Sabe aquele primeiro beijo clássico e lindo que você assiste nos filmes românticos? Aquele em que o mocinho se aproxima devagar e toma a mocinha em seus braços, selando seus lábios num apaixonante beijo que fazem os pássaros cantar, o pé da mocinha levantar e o coração do expectador palpitar, esperançoso de ter algo igual ou parecido algum dia? Bem, eu posso afirmar que tudo isso é apenas uma doce ilusão.

Na verdade um pouco amarga. E fatal.

O meu primeiro beijo – que jamais admitirei ter acontecido – foi aos meus catorze anos em um corujal fedido e cheio de corujas sinistras, num momento chuvoso em que eu me encontrava presa com um garoto chato, irritante, teimoso e presunçoso. Ah, o nome desta criatura? James Potter.

Eu não sei o que deu em mim. Num momento ele estava tagarelando sobre coisas idiotas demais para que eu prestasse atenção. De repente eu estava puxando-o pelos ombros e calando sua conversa mole com um beijo absurdo. Não foi nada lindo ou romântico, ó minha iludida leitora. Pelo contrário, foi terrível e desesperador.

O pior de tudo, foi que me rendeu uma bela detenção.

Explico a vocês que no momento em que eu me afastei de Potter, ele caiu durinho no chão. Eu logo pensei que ele estava fazendo uma de suas brincadeiras idiotas, então percebi que ele não respirava. Ajoelhei-me, sacudindo-o com força e chamando seu nome repetidas vezes. Nenhuma reação.

Dei-lhe alguns tapas, tentando reanimá-lo, mas nada funcionava com aquele cabeça de titica. Comecei a me desesperar e agradeci a Merlin quando a chuva diminuiu para que eu corresse até o castelo e avisasse alguém. Fui acusada de envenenar Potter com brilho labial sabor melancia, pois o mesmo era alérgico à essa fruta.

Como não havia ninguém no corujal com a gente para provar que eu não fizera aquilo somente para lhe dar umas bofetadas depois, acabei com uma detenção. E aquele Potter ficou desacordado uma semana, sem poder me livrar daquela situação. Talvez fosse melhor assim.

Enquanto limpava um dos milhares frascos de poções, eu pensava que aquilo fora um sinal. Eu jamais deveria beijar Potter de novo. Não deveria ter feito isso nunca, aliás. Então por que fiz?

Eu não sei. Curiosidade? Loucura momentânea? Insanidade temporária? Todas essas opções? Bem provável mesmo. Eu me recusava a admitir que fosse algo bom. Amor? O QUÊ?

AMOR?

Por que diabos em pensei naquilo depois de divagar sobre loucura, insanidade e derivados? Talvez essa palavra fosse uma ilusão, assim como primeiros beijos perfeitos. Eles não existiam, pelo menos, não no meu 4º ano em Hogwarts.


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