"Quer saber, foi melhor assim. Ela não sabia onde estava se metendo. Iria colocar a vida dela em perigo, isso é claro, se ela já não estiver. Foi a melhor coisa a ser feita, me afastar dela, não havia outro jeito... E por Merlin que trouxa complicada! Se as garotas bruxas já erram difíceis de se entender, as trouxas aprecem ser o dobro! Que tipo de garota taca um tênis na sua cabeça, briga com você no meio da rua...( tudo bem , eu assumo, fui miserável com ela, mas de qualquer forma) e no segundo seguinte te... agarra! Argh, como elas são complicadas, essas trouxas! Juro, acho que odiei ela no instante em que coloquei meus olhos nela, tudo nela me irritava! Me irrita! Ela é símbolo de tudo aquilo que venho tentando fugir fazem 7 anos, a minha outra vida, a minha vida trouxa. Onde eu não passo do Pirado Potter, e onde todas pessoa me tratam como um... demente. E o que ela viu em mim? Ela não conhece metade da minha vida, não sabe pelo que eu passei e mesmo assim, estava 'apaixonada'. Francamente...
Então, se era para ser assim, por que eu ainda me culpo tanto? Por que eu me sinto tão mal e vazio por dentro? Não consigo entender. Qualquer trouxa que esteja ligado a mim está em perigo, mas por mais que tenha odiado tudo nela, por que é só com ela que eu me importo agora?
De qualquer forma isso não vai fazer diferença, ela já ficou para trás de qualquer jeito, é melhor eu não ficar pensando nisso, pelo menos enquanto eu não dominar Oclumência, caso contrário, todos os meus esforços para protegê-la terão sido em vão. Pera aí, eu tentei protegê-la? Bom, quanto a isso não dúvida que sim, droga. Meu medo é que ele encontre-a e ela acabe morrendo, assim como todas as pessoas que eu amei. Mas então... eu estou assumindo que eu amo ela? Não! Decididamente não, ela só... mexeu comigo. Bem, talvez ela seja diferente de todas as outras garotas, bruxas ou trouxas, que eu conheci antes. Talvez isso não signifique nada, e o melhor agora é eu começar a esvaziar a minha mente. Antes que..."

- HARRY! – gritou Rony ao ouvido do rapaz – Cara que aconteceu com você? Tá em transe por acaso? Eu tô te chamando a uma meia hora!
Harry olhou assustado a sua volta. Rony, Hermione, Neville, Gina, Luna e até a bruxa do carrinho de doces estavam olhando-o preocupados.
- Você vai querer alguma coisa? – repetiu Rony pela terceira vez, apontando para o carrinho.
- Não, não, obrigado. – Respondeu Harry ignorando os olhares dos amigos, e voltando a encostar a cabeça na janela da cabine, olhando o sol se por atrás das montanhas, enquanto o Expresso de Hogwarts ia sempre em direção ao norte. Gina, Luna e Neville deram ombros e saíram da cabine murmurando que iriam encontrar outros amigos, a bruxa entregou os doces que Hermione havia comprado e também sumiu pelo corredor.
Não contara nada sobre Allanis aos amigos, sentia que o sentimento de culpa por tê-la tratado tão mal só iria aumentar e o sentimento novo que agora estava nascendo dentro dele, algo que lembrava vagamente saudades, realmente incomodava.
Por mais que tentasse, não conseguia tirar das lembranças aquela tarde em que fora, pela segunda vez, beijado. Ainda não sabia o que pensar. Lembrou-se que primeiramente ficou irritado, não, na verdade muito mais do que isso, mas não sabia como explicar. Depois se sentiu confuso, mas se pegou gostando do beijo no final. E não queria admitir isso, mesmo que fosse apenas para si mesmo. Não saberia dizer se fora melhor ou pior do que o que tinha trocado com Cho. Sabia que fora diferente, e apenas isso.
Harry fechou os olhos e suspirou, às vezes quando sonhava, ou até mesmo quando estava acordado com o olhar perdido, podia rever mentalmente as cenas daquela tarde, podia até sentir o sabor dos lábios de Allanis colado aos seus. E odiava sempre que se pegava perdido nesses pensamentos.
- Harry, você está bem? – Perguntou Rony a sua direita.
Harry abriu os olhos lentamente, encarou-o e piscou – Tô sim, por quê?
- Você tá distante – Começou Hermione, que também olhava preocupada o rapaz.
- Aconteceu alguma coisa durante o verão? – Perguntou Rony, os braços cruzados na frente do corpo, nada relacionados com modo displicente como se sentava no acento.
- Não – Mentiu Harry, desviando o olhar dos amigos para a paisagem lá fora – É essa guerra, ela está me preocupando. A Ordem está insegura, o poder de Voldemort aumenta a cada dia. Pessoas morrendo aos milhares toda semana, e o Ministério sem fazer nada. A profecia que terá que ser cumprida esse ano. Eu não sei... mas pela primeira vez na minha vida eu estou com medo do que está por vir. A maioria das pessoas que eu amo estão arriscando suas vidas, e todas as que já fizeram isso, acabaram morrendo.
Rony e Hermione se entreolharam.
- ... mas, graças a Deus, tudo acaba esse ano. – Continuou Harry em voz baixa, cansado, ainda olhando para fora. O rosto de Allanis apareceu mais uma vez em sua cabeça, e ele teve certeza de que poderia nunca mais voltar a vê-la.

continua...

N/A: Galera, antes de tudo, não me batam por esse capítulo estar mais curto que os outros. Eu não sabia como continuar, e as próximas partes vão estar mais... hum... interessantes... acreditem! Acho que já expliquei mais ou menos como ia ser de agora em diante, mas para quem ainda estiver meio perdido aí vai a explicação: Me apossando um pouco do Harry para vocês verem o ponto de vista dele, essa conversa acontece algumas semanas depois que ele se "despediu" da Allanis, enquanto ele estava a bordo do trem.