Harry bocejou pela terceira vez, se espreguiçou e se apoiou sonolento sobre seus cotovelos.
- Nossa Harry, que ânimo hein? Que horas você foi dormir ontem? – Perguntou Hermione deixando finalmente de lado o Profeta Diário que estava lendo.
- Eu não dormi, passei a noite toda fazendo os deveres de Transfiguração, Feitiços e Poções. – Murmurou Harry, massageando os olhos por baixo dos óculos. Era mentira, os deveres estavam intocados dentro da mochila do rapaz, ele simplesmente não conseguira pegar no sono, mas se contasse isso para os amigos, provavelmente, eles iriam fazer disso o fim do mundo. Conhecia muito bem eles para cometer esse erro.
- Se você o tivesse feito quando eu falei, não estaria assim. – retrucou a garota com um olhar repreendedor.
- Alguma novidade Mione? – Perguntou Rony apontando para o Profeta com a cabeça.
- Nada realmente novo, só as mesmas coisas que a gente vem lendo à sete meses. – Respondeu a garota infeliz.
- Mais mortes? – Perguntou Rony com a voz embargada.
Hermione concordou com a cabeça – Dois bruxos e um trouxa.
Harry suspirou, e fechou os olhos ainda apoiado em seus cotovelos. Não agüentava mais isso. Queria que tudo acabasse logo. Estava cansado de sempre ler sobre essas mortes nos jornais e saber que só ele poderia por um fim a elas. Sentia falta do tempo em que suas únicas preocupações se resumiam em não deixar os deveres se acumularem. Antes que percebesse mais uma vez foi levado direto a lembrança daquela tarde com Allanis, agora era comum, todas as vezes que estava em momentos difíceis ou se sentia mal, essa mesma lembrança voltava. Quase podia senti-la perto novamente, o calor do corpo da garota contra o seu. Já não havia como esconder. Demorou, mas enfim entendeu e aceitou que o que sentia pela garota trouxa era amor(N/A: Bleh, que clichê!). Harry percebera, tarde demais, que o que a principio não parecia passar apenas de simples preocupação, ou até afinidade, agora mostrava-se mais forte do que qualquer outro sentimento que ele sentira antes, por qualquer pessoa que fosse...

Ele estava novamente caminhando pelas ruas ensolaradas e arborizadas de Little Whining, mas não caminhava sozinho, alguém segurava em sua mão e quando olhou para o lado, para ver quem era, deparou-se com o rosto sorridente de Allanis. A garota estava radiante, e um vento fresco cortava o ar a sua volta, levando seus cabelos cacheados para trás. Harry sentiu um súbito impulso, e parou, aproximando seu rosto do da garota. Antes que seus olhos se fechassem, Allanis sorriu brevemente.
- Ah Harry, você me magoou. Me magoou demais, e depois você foi embora... você selou a minha morte Harry, selou sim...
Allanis começou a rir descontoladamente, e seu rosto, que antes era de um tom róseo, foi ficando cada vez mais branco, e seus olhos ficaram vermelhos, suas púplias estreitas como as de uma cobra. Sua risada tornou-se fria e sem alegria...
Acordou deitado, de costas no chão, sua cicatriz ardendo em chamas, quase rachando seu crânio em dois.
- Por Merlin Harry! Você está bem? – Harry ouvira a voz de Rony em algum lugar a sua direita.
Com muita dificuldade abriu os olhos e focalizou um grupo de estudantes a sua volta, todos olhando-o preocupados, Hermione e Rony eram os mais próximos, o rosto de Hermione expressava aflição e Rony estava mais pálido do que jamais estivera.
- Dumbledore... eu... preciso... ver.. DUMBLEDORE! – Explodiu Harry, tentando se levantar, alguns alunos o impedindo – Ele já sabe sobre ela! Vai mata-la! VAI MATA-LA! E será tudo minha culpa, minha culpa...
Como pudera ser tão burro, tão idiota? Porque não dedicara mais tempo praticando Oclumência? E Moody? Porque não dera ouvidos a ele, "Vigilância constante!" era o que sempre dizia, o que ele pensaria sobre Harry agora?
Viu de relance quando Hermione e Rony trocaram um olhar preocupado, e quando Neville saiu apressado para a mesa dos professores.
- Ela quem, Harry? – Perguntou Hermione, num to estranhamente calmo.
Harry suspirou impaciente, teria que contar para Rony e Hermione, mas enquanto estivessem ali, perdendo tempo, Allanis poderia estar em perigo. Com muita dificuldade se levantou.
- Olha, vamos supor que... bem, que eu tenha conhecido uma garota nas férias... – Disse ele impaciente, baixo só para os dois ouvirem – e que bem, a gente ficou bem ... próximos sabe? E ela é trouxa! E se Voldemort descobriu, ele pode... ele vai mata-la!
- Harry, Longbottom me falou que você queria me ver. – Disse Dumbledore num tom preocupado, se aproximando.
- PROFESSOR! Tem uma trouxa! Uma vizinha minha, que está em perigo! Eu tenho certeza disso! Voldemort a viu nos meus sonhos! – Falou Harry urgentemente, com desespero na voz – Professor, eu tenho certeza que ele vai fazer algo com ela! E o senhor tem que protegê-la... por favor!
Dumbledore estudou Harry através de seus oclinhos meia-lua, e com um súbito aceno da cabeça, virou as costas e se dirigiu apressado à mesa dos professores, fazendo uma aceno para que Harry o acompanhasse.
- Minerva, mande uma mensagem urgente ao ministério e peça para que o maior número de Aurores seja enviado ao Little Whining. O mais rápido possível, não podemos perder tempo, preciso que você comande a escola por hoje, eu vou me ausentar até a noite, e o Potter está liberado de todas as aulas do dia. – Disse o diretor.
Prof. McGonagall apenas concordou com cabeça, e saiu imediatamente da mesa.
- Escute Harry, eu quero que você fique em seu dormitório por hoje. Tenho que resolver isso o mais rápido possível , mas antes de ir, preciso que você me prometa que você não vai sair do dormitório para salvar essa garota. – Disse Dumbledore se virando para ao rapaz.
Harry hesitou, proteger Allanis era o que mais queria, mas sobre o olhar penetrante de Dumbledore, acenou lentamente a cabeça em concordância.
- Ótimo – Falou o diretor, e acrescentou se virando para Snape – Severo, por favor, cuide para que o resto da escola siga sua rotina normal, inclusive o Sr. Weasley e Srta. Granger.
Snape concordou, e saiu em direção ao grupo e alunos que estava ao redor de Harry quando ele desmaiara, e que ainda permanecia unido, cochichando no centro do Salão.
- Suba agora para o seu dormitório Harry. – Pediu Dumbledore.
Harry concordou e começou a sair em direção a escada de mármore que levava até a torre da Grifinória, se arrependendo da promessa que tinha feito no instante em que botou os pés dentro do dormitório vazio, esperar por notícias ali, iria ser mil vezes pior do que esperar ao lado de Hermione e Rony.
O dia transcorreu sem maiores novidades, por três vezes Harry ouvira sons na sala comunal , mas quando descia para ver, era sempre Bichento brincando ou derrubando alguma coisa. Aquela espera toda era uma tortura, ele não conseguia dormir e nem ficar parado por muito tempo. Qualquer barulho fazia com que se sobressaltasse. Queria muito estar com ela agora, ao lado dela, tentando protegê-la, nem que morresse na tentativa, assim como fizera seu pai.
Já estava escurecendo, Harry estava deitado de costas em cima do tapete chamuscado da frente da lareira, a preocupação não havia mais como se manifestar, então ele apenas se jogou ali e ficou aguardando, até que o quadro da Mulher Gorda girou e por ele entraram Hermione e Rony, ambos com cara de enterro. Harry levantou-se rapidamente e encarou os amigos, nenhum dos dois olhou-o nos olhos.
- Então? – perguntou Harry, com voz mio embargada, com medo da resposta.
- Dumbledore quer falar com você na sala dele. - Disse Rony ainda sem olhar Harry nos olhos.
Harry saiu correndo em direção à sala do diretor no momento que essas palavras acabavam de sair da boca do amigo, sentia o coração pulsando contra a garganta, e um amargo gosto na boca. Tinha medo pelo que estava por vir, que seus piores temores estivessem se confirmado. Não conseguia pensar em outra coisa que não fosse no rosto de Allanis, e em como ele fora burro deixando-a para trás. Parou derrapando em frente a gárgula, mas nem sequer precisou tentar chutar uma senha, a Prof. McGonagall o esperava ao lado da entrada, sem trocaram nenhuma palavra, ele passou reto por ela e subiu as escadas o mais rápido que pode, a professora em sues calcanhares. Chegou ao patamar da sala do diretor e o encontrou encostado junto a janela, observando o pôr-do-sol. Aproximou-se se postou ao lado dele na janela, no horizonte ainda havia alguns raios de sol colorindo de vermelho-sangue os terrenos da escola que aos poucos eram engolidos pelo crepúsculo noturno, mas mesmo assim, algumas estrelas já brilhavam no céu.
- Então professor? – Perguntou Harry desviando o olhar dos terrenos da escola e se fixando em Dumbledore, que continuava a olhar fixamente as terras além.
Dumbledore suspirou e se virou para encarar Harry – Sinto informar Harry, mas os Aurores chegaram tarde, quando chegaram na casa, ela já estava toda destruída, a Marca Negra flutuando acima do telhado semi-destruído. Voldemort nos passou à frente mais essa vez. – Dumbledore suspirou mais uma vez, ele parecia mais cansado e triste do que jamais estivera. – Não sobrou nada da casa, não havia nada que nós pudéssemos fazer. Sinto muito.
Harry não respondeu, havia tambores rufando em sua cabeça e ele ficara momentaneamente surdo, só depois de alguns minutos sem saber direito o que pensar, voltou a ouvir a voz de Dumbledore.
- O que aquela garota significava para você, Harry?
O velho sentimento de perda, já tão conhecido de Harry, voltou a se apossar dele. Lembrou-se com raiva de todas as pessoas que ele perdera para o bruxo: seu pai, sua mãe, Sirius e agora Allanis, que não tinha nada a ver com a guerra que estava sendo travada no mundo bruxo. Voltou seu olhar para o céu lá fora, as estrelas brilhavam com um brilho incomum.
- Muito mais do que eu consigo explicar... – Murmurou o rapaz com a voz embargada, sentindo uma lágrima deslizar pelo seu rosto.

Look at the stars,
Olhe as estrelas
Look how they shine for you,
Veja como elas brilham para você
And everything you do,
E para tudo que você faz
Yeah, they were all yellow.
Sim, elas estavam todas amarelas

I came along,
Eu progredi
I wrote a song for you,
Escrevi uma canção para você
And everything you do,
E para tudo que você faz
And it was called "Yellow."
Ela foi chamada de amarela

So then I took my turn,
Então eu esperei a minha vez
Oh what a thing to've done,
Que coisa para ter feito
And it was all yellow.
E estava tudo amarelo

Your skin
Sua pele
Oh yeah, your skin and bones,
Sim, sua pele e seus ossos
Turn into something beautiful,
Transformam-se em algo tão bonito
You know
Você sabe
You know I love you so,
Você sabe que eu te amo tanto,
You know I love you so.
Você que eu te amo tanto

I swam across,
Eu nadei
I jumped across for you,
E superei as barreiras por você
Oh what a thing to do.
Que coisa a se fazer
Cuz you were all yellow,
Porque você era toda amarelo

I drew a line,
E estabeleci um limite
I drew a line for you,
E estabeleci um limite para você
Oh what a thing to do,
Que coisa a se fazer
And it was all yellow.
E era tudo amarelo

Your skin,
Sua pele
Oh yeah your skin and bones,
Sim, sua pele e seus ossos
Turn into something beautiful,
Transformaram-se em algo bonito
You know,
E você sabe
For you I'd bleed myself dry,
Por você eu daria todo o meu sangue
For you I'd bleed myself dry.
Por você eu daria todo o meu sangue

It's true, look how they shine for you,
É verdade, veja como elas brilham para você
Look how they shine for you,
Veja como elas brilham para você
Look how they shine for...
Veja como elas brilham para
Look how they shine for you,
Veja como elas brilham para você
Look how they shine for you,
Veja como elas brilham para você
Look how they shine...
Veja como elas brilham

Look at the stars,

Olhe as estrelas
Look how they shine for you,
Veja como elas brilham para você
And all the things that you do.
E para tudo que você faz...


Coldplay - Yellow

Continua...

N/A: É isso aí gente... u.u pensem o que quiserem, está feito. O maior capítulo que eu já escrevi até então nessa fic. Como eu falei no último post, esse trecho foi bem depois da conversa no trem. Qualquer dúvida é só me perguntarem. Criticas serão sempre bem vindas, é claro.