Capítulo Sete – Exogenesis Parte I (Abertura)
It could be wrong, but it should be right... Love is your resistance!
Rony olhou estupefato a cena, enquanto Harry caía violentamente até o arco gelatinoso que levara a morte de Sirius alguns anos atrás. Harry e Ernesto o atravessaram em uma fração de segundo.
Agora, Hermione, Neville e Luna lhe encaravam assustados. Agora tudo... Agora tudo havia recaído sobre ele. Ele decidiria o que fazer.
-Hermione... –começou. As memórias lhe passavam velozes pela cabeça, o cérebro trabalhando furiosamente. Ele não queria chorar. Mas seu melhor amigo havia acabado de atravessar um arco mortal para nunca mais voltar. O seu melhor amigo. Ele sentia os olhos marejados enquanto as melhores memórias lhe passavam pela mente. A primeira vez que se viram em King Cross... Quando Harry demonstrou coragem a buscar a Pedra Filosofal... O salvamento de sua irmã... As suas vagas em Quadribol... As brigas violentas que tiveram naquela floresta... O casamento de Gina com ele... Todas as tardes de domingos que eles... Agora tudo estava tão rápido, tão confuso. Um filete de lágrima inevitável escorreu pela sua bochecha. Se sentiu estúpido. Harry não iria gostar de o ver chorando como um bebê ali. A vida de todos estava em riscos. A missão sempre primeiro. Mas e Jorge? Onde estaria Jorge? Harry já teria encontrado Jorge e os outros e – Hermione, me diga. Você ainda possui o vira-tempo?
Harry sentiu o estômago desabar e chegar aos seus pés imundos. Ali na sua frente, estava o homem que tanto sentira saudade. O homem que lhe fizera uma transformação na vida permanecia na sua frente. Sem nenhuma alteração do tempo em seu rosto pálido como o local que no momento estavam. Ernesto segurara a respiração e estava vermelho como um pimentão.
Engoliu em seco, enquanto uma mistura de sentimentos vinha das suas entranhas. Uma mistura de ódio com amor. De ciúmes com saudade.
-S-sirius? –perguntou. A voz saiu quase como um suspiro.
Sirius lhe sorriu de volta enquanto se aproximava, uma mão estendida.
-E-eu... Eu estou morto? –a voz tremeluzindo. –M-mas...
-Harry, não. –replicou Sirius. A voz confiante ecoou no seu ouvido.
Mas agora Harry não reparava mais em Sirius. Mas sim em um tumultuado de pessoas que se formavam atrás de Sirius. Harry escancarou a boca ao ver os presentes, ato que Ernesto compartilhou. A esquerda de Sirius, um homem de aparência desgrenhada, cabelos loiros que batiam até os ombros. Harry reconheceu imediatamente como Remo Lupin. Lupin sorria para ele. Ao lado dele uma bela moça de cabelos coloridos e sorriso cativante: Ninfadora Tonks.
As surpresas não paravam. Ao lado de Ninfadora, Harry reconheceu imediatamente que pertencia a Severus Snape o emaranhado de cabelos negros oleosos. Do outro lado de Sirius, Dumbledore repousava, silencioso, em paz profunda. Do lado de Dumbledore o casal mais lindo que Harry já vira na vida. E ele não pôde acreditar da primeira vez que viu. Os seus olhos já lacrimejados pareciam querer saltar da sua órbita. Eram Tiago e Lilian Potter.
-M-mas... –começou Ernesto. Dumbledore pousou o dedo indicador ao lábio, num gesto de silêncio.
-Gostaríamos de ter uma palavrinha com o Sr. Potter. –explicou Snape, que se movera para frente, discretamente.
Aquilo só podia ser uma ilusão. Mas era tudo tão real. Mas todos aqueles rostos tão calmos. Tudo aquilo parecia tão normal para eles.
Harry se levantou, os pés tremendo na mistura de frio, medo e emoção. Harry tentou se locomover, mas mais uma vez naqueles dias fortes o seu peso parecia multiplicado a dez.
Depois do que pareceu uma eternidade, Harry chegou cara a cara com Sirius. Pode sentir até o mesmo cheiro que sempre sentiu no padrinho. Sirius lhe deu uma piscadela.
Então Harry deslizou até a frente do homem que toda a vida lhe disseram ser cópia. Seu pai.
O homem tinha um bafo quente que no mesmo momento Harry percebeu ser igual ao seu. Ninguém fazia um só barulho, enquanto os dois se olhavam no fundo dos olhos, como se estivessem se analisando. Era como se percebessem a expressividade do momento. E daquele jeito Harry imaginou ter ficado quase uma hora.
Por fim quebrou-se a ligação que transmitiam e seu pai sorriu, um sorriso contagioso. Harry olhou para sua mãe. Os rostos eram tão diferentes, mas também tão iguais. Os olhos esverdeados da mulher lhe abrangeram, o corpo queimando, cheio de esperança. Por fim, seu pai lhe puxou para um abraço, inesperado. E Harry sorriu, como não sorria há tempos. Esqueceu os problemas que lhe serviam de combustível para mente. Esqueceu que no momento Draco Malfoy podia estar planejando o assassinato de sua mulher.
Draco apontou a varinha para o peito de Gina Weasley. A ruiva tremia freneticamente, o rosto inchado de raiva. Era só um movimento de varinha... Mas porquê tudo estava tão difícil? Ela era só mais um verme. Seria tão fácil matá-la. Por fim, decidiu que era necessário e que iria sim fazê-lo.
Não ouviu os passos do pequeno que surgia atrás de si.
-Avada Ke... –começou, a voz rouca, indecisa.
-Papai? –a voz veio tão infantil. Tão inocente, que ele sentiu as entranhas queimarem. Não, não podia ser Scorpius. Infelizmente, ao virar-se percebeu que era o seu tão amado filho.
Astoria lhe encarava, estarrecida. Os olhos pareciam analisar a sua alma. Astoria abriu a boca, a língua remexendo-se lá dentro como uma lagarta, mas não falou nada.
Ele sentia um misto de emoções por dentro. Parecia tão... Tão demente. A sua mente parecia explodir dolorosamente. Será que ninguém entendia que ele não queria estar fazendo aquilo? Será que ninguém podia perceber isso? Ele estava sendo obrigado aquilo. Não era a sua culpa. Agora tudo estava tão confuso...
-Draco, eu não posso acreditar.
Essas foram as palavras que Astoria relutou a dizer. Essas foram as palavras, mas seus olhos diziam muito mais. "Como diabos você pode me fazer isso?" era o que seus olhos diziam. Mas ele não tinha resposta. Ele simplesmente fora obrigado a fazer. Ele estaria ficando louco? Não, não podia ser. Ele não era um demente. Ele não era um esquizofrênico, sabia disso. Era tudo... Talvez você tudo uma armação dele. É, possivelmente. Concordou com a idéia de que aquilo seriam tudo armações da sua cabeça. Pegadinhas. Mas e agora? Ele havia realmente de matar a Weasley na frente do seu filho? Seria necessário?
-Avada Ked... –começou a sua voz, apressada.
-EXPELLIARMUS! – dessa vez a voz veio de Astoria, até então silenciosa. Ela não permitiria que ele matasse Gina Weasley. Ele ouviu barulhos lá em cima. As crianças deveriam estar acordando com todo aquele barulho. Por sobre a janela da cozinha, Draco pode ver as vastas plantações por onde havia andado, estendidas. Como Astoria havia chegado até aqui? Ela estaria lhe perseguindo? Provavelmente, provavelmente. Ele teria de achar um jeito de matar Gina Weasley. Qual? Ele apenas saberia quando conseguisse sua varinha novamente.
Sirius Black havia pousado a mão no seu ombro e sorria elegantemente, a juba preta escorrida por sobre sua face. Harry ainda não podia acreditar que tudo aquilo era verdadeiro. Então ele realmente estava morto?
Já estava começando a se acostumar com aquele branco infinito quando percebeu que se estivesse morto haveria mais pessoas certo? E porque Ernesto teria que ver todos que eram importante para ele? Parecia de que algum jeito aquilo já estava planejado...
Imediatamente se lembrou do passado, quando Voldemort supostamente lhe matou. Ele foi parar em um local como este, mas só encontrou Dumbledore. E se... E se seus pais estivessem aquele dia também? Porque não haviam se manifestado? A sua cabeça estava tão confusa... A respiração vinha em altos e baixos, rasgando a sua garganta.
Não havia falado nada ainda. Só sorria para os rostos tão familiares e não percebeu que Ernesto chorava encolhido ao chão.
-E-estou morto? –perguntou. A voz estava seca, necessitada de água. Lembrou que ainda não havia descansado, haviam sido vinte e quatro horas de vigilância constante. Agora que estava morto poderia descansar certo? Mas e seus filhos, Rony, Hermione, Neville, Luna... E o pior: Gina?
Dumbledore lhe deu um sorriso reconfortante, agradável.
-Não, meu jovem. –respondeu o homem barbudo. Harry percebeu que Dumbledore portava anéis luxuosos e brilhantes na que lhe tocou o ombro. –Só em um estado de inconsciência.
-Inconsciência? –perguntou Harry. –Mas eu atravessei o mesmo que arco que Sirius atravessou no passado.
-Bom, então podemos dizer que sim, tecnicamente você está morto.
Harry sentiu um arrepio estranho perpassar a nuca, mas continuou em postura.
-O fato é que você veio acompanhado. –falou Lupin, pela primeira vez desde que Harry o revia. –Você tem um sacrifício.
-O que exatamente você quer dizer com "sacrifício"? –perguntou Harry, mas no intimo tinha certeza que já sabia a resposta.
Sirius Black desfez o sorriso que lhe ocupava a cara e tomou uma postura mais séria.
-O arco tem propriedade de morte diferente Harry. Quando você cai dentro dele, não está totalmente morto. Se você tiver um sacrifício... Você pode voltar. E você tem. Ernesto. –Sirius apontou com o indicador pra massa disforme espalhada ao chão que Harry reconheceu como Ernesto. O homem chorava, contorcendo-se.
-Eu não posso fazer isso. –E então olhou para os seus pais antes de concluir mentalmente: "Eu não quero fazer isso".
Dumbledore pareceu ler os seus pensamentos porque respondeu imediatamente.
-E pretende deixar o Sr. Malfoy machucar todos as sua volta?
Harry engoliu em seco. Não tinha resposta para a pergunta. Era claro que Rony faria um bom trabalho. Afinal o quê Harry poderia fazer? Ele estava morto. Pela primeira vez na vida teria felicidade incansável, junto dos seus pais. Porque iria querer voltar?
Hermione encarou o marido, espantada por alguns segundos. Não sabia o que responder. O que Rony pretendia com um vira tempo?
Hermione concordou, o pescoço parecendo feito de ferro estragado. Respirou o ar impuro que corroia a sala.
-Hermione,você tem que me dar ele agora. –disse Rony. A voz estava quase como um gutural mal afinado. –Agora.
Hermione franziu o cenho, assustada, a adrenalina bombardeada em suas veias.
-Eu... Eu, tenho que buscar em –começou ela, sendo interrompida por um gesto brusco de Rony.
-Vá buscar agora Hermione. –Hermione não se mexeu apavorada. –BUSQUE AGORA HERMIONE!
Hermione nunca o havia visto gritar com ela, antes. Ainda espantada pela idéia do marido, desaparatou com um crack.
-Agora vocês, como Harry disse, acho melhor irem todos para as suas casas. –falou bruscamente Rony. Alguma coisa tomava conta do seu corpo, e ele se sentia sentado em uma posição fetal em um cantinho escuro da sua mente. Neville abriu a boca para protestar mas nada saiu de dentro dela. Ele sabia que Rony estava correto.
-Vamos embora Luna. –falou Neville, a fala ecoando por alguns minutos no loca.
Luna pareceu acordar de um estranho sonho. Ela olhou para Neville assustada, um rosto normal, pela primeira vez Rony a vira daquele jeito. Luna Lovegood estava séria. A situação não estava nada boa.
Com um estrépito os dois desaparataram. Rony franziu o cenho, enquanto puxava a varinha que antes estivera enclausurada no seu cinto de couro. Escolheu uma das portas e seguiu o caminho.
Draco encarou Astoria, o rosto feroz da mulher. Scorpius estava em um imerso de transe e terror.
Ele não poderia fazer aquilo na frente do filho. Não se sentia corajoso o bastante. A morte de Gina Weasley teria de ser adiada. Em um movimento rápido buscou a varinha atirada ao chão e desaparatou aparatando quilômetros dali no Departamento de Mistérios. Imediatamente encontrou-se com seis Comensais da Morte seus. Eram os únicos que sobravam da tragédia que acontecera no Brasil. Os Comensais estavam quietos e pareciam até assustados. Obviamente assustados pelas mortes macabras de seus companheiros. No mesmo momento que veio o estouro do aparato de Malfoy também veio o estouro da porta do local aonde se encontravam.
Draco encarou Ronald Weasley que saía da porta com o peito estufado e o rosto vermelho. A batalha iria começar.
