No estábulo, o rapaz de cabelos loiros estava cuidando seu cavalo quando viu quem se aproximava.
- Dei três dias para que se recuperasse, e só então aceitaria meu desafio. Mas vejo que acordou disposto hoje. – sacou sua espada assumindo uma postura de ataque. – Quando quiser, estrangeiro.
O guerreiro estrangeiro também sacou sua espada e partiu logo para o ataque. O outro se defendeu rapidamente, e já contra-atacava. A força que ele utilizou quebraria a espada sarracena se o estrangeiro não tivesse feito a outra espada deslizar pela sua. Os dois ficaram medindo o ponto fraco do outro. Um errinho e um deles sairiam terrivelmente ferido ou morto. O golpe seguinte do guerreiro sami fora mais forte e firme que o anterior. Foi o suficiente para que o estrangeiro fosse ao chão. Girando rapidamente, o sarraceno já estava de pé, e se preparava para atacar. No entanto:
- Não! Parem com essa luta insana.
- Não se deve atrapalhar um combate, Donzela.
Antes mesmo que mais alguma coisa fosse proferida pela jovem ou pelo guerreiro sami, seis soldados surgiram montados em seus cavalos:
- Senhor, as tropas de Yarmilla movem-se para o Oeste.
- Isso significa que rei Ivor não vai esperar que ela cumpra com o acordo. Temos que retornar com urgência.
- O que faremos com esses forasteiros?
- Deixe o guerreiro estrangeiro partir. Leve apenas a jovem.
O guerreiro sarraceno pegou a espada novamente, preparando-se para lutar contra os cinco soldados que havia chegado. A jovem de cabelos loiros surgiu em sua frente pedindo:
- Não lute. É de minha vontade partir com eles. Não é mais seguro que continue por aqui. Parta imediatamente.
O guerreiro sarraceno olhou para ela, depois para o homem que ordenou os soldados levarem a jovem. Estava em desvantagem, e força bruta não resolveria a questão. Tão pouco retornar com os soldados que tinha a sua disposição, pois estavam longe demais para impedir o destino traçado por aquele homem à sua jovem companheira de viagem. Nada fez ao ver ela montando em um cavalo e partindo com eles. Quando se viu a sós, pegou um pedaço de papiro no bolsinho lateral da aljava presa na sela do cavalo. Rapidamente escreveu algumas linhas. Com um assovio, logo aparecera um falcão que pousava em seu pulso direito. Prendeu a mensagem na pata do animal e soltou-o, vendo com satisfação que seguira o rumo desejado. Montando em seu cavalo, cavalgou por entre os pinheiros, embrenhando-se mata adentro. Mais a frente desmontou do cavalo para ver os rastros no chão. Definitivamente o grupo havia se separado. Dois cavalos seguiam para o Norte, e os outros cinco para o Leste. Acreditando que a jovem estaria sendo escoltada para o Norte, seguiu aquele caminho.
Foi uma longa cavalgada, contudo horas mais tarde finalmente avistou um castelo aparentemente humilde e muito bem guarnecido. Teria que esperar a noite chegar para tentar um assalto. Seria mais fácil se aqueles que receberam sua mensagem chegassem. Infelizmente estavam muito longe, e demorariam mais de dois dias para alcançarem aquele lugar. Não poderia correr esse risco.
A lua finalmente surgiu, provendo uma parca iluminação, excelente para realiza o que planejara. Muito ruidoso, escalou a muralha do castelo. Já no topo, escondia-se na sombra para evitar que algum vigilante percebesse sua presença. Mas sua sorte não durou muito pois um dos guardas soava uma trombeta. Em poucos minutos o pátio estava lotado de soldados. Tudo que o guerreiro sarraceno conseguiu fazer para impedir que fosse pego deixava os soldados irritados e até mesmo admirados com as habilidades daquele estranho. Esquivava-se com rapidez, contra-atacando com golpes precisos de espada, e recuava ao mesmo tempo. Desse jeito não tardou muito para entrar por uma porta e correr escadaria acima. Encontrou outra porta, onde dentro da sala não havia mais nada. Rapidamente providenciou uma barricada. Tinha que pensar em como sair dali e resgatar a jovem. O barulho produzido pela tentativa de colocar a porta abaixo não permitia que pensasse com clareza. Sons de uma trombeta que tinha o som diferente da primeira anunciavam que algo mais estaria acontecendo. Olhando pela única janela de acesso, pôde ver a chegada de cinco pessoas. Conseguiu reconhecer imediatamente o homem à frente de todos. Alguns soldados aproximaram-se dele falando algo que não dava para escutar devido a distancia. Mas sabia sobre o que falavam já que apontavam para sua direção. Estava encurralado e nem imaginava como conseguiria sair dali. Pouco tempo depois o barulho ensurdecedor cessara-se e o guerreiro sarraceno sabia que do outro lado da porta estava seu oponente.
- Muito bem, estranho. Conseguiu chegar ao meu castelo, mas agora está preso nessa masmorra. Só tem duas formas de você sair daí. Se jogando para a morte ou enfrentando-me.
O sarraceno fitou a pequena janela, depois para o telhado que parecia muito alto para se alcançar, e por ultimo, olhou desanimado para a porta. Realmente não havia outra saída daquele lugar. A porta foi aberta pelo sarraceno que estava com a mão esquerda empunhando a espada, pronto para contra-atacar caso houvesse um soldado afoito querendo mostrar serviço.
- Então veio terminar o que começamos e fomos interrompidos pela jovem. Não se dará por vencido até conseguir resgatar sua senhora. Muito nobre de sua parte, mas as leis deste reino permitem que mate o defensor de uma dama. Caso me vença poderá partir levando-a consigo. Concorda com esses termos?
O sarraceno concordou com um menear de cabeça, e logo fechou a porta para que não houvesse nenhuma interrupção. A postura de luta dele era tão boa quanto a de seu oponente. Teve-se inicio a luta dos dois. Dessa vez cada um estava mais atento ao golpe de seu oponente.
O sarraceno procurava encontrar um ponto falho na postura daquele homem. Não havia nenhum que estivesse vendo naquele momento. Então desferia uma seqüência de ataques que o deixava tão próximo dele que podia sentir sua respiração. Não estava sendo uma boa tática. Sua própria respiração também estava ficando mais ofegante que o normal. Sua face estava queimando. Não era possível que estivesse adoecendo justo naquele momento crucial em que sua jovem companheira de viagem mais precisava de sua ajuda. Conseguiu apenas ficar mais na defensiva do que no ataque. Tinha conhecimento que aqueles olhos que o fitava fazia a mesma analise de agora pouco. Mais cedo ou mais tarde alguém acabaria cedendo.
O homem loiro nunca acreditara que algum dia encontraria alguém a sua altura em questão de combate. Seu oponente parecia muito magro para alguém que já devia ter enfrentado tantas batalhas. Sua altura era baixa em relação aos homens de sua terra natal. Mas a sua postura de batalha era definitivamente a mais complexa que já vira. Estava tendo dificuldades para dar um golpe que acabaria com aquele embate em pouco tempo. E o que piorava a situação era a proximidade de seu oponente. No entanto encontrou algo interessante, seu oponente já demonstrava um certo cansaço. Com um chute no estomago de seu oponente, conseguiu que ele se afastasse soltando um estranho gemido. Sem perder tempo, desferiu dois golpes fortes de espada contra ele que se chocava contra a parede da torre. A espada que o sarraceno segurava voou longe. Preparou-se para dar o golpe de misericórdia quando ouviu mais uma vez aquele gemido que lhe soava mais agudo que o normal. Que tipo de homem emitia um som daqueles? Curioso, retirou a proteção de sua cabeça e rosto, recuando alguns passos, completamente surpreso.
- Que feitiçaria é essa?
Continua...
Espero que estejam gostando dessa historia. Ela está cheia de mistérios que serão solucionados aos poucos. Em breve sairá o próximo capitulo. Enquanto aguardam estejam a vontade para comentar ou fazer alguma critica.
