno cabalístico, eu acho.

"Obrigado?" Passou a mão pelo cabelo, o que costumava fazer quando estava nervoso.

"Oh, não, eu é que agradeço." Ela sentou na ponta de uma das poltronas e tirou os sapatos de salto alto, sorrindo. "Deixe-me dizer: vocês realmente sabem como se divertir, garotos. Eu gostaria que a Lilikins aqui fosse igualmente divertida, mas ela puxou ao pai dela, toda responsável, e, bem, acredito que ela precisava arranjar uns amigos que a fizessem ser mais impulsiva."

Lancei um olhar sarcástico na sua direção.

"Você me deixou de castigo porque eu dormi na casa de Olívia sem avisar." Apontei, em tom de obviedade.

"Eu sou sua mãe. Minha missão é fazer maldade." Mamãe soltou uma gargalhada, que fez Black rolar de rir, e se levantou, arrumando o cabelo loiro. "Vou tomar um banho antes de começar a preparar o jantar. James, Sirius, depois eu quero que vocês me contem pessoalmente a respeito dessas travessuras. Você também, Peter, fofinho."

Ninguém nunca deveria ter chamado Pettigrew de fofinho, porque ele corou e se engasgou com a própria saliva, começando a tossir. Evitando ser atingida, Lauren deslizou para o lado, enojada.

"Com todo prazer, Sra. Evans." Disse Black, galanteador, o que fez com que Alex, que se aproximava depois de ter provavelmente não apenas largado as sacolas na cozinha como também guardado todo seu conteúdo na despensa, o encarasse com uma careta.

"Ei, Sirius!" Ele chamou, voltando a se acomodar no seu lugar, ao lado de Pettigrew. Naquele meio tempo, mamãe subia as escadas e desaparecia da nossa vista, para minha alegria. "Só eu posso flertar com a Sra. Evans aqui. Cheguei primeiro, cara."

Black ergueu as mãos num gesto de desistência.

"Você está certo. Sinto muito."

"Na realidade, eu apreciaria se nenhum de vocês flertasse com minha mãe." Disse, secamente. Alex lançou um olhar chocado na minha direção, como se duvidasse da minha sanidade. Revirei os olhos, me levantando. "Vou conversar com ela sobre o jantar, mas não fiquem muito otimistas. Duvido que ela me libere do castigo."

"Talvez Alex deva tentar jogar seu charme." Zombou Lauren, rindo.

"Háhá." Resmungou Alex, azedo.

Desligando a atenção da conversa que rolava na sala, segui mamãe, que tirava as joias diante da penteadeira. Ela ergueu a cabeça imediatamente ao me ouvir chegar, fitando-me pelo espelho enquanto colocava a tarracha em seu brinco de pérolas.

"Algum problema, meu bem?"

"Eu só queria perguntar se posso sair para jantar com o pessoal." Disse, escorando-me no umbral da porta. Havia colocado um vestido leve antes de iniciarmos o jogo de pôquer, porque de repente não me sentia muito confortável por estar ao lado de James usando roupas de banho, mas a alça ficava deslizando a todo momento e mais uma vez eu a ajeitei.

Mamãe me lançou um curto, mas intenso olhar que já respondia tudo por si só.

"Castigo é castigo." Falou, abrindo o fecho do colar. "Você já não acha que sou muito boazinha deixando que seus amigos venham visitá-la, ao invés de prendê-la como a maioria dos pais faz? Além disso, você tem só mais uma noite. Não vai ser o fim do mundo ficar e jantar com os seus velhos."

Sorri diante do seu dramatismo.

"Você não é velha."

"A idade chega pra todo mundo, Lily. Pra todo mundo." Ela disse, com um suspiro dramático, e me empurrou para fora do quarto. "Agora desça e se livre dos seus amigos. Seu pai teve um dia difícil no trabalho e provavelmente vai apreciar um pouco de silêncio quando chegar. Faça-me um favor: descubra onde está sua irmã."

Suspirando, desci as escadas. Sabia que não podia exatamente reclamar do meu castigo. Mamãe estava certa. Ela era até bastante benevolente. Provavelmente porque eu estava de férias e aquele era meu único período em casa durante todo o ano. Mesmo assim, seria divertido dar uma volta.

Alex, que aparentemente ainda discutia com Lauren, voltou-se para mim assim que me aproximei.

"Nada feito." Soltei, em tom de desculpas. Abaixei-me no meu lugar outra vez para começar a juntar as cartas e as fichas. "Estou obrigada a ficar em casa hoje."

"Não há nenhuma maneira de convencê-la?" Questionou Lauren, abraçando os joelhos.

"Não." Encolhi os ombros. Mamãe era osso duro de roer. Uma vez que falava alguma coisa, era sua palavra final, não importando o quanto eu insistisse. "Você tem alguma notícia de Petúnia?" Perguntei, porque Paige e os McKenzie eram vizinhos e eu desconfiava que eventualmente Paige tivesse voltado do spa e Petúnia tivesse ido visitá-la.

"A última vez que vi aquela criatura do demônio foi semana passada, eu acho. Ela deve estar aterrorizando algum vilarejo próximo."

Nós todos meio que rimos das suas palavras, embora apenas eu, Alex e Lauren tivéssemos ideia da extensão da loucura de Petúnia.

James agarrou a caixa do jogo, que estava sobre o sofá, e me ajudou a guardar tudo em seus devidos lugares.

"Cara, eu estou realmente faminto." Reclamou Alex para ninguém em especial, esfregando o estômago. "A ida ao restaurante ainda está de pé, mesmo sem a Lils?" Indagou, voltando-se para Lauren, que havia feito a proposta de ir à nova lanchonete em primeiro lugar.

"Yep. Eu nunca perco uma chance de badalar, então, é claro, por mim está." Ela falou, voltando-se para os rapazes. "Jay, Six?" Os rapazes encolheram os ombros, não demonstrando se opor à sugestão. Lauren se virou para Pettigrew. "Dentro ou fora, Pete? É pegar ou largar."

"Ah, eu vou ficar de fora dessa. Sinto muito.." Ele respondeu, um pouco tímido. A aparência de Lauren certamente era um fator bastante condicionante sobre seu modo de agir. Ele não devia estar habituado a ter garotas bonitas o chamando por apelidos carinhosos. "Mamãe já está fazendo o jantar."

Era bastante visível seu apreço pela mãe. Embora não fosse difícil gostar da Srta. Green, isso fez Pettigrew subir alguns pequenos pontos no meu conceito.

"Okay, eu vou dar um pulo lá em casa, trocar de roupa e provavelmente desenroscar Isabelle de Leonard. Ou Leonard de Isabelle. Sei lá." Lauren se levantou, jogando o cabelo por sobre o ombro. Seu rosto se contorceu ao falar sobre Isabelle e Leonard. Eles haviam saído antes de começarmos a jogar com a desculpa de que Isabelle precisava pegar algo em casa e não haviam retornado até o momento. "Nós nos encontramos daqui uns quinze minutos na casa do Alex?"

"Eu preciso pegar algum dinheiro antes de irmos, mas sem problemas." James anuiu, encaixando a última pilha de fichas no local correto e fechando a tampa da caixa. "De quanto você acha que eu vou precisar?"

"O suficiente para você pagar o que vai comer." Zombou Alex, rindo. "Não, cara, sério, não é muito caro. Se você estiver duro a gente pode te emprestar. Fazíamos isso para Louis o tempo inteiro."

"Se tem algo que James aqui tem, é dinheiro, Alex. Não se preocupe." Black deu um tapa amigável sobre o ombro de James, erguendo-se. Àquele tempo, Lauren calçava as sandálias trançadas. "Vou com você, Laurie. Caso você precise de ajuda para trocar de roupa." Sorriu, travesso, e piscou o olho.

Ela correspondeu, rindo.

"Você é sujo, Black." Disse, divertida. Agarrou a bolsa e o chapéu e seguiu para a porta. "Até daqui a pouco, garotos. Lily, beijinhos, querida. Foi ótimo passar o dia com você."

"Tchau, Laurie." Respondi, após todos os rapazes terem entoado algo semelhante. Ouvimos a porta bater. "Deus, Lauren e Black fazem totalmente o tipo um do outro." Comentei, surpresa porque nunca havia percebido as semelhanças até então.

Pensando agora, não era muito surpreendente que não tivesse feito alusões. Não tinha por hábito misturar o mundo trouxa com o mundo mágico.

"Yep, muita sacanagem, nenhuma exclusividade." Apontou Alex, coçando o queixo. "Um cara tem que ter bons colhões pra ficar com a Laurie Linda, já que ela tem um par de bolas de ferro. Algumas horas ao lado dela me fazem pensar que sou malditamente pudico. Imagina a pressão de transar com uma garota que já experimentou metade da torcida do Arsenal?" Ele fez uma careta, levantando-se. "Hora de dar o fora. Preciso soltar um barro."

Fiz um som de asco, que provocou uma risada divertida em James, ao meu lado.

"Você compartilha demais, Alex." Reclamei, sacudindo a mão. "Só vá!"

"Até amanhã, princesa."

"Não use palavras doces depois de dizer algo como aquilo." Resmunguei, encarando-o, mal-humorada.

Quando Alex tinha partido, rindo, eu me virei para James.

"Obrigada." Disse, sinalizando a caixa de pôquer. Fiz menção de me levantar, porém ele segurou meu braço.

"Então estamos bem?" Perguntou, o que eu não entendi. "Sobre a conversa que tivemos mais cedo. Durante o verão, nós estamos bem? Nós somos... amigos ou algo?"

Agora que o efeito da maconha tinha passado eu meio que me perguntava por que havia concordado com aquela insanidade, para começo de conversa, mas a bem verdade é que James não era de todo mau fora da influência da escola, e eu não queria estragar meu verão com aborrecimentos desnecessários, afinal, eram as últimas férias antes da maturidade.

Além disso, o fato de que ele tinha um toque malditamente bom foi um fator bastante condicionante para que eu anuísse. Só de ter a mão dele sobre minha pele já sentia todo meu corpo meio que borbulhar e se arrepiar, ao mesmo maldito tempo, e eu nem sabia se algo assim fazia sentido.

"Nós estamos bem, JP." Garanti. "Até o fim do verão." Acrescentei, para ficar claro que tudo voltaria à sua normal e reconfortante rotina quando retornássemos para Hogwarts.

Por um instante parecia que ele iria querer contestar. Então crispou os lábios e concordou.

"O que você disser, Lily."

"Agora deem o fora. Nós nos vemos amanhã."

Então James e Pettigrew se foram, deixando-me só com meus próprios pensamentos. E alguns arrependimentos, embora fosse tarde para me arrepender. Já havia entrado naquela roubada. Inclusive havia convidado meus maiores desafetos para o meu aniversário. Era melhor deixar pra lá. O que estava feito, estava feito.

Guardei o jogo no armário de casacos, onde costumávamos empilhar as caixas de jogos de tabuleiro, e voltei para sala para ver televisão enquanto esperava mamãe sair do banho.

Para minha sorte, passava a reprise de um dos episódios da primeira temporada de As Panteras, quando Farrah Fawcet ainda fazia o papel de Jill Munroe. Eu adorava o cabelo de Jill Munroe. Tinha o mesmo tom do cabelo de mamãe e Petúnia. Às vezes eu gostava de fingir que era igual a elas.

Naquele meio tempo, Petúnia chegou, carregando algumas sacolas, o rosto corado de satisfação. Comprar era seu hobby.

"Por onde você andou?" Indaguei, voltando a cabeça para vê-la. Ela estava tentando se livrar das sandálias sem deixar cair nada no chão. "Mamãe estava te procurando."

"Eu estava com a irmã de Vernon." Ela explicou, distraída demais para ser grosseira. "Ela está fazendo uma visita e ele me pediu para entretê-la. Nós fomos ao salão de beleza, almoçamos fora e passamos a tarde no shopping."

Eu não sabia quem era a irmã de Vernon (e, sendo sincera, sequer me importava), mas recordava bastante bem do ataque de nervos que Petúnia teve por culpa da sua estúpida saia no dia em que deveria conhecê-la.

Ou ela realmente amava Vernon, o que parecia quase impossível, ou ela amava o dinheiro de Vernon. Olhando para as sacolas em suas mãos e lembrando a aparência do seu namorado, devo dizer que infelizmente precisava concluir o pior.

"Vou subir e esconder tudo isso antes que mamãe apareça." Avisou Petúnia, galgando os degraus da escada com afobação.

Papai e mamãe não gostavam que recebêssemos muitos presentes de nossos namorados, porque acreditava que era trabalho deles nos dar tudo o que necessitássemos para viver. Como eu efetivamente nunca tive um namorado, isso não era exatamente uma preocupação. Petúnia, ao contrário, tinha por hábito explorar todo o pobre coitado que tivesse a sorte, ou o azar, de levá-la para a cama.

Antes de Vernon, houve Bob Bennet, um americano de moicano e estilo safári que adorava futebol, Eric Harper, loiro e lindo de morrer, mas não muito inteligente, e Jimmy Stewart, aquele que trocou Petúnia por um cara. De todos eles, Eric havia sido o melhor. Eric trabalhava na oficina do primo e morava na parte mais pobre da cidade. E, tudo bem, Eric não era um Einsten, mas o homem era lindo de morrer, como eu disse. Nós costumávamos chamá-lo de Eric Gostoso. Valia o esforço.

Não dá para entender como Petúnia pôde terminar como alguém como Eric para ficar com alguém como Vernon. Quero dizer, Vernon era relativamente bem sucedido – ou o máximo que alguém que vende roscas ou algo assim pode ser, creio – e é aí que começavam e terminavam suas qualidades. Eric, porém, era... Jesus, Eric era a luz divina na Terra. O que a luz divina na Terra estava fazendo com Petúnia, daí era outra história. Talvez ele fosse aquele tipo de cara que gostava de ser maltratado.

Mamãe desceu alguns minutos depois, após ter secado o cabelo com o secador no banheiro, e nós fomos preparar o jantar.

Ela estava preparando os bifes e a massa enquanto, sentada no balcão, eu cortava a cenoura, o tomate e a alface para a salada.

"Então," começou mamãe, após alguns minutos de silêncio, de costas para mim. "você não tem nada a me dizer?"

Franzi as sobrancelhas, sem entender.

"Sobre o quê?" Perguntei. Nós costumávamos conversar sobre muita coisa, mas eu não me lembrava de nada que devesse dizer e que não tivesse dito. Nada que ela devesse saber, pelo menos. Algumas coisas era melhor guardar para mim mesma.

"Sobre James Potter e o que esses rapazes que você odeia estão fazendo na nossa vizinhança." Ela disse, em tom de obviedade, fitando-me por cima do ombro. "Pensei que vocês fossem inimigos mortais. Do jeito que você e James Potter estavam sentados um do lado do outro, começo a pensar que a inimizade deu lugar a outra coisa."

"Nós estamos meio que fazendo uma trégua." Expliquei, de má vontade. "Como eu disse, Peter Pettigrew é filho da Srta. Green. Logo, ele é nosso novo vizinho. E você sabe como Potter adora me aborrecer. Assim que soube que eu morava logo ao lado, fez suas malas e veio para cá com seus comparsas. O que eu poderia fazer, além de tentar a coexistência pacífica? Não quero tornar minhas últimas férias num inferno cabalístico."

Mamãe riu ao perceber que eu usei a mesma expressão que ela e sacudiu a cabeça, divertida.

"Você deveria mesmo dar uma chance ao rapaz." Disse. "Ele gosta de você. Ninguém passa tanto tempo infernizando a vida de outra pessoa sem ter algum interesse amoroso por detrás disso."

"Eu não sei." Confessei, mordendo o lábio inferior. "Ele não é tão ruim fora da escola, isso eu preciso admitir. É só que... tudo pode ser diferente quanto voltarmos para Hogwarts. A popularidade pode subir outra vez à sua cabeça. Eu era seu único desafio. A única garota que ele perseguiu e perseguiu, mas que nunca conquistou. Quem pode me garantir que tudo não vai voltar a ser um jogo?"

"Querida, depois de sete anos, acho que você deveria lhe dar o benefício da dúvida." Mamãe derramou a massa dentro da panela com água fervente e se virou, escorando o quadril contra o balcão, para que pudesse me encarar. "Como eu disse, ele não teria se dado ao trabalho de vir para cá se não gostasse de você. Os garotos fazem coisas idiotas, porque, bem, é a natureza deles, mas você não pode deixar de aproveitar as chances da vida porque tem medo do que pode acontecer depois. Pense no momento, não no futuro."

Encarei-a, arqueando uma sobrancelha.

"Como você pode aprovar James quando nem mesmo o conhece?" Questionei. "Você precisou de três encontros para engolir Vernon."

"Eu sinto que já conheço James de tanto que você me falou, ou melhor, reclamou dele nos últimos anos." Ela encolheu os ombros, rindo. "Devo dizer que ficava um pouco preocupada que toda essa rivalidade entre vocês fosse explodir em algo fora de controle longe das minhas vistas, mas me sinto melhor ao saber que vocês estão começando a se descobrir agora, mais maduros, e onde eu possa vigiá-los."

Suspirei, esfregando a testa com as costas da mão livre.

"Por que de repente todas as pessoas estão tão interessadas em me ver com James? Alex também queria saber se eu lhe daria uma chance ou algo do tipo."

"Porque é fácil gostar dele." Respondeu mamãe, como se aquela fosse a maior obviedade do mundo, e eu fiquei com aquela frase martelando na minha cabeça durante muito tempo depois, mesmo enquanto lavava a louça do jantar, ouvindo papai reclamar na sala sobre o fato de Petúnia ter acabado com toda a água quente.

Mais tarde, bem mais tarde, subi para meu quarto. Escorei-me na janela, tentando enxergar por entre a copa da árvore, observando o céu.

Não sabia se gostava de James. Bem, ele havia feito algumas coisas pelas quais merecia algum crédito naqueles últimos dias e eu descobri que adorava seu toque e seu cheiro de um jeito muito impróprio, mas daí a começar a pensar nele como um interesse romântico, o que todo mundo, eu acho, estava esperando que eu fizesse, era um passo muito, muito grande.

Resolvi deixar todas aquelas dúvidas para mais tarde. Iria lidar com as perguntas conforme elas aparecessem.

Sentei-me na escrivaninha, retomando os deveres de Hogwarts. Havia adiantado algumas coisas em outras noites de ócio, mas ainda havia muito a ser feito.

Normalmente, eu gostava de estudar. Achava reconfortante ter conhecimento. Fazia com que não me sentisse perdida no mundo da magia. Saber era meu trunfo. No mundo dos trouxas, entretanto, não havia necessidade de me esforçar para demonstrar meu valor. Meus amigos gostavam de mim pelo que eu era.

Terminava o dever de Poções quando ouvi ruídos na janela.

"Hey, Lily." Voltei o rosto subitamente ao escutar a voz de James.

Ele estava sentado no galho da árvore mais próximo do meu quarto, os óculos caindo pela ponte do nariz.

"O que você está fazendo aqui?" Indaguei, largando a pena e me aproximando da janela. Tentei visualizar a casa da Sra. Walter por entre as folhas. Para minha sorte, todas as luzes estavam apagadas. "Perdeu completamente o juízo? Anda, entra logo. E fica quieto." Mandei, cedendo-lhe espaço.

James pulou para dentro com a surpreendente agilidade com que eu já havia me deparado outras vezes enquanto eu sondava os ruídos da casa. Sabia que papai e mamãe estavam dormindo, mas Petúnia continuava a ver televisão no andar inferior, portanto eu teria que ser cuidadosa.

Não que eu não tivesse algumas cartas na manga se fosse preciso subornar Petúnia, só não queria ter de usá-las agora.

"O que você está fazendo aqui?" Repeti, cruzando os braços.

"Só vim checar você." Ele encolheu os ombros, para o que eu lancei um olhar azedo.

"Doce." Rebati, mal humorada, o que fez James me presentear com um meio sorriso. "Só que eu não preciso ser checada, galã. Anda, lança um feitiço aqui. Minha mãe meio que gosta de você, mas você não quer testar sua sorte sendo pego no meu quarto no meio da noite."

Ele sacou a varinha e protegeu o cômodo com um Abaffiato.

"Sua mãe gosta de mim?" Ele perguntou, curioso, enquanto eu seguia para a escrivaninha e começava a juntar todo o material escolar. De algum modo, duvidava que tivesse tempo de continuar a fazer a lição de casa naquela noite.

Respondi com um murmúrio, puxando o malão de debaixo da cama e empurrando todos os livros e pergaminhos para dentro dele. Como não havia nenhuma roupa ali dentro, existia bastante espaço disponível.

"Todas as pessoas gostam de você." Comentei, indiferente, abaixando-me para encaixar as penas e o tinteiro num local específico. "Você tem essa aura esquisita ao seu redor." Lacrei o malão outra vez e o chutei para seu lugar de origem.

Suspirei pelo esforço, levantando-me e arrumando o cabelo.

"É, bem, alguns chamam isso de simpatia, mas também serve aura esquisita." Ele falou, divertido, quando eu me virei para fitá-lo. Contive um sorriso. James era meio engraçado quando não estava se esforçando tanto para ser um completo idiota. "Se todos gostam de mim, quer dizer que você também gosta de mim?"

Revirei os olhos, jogando-me na cama e cruzando as pernas. Havia optado por um short jeans depois do banho, então estava segura.

"Não força." Disse, a sobrancelha erguida. Esticando o corpo, abri a primeira gaveta do criado mudo e tirei dela uma embalagem de Gummi Bears. Costumava deixar um doce à mão para momentos de crise. Eu adorava balas de goma. Era uma pena que não as tivéssemos em Hogsmeade. "Como foi o jantar?"

"Foi bom." Ele encolheu os ombros, indiferente. Sentou-se na borda da janela, cruzando os braços. "Seus amigos são divertidos."

Concordei com a cabeça, levando uma bala à boca.

"Eu cresci com a maioria deles." Confessei. Eles e Severus, lembrei, de modo mais sombrio. "Quer um Gummi Bear?" Escolhi um Gummi Bear verde, meu preferido, e arremessei na sua direção. Com seus ótimos reflexos, ele o apanhou no ar. "Boa pegada."

"Apanhador da Grifinória." Ele disse, como se aquilo explicasse tudo, e realmente explicava, e, como eu, levou a bala à boca. "O que é isso?" Indagou, com curiosidade.

"Bala de goma." Expliquei. "Meu tipo de bala preferido. Tem um desenho animado sobre os Gummi Bear, sabia? É sobre ursinhos falantes que vivem num reino medieval chamado Dunwyn."

James riu. É claro, a ideia de ursinhos falantes vivendo num reino medieval era meio ridícula, mas ninguém podia negar que Os Ursinhos Gummi eram história. Eu não sei se devia agradecer primeiro ao criador do desenho ou ao criador das balas.

Então James se afastou da borda da janela, deslizando pelo quarto, e parou perto do mural de fotos outra vez.

"O que você quer de aniversário?"

"Eu não sei. Mas precisa ser uma surpresa." Disse, encolhendo os ombros. Comi outra bala. "A parte mais divertida do presente é a expectativa. Aviso desde já para não pedir sugestões a Alex. Ele sempre me dá os piores presentes."

E era verdade. Fulguravam o topo da lista um jogo de ferramentas (o porquê de ele achar que algum dia eu precisaria de um jogo de ferramentas era um mistério), um traje de banho de oncinha que mamãe nunca me permitiria usar e ingressos para o show do KC and the Sunshine Band, banda que ele secretamente gostava, mas tinha vergonha de admitir, e esperava me usar como desculpa para poder assisti-los sem culpa.

Parecia que, conforme os anos passavam, os presentes pioravam.

"Eu sei." James sacudiu a cabeça, um sorriso nos lábios. Brincou com o globo de neve do Big Bang que eu havia ganhado de Olívia no último Natal. "Falei com ele hoje à noite. Alex me disse para comprar um bolo de morango e creme."

Comecei a rir.

"Eu gosto de bolo de morango e creme." Admiti.

"Minha mãe faz o melhor bolo de morango e creme que eu já experimentei. Vou guardar um pedaço para você da próxima vez." Ele falou, seus olhos de repente perdendo um pouco de brilho. "O mundo dos trouxas é um pouco entediante." Confessou, as sobrancelhas franzidas. "É tudo tão... estático." Sinalizou o objeto em sua mão. "Como você pode resistir à tentação de fazer o relógio se mexer?"

"Eu não posso fazer magia fora da escola, espertinho. Além disso, eu não sou como você, que tem uma necessidade patológica de quebrar as regras." Disse, em tom de obviedade. "E não é porque as fotos e os quadros não se mexem que isso quer dizer que o mundo dos trouxas é entediante. Você deveria conhecer nossos parques de diversão. São o máximo. E o cinema também é maravilhoso."

Pela expressão dele, posso dizer que James não estava muito convencido, mas não objetou. Abandonou o globo sobre a escrivaninha outra vez, sentando-se no chão, próximo a mim, apoiando as costas contra a borda da cama. Puxou o malão de debaixo da minha cama.

"Ei." Reclamei, rolando sobre o colchão e ficando de barriga para baixo, colocando o rosto próximo do dele. "Não toque nisso a menos que você pretenda fazer meu dever de casa."

"Você fez seu dever de Transfiguração?" Perguntou, abrindo a tampa do malão e revirando os pergaminhos atrás do meu livro-texto.

"Não. Eu sempre deixo o dever de Transfiguração por último." Disse, desgostosa. Eu odiava Transfiguração. Precisava me esforçar muito para ter resultados medianos. Com certeza era minha pior matéria. Apenas por despeito, costumava não ser muito cuidadosa ao escrever o tema de casa, de modo que constantemente recebia reclamações sobre meus garranchos.

"Como agora nós somos amigos," ele começou, com um meio sorriso. "eu vou ajudar você."

Eu sabia que James tirava as melhores notas em Transfiguração, o que deixava a Professora McGonagall num misto de orgulho e desgosto. Apesar de ela detestar sua tendência aventureira e encrenqueira, ele sempre conseguia fazer com que a transfiguração mais difícil parecesse brincadeira de criança.

Como detenção, ele geralmente era colocado para dar assessoria a alunos com dificuldade. Nunca para mim, é claro, porque eu me negara veementemente a ter qualquer contato além do estritamente necessário com James Potter. Mas teria sido bom receber um pouco de ajuda nos anos anteriores.

"Odeio essas malditas teorias." Reclamei, apoiando o queixo na ponta da cama. Comi mais um Gummi Bear. "Mas, já que estamos num período de paz, acho que tudo bem abusar da sua sabedoria."

Ele voltou o rosto na minha direção, de modo que estávamos muito próximos, e sorriu.

"Sim, porque eu sou muito sábio." Disse, sacudindo a cabeça.

"E modesto." Apontei, as sobrancelhas erguidas. "Come uma bala e chega de se vangloriar." Enfiei uma Gummi Bear na sua boca. Inclinei o corpo mais pra frente, pegando o tinteiro e a pena. "Às vezes fico pensando se teríamos sido amigos se não fosse por Severus."

Os lábios de James se crisparam conforme ele virava as páginas do livro de Transfiguração, procurando pelo conteúdo que deveríamos trabalhar na lição de casa.

"Ele deve ter me pintado como uma acromântula diabólica ou algo assim." Falou, um pouco desgostoso, e roubou mais uma bala da embalagem que eu havia abandonado dentro do malão aberto.

"Bem, você é um pouco diabólico." Respondi, divertida. Deixei a cama e me sentei ao seu lado. Era um pouco esquisito que eu me sentisse tão confortável com James uma vez que simplesmente havia desistido de encará-lo como alguém que não era digno de confiança.

Ele fez uma careta, mas logo desistiu de se fingir de bravo e sorriu, mais suavemente, quando meio que curvei o corpo sobre o dele para pegar o pacote de Gummi Bears.

"Eu sei que vocês eram amigos antes mesmo de ir para Hogwarts, mas como Snape se encaixa na sua perfeita rotina trouxa?" Perguntou, apertando o cenho. "Alex e Lauren não tocaram no nome dele uma vez sequer desde que começamos a conversar. E olha que eu já devo ter ouvido fofocas sobre todos os caras e garotas da vizinhança."

Suspirei, brincando com uma mecha do cabelo.

Severus me trazia más lembranças. Assim, costumava evitar tocar no assunto de modo aprofundado.

"Ele mora perto da casa da minha avó, onde eu costumava passar algumas semanas perto do fim das férias."* Encolhi os ombros. "Severus foi uma absoluta decepção." Confessei, triste. "Como você pode aprender a zelar e apreciar uma pessoa que anos depois vai se virar completamente contra você por um motivo tão idiota? Quero dizer, nosso instinto não deveria nos avisar quando a onda está vindo?"

"Eu acho que ele nunca pôde aceitar o fato de que você era malditamente boa." Disse James, após um curto silêncio. "Você era aplicada e inteligente e tinha muitos amigos. Talvez você precisasse dele fora da escola, antes da escola, mas deve ter sentido que você não precisava dele em Hogwarts. Então arranjou outros amigos. Muito menos atraentes do que você, devo acrescentar."

Eu controlei uma risada meio sem humor.

"Você é tão bobo." Disse. "Obrigada, eu acho."

James virou metade do corpo na minha direção, os olhos esverdeados muito sérios. Esticando a mão, deslizou o dedo pela minha bochecha.

O contato aqueceu algo dentro de mim. Era um carinho bom, reconfortante. Algo que eu só costumava receber dos meus pais. Eventualmente. Afinal, não era uma garota muito amorosa. Acho que simplesmente não estava na minha personalidade.

"Você é tão linda que faz meu coração doer, Lily." A voz rouca provocou arrepios que se espalharam ao longo da minha espinha e chegaram até a ponta dos dedos do pé.

"Agora não." Pedi, num sussurro. Levantei o braço, segurando seus dedos, e os puxei para baixo. "Não assim, James." Desviei os olhos do rosto dele, incapaz de encará-lo.

A verdade é que eu não sabia o significado da minha própria frase. Não sabia o que aquilo queria dizer. Sabia, porém, que tinha medo da força da atração que sentia por ele. Também tinha medo de que as coisas voltassem ao normal em Hogwarts. Ou de que elas ficassem intensas demais. Ou que tudo não tivesse passado de uma ilusão.

Há alguns dias, mal podia suportá-lo. Agora, parecia que sempre que ele me tocava minha pele pegava fogo.

Não era possível que meu corpo fosse assim tão favorável a James. Algo estava errado com meus hormônios.

James se livrou do agarre da minha mão, segurando meu queixo, e virou meu rosto na direção do seu. Ele tinha uns cílios escuros e que pareciam gigantescos e um jeito intenso de olhar que fazia meu estômago borbulhar de expectativa.

"Então como, Lily? Como?" Perguntou, baixinho, sua respiração tocando a minha. "Só de ouvir você falar meu nome sinto que todo meu corpo treme."

Encarei-o, incapaz de reagir diante daquele ataque direto.

"É isso que eu quero de você." Ele falou, a voz áspera. "Esses lindos e enormes olhos verdes me encarando para sempre. Só meus. Sua pele na minha. Você chamando o meu nome. Eu esperei por tempo demais. Tempo demais, Lily, para ter você. Fico duro de medo de pensar que posso perdê-la para uma maldita guerra ou algo que eu não possa controlar."

"Por que?" Indaguei, um fio de voz. "Por que eu?"

"Por que não você?" James rebateu, com intensidade. "Eu adoro sua inteligência, seu senso de humor, a maneira como as saias do uniforme ficam perfeitas em você e eu, Merlin, eu adoro você num biquíni. Eu gostaria que você vestisse biquínis para sempre." Revelou, sorrindo torto. "Seu cabelo me deixa doido. Até quando está com raiva você me tem."

Ri baixo, lembrando todas as terríveis discussões que tivemos durante aqueles sete anos.

"Se até o fim do verão você ainda se sentir dessa maneira, eu saio com você." Disse, suavemente. Puxei sua mão, obrigando-o a me soltar. "Primeiro, meu dever de Transfiguração."


* Eu sei que a história não foi bem assim, mas decidi tomar alguma licença literária, já que Snape não vai ser um fator condicionante aqui.


N/A: Ahhh, sinto pela demora! Acabei me passando nos prazos, já que estava envolvida em outras coisas. Além disso, essa semana de Carnaval foi muuuito agitada, hahahah. Mas eu compensei o atraso com um capítulo relativamente grande, então acho que estou perdoada :) Às vezes eu me esqueço que deveria postar alguma coisa. Então, se vocês perceberem que se passaram mais de quinze dias, podem me escrever, puxando minha orelha :PP

ENFIM, James é ou não é o cara mais fofo do universo? Sempre pensei nele como esse romântico incurável que sempre tem as palavras certas pra fazer o coração da Lily acelerar. Assim como Sirius nunca erra no tom das cantadas, nosso querido JP nunca falha em dizer algo que faz nossos joelhos virarem gelatina, hahahah.

No próximo capítulo vamos ver um pouco mais de como vai se dar essa trégua/amizade temporária de JP e Lily.

Sei que Remus está aparecendo pouco, mas só consigo lidar com determinado número de personagens numa cena. Com mais do que isso parece que alguns ficam pouco desenvolvidos. E nunca pensei em fazer Remus ser mais do que um coadjuvante. Mas teremos um pouco mais dele no próximo capítulo ;)

Sobre os reviews, quero agradecer à Let Lolom, que postou no capítulo quatro, mas acabei me esquecendo de fazer a anotação, à Bi e à Niky. Fico feliz que vocês estejam gostando não apenas da Lily, mas também dos demais coadjuvantes. Às vezes a gente cria personagens que infelizmente não possuem muito carisma, contudo gosto de pensar que os vizinhos de Lily estão bem construídos o bastante para se passarem por divertidos adolescentes trouxas da década de 70, hahahah! Eu particularmente adoro o Alex. E gosto de pensar na Lily como mais do que uma monitora estudiosa psicótica pela ordem.

Niky, não se preocupe, pois muitas cenas românticas e fofíssimas estão reservadas para o casal principal!

Dorothy, que bom que tu está gostando da história! É sempre bom dar uma variada e experimentar coisas novas! :) Eu lembro do teu nickname, sim. No momento não estou considerando muito voltar para o fandom de Naruto. Na realidade, ao invés de me animar, o final do mangá meio que teve o efeito contrário. Achei cheio de furos e, sinceramente, não gostei nada daqueles filhos dos personagens principais. Francamente, será que teve um surto de fertilidade naquela aldeia? Todos eles aparentemente têm a mesma idade! ¬¬ Mas, né, nunca diga nunca! Então, quem sabe =DD

GALERA, obrigada pelos reviews e pelo carinho. Nos vemos no próximo capítulo! Deixem seus comentários!