Capítulo 3 – Eu estava saindo da minha prisão (e estava saindo bem), agora estou caindo no sono enquanto ela chama o táxi
Dead men, they celebrate as the final chapter fades away, cuz they can't hide we can see their flesh is rotten!
O fogo emanava da lareira que estava esquentando o aposento deliciosamente. Suspirou fortemente, tragando todo o ar a sua volta. A sua orelha direita tremeu ligeiramente enquanto ele procurava algo no bolso do casaco. Finalmente achou o maço de cigarros e o isqueiro. Levou um a boca e o acendeu vagarosamente. Deu um trago para depois soltar pela boca pequenos círculos de fumaça, que logo encheram o aposento aconchegante. Com um solavanco empurrou para trás a poltrona vermelha, que estava sentado, para embalar-se um pouquinho. O tapete de fibras fazia barulhinhos engraçados enquanto a poltrona se mexia. Quando se deu por si, restava lhe só um toco de cigarro na boca.
Franziu o cenho e levantou-se da poltrona. Ali encarou o aposento coberto de fotografias de bruxos das trevas. As fotografias estavam grudadas em todos os espaços imagináveis da parede, até mesmo no teto que era figurado por apenas um lustre – por acaso, estava aceso. Tirando a poltrona e a lareira o aposento só possuía uma mesa de madeira, comprida, que se estendia por toda a extensão da sala. Cadeiras lhe acompanhavam dos dois lados. Ao final da mesa uma porta de carvalho rígido dava fim à sala. Dirigiu-se a mesa até achar um prato branco que portava um copinho cheio de água. Afastou o copo e apagou o cigarro no prato.
Ouviu passos. Rapidamente puxou das vestes internas uma varinha comprida, feita de salgueiro. A porta escancarou-se e Jorge apontou a varinha para o intruso.
-Jorge? –perguntou Harry, que acabara de entrar no aposento. –O que você está fazendo aqui?
Seguindo Harry apareceram Rony, Hermione, Neville, Corner, Luna, Cho Chang, um homem que ele desconhecia, e os irmãos Creevey: Dênis e Colin (não o quê havia morrido, mas sim o terceiro irmão – mais novo que Dênis, que havia recebido esse nome justamente pela morte do primeiro Creevey).
-Você acha que eu não participaria de alguma missão para acabar com um Comensal babaca? –perguntou Jorge, enquanto analisava os rostos.
Harry sorriu piedosamente para Jorge, enquanto os outros entravam e sentavam-se na mesa.
-Quem foi que apagou um cigarro no pratinho? –perguntou Hermione, parecendo furiosa. –Jorge?!
-Já estava assim quando eu cheguei. –mentiu o ruivo e quando Hermione se sentou, Jorge deu uma piscadela para os outros.
Luna sorria inutilmente para o vazio. Neville encarava Harry, sério. Cho e McRosbeth entrelaçaram as mãos na mesa e olhavam para Harry. Dênis e Colin (de birra) estavam sentados um do lado do outro, encarando a fogueira crepitante. Corner cumprimentava Jorge que não parecia nem um pouco feliz pelo ato.
Harry pigarreou alto.
-Imagino que todos saibam por que estamos aqui. -começou Harry.
-Pra chutar a bunda peluda do Malfoy. –respondeu Jorge, mal-humorado, enquanto se sentava. –Eu sempre soube que aquele loiro metido ia dar num louco.
Hermione censurou Jorge pelo excesso de xingamentos e então mandou Harry prosseguir– mas este não pode nem abrir a boca.
-Onde está a Gina? –perguntou Neville, encarando-o.
-Hm... Ela não vai participar. –disse Harry. –Eu preciso de alguém para cuidar dos meus filhos, né?
Neville pareceu satisfeito com a resposta e encarou o teto, brevemente.
-Eu e Rony meio que já definimos a missão. –falou Harry, olhando para todos que ali estavam sentados. –Mas agora que temos o Jor...
Harry assustou-se quando três batidas secas foram ouvidas na porta, mas não esperaram para atender. Com um baque surdo, cerca de cinco pessoas entraram, enquanto Harry erguia a varinha. Olhou fixamente cada uma delas: Alicia Spinnet, Ernesto Macmillan, Lilá Brown, Simas Finnigan e Susana Bones. Sentiu um misto de fúria e dúvida nas suas entranhas. A lareira crepitou por alguns instantes antes de Harry falar.
-Mas o quê diabos vocês estão fazendo aqui? –perguntou Harry, enquanto abaixava a varinha e franzia o cenho.
-Noticias correm rápido Harry. Soubemos do Malfoy. –disse Simas Finnigan enquanto os outros quatro concordavam com a cabeça.
Harry suspirou, irritado.
-Será que toda a maldita pessoa sabe que vamos abrir uma missão de procura ao Malfoy?
-Bom... –começou Simas, mas repentinamente parou.
Com um aceno de varinha, Hermione convocou mais cadeiras. Os cinco restantes se sentaram, encarando Harry.
-Agora não temos mais plano nenhum. –falou Harry. –Tem muita gente nessa missão.
-Quem sabe dividir? –sugeriu Jorge, que agora se sentara na cadeira concentrado.
-Isso é uma boa idéia. –disse Dênis. –Podemos viajar em duplas.
-Hm... O número de países diminui. Harry, no México era só um vulto loiro mesmo...-disse Rony, parecendo constrangido por ter passado uma informação errada.
-Ótimo. –disse Harry, mas não sabia se ironizava ou se havia mesmo gostado da noticia. Fez um sinal com a mão pedindo o silêncio das pessoas que agora conversavam animadas – Muito bem, são... –Harry parou para contar por alguns instantes- Quinze pessoas. E cinco países. –terminou.
-Três para cada um. –concluiu Hermione.
Harry concordou com a cabeça.
-Eu e Rony já havíamos feito os países. Bom, inicialmente era Neville no Japão, Luna na Austrália, Rony no Canadá, Cho e McRosbeth no México, Dênis na Rússia e eu no Brasil.
-Japão? –perguntou Neville, agora se entusiasmando. –Japão?! O Japão é a maior fonte de Thelpartites Mimbledonias do mundo!
-Hm... Ótimo Neville. Alguém se candidata a acompanhar o Neville? –perguntou Harry, enquanto Neville parecia querer dar pulos de alegria.
-Por mim está tudo bem. –respondeu Lilá Brown, enquanto encarava Neville assustadoramente. Harry teve a impressão de que ela só estava fazendo isso por ter pena do amigo.
-Mais alguém? –tornou a repetir, Harry.
-Hm... Bom, seria interessante. –falou Colin, pela primeira vez abrindo a boca na conversa. Harry encarou o menino. Percebeu que Dênis parecia satisfeito com o irmão, enquanto que Colin parecia ter levado um choque.
-Claro, ótimo. –disse Hary, antes que o menino pudesse mudar de idéia. –Okay, cobrimos o Japão.
-Harry, eu adoraria ir para a Austrália. –disse Luna, que agora contemplava as unhas pintadas de um vermelho berrante.
-Então, ótimo Luna. –falou Harry, constrangido por algum motivo que não fazia a mínima idéia. –Alguém... Hm... Alguém se candidata a acompanhar a Luna?
O silêncio pairou definitivo na sala. Harry jurou que podia ouvir o grilo cantando na superfície. Mais uma vez a lareira crepitou por alguns instantes. Jorge mexeu-se inquieto na cadeira, enquanto o resto do grupo parecia absorto em pensamentos. Luna assoviava baixinho.
-É... Bom, eu sempre quis conhecer um canguru. –respondeu Alicia Spinnet, quebrando o silêncio repentinamente.
Harry a abençoou por alguns instantes. Pelo menos não deixaria Luna sozinha – não é que não tivesse confiança na amiga, é só que... Bom ela era a Luna.
Macmillan pigarreou fortemente, ao que Harry entendeu como se fosse um "sim" à pergunta de Harry.
-Ótimo, temos três na Aústrália. E sobre a Rússia? –perguntou Harry, enquanto puxava um caderninho das vestes internas e anotava os nomes e os países designados até agora.
-Bom Harry, já que vocês já me designaram eu não me importo de ir. –disse Dênis. –Seria muito interessante...
-Rússia parece ótimo! –exclamou Susana Bones, alegremente. –Você sabe de uma coisa? O sonho da minha avó sempre foi conhecer o lugar! Coitada... –refletiu Susana, parecendo desligar-se da conversa.
Rony coçou a nuca, ato que Harry reparou que o amigo fazia quando estava relativamente nervoso.
-Bem, eu poderia acompanhar. –sugeriu Jorge, que estava embalando-se na cadeira enquanto Corner o olhava assombrosamente.
-Hm. Okay, está ótimo. Agora só nos falta o Canadá e o Brasil. Alguém se candidata para o...
-Harry, nós pegamos o Canadá. –cortou Rony, que no momento pousara o braço direito em Hermione que lhe estava deitada no ombro.
-Bem, e eu posso fazer companhia. –disse Simas. –Claro, se vocês quiserem. –apressou-se.
Rony corou um pouco as orelhas enquanto Hermione cutucava o marido e concordava com a cabeça.
-Então... Creio que Cho, McRosbeth e eu ficaremos com Brasil. –concluiu Harry.
Teve a impressão que Cho corou um pouco enquanto McRosbeth passava a mão pelas costas da mulher. Ótimo, então não era só ele.
-Tudo pronto Harry? –perguntou Jorge, que já se levantara e agora estava acendendo um cigarro. A fumaça alojou-se pela sala, para o desgosto de Hermione. A maioria que estava sentada levantou-se, algumas já se dirigindo a porta.
-Ah, claro! Nos vemos amanhã então. Estejam prontos as sete da manha.
Harry sentiu uma mão pesar no seu ombro. McRosbeth lhe lançou um olhar aprovador, retirou a mão do seu ombro, e lhe deu uma piscadela. Cho Chang corou um pouco mas lhe deu um rouco "Nos vemos amanhã". Harry concordou com a cabeça. Virou-se e viu Jorge lhe fazendo um aceno de adeus.
Cinco minutos depois, só restavam na sala Harry, Hermione e Rony. Rony dirigiu-se a porta enquanto Hermione encaminhou-se até Harry que no momento lutava para apagar a lareira acendida por Jorge.
-Harry... Ã... Você podia pedir para Gina cuidar...
-Dos pequenos? –disse Harry adivinhando o resto da frase da amiga. –Claro, pode ficar segura. Eles vão passar o melhor Natal de suas vidas.
-Ah... Obrigada. –disse Hermione lhe dando um forte abraço, ao que Harry já estava acostumado devido aos anos que esse ato prolongava. –Então, nos vemos amanhã Harry.
Harry concordou com a cabeça, enquanto finalmente conseguiu apagar a lareira. Com um baque surdo, a porta fechou-se.
Suspirou fundo, pensando em Gina. Agora provavelmente estaria dormindo ou contando qualquer história para seus filhos. O jantar estaria em cima da mesa principal da Toca. Quando subisse, o seu lado da cama já estaria descoberto e Gina estaria lhe esperando, dormindo. Àquela hora da noite, James provavelmente estaria indo ao banheiro, mania que pegara dos trouxas. Como queria estar em casa agora, em vez de sair em caça mundial por um Comensal da Morte.
Um fogo pareceu penetrá-lo: A cicatriz andava queimando tão forte que lhe remeteu a época que Voldemort andava livremente... Os encontros da Ordem... Não pode deixar de sentir uma nostalgia ao se lembrar de Sirius sentado, mal-humorado... Lupin, sempre disposto a ajudar... Tonks munida de piadas... O estranho Olho-Tonto... Quantos haviam morrido até ali?
Suspirou, enquanto pousou a mão na testa febril. Agora um forte anseio de vômito lhe subia pelo estômago. A nostalgia sumiu, mas uma ardência veio aos seus olhos. E se ele morresse na missão? Quem cuidaria de seus filhos? Quem cuidaria de Gina? Sabia que Malfoy só retribuíra uma divida que tinha no passado. Aquele loiro, satânico, desgraçado, pedófilo, maldito, nojento, asqueroso, filho de uma p...
Não. Sacudiu a cabeça e levantou-se, impedindo-se de continuar a reviver memórias a muito tempo afogadas. Com um crack!, desaparatou.
Olhou para Avery cuidadosamente. Macnair estava encolhido em um canto, choramingando. Nott retorceu-se brevemente.
O baque surdo do aparato de Malfoy ecoou na caverna. Nott olhou para o homem, e viu que ele não estava sozinho.
-Mas o quê...? –começou Avery.
-Fuga em massa de Azkaban. –respondeu Malfoy. –Eu fui buscar o resto de nossos amiguinhos.
Nott olhou para os quê acompanhavam Malfoy. Havia Shunpike –aquele idiota do Noitibus-, o Rodrigo Crabble –o idiota que havia perdido o filho- e um homem que ele não fazia a mínima idéia –tinha cabelos loiros que lhe chegava até os ombros e era troncudo. A varinha pendia de sua capa pesada e poeirenta.
Lá fora, um relâmpago ecoou enquanto a água batia violentamente na pedra. Os cabelos da nuca de Nott se eriçaram ao sentir o ventinho frio que lhe passou pelo pescoço. No exato momento a pedra parecia mais fria ainda. O homem desconhecido fez um barulho estranho com a boca, notavelmente também sentido o frio.
Malfoy, suspirou:
-Preparem-se. Tudo começa amanhã de manhã.
