.Odeio esse seu jeito arrogante

- Ei, ranhoso! – Sirius Black balançou a cabeça numa tentativa falha de tirar uma mecha de cabelo dos olhos. Severus se limitou a lançar-lhe um olha raivoso sem deixar de andar daquele jeito evasivo, balançando suas vestes quase que de propósito. – É importante... Eu... Eu preciso da sua ajuda! – Depois de hesitar por um minuto, Black parou de andar, sabia que o outro pararia quando digerisse a informação.

Dito e feito. Em questão de segundos Snape se embaralhou com as próprias pernas, quase indo ao chão, num misto de surpresa e distração. Um dos marotos pedindo a SUA ajuda? Rolou os olhos e diminuiu o passo, mas sem parar como o grifinório imaginou que faria.

- Achei que fosse me ignorar para sempre... – Sirius riu divertido, e em algumas longas passadas estava ao lado do garoto e passava um de seus braços em volta do ombro do outro, os aproximando como se fossem amigos de longa data.

- O que você quer, Black? – Quem conduzia o caminho era o Grifinório que tinha que controlar os passos para não ir muito mais rápido do que o menor.

- Quanto rancor, hein Severus? – O sorriso confiante nunca abandonando seu rosto ossudo e pálido. As feições brincalhonas camufladas nas pequenas falhas que sua jovialidade já apresentava. Snape preferia nem entender como elas teriam aparecido.

- Será que você pode me soltar? – Os olhos negros faiscavam em uma raiva que quase transbordava e Snape tentava, inutilmente, desfazer o aperto dos dedos magros em seus ombros. Tinha que admitir que o garoto era, sem dúvida, bem mais forte.

- Ah, desculpe... – Sirius parecia realmente constrangido quando afastou-se, estavam na metade do jardim que levava até o Salgueiro Lutador. – Só estava garantindo a você que eu e James não estávamos pensando em te azarar nem nada assim. Não é um plano maléfico ou sei lá...

Severus deu um salto se virando de costas para o garoto que ainda falava e analisando cada pedacinho do jardim até a porta do castelo, alguns alunos desciam para apreciar o ar fresco da primavera, mas nenhum sinal de Potter. Respirou fundo, ainda desconfiado, as mãos enfiadas nos bolsos, preparado para qualquer contra ataque que se fizesse necessário. Se o sonserino tinha aprendido alguma coisa em todos aqueles anos era, com certeza, nunca baixar a guarda com James Potter e Sirius Black soltos por aí.

- Ei, você me ouviu? – O garoto ria da desconfiança do outro, mas este não parecia achar a menor graça em tudo aquilo. Era realmente... Suspeito.

- Sim, não sou surdo. Nem retardado. Apenas não confio em você – Ele rosnou, dando de ombros. Mais sincero do que Sirius jamais havia visto. Riu por dentro com aquela situação.

- Fica frio, Ranhoso – O grifinório deu um soco leve no ombro do outro.

- Perto demais, Black. – Ele se afastou dois passos e largou o bolso, sem parecer menos nervoso ou apreensivo. – O que você quer afinal?

- Eu... – E pela primeira vez ele amarrou a cara, claramente irritado. Seu tom de voz não passou de um sussurro. – Preciso da sua ajuda.

- O que? – Snape censurou um sorriso que teimava em se abrir. Tinha escutado perfeitamente, apesar de desacreditar na cena que se desenrolava. Mas Severus mantinha seu lado cruel intacto para momentos de fraqueza como esses, onde quem estivesse por cima fosse ele.

- Você escutou, Severus.

- Não, não ouvi – Confessou, por fim, divertindo-se com a cara emburrada do mais alto.

- Eu preciso da sua ajuda – Aumentou o tom de voz e falou claramente. Torceu para que, se ele não tivesse escutado, fosse bom em leitura labial. Era humilhante demais.

- Poxa, mal posso acreditar – Snape ainda tinha muito venenos escondido – Um maroto pedindo ajuda a um mero... Ranhoso como eu! Vai chover unicórnios, Black! – Ele parecia estar em uma festa, a satisfação evidente em sua voz.

- É, eu sei, eu sei. E a chuva está prevista para daqui a cinco minutos. Quero ser breve.

Snape cruzou os braços, o sorriso se alargava de orelha a orelha.

- Precisa de ajuda em que?

- Poções... – Suspirou, cansado. Já esperava essa reação dele.

- Hum... Tudo bem, querido amigo. Eu posso te ensinar – o Slytherin devolveu as ironias seguidas de leves tapidinhas no ombro. Estava apreciando cada segundo daquilo.

- Obr... Ok, Snape. – Sirius bufou, irritado. Suas feições agora estava duras, raivosas. – Olha, eu preciso ir. Me avisa depois em quais horários está livre... – Ele falava e andava, Snape ainda o mirava, completamente absorto e abobado com o que estava escutando.

Sirius fez sua melhor cara de raiva e antes de se virar, chamou a atenção de Snape pela última vez.

- Ah, Ranhoso... – O Slytherin absorvido em sua satisfação o mirava, a cabeça voando para todas as vinganças que poderia cometer enquanto estivesse lhe ensinando algo útil. – Você não devia confiar em um Maroto. NUNCA. – Dito isso, Sirius se virou e correu, seu maxilar se retorcendo em algo que parecia um sorriso maldoso.

Severus não teve tempo nem para perceber o que estava realmente acontecendo, quando deu por si, seus cabelos cobriam seus olhos negros, o céu estava no lugar do chão. Se viu de ponta cabeça, o calcanhar direito preso por uma corda invisível e a varinha, solitária, caída ao chão.

As risadas que ele tão bem conhecia ecoavam em sua cabeça, mas ele sabia que eles estavam ali, há alguns metros, rindo da ingenuidade dele. Se xingou por dentro de tudo que se poderia imaginar.

- E aí, ranhosinho... – A voz debochada de James Potter mergulhou direto nos ouvidos de Snape. – Como o mundo fica de ponta cabeça?

Riu junto com Sirius, satisfeitos com seu próprio plano. Lupin estava mais atrás, envergonhado e contanto os segundos para que aquilo acabasse... Se alguém os achasse lá.

- E viu como fomos bonzinhos com você? – O de cabelos cumpridos sorria ao lado do amigo – Apesar de, opinião própria, achar que você deveria estar só de cueca. Você se divertiu sonhando que estava me humilhando, Snapezinho?

O menor grunhiu com raiva e se balançou freneticamente no ar. Esforços inúteis.

- Potter! – o moreno passou a mão pelo cabelo ao ouvir seu nome sendo chamado, um timbre feminino e doce pairava no ar.

- Ah, as mulheres já clamam meu nome, Padfoot!

Potter nunca foi muito bom em perceber as emoções e, decididamente, a ruiva furiosa que descia a passos largos o jardim não estava sendo delicada e nem mesmo possuía essa intenção.

- Ei... Prongs. – Sirius parecia um tanto quanto assustado. – Não acho que Lily Evans com a varinha em punhos e esse olhar mortal estejam clamando seu nome.

James sentiu sua varinha voar longe, a ruiva ainda se aproximava imponente.

- James Potter. – Repetiu bufando, quando os alcançou. Os olhos verdes demonstravam raiva e talvez uma certa decepção. – Como você pode ser tão infantil, ridículo e arrogante? E tudo ao mesmo tempo?! – Ela realmente parecia inconformada com ele.

- Lily... Eu...

- Olha James, eu estou realmente cansada de você e dessas suas atitudes infantis. Parece quase uma criança que eu tenho que ficar de olho vinte quatro horas por dia. É só eu virar as costas por um minuto, que resolve aprontar com alguém. E francamente, porque SEMPRE o Severus? Ele nunca fez nada de mal para nenhum de vocês.

- É mas ele trata você mal, e você é a única que não percebe, Lily Evans.

- Se eu ligasse falaria mais com você e menos com ele. Mas a sua idiotice parece não ter fim, e supera qualquer erro que ele possa cometer.

- Você está defendendo o Ranhoso? Está dizendo que ele é melhor do que eu?

James abriu os braços como se fosse inaceitável o que ela dizia. Sirius já tinha se refugiado ao lado de Remus, os dois rolavam os olhos. Aquelas discussões deles estavam se tornando cada vez mais freqüentes. Tinham sido feitos um para o outro, só não sabiam disso ainda.

- Sim, eu estou!

- Francamente, Lily. Sabe qual o meu problema com ele? É que ele gosta de você, ele é apaixonado por você. E eu... Não quero concorrência.

Ou talvez já tivessem plena certeza. Sirius e Remus riram e Snape ainda se debatia, de ponta cabeça, a discussão do casal parecia que iria longe dessa vez.

A ruiva pareceu desarmada por um segundo. James Potter tinha acabado de admitir que gostava dela, ali, na frente de todo mundo e sem ser arrogante ou infantil. Tinha sido até... Fofo!

- Não que alguém seja páreo para mim, sabe? Mas... Melhor prevenir do que...

Lily bufou.

- James, nem mesmo quando uma pontinha de esperança de que você deixe de ser um grande imbecil surge, você consegue mantê-la.

- Com você defendendo seu amiguinho ali, eu nem tenho vontade de cumprir o que te prometi, Lily. Francamente, ele te ofende!

- Você é tão infantil. Não é assim que vai me conquistar.

- Perdi a vontade de continuar com tal feito impossível, fique com seu ranhosinho. – James bufou mais uma vez, seus olhos traíam sua raiva, demonstrando claro arrependimento depois daquelas palavras. Tinha que aprender a calar a boca e ouvir de vez em quando.

O Gryffindor apanhou sua varinha, arremessada alguns metros pela garota e se encaminhou para o castelo sem olhar para trás nenhuma vez. Foi seguido apenas por Sirius.

- Lily... – Remus parecia tão chocado quanto ela, Severus já estava de volta ao chão, batia nas vestes que tinham ficado um pouco amarrotadas;

Os olhos verdes, marejados de lágrimas. Porque tinha que gostar de um cara tão arrogante, egocêntrico e imbecil?

- Severus... Se cuide – Lily forçou um sorriso a ele e se endireitou, apertando a mão de Remus na sua.

O Slytherin sentiu sua deixa para sair discretamente e aproveitou, agradecendo com um murmúrio quase inaudível.

- O que ele te prometeu? – Remus sorria com compaixão. Os dois realmente tinham extrapolado daquela vez.

- Que gostava de mim... E que faria o impossível para provar. E entre isso, ele disse que pararia de azarar os outros. Mas novamente a arrogância e necessidade de se mostrar melhor do que os outros, fala mais alto na existência de James Potter.

Lily tinha a voz embargada, parecia prestes a chorar a qualquer segundo.

- Escuta... Não é errado você gostar dele, está bem? Eu, como homem, admito que é quase impossível não gostar. Ele só é infantil às vezes, mas você exagerou um pouco hoje, Lily.

- De-desculpe... – Ela gaguejou, uma lágrima escapando teimosamente.

- Não me peça desculpas, peça a ele. – Remus a puxou delicadamente pela mão, direcionando-a para o castelo.

Quando estavam prestes a alcançar as enormes e imponentes portas, Remus se adiantou um ou dois passos e entrou antes dela.

Assim que a ruiva pôs os pés para dentro do corredor de entrada, um enorme buquê de lírios se fez real a sua frente. As lágrimas cessaram, mas as que tinham caído a denunciavam.

- Andou chorando por mim, Evans? – James estava mais radiante do que nunca, o buquê ainda estendido para ela num gesto cordial. – Achou que eu fosse mesmo desistir de você por um babaca feito o ranhoso? Me poupe, Lily. – O moreno riu, divertido. E de repente só haviam os dois ali diante daquela imensidão de lírios brancos, os favoritos de Lily, e sorrisos.

Ela odiava tanto aquele jeito arrogante de ser, suas maneiras infantis e convencidas.

Mas se não fosse por isso, talvez ele nem fosse romântico. Talvez ele nem fosse James.

E Lily o odiava, sabendo que era impossível não estar apaixonada por ele.

.E odeio esse seu romantismo irresistível.


Cá estou eu com o primeiro capitulo de 10 coisas que eu odeio em você!

Bom, explicando melhor a fic, acho que esse primeiro capitulo deixou a entender melhor o que eu quis fazer com isso. Aviso aos navegantes que não tem nada a ver com filmes, músicas, séries e derivados, exceto pelo nome. Estou fazendo um pequeno resumo da história do James e da Lily, baseada em pensamentos dela e pequenos 'flash backs' de memórias de atittudes do nosso querido Potter-pai e de como ela tenta odiar até as coisas boas. Só para tirá-lo da cabeça.

Eles claramente já estão apaixonados, só ainda tem medo de se assumirem.

Enfim, as primeiras 30 palavras da fic tiveram um resultado e tanto, o tal do prólogo. Espero que gostem do primeiro capitulo. Por enquanto serão cinco, a não ser que a resposta seja MUITO boa e eu arranje inspiração para contar o lado James da história! *u*

Mandem reviews, comentem, e tal! *u*

Beijo!