Maldito Diário, (Viu? Mudei o jeito de te chamar. Tá feliz agora? Se não gostou, problema é seu...)

Se arrependimento matasse, eu já estaria mais do que morta e enterrada. Eu não sei como eu tive coragem de beija-lo ou até mesmo porque eu tinha que ir falar com ele! Antes eu ficasse quieta e morresse levando para o túmulo toda essa besteira que chamam de amor que eu ainda sinto por ele. Ahhhhhh Maldiçãããããããooooo! Por que você não me preveniu que os homens eram seres complicados, confusos, difíceis e incrivelmente idiotas! E que mesmo assim, nós garotas, somos suficientemente burras de nos apaixonarmos por eles?

Quero dizer, o que eu consegui me "declarando" para ele?( Não entram detalhes aqui, como: a provação da minha incrível coragem, o quanto eu miro bem mesmo estando extremamente fula da vida, as loucuras que sou capaz de cometer quando eu estou assim, e o beijo mais maravilhoso da minha vida... suspiro) NADA! Absolutamente nada diferente da rejeição, que ele já sentia por mim antes. Eu me magoei. Demais. Passei pelo céu e pelo inferno tudo na mesma semana, no mesmo dia, lutei contra os meus medos. Apostei tudo que eu tinha, cedo de mais e perdi. Passei uma semana me culpando e me condenando, sem sair de casa, sem dormir, sem comer direito. Tudo isso em vão.

Flash Back

Allanis abriu os olhos, e fitou demoradamente o teto de seu quarto, suspirou quando a realidade voltou como um flash a sua memória, ela havia cochilado outra vez, e os fantasmas daquela maldita tarde haviam novamente voltado a sua mente. Culpa? Arrependimento? Não, isso era só uma parte do que Allanis sentia. A uma semana ela não dormia e não comia direito. Sair de casa então? Nem pensar. Nas poucas ocasiões que saía do quarto, era para se alimentar, todas as outras horas ela passava apenas trancada. Não derramou sequer uma lágrima, não era disso, nunca fora e não seria agora que iria chorar. Não, ela era mais forte do que muitas pessoas pensavam, e mesmo sentindo a vergonha e o todo o peso de seu amor por Harry beirando seus olhos, piscava, disfarçava e tentava afastar esses pensamentos de sua cabeça.
Tratou logo de descobrir o que a havia tirado de seus devaneios, então mais uma vez a voz de sua mãe invadiu o quarto.
- Allanis! Desce aqui agora!
Suspirou, não queria descer, não queria ter que encarar a claridade que os outros seres habitavam, estava muito bem acomodada na sua escuridão. Gostava de lá, e só. Lentamente, levantou-se de sua cama, colocou uma jaqueta preta (apenas combinando com o resto de sua roupa) e sem sequer lançar um olhar ao espelho, se arrastou escada abaixo.
- Fala mãe – murmurou a garota entrando na sala, tentando acostumar seus olhos à claridade do cômodo.
- O que você estava fazendo? – Perguntou a mulher desviando seu olhar da revista que estava lendo.
- Nada, para variar – Respondeu Allanis afundando as mãos nos bolsos.
- Que novidade. Escute filha, você está em férias, e não saí do quarto à uma semana! – Disse a mulher fixando o olhar em Allanis. – Vamos! Saia um pouco respire um pouco do ar da rua, tome um pouco de sol, você está tão branca! Se arrume, passe uma escova no cabelo, um batom que sabe, e vai curtir a vida garota!
Allanis encarou a mulher e levantou uma sobrancelha. Que bicho a havia abduzido para ela estar fazendo um papel de boa mãe? – Olha mãe, você sabe muito bem que ODEIO sol, e sinceramente não estou afim de curtir a vida agora, quem sabe mais tarde... quando eu estiver menos ocupada me lamentando... – Allanis ia se virar para voltar para o quarto mas foi chamada uma segunda vez pela voz da sua mãe.
- Você não sabe o que os vizinhos comentam de você, não é? - Disse a mulher se levantando – Dizem que você está ficando louca e por isso está passando tanto tempo em casa! Alguns até dizem que viram você andando com o Potter delinqüente da Privet Drive!
Allanis se virou rapidamente, um pouco de raiva pessoal estava perigosamente ameaçando sair para fora. – Mãe, você sabe que os comentários da vizinhança e os seus não significam NADA para mim, não é? E se eu estiver realmente ficando louca? Não vai ser VOCÊ que vai me ajudar, não é? E se eu realmente estiver andando com o Harry? Vocês não tem NADA ver com isso! Danem-se todos vocês e suas vidas fúteis! – E dizendo isso, saiu para rua batendo a porta, não ia agüentar ficar mais um segundo naquela casa sem explodir.

Allanis saiu apressada pela rua, antes que sua mãe resolvesse vir atrás dela, mesmo Allanis sabendo que ela não armaria um escândalo no meio da rua, resolveu tratar de sumir rapidamente de vista. Estava realmente quente nas ruas, mesmo com o sol se pondo o ar continuava extremamente abafado, e Allanis já estava se arrependendo por ter trazido o casaco, mas a preguiça de tira-lo superava o calor que sentia. Caminhava sem rumo pelas ruas, queria demorar o máximo possível, sabia que quando voltasse iria travar outra briga contra sua mãe, e sua cabeça já estava latejando, outra briga só iria fazer piorar. Caminhava sem saber exatamente o que fazer, tudo que mais queria era estar em seu quarto, sozinha e sem ninguém. Quando o sol estava finalmente se pondo, seus pés a levaram para o último lugar que ela gostaria de estar. Inconscientemente eles a haviam levado direto através da Privet Drive, e só se deu conta de onde estava quando parou a frente do número quatro. Seus olhos passaram por toda a frente da casa, até recaírem sobre o vulto de um rapaz moreno, sentado nas escadas da porta de entrada, o rapaz estava com a cabeça abaixada e parecia não ter notado sua presença. Allanis suspirou, agora era tarde, já estava ali, e não iria agüentar outra semana como a que acabara de passar. Precisava falar com ele, explicar, mostrar que não era a tarada, louca, pervertida que agarra pessoas em plena rua, que ele provavelmente estava pensando que ela era. Talvez até contasse sobre seus sentimentos, talvez dissesse até que ela era completamente apaixonada por ele. Mandando ao inferno todo seu orgulho e seus medos, pisou na calçada indo em direção a Harry. O súbito movimento da garota fez com que Harry levanta-se a cabeça de sobre salto. Allanis também se assustou com o movimento do garoto, e por mais um segundo ficaram os dois se encarando.

Allanis sentiu o sangue subindo para as bochechas e sabia que isso era sempre um sinal de perigo, decidiu que era hora de acabar de vez com toda essa história.
- Oi – murmurou quebrando o silêncio constrangedor e sentindo sua voz começando a falhar.
- Oi - Respondeu Harry educadamente, fixando seu olhar em Allanis. Até um esboço de sorriso passou pelos lábios do rapaz, o que decididamente assustou Allanis, que esperava por qualquer coisa menos por isso.
- Er... tudo bem? – Perguntou a garota, ainda tentando entender o que estava acontecendo.
- É, na medida do possível, e com você? – Respondeu Harry.
- É, acho que melhorando... – Comentou Allanis, feliz.
Ficaram mais alguns minutos em silêncio.
- Ei, Harry a gente precisa conversar sabe... hum... sobre semana passada. - Começou Allanis extremamente envergonhada, mas mesmo assim se sentando ao lado do garoto. – Foi por isso que eu vim aqui hoje e...
- Não dá Allanis, eu to indo embora. – Interrompeu-a Harry olhando para o final da rua, e se levantando tão rapidamente que mais uma vez assustou Allanis - Para sempre. Esquece isso tá? Esquece tudo que aconteceu aqui, esquece que você me conheceu...
- Mas, mas... – Allanis olhava sem conseguir entender – Eu pensei que... você vai para a sua escola não vai?
- Mais ou menos. – Respondeu Harry ainda olhando para o final da rua.
- Então Harry! Você... você vai voltar não vai? Como faz todos os anos não é? – Allanis também se levantou e olhava para Harry que continuava a encarar o final da rua como se estivesse esperando por alguma coisa.
- Não, essa é, graças a Deus, minha última noite aqui. Tudo termina esse ano, e eu não vou mais ter que agüentar os Durleys com suas manias tro... - Harry parou de falar e voltou-se para encarar Allanis – Espera aí, como você sabe que eu volto todos os anos? Que eu passo um ano letivo inteiro fora? Em outra escola?
Allanis literalmente não sabia onde enfiar a cara – Bem, eu... ahn... digamos que... eu... ahn – Respirou fundo, e quando encarou Harry novamente, ostentava um olhar de determinação – A verdade Harry, é que eu sou apaixonada por você desde que você estudava na escola do bairro comigo, e todos esses anos eu estive te observando, e... e esse ano eu decidi colocar isso para fora, porque não dava mais para esconder! Pronto falei.
Agora era Harry que parecia ter levado um soco, olhou sem reação para a garota. Pela primeira vez Allanis pode perceber que ele estava tão perdido quanto ela mesma estivera horas atrás. – Você? É ... apaixonada por mim?
Allanis consentiu com a cabeça, e no segundo seguinte desejou não ter feito isso.
- Olha Allanis, não dá. Sem chance, você é uma trou... você não tem... não intende... não dá! – Tentou explicar Harry se embolando com as palavras. – Melhor seguir o meu conselho, esquece tudo isso tá? Esquece de mim, esquece o que aconteceu! Para sua própria segurança! – Enquanto dizia isso Harry ia empurrando Allanis para rua.
- Mas Harry! Por que? – Perguntou a garota extremamente confusa.
- Allanis, eu só estava tentando ser legal com você, porque a gente nunca mais vai se ver. – Disse Harry impaciente – A verdade é que eu não suporto você, não consigo nem olhar na sua cara, então faz um favor para mim? SOME DA MINHA VIDA AGORA! – Disse Harry dando um último empurrão em Allanis.
A garota olhou diretamente nos olhos dele, aquilo fora gota d'água. Então sem argumentar, sem fazer escândalo, sem jogar All Star, simplesmente virou as costas e desatou a correr desesperada até a sua casa, ignorando os gritos de sua mãe só parou mesmo, quando estava segura e trancada em seu quarto. Se jogou na cama, e pela primeira vez em sua vida, chorou
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Fim do Flash Back

Por favor, não me faça repetir essa última parte, ainda não consigo acreditar nela. Então foi isso, hoje à noite terminou o meu "romance" de verão. Mas até que superei bem, depois de uma hora chorando já consigo até escrever em você, quem sabe daqui duas semanas eu consiga sair do quarto e dentro de um mês eu volto para o mundo lá fora. Minha mãe veio berrar comigo de novo (quer dizer, para a minha porta), eu não suporto mais isso. E ainda tem esses ataques as famílias que estão acontecendo por todo Reino Unido, uma família morre por semana, tá todo mundo meio desesperado, ninguém sabe a causa, eles só... aparecem mortos. Se quer a minha opinião sincera, depois de hoje, eu não me importaria de pertencer a uma dessas famílias. Juro, nunca mais passo por uma situação dessa, nunca mais deixo ninguém me tratar assim...

Por cinco felizes minutos eu cheguei a acreditar que ele sentia o mesmo por mim, mas para variar eu estava enganada. Sabe, espero que ele vá embora mesmo, que nunca mais volte, quero que ele suma, morra. E se algum dia eu encontrar ele na rua, vou fingir que nunca vi, desconhecer. Para mim Harry Potter morreu hoje.

Allanis Ryan

continua...