Epílogo

Ele tinha certeza disso. E ele também tinha certeza de que as marcas ficariam para sempre.
Harry sentou-se na poltrona velha e mofada dos Weasley. Era vermelho-escarlate e de certo modo dura. Suas costas doíam, pela pancada nos rins que tinha levado quando caíra violentamente pela agressão de Rony. Por falar em Rony, o seu melhor amigo estivera ali poucas horas antes. Ainda parecia catatônico por ter matado uma criança inocente, mas Harry descobriu que os ferimentos (tanto físicos quanto espirituais) profundos do que se passara naquelas 24 horas demorariam muito para cicatrizar.
Balançou o jornal que trazia em mãos. Manchetes escandalosas sobre a esquizofrenia de Draco Malfoy, um dos bruxos considerados mais nojentos e a favor de dividir "sangues ruins" dos "sangue puros". Homenagens a todos aqueles que morreram na batalha contra a mente perturbada de Malfoy também estavam ali. Do mesmo jeito, Harry perdera toda a raiva que sentia de Malfoy. Ele fora um garoto atormentado, tanto pelo pai, pela pressão da família e ainda por cima mal tratado por Lord Voldemort.
Gina apareceu, lhe trazendo uma xícara de café.
-Tem certeza de que não quer descansar um pouco? –ela perguntou.
-Não, meu amor. Mas obrigado mesmo assim. –agradeceu com um longo e quente beijo nos lábios de Gina.
Gina retirou-se do aposento subindo as escadas de madeira barulhenta. Harry suspirou virando algumas páginas do jornal, mas continuando com a mente em Draco Malfoy. Ele sabia, que no fundo o homem não era tão culpado quando lhe acusavam. Ele sabia que tudo aquilo eram... Eram as marcas de toda a sua vida.

(continua em "A Cicatrização", que logo será postada)