Acordo entre irmãos
Ela acordou com dor de cabeça e seu raciocínio estava lentíssimo, mas não o bastante para que ela esquecesse a noite anterior. A imagem dela e Milo de Escorpião estava muito mais nítida em sua mente do que ela gostaria.
Ela olhou para o lado e encontrou a pérola caída no chão. Nenhum arranhão, nenhum dano na jóia. Ao menos Shina poderia dizer que cumpriu sua missão com alguma dignidade, ou não. Ao menos a parte da dignidade podia ser suprimida dos relatórios e de qualquer modo a culpa não foi dela. Se havia alguém a culpar, este alguém era o cavaleiro de Escorpião.
Shina se vestiu, pegou a pérola e seguiu o fio escarlate até a saída do complexo labirinto. Queria voltar para casa o mais rápido possível e, de preferência, nunca mais por os olhos em Milo. Por sorte ele foi embora antes dela despertar, do contrário ela não sabia do que seria capaz.
Ela deixou a ilha de Naxos assim que pode. Era uma viagem relativamente longa pelo arquipélago até alcançar Atenas e então ir direto ao Santuário. Milo havia dito que aquela mansão pertencia a família dele, mas ela podia jurar que ele era da Ilha de Milo, que ficava a algumas horas dali. Não fazia sentido, mas talvez ela estivesse se preocupando sem motivo.
Sua cabeça doía como se estivessem pregando um prego em seu crânio, nem a maior das ressacas poderia produzir este efeito. Tudo o que ela queria era chegar em casa, tomar um banho e dormir por dois dias seguidos. E se possível nunca mais passar pelas Doze Casas depois de entregar a pérola a Athena.
Algumas horas depois ela estava na entrada do Santuário, exausta e dolorida. Manteve a pose por um tempo um pouco maior, apenas o suficiente para subir as Doze Casas e ter uma audiência com a deusa. A única questão que atormentava a mente dela agora era: Por que a escadaria que leva a sala do Grande Mestre tem que ser tão longa e pro que a Casa de Escorpião tem que ficar no meio do caminho até lá?
Ela tentou se convencer de que o melhor era ignorar o lugar e seguir em frente, mas determinação nem sempre é o bastante. Shina estagnou em frente à Casa, não havia um único sinal de vida, nem um cosmo se quer. O lugar parecia tão abandonado quanto a Casa de Libra. Mais um mistério a ser acrescentado a lista de enigmas de Milo. Ela não estava com paciência para adivinhações.
Ele tinha plena consciência de que não havia dormido um minuto se quer. A prova cabal era o corpo languido caído diante dele. Uma mulher dormia um sono ébrio, mas aquela não era qualquer mulher e ele podia considerar sua sentença de morte assinada.
"Não seja tolo, Milo." Falou a voz mansa dentro de sua cabeça. Aquela maldita voz só o colocava em problemas dês de que era uma criança, mas ultimamente as coisas estavam fugindo ao controle dele. Já não tinha mais privacidade nem dentro da própria mente, logo logo ele precisaria de uma camisa de força.
Ele encarou Shina mais uma vez. Em outra ocasião ele poderia se vangloriar do feito, mais do que isso ele poderia até mesmo ser condecorado por ter conseguido seduzir Shina de Cobra. Se bem que "seduzir" não era o termo mais adequado. Ele não deu a menor chance de fuga a ela, ele impôs toda sua força e desejos sobre ela sem levar em consideração que se tratava de uma amazona de prata. Ele estaria sujeito a punições e com toda razão, tudo foi vergonhoso.
Pior era pagar por desejos que nem eram dele. Uma risada irônica soou dentro da cabeça do escorpião outra vez. Era uma vergonha, mas ele não podia negar que havia sido uma experiência única e Shina era no mínimo muito atraente. Não era uma justificativa para aquele comportamento. Milo sentia-se envergonhado.
Tentou raciocinar com calma, mas as imagens continuavam voltando como uma enxurrada. Se continuasse a lembrar de Shina, gemendo, totalmente entregue nos braços dele, acabaria por cometer outra loucura. O melhor era sair de lá o mais rápido possível.
Ele saiu do labirinto, deixando-a para trás, decidido a se entregar a Athena assim que chegasse ao Santuário. "Ridículo, Milo. Você gostou, ela também! Você está levando essa história de honra muito a sério." A voz insistia, Milo ficou ainda mais furioso com a intromissão.
Era tudo culpa daquela maldita voz. Quando Milo ficou sabendo que Shina havia sido mandada para Naxos, mas especificamente para a mansão que pertencia ao seu pai, ele foi quase arrastado para lá. A voz ordenava que ele a ajudasse e Milo não era capaz de se esquivar do comando. Ele voltou a Naxos, para o mesmo labirinto que costumava percorrer quando criança.
Quando ela apareceu perto da fonte, iluminada pelo luar, foi como se ele a visse de fato pela primeira vez. É claro que se conheciam, já haviam se esbarrado pelo Santuário várias vezes, mesmo depois da abolição das máscaras, mas naquele momento ele a enxergou por completo. Achou-a atraente.
Enquanto trocavam alfinetadas ele não estava no controle total de suas ações, mas achou tudo muito estimulante. Ele entendeu o que a voz queria tarde de mais, ele mesmo já estava se perguntando como seria a sensação de ser envolvido pelos braços dela enquanto lhe beijava a boca. Dúvida é a primeira e a maior fraqueza quando o inimigo é você mesmo.
E ele não conseguiu achar um único motivo para dizer que aquela noite devia ser esquecida. O melhor era não pensar nisso até chegar ao Santuário.
Voltar ao Santuário de Athena era de certa forma reconfortante. Era o lugar mais pacífico e lindo do mundo, um lugar onde ele se sentia a vontade quase que todo tempo. Uma vida tranqüila, enquanto os inimigos não apareciam. "É por isso que eu sou um pacifista." A voz completou. Pacifista não era nem de longe o adjetivo correto.
Subiu as escadas o mais rápido possível, sem parar nem por um segundo. "Desse jeito tudo o que você vai conseguir é um acréscimo ao seu cansaço. Se deixar, vai dormir três dias seguidos." Se ele pudesse daria um tiro na própria cabeça só para calar aquela voz irritante. "Você pode tentar, mas garanto que você não vai fazer falta nenhuma." Além de tudo, o dono da voz era convencido.
Chegou ao Salão do Grande mestre, agora ocupado por Saory Kido, a atual reencarnação da deusa patrona de Atenas. Ele já sentia os efeitos do cansaço, mas tentou manter-se digno diante da deusa.
- Milo de Escorpião, o que o trás aqui? – a jovem deusa questionou amistosamente.
- Há algo que eu preciso dizer, Athena. – ele disse enquanto se ajoelhava. A voz estava irritada com a subserviência dele. – É algo grave.
- Diga, cavaleiro. – ele estava pronto para responder, mas a voz emitiu um rugido impaciente. "Não faça isso!" A voz ordenou.
- Eu... – as palavras não saiam, como se mãos invisíveis o estrangulassem. Ele não podia falar e o ar não alcançava seus pulmões. "Eu disse para não fazer isso!"
- O que está acontecendo?! Milo! – Saory caminhou até ele preocupada com a reação inusitada. O corpo do cavaleiro tombou em direção ao chão, como se fosse aprisionado por correntes. Num segundo ele emanava o cosmo de um cavaleiro de ouro, poderoso o bastante para destruir galáxias inteiras, no segundo seguinte era maior...Muito maior.
Saory afastou-se boquiaberta enquanto o homem se erguia elegantemente do chão e a encarava nos olhos.
- Toda essa cena seria dispensável se esse miserável não fosse tão cabeça dura. – o timbre da voz era diferente. Era mais amistoso. – Que saudade de você, maninha.
- Eu sei que bom senso não é sua qualidade mais notável, mas usar um cavaleiro de ouro como receptáculo é muito abuso de sua parte, irmão. – Saory responde séria. O homem diante dela riu um riso contagiante.
- Aparentemente é moda no Olímpo. Não foi o Afortunado quem usou um cavaleiro de bronze? Ou foi o Barba de Alga? – ele riu da própria piada – Não importa. Um cavaleiro de ouro é mais digno, de qualquer forma.
- O que está fazendo aqui, Bromios? – ela perguntou sisuda.
- Ainda se lembra do meu apelido! Quanta consideração, mas prefiro que me chame de Dionísio, ou Baco. – ele disse enquanto caminhava tranquilamente pelo salão. – Quanto aos meus motivos, eles são de ordem bem pessoal.
- Uma guerra? – ela chutou e ele fez uma careta.
- Por Zeus! De forma alguma. Nunca gostei dessas coisas. Aliás, não faço a menor idéia do por que todos eles adoram se distrair com isso. "Destrua a humanidade! Acabe com a Terra!" É tão CHATO! – ele fez uma pausa – Eu sempre preferi as diversões mais amenas e os humanos são especialistas nisso. Não, não. Meu assunto com você é outro.
- Diga logo.
- Veja bem, eu não estou querendo um conflito de autoridades divinas aqui, mas você tem algo que me pertence e eu quero de volta, o quanto antes. – ele disse abrindo um sorriso afetuoso.
- O que é? – ela desconfiou.
- Quero Ariadne de volta. – ele disse com uma seriedade incomum. – Ela está neste Santuário e eu a quero de volta.
- Ela não está aqui, não sei do que está falando. – Saory o ignorou.
- Pode não ter notado a presença dela, mas eu notei. – ele lançou a ela um sorriso malicioso – E ouso dizer que nosso reencontro foi esplendido. Ela serve a você nesta vida, mas eu a quero de volta. No momento ela atende pelo nome de Shina, a amazona de Serpente. A Mulher Cavaleiro, como Milo gosta de chamá-la. – o rosto de Athena ficou pálido.
- Não vou barganhar uma amazona com você como se fosse uma mercadoria. Seria uma ofensa a honra de Shina. Isto está fora de cogitação, Dionísio. – ele soltou um suspiro impaciente.
- Irmãzinha, você é tão certinha o tempo todo! Eu estou te pedindo UMA amazona que nem virgem é mais, não um rebanho de bacantes donzelas! – Ele disse indignado - Não é NADA de mais! Você ainda tem o santuário inteiro pra comandar!
- Não vou permitir uma coisa dessas! E caso não tenha percebido, são dois desfalques de uma vez! Um cavaleiro de ouro e uma amazona de prata! – ela insistiu.
- Quer que eu pague por eles? Te dou quantos galões de vinho você quiser! Eles vão cair bem com suas amadas azeitonas! – ele disse fazendo uma alusão maldosa ao desentendimento de Athena e Poseidon.
- Você ao menos se deu ao trabalho de perguntar a opinião de Shina a respeito?! – Athena tentou desviar o assunto. Dionísio riu.
- Não. Por que deveria? Essa amazona que você insiste em chamar de Shina é Ariadne, minha esposa, não estou fazendo nada que não seja direito. E você não devia estar tão preocupada. Estou te fazendo um favor e eliminando a concorrência. – Saory o encarou escandalizada – Não precisa me olhar com essa sei o quanto a presença de Shina te incomoda por causa daquele cavaleiro. Como é mesmo o nome dele? Seiya! – Dionísio cuspiu o nome – Ele também não me agrada nem um pouco. Por mim eu o mandava direto para o Hades, mas eu respeito os amantes alheios. Então é o seguinte, você me entrega Ariadne e eu não mato seu precioso Seiya. Aproveite, eu ainda não declarei guerra a você e posso pegar a próxima senha.
- Para onde pretende levá-la, caso eu permita? – Saory perguntou conformada. Dionísio sorriu satisfeito.
- De volta para Naxos, nossa casa. – ele disse sorridente – Gosto do lugar, meu santuário é grande e bem provido, além do mais eu tenho ótimas lembranças com ela naquela ilha.
- E se ela não concordar? Devo avisá-lo, Shina é famosa por seu gênio difícil. – Saory falou sábia.
- Nada que eu não saiba. Não tive problemas na noite passada. É tudo uma questão de tempo e ela vai se lembrar. – ele disse simplesmente – E mesmo que não aconteça, ela nunca teve muita escolha. Ela está destinada a mim, sempre esteve.
- Afrodite é realmente impressionante quando resolve tramar uma conspiração. – Saory acrescentou.
- Ainda que a mulher de Hefesto não tivesse qualquer ligação Ariadne ainda seria minha. Existem coisas que fogem a compreensão até mesmo dos deuses. – ele disse sério, o que era muito incomum. – Ela está chegando para lhe entregar a bem dita pérola. Resolva seus assuntos com o "Barba de Algas". Assim que a amazona lhe entregar o tesouro ela estará livre da subordinação a você e estará livre para partir comigo.
- E quanto à armadura de ouro? – Athena perguntou.
- Aparecerá outro para tomar posse dela, não se preocupe com ninharias. – ele disse tranqüilo – Eu vou deixá-las a sós para tratarem da pérola. Até qualquer dia, maninha. – depois disso ele deixou a sala do Grande Mestre.
Shina parou, como se estivesse congelada, ao vê-lo descendo as escadas do Santuário. Alguém lá em cima estava achando muito divertido vê-la numa situação tão constrangedora. Suas bochechas estavam pegando fogo, suas pernas tremiam e ela daria tudo para sair correndo dali o mais rápido possível. Ela não queria encontrá-lo nunca mais, mas não era uma covarde para fugir dele.
A verdade é que nada em sua vida foi tão enlouquecedoramente prazeroso, mas ela nunca admitiria isso a ninguém. Milo era uma experiência transcendental sobre duas pernas e graças a ele ela estava de ressaca. Maldito fosse.
Ele passou por ela silencioso, como se Shina não estivesse lá, como se ela fosse invisível. Então era isso. Ela foi uma diversão de uma noite para o mais arrogante dos cavaleiros de ouro. Ao menos ele não contou a ninguém sobre o que aconteceu, ou pelo menos era o que ela esperava.
O que seria dela caso descobrissem? Uma vergonha grande de mais para ser suportada por uma amazona. Seria taxada da pior maneira possível, somente os piores adjetivos. O que...o que Seiya pensaria quando soubesse?
Nada, provavelmente. Nem mesmo ela devia estar pensando a respeito. Ele nunca a quis, nunca se importou, então por que ela se importaria com ele agora? Ele era passado, um caso unilateral, muito mal resolvido, que só causava dor de cabeça. Se ela teve algo com Milo de Escorpião tanto melhor. Ao menos ela poderia dizer que foi desejada por alguém e a noite valeu à pena.
Ela não queria se demorar na sala do Grande Mestre, foi econômica nas palavras e entregou a pérola o mais rápido possível. Saory não fez perguntas desnecessárias. Elas não simpatizavam em nada uma com a outra, se pudessem já teriam se esganado, mas eram dedicadas às suas funções e preferiam manter as aparências.
Depois de um dia longo, tudo o que ela queria era descanso...
Havia apenas um inconveniente em usar um cavaleiro de ouro como receptáculo, eles simplesmente se recusavam a permitir que um deus tomasse as rédeas da situação. A esta altura Dionísio quase se arrependia da escolha. Milo de Escorpião estava lhe dando nos nervos.
"Isso é pra você aprender a não sair por ai roubando o corpo alheio!" Era impossível, mas todo aquele falatório estava dando dor de cabeça a um deus. "Shina de Serpente?! Ariadne?! Você só pode estar louco! Eu não vou encostar nela! Este corpinho aqui não vai tocar em um único fio de cabelo dela outra vez!" Aquele cavaleiro era quase tão dramático quanto Zeus. Ele sabia que deveria ter escolhido Máscara da Morte.
Todo aquele escarcéu só porque estava sendo usado por Dionísio para que o deus reencontrasse a esposa mortal. Como se em algum momento o interlúdio com a amazona o tivesse desagradado. Milo passou horas se martirizando, mas no momento em que pôs os olhos em Ariadne a coisa mudou de figura.
A idéia não agradou a Dionísio, mas o cavaleiro era necessário e se Milo conseguia ver algum prazer nesta história então tudo seria mais simples. "Vai sonhando!" O escorpião fez questão de acrescentar uma nota mental.
Só faltava uma coisa para concluir a missão. Encontrar Shina e levá-la para Naxos outra vez. Achou melhor não se revelar de imediato e dar a ela um pouco mais de tempo para relembrar a noite no labirinto.
Antes de levá-la para casa, faltava um pequeno detalhe. Seu presente de casamento para a noiva.
A noite estava clara e estrelada. Dionísio fechou os olhos e meditou por alguns segundos e em seguida recitou uma oração antiga. Ele estendeu as mãos e entre elas surgiu uma linda coroa de ouro, cravejada de pedras preciosas. Era uma peça de beleza única, muito apropriada para a ocasião.
Dionísio deu meia volta. Não era o deus da paciência, estava ávido para reencontrar sua Ariadne. Determinado ele seguiu o caminho de volta ao Santuário de Athena, carregando nãos mãos a coroa. O céu noturno parecia um tanto vazio sem a constelação de Corona Borealis no firmamento.
"Então é isso?! Você pretende bater na porta dela dizendo 'Querida, cheguei!' e esperar que ela abra as pernas pra você só porque você é Dionísio! Aquela mulher vai tentar nos matar, pode ter certeza disso!" Milo tagarelava insistentemente. Por que ele não podia calar a maldita boca e entra no espírito da coisa? Dionísio já estava fazendo a gentileza de dividir sua esposa com ele. Custava ser mais agradecido?
Falando em dividir...Ainda tinha um ínfimo, maldito e, felizmente, mortal, problema. Seiya, o queridinho de Athena que era tão irritantemente parecido com Teseu! Ariadne não se cansava daquela rotina. Reencarnar, encontrar Teseu, quebrar a cara e só então reparar que havia coisa melhor.
Sempre o mesmo heroizinho irritante e aproveitador. Dionísio odiava ser deixado de lado, na posição de segunda escolha, quando era ele quem sempre a salvava de seus infortúnios amorosos. Não estava interessado em competição desta vez. Se o infeliz se colocasse no caminho dele outra vez não pensaria duas vezes antes de matá-lo.
Chegou à porta da pequena cabana onde ela vivia e sentiu-se ultrajado. O lugar era deplorável, minúsculo, indigno de ser habitado por sua mulher. Ele não permitiria isso de forma alguma. Com um simples comando a porta foi ao chão.
Ao ouvir o barulho, Shina correu até a entrada, trajando sua armadura, pronta para lutar contra o invasor de cosmo indescritível. Ela esperava encontrar qualquer um, menos ele.
Ela encarou Milo com um misto de fúria e receio. Algo nele estava muito errado. Exatamente como na noite em que se encontraram no labirinto, ele a olhava com malícia e uma intimidade quase familiar. Ele não poderia tentar nada contra ela, estavam no Santuário. Ali ele estava sujeito às leis de Athena.
- Saia da minha casa, cavaleiro! – ela ordenou – Você não é bem vindo, ao menos isso eu posso exigir. Saia da minha casa, em nome de Athena!.
- Que graça. – ele sorriu para ela – Gosto quando fica nervosa, mas desta vez é inútil chamar por Athena. – ele apontou o dedo indicador para o peito dela. Shina temeu o mais famoso golpe do Escorpião, mas ao invés da poderosa Antares o que ela recebeu foi um feixe de luz vermelha. Não sentiu nenhuma dor, mas no instante seguinte sua armadura de prata abandonou o corpo da dona, voltando obediente para a caixa de prata. – Athena não a protege mais.
Shina recuou atônita. Estava totalmente desprotegida.
- Quem é você? – ela finalmente perguntou – Me recuso a crer que seja o cavaleiro de Escorpião! Quem é você?!
- Não me reconhece, querida? – ele se aproximou dela como um felino. Tocou-lhe o rosto e então a segurou pela nuca com força. Suas bocas a milímetros de distância. – Sou eu...- o hálito era inebriante como vinho e ela já se sentia tonta. – Seu esposo... Dionísio.
Ele a beijou com voracidade e segundos depois Shina perdeu a consciência, deixando-se totalmente vulnerável nos braços dele.
- Durma bem, Ariadne. – ele sussurrou ao ouvido dela enquanto a carregava no colo para fora da cabana.
Nota da Autora: Tá fraco, tá fraco meu povo. Eu quero ouvir as exclamações de OOOOOOOOHHHHH! E também aquelas de AAAAAHHHHH!Sim sim, Milo é o receptáculo de Dionísio, deus do vinho, das festividades, dos prazeres e das...orgias (não espalha). Preciso dizer alguns detalhes. O "Afortunado" é Hades, pessoas antigamente tinham medo de pronunciar o nome. Bromios era um apelido de Dionísio, algo no sentido de "aquele que fala alto". Dionísio, a despeito de seu gosto pelos prazeres mundanos, foi casado uma única vez com a princesa Ariadne, não tenham duvidas de que ele a amou. Ela era mortal, estava sofrendo por Teseu e foi Dionísio quem a ajudou e quando ela morreu o deus colocou no firmamento, em forma de constelação, o presente de casamento que havia dado a ela. Corona Borealis é o nome da constelação criada a partir da coroa de ouro de Ariadne, ela é vizinha à constelação de Serpente.
Comentém!
Bjux
Bee
