.Odeio sua infantilidade

Os lírios de James foram delicadamente colocados sobre a janela do dormitório de Lily, onde ela sempre pudesse olhar para eles. Tinha ficado realmente irritada com o garoto com a pequena brincadeira. E, realmente, para ele tudo era sempre isso. Sempre uma grande brincadeira.

Por isso Lily acreditava que nunca se veria ao lado de James Potter, talvez como uma boa amiga, mas não passaria disso, tinha certeza. Não aturaria duas de suas quinhentas brincadeiras e piadas sem graças diárias.

Tinha que confessar que ele era romântico, mas ele sempre estragava tudo com aquele quê de infantilidade. Era apenas uma criança crescida e ele não sabia como conciliar uma namorada e os amigos.

Porém ela podia contar nos dedos quantas vezes tinha sido romântico, ou fofo.

- Lily! – Quando a ruiva voltou a si estava caída no chão, sentiu uma dor estranha na cabeça e pôde ver seus livros espalhados a sua volta. James estava parado na sua frente, branco feito um fantasma. Os óculos rachados no chão.

- O que... O que houve? – Ela massageou a cabeça cuidadosamente, realmente estava dolorida e não tinha a menor idéia do que tinha acontecido.

- Você trombou em mim. – Ele realmente era direto. E grosso.

- Eu trombei em você? Ah, por favor. As chances disso ter acontecido são mínimas, James. Não tente me enrolar.

- Claro, Lily, claro. A culpa sempre é minha, francamente. – Ele girou os olhos e suspirou. Parecia cansado de sempre ter que discutir com ela. E sempre levar a pior.

- Você que é o infantil, aqui, James!

- O que? Eu nem falei nada e você já vem me atacando com palavras! – Ele mirou os olhos dela, mas estes desviaram com rapidez. Ela não iria se deixar perder nos profundos olhos castanhos dele. Estava cansada daquele truque barato.

Estava cansada de James Potter mas, por algum motivo, ela simplesmente não conseguia arrancá-lo de sua cabeça. Todos os seus movimentos diários pareciam arrastá-la até ele. Sempre.

- Certo, desculpe. – Foi a vez dela de bufar, irritada. – Me ajude a levantar.

- Eu não, mamãe – Ele riu, ela não.

- Não te dou isso então... – Pegou os óculos delicadamente e fingiu fazer força para quebrá-los ainda mais.

- LILY! – Ele se ajoelhou ficando cara a cara com ela. – Você está sendo infantil.

- Olha quem fala...

- O que eu te fiz hein? Isso é TPM? – O sorriso divertido voltou aos lábios dele quando a cara dela se fechou numa expressão um tanto quanto assustadora.

Qualquer um com um mínimo de senso sairia de lá naquele instante, para evitar conseqüências físicas.

James não era nem um pouco sensato.

- James... Potter – A ruiva sibilou entre dentes. Os óculos se rachando pouco a pouco em sua mão até que viraram pequenos estilhaços no chão.

- SUA MALUCA! Olha o que você fez.

- Escutou o que VOCÊ disse? – Estava tão irritada que se esqueceu de tomar cuidado com a proximidade deles. Poderia ser durona, mas não era absolutamente imune ao charme de James Potter, ainda mais se ele estivesse a alguns palmos de seu rosto.

- Claro, EU que disse afinal. – Ele concluiu o óbvio e ainda estava são para notar que apenas alguns centímetros os separavam.

- Estúpido. – O garoto se acomodou melhor entre as pernas dela e tocou seu rosto com delicadeza. Pode perceber a falha na respiração da ruiva e sorriu com o fato.

- Calma ruiva. – Ele escorregou os dedos gelados até o pescoço dela, queria sentir seus batimentos acelerados. Nada melhor do que isso para inflar ainda mais seu ego.

Lily hesitou na resposta por mais um segundo, foi suficiente para indicar a James que deveria prosseguir com o que estava fazendo. Ele não hesitou.

O tempo que aquilo demoraria não parecia importar, estavam absortos demais para pensar em outras coisas. E ele foi se aproximando lentamente, sem quebrar o contato visual por um segundo sequer, os narizes se tocaram e ele se permitiu roçar os dois carinhosamente. Tinha que mostrar a ela que não era só o idiota que pensava que fosse.

- Ah James! Você está aí... Opa... – O timbre de voz masculino que surgiu de repente foi suficiente para afastá-los, James caiu sentado a alguns passos dela e se virou conseguindo ver um borrão que distinguiu como Sirius. – Foi mal... Eu... TCHAU! – O garoto sumiu com a mesma rapidez que tinha aparecido, os olhos castanhos se voltaram para os verdes, mas estes voltaram a fugir. Suspirou, faria questão de agradecer Sirius pessoalmente mais tarde.

- Toma aqui, James – Ele podia jurar que ela nem tinha se mexido quando entregou os óculos dele, inteiros novamente, e guardou a varinha nas vestes apressadamente.

- Obrigado. – Ela se ajoelhou e buscou cada um de seus livros espalhados pelo chão, juntando-os na mesma pilha de origem e tentou se levantar sem sucesso, estava um pouco nervosa.

James estendeu a mão para a garota e ela aceitou a ajuda, um pouco relutante. As mãos se encaixavam perfeitamente, e isso parecia levar ondas de eletricidade por todo o corpo dela. Quando se soltaram, Lily, já de pé, estava um pouco arrepiada. Mas não admitiria isso para James nem sob tortura.

- Não tem de que. A culpa foi minha – E com isso, desapareceu pelo mesmo corredor em que Sirius estivera alguns segundos atrás, deixando um James confuso e irritado para trás.

Lily daria de tudo para que aquele dia acabasse logo. Queria deitar e finalmente pensar em cada detalhe separadamente, estava tudo absolutamente confuso em sua cabeça. Iria enlouquecer.

Se não eram aulas, eram trabalhos. Se não eram provas, era James. E tudo isso junto! A sanidade da ruiva ia por água abaixo em questão de minutos quando o maldito Potter se aproximava mais do que deveria. Era realmente impossível não ter no mínimo uma quedinha por ele.

Mas Lily? Bem, ela tinha um tombo por James e se tornava cada vez mais difícil esconder isso dele e de si mesma. Por vezes, pensou em mandar tudo por inferno, que se danasse sua sanidade, seu orgulho, queria estar com ele. Mas se ponderasse, seria melhor que o ensinasse tudo antes, mesmo que corresse riscos de perdê-lo no meio do caminho, do que passarem por um relacionamento conturbado.

ACORDA LILY! Já estava chamando de relacionamento seu futuro com James? Estava realmente exausta.

Sua atenção foi desviada por um aviãozinho de papel cuidadosamente dobrado que pousou em seu prato. Ótimo, não estava com fome mesmo.

"Desculpe a interrupção de hoje mais cedo, diz Sirius. Eu digo que preciso falar com você depois do jantar, senhorita Evans"

Cordial. E infantil, ridiculamente infantil. Fazer um aviãozinho de papel voar por todo o salão principal e depois cair no prato de Lily era TÃO James que chegava a irritá-la.

Na verdade ele vivia irritando-a, com todas as asneiras que poderia aprontar. Ou talvez fingisse estar irritada para não encarar o óbvio. Gostava dele.

Amassou o papel com toda a raiva e frustração do dia. As palavras de Sirius fizeram questão de transportá-la para um flash back dos acontecimentos anteriores e aquilo a deixou visivelmente sensível.

Não tinha certeza se gostaria de ter, finalmente, descoberto o gosto dos lábios de James. Ou como era seu beijo, se ele era carinhoso tanto quanto parecia.

Balançou a cabeça.

James, James, James. Porque não saía da sua cabeça?

Se levantou bruscamente deixando seu jantar quase intocado na mesa e saiu do salão principal. Passos apressados e o desejo de chegar logo no dormitório e fizeram ignorar os chamados.

Uma mão forte se apossou de seu braço direito antes que pudesse alcançar o primeiro lance de escadas.

- Eu disse que queria falar com você, Lily. – A voz irreconhecível soou calma, mas por dentro, James tremia. O que era aquela garota que o deixava tão nervoso com um pequeno sorriso.

- Fale então. – Ela não fez questão de se virar, aquilo o magoou.

- Olha pra mim.

- E se eu não quiser? – Rebateu, já estava se tornando chata aquela insistência, qualquer coisa que ele tivesse para falar deveria ser alguma infantilidade. Como sempre.

- Porque?

- Porque não quero.

- Será que é porque você tem medo? Medo de me olhar e se encontrar apaixonada por ninguém mais, ninguém menos do que James Potter? Tem medo de relacionamentos, Lily?

- Não seja ridículo.

- Então olha pra mim. Nos meus olhos.

- Não estou afim.

- Você está sendo infantil de novo, Lily. – Ele soltou o braço dela, não fazia sentido ficar discutindo.

- O infantil aqui é você, nós dois sabemos disso. E muito bem!

- Então olha para o crianção aqui. Mostra que não tem medo de mim.

- Eu não preciso te provar nada.

- De fato, não. Mas é falta de respeito, oh senhorita polida.

- O que você quer, James? – Se irritou e virou, braços cruzados num gesto claro de tédio. – Já não enjoou de encher o meu saco por hoje?

Os olhos se procuraram e mergulharam um no outro. Esse era o efeito James.

- Eu só queria... – James revelou uma única Begônia e ofereceu-a a garota, fazendo uma reverência. – Te convidar para o baile, Lily. Quer ir comigo?

Ela soltou um risinho, impossível de conter. Estava, de fato, surpresa e lisonjeada. James conseguia sempre surpreendê-la das melhores formas possíveis. Sentiu suas bochechas pinicarem quando segurou a flor delicadamente e ele retornou a posição inicial. A olhava, apreensivo.

- Eu... Bem, eu... – Lily pareceu pensar por no máximo dez segundos, mas a resposta já se encontrava escondida em baixo de sua língua. – Eu adoraria, James.

Um sorriso se alargou no rosto do garoto, mas diferente do comum, não era um sorriso de superioridade. Se aproximava de algo como genuína felicidade.

- Certo...! Te encontro as sete na sexta, então... – Ele se preparou pra se virar e ir embora, mas foi preso pela mão livre dela.

- Obrigada pelo convite, James... – Ela se aproximou e lhe depositou um delicado beijo em sua bochecha. Ambos coraram e sorriram instantaneamente.

- Obrigado pela futura companhia, Lily. – Ele acariciou de leve as costas da mão dela, num gesto carinhoso e piscou o olho antes dela se virar e seguir para o quarto.

James passou a mão pelos cabelos já bagunçados. A primeira etapa estava concluída.

E Lily teria apenas três dias para pensar qual roupa seria perfeita para a ocasião, as borboletas já se remexiam no estomago. E duas noites para entender seus próprios sentimentos. Ele se mostrou fofo naquela noite e ela o odiou ainda mais por isso. Por tornar cada dia mais impossível simplesmente não se apaixonar por James Potter.

.E odeio esse seu jeito fofo


Segundo Capítulo... Êeee *u*

Particularmente eu gostei desse porque foquei MUITO mais no James e na Lily e consegui apresentar direitinho as confusões na cabeça dela em relação a ele! =]

Super obrigada pelas reviews do capitulo anterior e do prólogo, meninas! Que bom que estão gostando, e espero que estejam totalmente adoçicadas depois desse mel todo que foi o segundo capítulo!

A begônia ser a flor foi total pensado nesse capítulo, vocês vão ver porque *u* Eu não costumo escrever longs, mas essa não é exatamente uma long... Só uma junção de várias shorts. Ai Deus aisudhauisdhausd

Deixem mais reviews e me façam mais feliz *u*

Beijo!