Capítulo 9 - Exogenesis Parte Três (Final)
Sex and violence... Sex and violence... Sex and violence....
-Harry, isso não é nada bom. –comentou Rony. –Oh m****.
Harry se virou com uma rapidez extraordinária para ver que a porta agora se abria. Rony puxou a varinha, mas quando Harry viu o rosto que imergiu desejou que Rony não tivesse feito isso. Muito menos gritados as palavras "Avada Kedrava" no momento em que um menino loiro da mesma idade que os seus próprios filhos imergia da porta, inocentemente. Um raio verde saiu automaticamente da varinha do ruivo e atingiu o menino no peito, que caiu inconscientemente no bastardo sonho da morte. Hermione escancarou a boca, os olhos arregalados, uma expressão de quem não acredita. Rony olhava para a varinha, espantado, se questionando como diabos ele havia feito. Um borbulho de culpa, tristeza, ódio e amor cresceu dentro do estômago de Harry. Observou o rosto infantil, tão inocente, agora congelado e morto, deitado no tapete úmido da biblioteca da casa dos Malfoy.
-Rony, você matou Scorpious Malfoy. –disse, Harry, e seus olhos pareciam bolas de vidro. Estavam pesados. Seriam aquilo lágrimas? Lágrimas de raiva? –Você o matou Rony.
Malfoy encarou o vazio que se formara minutos antes onde Potter, Weasley e Granger estavam. De repente, algo parecido a uma memória lhe invadiu a mente. Não sabia como, mas Potter, Weasley e Granger estavam parados no seu escritório. Tocavam os seus livros, até que o pequeno Scorpius abriu a porta, procurando a origem do barulho que vinha da biblioteca. Tudo o que Malfoy percebeu foi que um clarão verde cruzou a sala, e derrubou seu filho. Mas ele não se levantou. Parecia... morto? E o pior, é que sabia... Sabia que aquela memória era verdadeira. Um atordoado de emoções lhe cruzou o corpo. O que era aquele sentimento? E-era um misto de quê? Ele queria dizer palavrões, socar alguém, chorar, berrar. Seu filho... S-seu f-filho jazia morto. E ele sabia que nunca mais o poderia ver. E tudo aquilo não passava de uma memória. Ele sabia que seu f-filho estava morto? Era impossível, se seu filho estivesse mesmo morto, o Lord lhe diria. Ele lhe diria, é óbvio que ele lhe diria. Não diria? Por um momento achou que a lava lhe corrompia por dentro, lavando o seu âmago. Queria vomitar – sentia vontade de vomitar as tripas fora. Mate Weasley. Por que aquele atordoado se formava na sua cabeça? Que m**** era essa que estava acontecendo? Ele matou seu filho. Mate o bastardo. Ah, droga! O que era isso? Por que essas vozes ficavam sempre lhe atordoando? Lhe dizendo o que fazer? Porque o Lord não lhe dava nenhum descanso? Ele sabia que o Lord estava alojado dentro da sua cabeça, e lhe agradecia muito por isso. Era por isso que as marcas dos outros comensais não doíam. Só ele podia sentir o Lord. Aqueles outros bundões não conseguiam. Eles lhe desafiavam, lhe diziam que o Lord era só a sua cabeça. Mas ele continuava com os objetivos do Lord. Matar Harry Potter. Mate Weasley. Mate ele, você sabe que é isso que deve ser feito. Droga, droga, droga! Eu vou matar Weasley então. Eu vou. Se você quer. Você sabe que é você que decide. Meu filho está morto. Está morto.
-Hermione, conserte essa m**** de vira-tempo! –berrou Harry. –Nós temos que sair daqui. AGORA!
Hermione parecia aterrorizada e sempre passava um olhar nervoso para o cadáver de Scorpius. Rony estava em choque e segurava a varinha, na mesma posição em que matara Scorpius. Algo parecido com lágrimas escorriam dos seus olhos. Se Harry acreditasse em algum tipo de fenômeno, diria que estava chorando sangue. Hermione batia com os punhos no pequeno relógio e ele parecia encaixar-se aos poucos. Não entendia nada do que a amiga murmurava ferozmente. Uma mistura de latim com inglês, certamente magia avançada. Ele queria poder ajudar em algo, mas estava bastante assustado para sequer pensar em algo para dizer. De repente sentiu um gancho embaixo do umbigo lhe tragar ferozmente para o vira-tempo e de repente tudo explodir em fogo, como uma bomba.
Reapareceu no que lhe pareceu o cume de uma montanha, com rochas cravadas verticalmente em todo o local. A neve caía como chuva, e rapidamente sua cabeça se encheu com um cobertor desta. Pode ver, que no horizonte distante o sol aparecia timidamente com o lindo brilho da manhã. Nuvens cinzas eclodiam em rosa, azul e vermelho. Olhou para os lados, assustado, procurando Rony e Hermione. Hermione estava em pé, o rosto vermelho pelo frio, e olhava aterrorizada para algum ponto que Harry não reconheceu. Procurou por Rony que se achava olhando para o horizonte, do mesmo jeito que fizera segundos antes. Procurou para o ponto que Hermione olhava e reconheceu Draco Malfoy. Ele parecia mais um cão feroz, do que o menino loiro, problemático e metido que havia conhecido em Hogwarts. Parecia atormentado. Atormentado pelos próprios pensamentos.
Malfoy apontou a varinha para o ruivo Weasley que se encontrava sentado e em estado de choque. Rony encarava o loiro, friamente, mas não segurava a varinha. Redenção.
-Mate-me, Malfoy. –falou Rony, seriamente. –Vamos, me acerte.
Harry virou-se para olhar que Rony, que parecia estar falando sério mesmo. Hermione chorava descontrolada, e as suas lágrimas varriam o ar gelado. O sol ainda exibia pouca luz, o que dificultava ver exatamente a expressão de Malfoy.
-Você deve estar brincando. –cochichou Harry. –Não é a sua culpa.
-Não é minha culpa? Harry, eu matei um garoto inocente, e fiz isso consciente. Agora, me mate de uma vez Malfoy. Você quer brincar comigo? Tudo bem, me torture. Vamos lá, faça alguma coisa.
-Expelliarmus! –Malfoy berrou. Weasley não estava brincando. Nem ao menos tentou puxar a sua varinha de volta.
-Qual é, Rony? Levante-se! –puxou Harry.
O punho de Rony voou com uma velocidade impressionante. Lhe acertou o maxilar e Harry sentiu um dente se partir. Rony caiu em cima dele, e lhe socou mais quatros vezes murmurando entre os socos.
-Você não entende?... Eu preciso fazer isso!... Droga, Harry é bem mais fácil sem você! ... –arfou quando caiu do lado de Harry, deixando seu melhor amigo ensangüentado e espantado ao chão. Rony havia lhe socado pela primeira vez na vida.
Hermione soluçava e olhava para Rony. Não sabia o que sentir da atitude de Rony, mas não queria que o seu amor morresse. Ao mesmo tempo, não tinha coragem para impedi-lo.
Harry estava deitado, arfando furiosamente. Rony se levantou e caminhou até Malfoy que continuava com a varinha apontada para ele.
-Vamos, me mate Malfoy. –crispou Rony.
Malfoy franziu o cenho. Mas o quê diabos estava acontecendo? Mate ele. Lord Voldemort resmungava na sua cabeça. Ele sabia que a marca ardia forte no seu antebraço, mas não queria tocá-la. Mate ele. O Lord estava lhe dizendo para fazer isso, mas pela primeira vez ele não concordava com o Lord. Mas o quê diabos estava errado com ele? Agora, não tinha coragem para matar o Weasley. Melhor, ele não queria matá-lo. Mate ele, agora! Ele queria lutar, combater aquela voz que cochichava na sua cabeça. Cochichava ordens. Ele não queria o Lord. Mas ele sabia que não tinha como combater Voldemort. Sim, ele falara o nome do mestre. De repente descobriu que não sentia mais medo dele. Queria enfrentá-lo, do mesmo modo que queria enfrentar o seu pai. Qual é o seu problema? Mate o Weasley, p*****! Caiu de joelhos na superfície rochosa coberta de neve, sob olhar quentes de Weasley.
-DROGA, MALFOY! –Weasley lhe puxou e lhe deixou de pé. –SUBA DAÍ E...
Malfoy acertou um soco certeiro no estômago do ruivo e chutou o rosto do homem.
-NÃO ME DIGA O QUE FAZER! –berrou Malfoy, cambaleando, tentando combater a sinfonia violenta que ecoava na sua cabeça.
Mate! Mate! Mate! NÃO! Não, ele sentia raiva do Weasley mas não queria matá-lo. Sabia que não queria. O quê era aquela voz dentro da sua cabeça? Ela berrava tão alto que mal conseguia captar alguma coisa que acontecia. Cambaleou por alguns segundos, até cair quase inconsciente no chão.
Tum. Tum. Tum. Tum.
O coração batia como um martelo de um construtor em uma parede simplória. Malfoy abriu os olhos e sentiu que estava hospitalizado. Todo o corpo doía, e as têmporas latejavam. Sua cabeça doía. Tinha impressão que as vozes iriam parar, mas elas continuavam lá. Lhe mandavam fugir dali. Mas ele não queria fugir.
-Malfoy? –perguntou uma voz que Draco conhecia muito bem. Astoria. –Você está bem querido?
Ela passou suas mãos geladas pelo cabelo loiro claro de Malfoy e lhe fez um carinho por alguns segundos. Malfoy quis se retrair mas depois resolveu aceitar o carinho.
Astoria ficou ali pelo o quê pareceu a eternidade. As vozes já não estavam tão altas, e a sua cabeça começava a descansar aos poucos.
-E-eu ouvia vozes. –falou Draco, a voz seca cortando o aposento. De repente, percebeu que necessitava urgentemente de água.
-Tudo vai ficar bem, Draco. Tudo vai ficar bem... –murmurou Astoria, com uma expressão que lhe informava que definitivamente as coisas não iriam ficar bem. Seu filho morrera, destruíra seu casamento, matara e instigara a matar e ainda tinha a sensação de que estava doente. Aquelas vozes não eram normais. Agora, ele tinha certeza disso. E ele também tinha certeza de que as marcas ficariam para sempre.
