Capítulo 4

POV Luiza

Assim que saímos encontramos os outros sentados conversando com Quíron na frente da casa Grande. Assim que nos avistaram, eles levantaram e vieram mais perto.

- Eita, vocês estão um pouco pálidas. Foi tão ruim assim? – perguntou Jack.

Olhei pra Manu e ela olhou pra mim.

- Bem... Mas ou menos... – disse Manu.

- Aqui, eu gravei o que ela disse – falei tirando meu celular do bolso. Olhei para eles. Estavam com caras ansiosas e nervosas. Achei a gravação e dei play. Então a voz de Rachel repetiu a profecia. Quando acabou, virei para os outros e vi que estavam pasmos. Depois de um tempo Heather disse cortando o silencio:

- "Onde os cavaleiros irmãos, conhecerão". Quem serão eles? Vocês têm alguma ideia?

- Nenhuma – respondeu Nick – não consigo me lembrar de nenhuma lenda nem nada que fale sobre cavaleiros irmãos.

- "Os dois ligados ao sol terão uma discussão". Será que isso se trata do Pedro e da Lu? – perguntou Manu. Nessa eu fiquei desconfortável. Não era agradável pensar em brigar com meu meio-irmão. Olhei para Pedro e percebi que também tinha uma cara desconfortável, então acho que ele tinha pensado o mesmo que eu.

- "E por causa disso, dois logo sumirão". Por causa de uma briga dois vão sumir? Como pode? – disse Heather.

- Talvez em uma armadilha – sugeriu Nick – talvez seja essa armadilha que foi comentada antes.

- Talvez – falei.

- Bem eu imagino que vocês devem chamar eles quatro para ir com vocês, estou certo? – disse Quíron. Manu e eu assentimos. – Então está bem. Amanhã depois do café vocês partem. A leste só tem mais floresta, então Argus não poderá levá-los. Agora vão descansar um pouco que o almoço vai ser logo. Aproveitem esse dia para descansar. Vocês precisarão. Agora eu tenho que ir indo – disse ele. Então saiu e continuou a sua ronda, eu imagino.

No final da tarde eu estava andando e conversando com Manu e Heather, quando de repente vi Pedro encostado em uma arvore, mas em pé. A luz do sol que passava pelas folhas, batia no seu cabelo e em seus olhos deixando-os mais claros. Pensei que Manu ia adorar ver aquela cena, então disse:
- Olha lá, Manu!

Ela se virou e viu ele lá, e imediatamente ela ficou com os olhos grudados nele, como se aquela fosse a coisa mais bonita que ela já viu na vida. E ficou bem vermelha também. Até que Heather com uma cara de "não estou entendendo nada!" disse:
- Ãn? O que que tem ele?
Olhei para ela com uma sobrancelha levantada e disse:
- O que você acha Heather?

- Ahhh, taaa! Entendi! – disse ela ficando com um sorrisinho maléfico e pegou o meu braço e o de Manu e nos puxou em direção à ele. Percebi que assim que ele viu Manu ele não tirou o olho dela, até que tentava disfarçar um pouco, mas não dava certo. Quando chegamos mais perto ele disse:
- Oi Manu!
- Caham – pigarreou Heather.
- E oi para vocês também Lu e Heather. – disse ele ficando vermelho.

- Oi! –falamos todas juntas.
- Estava fazendo o que ai sozinho? – perguntei.
- Ah, nada de mais, eu estava observando aqui essas flores e plantas e etc.
- Quais? – Perguntou Manu indo para o lado dele para ver para onde ele apontava.
- Aquelas ali. Elas são muito bonitas.

- É, são mesmo. – disse Manu distraída e nem percebeu que Heather tinha ido para o seu lado. Na verdade nem eu tinha percebido, até que ela começou a empurrar Manu para o lado, fazendo com que ela ficasse muito perto de Pedro. Vi que os braços deles chegaram até a se tocar, mas como foi tudo muito rápido não deu para perceber muito bem. Vi que Manu se desequilibrou e quase caiu em cima dele de novo, mas ele a segurou e disse:
- Eita! Ta tudo bem?
- Hã... Ta sim, obrigada – disse Manu, mas antes ela lançou um olhar maléfico para Heather. Que fez uma cara de inocente, como sempre.

Os dois estavam muito vermelhos, mas estavam tão fofos juntos!

De repente ficou tudo escuro, mas logo percebi que era mãos que tapavam meus olhos e que elas estavam sendo cuidadosas, então deduzi que era Nick, mas antes que eu falasse qualquer coisa, a voz que eu esperava que fosse disse:

- Adivinha quem é?
- Nick, eu sei que é você! – disse sorrindo e vermelha.

- Ahhh, estragou. – disse ele em tom de brincadeira. Depois começou a rir, eu o acompanhei e de repente estávamos todos rindo.
Vi que Jack também tinha se juntado a nós e se colocou ao lado de Heather... De novo.

- Ai ai, espero que a nossa missão dê certo no final... – disse Manu, quando ela parou de rir e estava apenas sorrindo.

- É, eu também espero. – disse Jack concordando com sua irmã. - Gente, eu vou indo, tenho que ir arrumando as minhas coisas... – disse Heather se levantando quando foi cortada por Jack que se levantou tão rápido que quase não deu para ver.
- E-eu também tenho que ir. Quer que eu te ajude a arrumar suas coisas Heather?
- Hã... Pode ser... Se você não tiver coisa mais importante para fazer, né?
- Não tenho nada não. Vamos?
Ela assentiu e eles foram.

- Gente, eu acho que eles formam um casal lindo, não acham? - disse Manu.

- Aham! – eu disse. Olhei para os garotos e vi que eles estavam prendendo o riso. Aposto que quando vissem Jack de novo iam contar o que a gente disse...

No dia seguinte, depois do café da manhã, encontramos Quíron na frente da casa Grande. Estávamos todos com mochilas equipadas com tudo o que poderíamos precisar.

- Bem, agora a única coisa que posso fazer é desejar-lhes boa sorte. Espero que tenham sucesso em sua missão – disse ele.

Despedimos-nos dele então e fomos em direção a leste. Passamos pela barreira que fica em volta do acampamento e continuamos a prosseguir pela floresta. Essa ia ser uma missão longa, eu já estava vendo.

Alguns dias depois, já estávamos cansados e desgastados. Desde que partimos, nós encontramos muitas armadilhas. E as vezes tinha duas em um só dia, então estávamos muito cansados.

Já estava escuro, então resolvemos parar para acampar. Nós tínhamos trazido uma barraca bem grande, então, dormíamos todos juntos.

Nessa noite eu não estava conseguindo pegar no sono. De jeito nenhum. Fiquei um bom tempo tentando dormir, até que comecei a ouvir uma voz chamando meu nome. Não era de nenhum dos meus amigos. Era grossa e forte, mas mesmo assim, ainda distante. Percebi que vinha de fora da barraca, então resolvi sair para descobrir de onde vinha a voz.

Levantei em silencio. Todos estavam dormindo. Saí e segui a voz. Andei só um pouco, ainda conseguia ver a barraca de longe. Então parei para escutar a voz novamente, só que ela tinha sumido. Resolvi então voltar para a barraca. Quando me virei, lembro de ter visto uma sombra e depois nada.