Capítulo Oito – Exogenesis Parte Dois (Polinização Cruzada)

Our time is running out... And you can´t push it underground... You can´t stop screaming out...

Weasley mantinha a varinha apontada para Malfoy. Malfoy sorria, insanamente. Os poucos Comensais da Morte que sobravam encaravam o homem ruivo com uma certa curiosidade. Um movimento e a sala inteira explodiria de feitiços voando.
-Malfoy, eu não queria fazer isso. –falou o homem ruivo.
Malfoy riu por alguns instantes, um acesso que tinha com freqüência. Era tão estúpido o homem entrar em uma sala cheia de Comensais e ainda assim tentar amendontrar o inimigo? Malfoy ergueu a varinha e Weasley pareceu não se importar.
-O quê exatamente você pretende fazer além de me encarar com esta cara de boboca? –perguntou Malfoy. Alguns Comensais riram, nervosos.
Nos tempos colegiais Rony teria ficado vermelho até as orelhas, mas com tudo que havia passado a menos de 24 horas atrás não tinha o mínimo ânimo para corar. Era só queria destruir Malfoy.
-Por falar nisso, aonde está nosso amiguinho Potter? –perguntou Malfoy. –Deixou você vir sozinho participar da festa?
Weasley sorriu, mas não era um sorriso de alguém que ri de uma saudável piada. Era um sorriso no mínimo incomodo, um sorriso louco.
-Ele já foi pra festa Malfoy. Eu vim te convidar para me acompanhar.

Hermione aparatou de volta para o Ministério, sozinha na sala circular que estivera minutos antes. Segurava em uma mão uma corrente dourada que ligava ela a um pequeno relógio, o vira tempo. O pequeno relógio tinha um poder fenomenal: podia voltar ao passado o dono. Procurou Rony, ofegante. O coração lhe saltava pela boca, havia corrido por toda a extensão da casa até achar o relógio. Percebeu que Rony não estava lá. O que...?
Os pensamentos jogaram-se violentamente contra a sua cabeça, o cérebro trabalhando violentamente. O que Rony estava fazendo?
Sua boca abriu-se, um gemido baixinho escapando dela. As lágrimas lhe rolavam pela bochecha. Ele queria atrasá-la. Ele queria atrasá-la para poder ir até Malfoy sozinho. Suicídio.

Harry olhava seriamente para Sirius. Era aquilo que ele deveria fazer? Deixar Ernesto no mundo dos mortos para poder voltar e salvar a todos? Ele não merecia algum descanso? Estava tão cansado... O corpo doía em cada pedaço imaginável. Imaginou-se deitado na cama com Gina, acariciando-lhe os cabelos ruivos... Imaginou-se abraçando as crianças, o cheiro doce da grama verde... Imaginou-se novamente em Hogwarts, embaixo da sombra da árvore que se arqueava sobre o grande lago...
De repente o corpo estava leve, em quase estado de transição. Ele olhava para os pais, que não haviam envelhecido em nada desde as fotos batidas que guardava em sua casa... Olhou para Dumbledore, que ainda tinha os mesmos olhos simpáticos e confortantes... Sirius, com a sua cabeleira negra, ainda continuava firme, os ombros levantados... Tonks continuava risonha como sempre fora... Lupin, tão astuto, tão imponente...
Sentiu uma mão pousar no seu ombro. Era Tiago. Tiago Potter.
-Harry... –Tiago disse. –Continue firme Harry. Esta não é sua hora meu filho.
Tudo em sua mente continuava em transição. A alma parecia abandonar o corpo a cada segundo, todos os momentos mais felizes da sua vida lhe passavam em flashes pelos olhos. Ele realmente queria desistir, mas seu pai lhe implorava para ir. Não lhe restava outra solução. Foi com um peso no coração que concordou com um aceno de cabeça. Voltaria para matar Draco Malfoy.

Rony agachou-se perante uma estante erguida que devia ter uma altura relativa a dez metros. Raios verdes, vermelhos e amarelos lhe passavam velozes pelos lados. Uma poça de sangue jazia ao chão, pois um feitiço lhe acertara desprevenido no braço direito.
Passos nervosos de Comensais correndo e berrando feitiços ocorriam por todo lado. Rony levantou-se e cambaleando com o braço machucado, correu pelas estantes, a varinha segura em sua mão. Suava furiosamente, e a cada sombra que via os nervos identificavam um novo inimigo. Procurava algum Comensal desprevenido. Se perguntava quanto tempo Hermione se deixaria enganar. Se perguntava se iria para o mesmo local que Harry agora estava.
-Te peguei.
A voz fria e cruel chegou pelas suas costas, e a varinha do homem tocou as suas costas.
-Vire-se Weasley, e prepare-se para morrer. –falou Draco Malfoy.
Nenhum Comensal parecia haver percebido que Rony estava encurralado, pois continuavam a voar feitiços por todos os lados.
Rony virou-se, mas ao invés de se render, acertou um soco no maxilar de Malfoy que caiu com um baque surdo no chão. Em seguida chutou o local que supunha ser o intestino do homem. Malfoy berrou, mas os feitiços que rasgavam o vento ferozmente não lhe deixaram ser ouvido pelos outros. Rony ofegava a cada soco e chute que desferia em Malfoy. O homem loiro que tanto odiara na sua vida escolar, e algumas vezes até na já profissional, agora se achava deitado no chão, rendido. A varinha de Rony tremia em sua mão, preparada para matar.
Hesitou, e Malfoy percebeu. Com um chute atrás da perna, onde os nervos se uniam, Rony desabou no chão. A varinha voou alguns metros longe, perto de uma estante que se encontrava virada e quebrada pelo chão. Rony levantou-se ferozmente e atirou-se para cima de Malfoy. Uma chuva de golpes se sucedeu por alguns minutos dali em diante.

As lágrimas escorriam pelas bochechas cheias de ferrugem de Hermione. Já tentara quatro portas e pesquisara dentro delas, mas Rony não se encontrava em nenhum lugar. Ela não acreditava que Rony tivesse saído do Ministério. Ele continuava ali, e Hermione tinha quase certeza, lutando contra Malfoy. Ofegava, e a cada decepção que passava por um engano de perto, a angústia lhe subia pela garganta, a ponto de querer berrar. Escolheu mais uma vez a porta errada, e quando se preparava para socar o vento, um estralo assustador encheu o aposento. Harry havia aparecido no mesmo local de onde caíra com Ernesto. E o mais assustador: Só Harry estava ali.
-Harry? –perguntou Hermione para o amigo estendido no chão. Harry respirava violentamente e sangrava em uma perna. Devia ter faturado ela na caída.
Harry sentou-se no chão, o rosto cansado pelo dia longo que se passava. Uma das lentes dos óculos estava quebrada e o cabelo revolto estava jogado para cima, numa mistura de óleo, sangue e poeira.
-H-hermione. –respondeu Harry, a voz abatida pelo cansaço que percorria todo o corpo.
Hermione ajudou o amigo a se levantar, ao que Harry encarou o espaço vazio da sala e o vira-tempo em uma das mãos de Hermione. –Onde diabos estão os outros?
-R-Rony os mandou para casa. –disse Hermione, as lágrimas que caíam dos seus olhos batiam levemente contra a pedra azul do chão.
Harry suspirou, olhando para os lados.
-Onde está o Rony? –perguntou, secamente.
-E-eu não tenho certeza, acho que d-desceu por alguma dessas salas. Ele me mandou ir para buscar o vira-tempo e disse que me esperaria, m-mas quando e-eu voltei ele...
-Não estava. E você teve a brilhante de idéia de acreditar nele sobre o vira-tempo? –perguntou Harry, um ódio extravasando na voz. Agora que voltara, provavelmente teria que salvar Rony do perigo iminente. Ótimo.
-Harry, ELE É MEU MARIDO! – respondeu Hermione. Hermione alteara a voz, de um jeito que Harry nunca havia visto em toda a sua vida. Ela também estava furiosa com Rony.
Mais uma vez, Harry se suspirou. A dor no pulmão voltara e sua respiração chiava no aposento fechado.
-Quanto tempo se passou desde que eu morri?
-V-Você o quê? –perguntou Hermione. Se Harry estava ali, não poderia estar...
-Quanto tempo se passou desde que eu morri? –repetiu a pergunta.
-E-eu não sei... Uma hora. Talvez uma hora e meia. –respondeu Hermione, ainda chocada.
Harry calculou sozinho por alguns segundos. Rony devia ter deixado a sala cerca de uns trinta minutos atrás.
Então, escolheu uma das portas, e mergulhou pela escuridão, Hermione lhe seguindo quase correndo.

Rony socava Malfoy com forças, mas só por vezes o acertava. Já errara quatro socos. Sentia que o canto da sua boca estava horrivelmente inchado. Os feitiços pararam de percorrer o ar, e agora tudo parecia mais carregado. Sentia uma pequena friagem enquanto jogava Malfoy de um lado e se recuperava de um chute recebido. Devia estar chovendo lá fora.
Rony viu um Comensal se aproximar do local. Ele não daria conta de dois sem a varinha. Correu para puxar a varinha enquanto deixava Malfoy deitado no chão. O feitiço que o Comensal murmurou lhe atingiu nas costas e o impacto lhe empurrou cerca de oito metros para frente. Os joelhos e o rosto esfolado arderam, enquanto Malfoy e o Comensal se aproximavam. Rony estava parado no corredor principal, de frente para porta, quando viu a maldita escancarar-se. E para sua surpresa, o primeiro rosto que viu, foi o de Harry Potter.

Harry viu Rony jogado ao chão e sangrando em todas as partes possíveis do corpo. Alguns feitiços voavam pelos lados, tentando se encontrar com qualquer objeto. Harry correu até Rony, mas viu Malfoy e um Comensal da Morte alcançaram o ruivo antes.
-Sectusempra! –berrou, acertando o Comensal da Morte na cintura. Este foi jogado para trás e grande parte do seu corpo se estraçalhou. Morto.
Malfoy encarou Harry assustado, provavelmente se lembrando do acontecimento no banheiro anos atrás.
-Avada Kedrava!
As palavras saíram da boca de Malfoy com natureza que a assustou Harry. Se surpreendeu ao ver que nada saiu, além de uma fagulha da varinha de Malfoy. Ele não queria matar Harry.
Draco olhou estagnado para a sua varinha, que acabara de lhe deixar na mão. Harry aproveitou o momento de distração e correu para ajudar Rony. Tudo aconteceu em uma rapidez que Harry mal notou. Malfoy se recuperara e lançara um feitiço estuporante em Rony, que agarra a mão de Harry. O choque entre o feitiço e a mão dos dois homens impulsionou-nos até Hermione que estava estática no chão, ainda com o vira-tempo em mãos. Os dois chocaram-se contra Hermione e o vira-tempo caiu no chão, com várias batidas ritmadas e gélidas. Hermione agarrou o vira-tempo, ainda em contato com os dois, mas já era tarde demais: o vira-tempo girara.

Silêncio. Após se sentir desfigurado, Harry pode ouvir a batida dos seus calçados no chão frio de mármore. Olhou para os lados: Hermione estava pensativa e Rony apavorado.
-Onde diabos...? –começou Harry, mas Hermione lhe interrompeu.
-Harry, isso é ruim. –respondeu Hermione. –Muito ruim. Nós voltamos no tempo, mas não exatamente aonde nós estávamos.
-O que você quer dizer? –perguntou Rony. –Eu quero voltar para a...
-O que eu quero dizer, é que nós quebramos o vira-tempo.
-Então...?
-Não, nós não estamos presos no tempo. Isto é meio que... um paradoxo temporal.
-Ajudou muito. –resmungou Rony do lado de Harry.
-É mais ou menos como um disco quebrado. Estamos trancados em uma época, e até o disco, no caso o vira-tempo, voltar a "rodar", estaremos aqui.
Harry franziu o cenho. Não estava mais prestando atenção na explicação entediante de Hermione. Observava o local aonde eles se encontravam. O local parecia quase um escritório, com estantes alongadas (nem tanto quanto as do Ministério) e livros empoeirados. No centro da salinha uma mesa de madeira de qualidade, e em cima da mesa um amontoado de papéis. Harry olhou para a direita e viu que a partir de um buraco na parede, uma sacada se estendia. Caminhou na direção a sacada e viu uma noite estrelada, a noite estrelada que fizera antes de partirem. Harry se lembrava de ter visto o mesmo cenário na janela do quarto seu e de Gina na Toca. Dirigiu-se à prateleira mais perto de onde estava e tocou um dos livros empoeirados.
-Wow... –exclamou, num misto de surpresa e terror. –Isto é mal.
Rony e Hermione correram pelas estantes para lhe alcançar.
-Hm... –Harry mostrou os livros aos companheiros, que arregalaram os olhos e abriram a boca. Por fim Harry continuou: –Além de voltarmos no tempo, estamos na casa de um Comensal da Morte.