Maio 1995

Florence sabia que algo acontecera. Não havia ninguém da Ordem ali na Mansão. Apenas ela, Sirius e Bicuço.

Já passavam das 4 da madrugada. Era a final do Torneio Tribruxo, ou melhor, havia sido, ontem. E ela estava apreensiva. Snape ainda não retornara. Ninguém retornara com qualquer notícia que fosse.

"Ele provavelmente já está dormindo seguro em Hogwarts e eu estou aqui me preocupando... Se duvidar ele deve estar com aquela vaca da Rosmerta."

Florence desceu as escadas, indo à cozinha tomar água. Mas a porta daquele que era o quarto de Snape estava aberta. Ela estranhou.

"Sirius não teria coragem de pôr bosta de hipogrifo no quarto de Severus como ele ameaçara..."

Ela entrou no quarto.

- Severus! – exclamou, correndo até a cama.

Snape estava deitado de roupa, capa e sapatos. Desmaiado. Sangue escorria pelo canto da boca.

- Por Merlin! – Florence sentiu o desespero lhe tomar conta.

O tocou, vendo como ele estava frio. Ela foi ao banheiro, encheu a banheira com água quente e voltou ao quarto, despindo Snape, deixando-o apenas com a cueca.

- Não morra, Severus, por favor... não morra. – murmurava.

Não tinha forças para carregá-lo até o banheiro e esquecera a varinha no quarto, deu graças à Merlin por terem varinhas de núcleos gêmeos e pegou a varinha dele, que funcionou perfeitamente nas mãos dela. Florence levitou Snape até a banheira.

Se ajoelhou ao lado da banheira e com uma esponja macia tratou de limpar os ferimentos que ele tinha no peito e braços, não conseguindo evitar as lágrimas que desciam por seu rosto. Florence deitou a cabeça na beirada banheira, chorando.

Snape acordou, percebendo que estava no banheiro e que Florence estava ao seu lado, aos prantos.

- Se você está assim apenas por causa de uns ferimentos, imagina o dia que eu morrer. – murmurou ele.

Ela ergueu o rosto, vendo os olhos negros abertos a encarando, sérios. Ela sorriu e não ligou para o olhar de advertência que ele sustentava, se atirou sobre ele, beijando-o incontáveis vezes pelo rosto e lábios.

Snape a fez parar.

- Nós temos um acordo. – murmurou ele.

- Foda-se o acordo! – Florence quase gritou. – Eu fiquei tão desesperada... você precisava de ajuda.

- Se eu precisasse de ajuda eu teria ido até Pomfrey. – ele mantinha o tom seco, rude.

Florence sentiu-se apunhalada no peito. Fechou os olhos.

- Seu grande idiota... eu nem sei porquê eu ainda me importo. – ela murmurou, levantando do chão, a frente da camisola encharcada assim como as mangas e partes do robe de algodão.

Florence saiu do quarto, indo à cozinha. Precisava de um chá, qualquer coisa que a acalmasse. Nem mesmo pensar em seu filho adiantaria. Christopher era por demais parecido com o pai para que isso a fizesse sentir menos raiva de Snape naquele momento.

O chá não a acalmou. Precisava distrair a cabeça. Foi para o laboratório de poções. Trabalharia até não se suportar mais em pé.


Snape manteve-se imerso na água quente. A imagem do desespero de Florence em sua mente. Assim como o lampejo de ódio que ele viu cruzar os olhos verdes dela antes que ela saísse dali.

Ele queria se bater, ele merecia apanhar.

Por que diabos viera para a Ordem quando devia ter ido procurar Pomfrey? A resposta era óbvia e estava furiosa com ele naquele momento. Era de Florence que ele precisava. Era ela quem o mantinha são nas sessões de tortura. Era a visão dela todos os dias que o curava das dores. Então por que fora tão cretino ao vê-la desesperada ao lado da banheira? Simples e obviamente porque ele não se sentia merecedor dela.

"Florence acabaria com o mesmo destino de Lily..."

E Snape jamais se perdoaria por ser o assassino dela.

Sentia-se melhor agora, fisicamente. Precisava apenas distrair a cabeça. Saiu da banheira, ligou o chuveiro, tomou um banho, se vestiu e desceu para o laboratório.


Florence sabia que havia cortado as raízes de forma errada. Ela sabia que se colocasse pedaços disformes e daquele tamanho no caldeirão, este explodiria e ela sairia muito machucada. Não queria morrer, tinha um filho para criar, e aquela explosão jamais a mataria, mas ela queria se machucar, se ferir.

"É o que eu mereço por ser uma grande idiota."

Florence fechou os olhos, encheu as mãos de raízes e foi colocá-las todas ao mesmo tempo no caldeirão de poção que já sibilava.

Mas mãos fortes a impediram.

- O que você pensa que está fazendo? – rosnou Snape, furioso, fazendo-a soltar as raízes e virando-a para si, segurando-a pelos pulsos. – Você queria se matar? – ele estava muito bravo.

- Não, eu apenas queria me ferir, para ver se eu aprendo e deixo de ser a idiota que eu sou! – ela sibilou, olhando nos olhos dele.

- Florence, nós temos um acordo!

- Foda-se você e o seu maldito acordo! – Florence soltou seus braços das mãos dele, se afastando, lágrimas desciam por seu rosto. – Chega, não dá mais pra eu continuar. Eu não posso mais, eu não agüento mais. – e ela saiu do laboratório.

Snape esperou que ela voltasse, mas Florence não reapareceu ali. Ele foi atrás dela.

Encontrou-a no quarto dela, fazendo as malas.

- Vai à algum lugar? – ele questionou escorando-se na porta.

- Sai daqui. – ela pediu, chorando. – Por favor, saia.

Ele não pode sair. Ele entrou no quarto, fechando a porta.

- Por que vai ir embora? – ele perguntou, baixo.

- Porque eu não posso mais... não consigo mas não me importar com você. – Florence mantinha os olhos baixos, as lágrimas descendo enquanto fazia as malas. – Eu vou embora, vou cuidar da minha vida e você nunca mais vai ouvir falar de mim.

Snape se aproximou, parando as mãos dela com as suas. Florence o olhou, sentimentos extremos misturados nos olhos verdes.

- Eu não posso deixar você ir. A Ordem precisa de você.

- Ah, claro. A Ordem precisa de mim. – ela sorriu, irônica. – Pois eu não me importo. Tenho coisas mais importantes na minha vida do que a Ordem.

- Eu não quero que você vá.

Florence o olhou.

- Eu não posso ficar... não mais. Vou acabar morrendo de tristeza e desespero se continuar perto de você sem poder... – ela se aproximou dele, os lábios a centímetros. - ... te tocar. – ela sussurrou, roçando os lábios nos dele.

- Flor... – ele murmurou. – Nós temos...

- Se você falar no maldito acordo agora, eu juro, eu vou te bater. – ela o olhou muito séria.

Snape riu e a envolveu pela cintura, tomando os lábios dela nos seus, possessivo. Ele a fez deitar na cama, suavemente, sobre as roupas que ela cuidadosamente dobrara para pôr na mala. Em um movimento da varinha dele, ambos estavam nus. Snape desceu beijos e mordidas pelo corpo dela, torturando-a, deliciosamente.

"Severus..." – Florence gemia, sentindo-o se aproximar de seu centro.

Mas ele voltou a beijá-la nos lábios, um polegar acariciando o seio, a boca indo excitar o outro.

Florence arqueou na cama, abrindo as pernas em reflexo, tentando tocar seus sexos. Ele percebeu a necessidade no corpo da mulher e levou uma mão à entrada dela, dois dedos a acariciando, penetrando-a devagar, torturando-a mais.

Florence tremia levemente de prazer, a pele doce suada, as pernas tentando fazê-lo penetrá-la.

- Severus... mete em mim, agora! – ela arfou.

- Não... eu não tenho pressa... – ele tinha saudade do corpo dela, saudade do cheiro da pele dela, o cheiro inebriante que ficava na própria pele após fazer amor com ela. – Esperei tempo demais para tê-la novamente...

- Esperou porque quis... seu grande imbecil... – ela gemia.

Ele a encarou, um sorriso safado no rosto e desceu beijos pelo abdômen dela, chegando ao centro dela. Florence arfou em desejo. Sabia o que ele ia fazer, ela queria que ele fizesse. E ela quase gritou quando a língua dele acariciou sua entrada, os dedos dele a abrindo mais, a língua habilidosa a penetrando. E Florence sentiu a onda de orgasmo tomar conta de seu corpo. Ela gemeu alto, sentindo-se amolecer, mal registrando os beijos que Snape dava em seu corpo, em direção ao seu rosto. Ele se pôs entre suas pernas, enquanto ela ainda tremia de prazer, e a penetrou completamente de uma única vez.

Ela gritou, sendo levada por outro orgasmo ao senti-lo todo dentro de si, penetrando-a, fazendo seu corpo amolecer. Ela era dele, sempre fora e sempre seria.

Snape a tomou os lábios, iniciando movimentos lentos e profundos. As unhas dela cravadas em suas costas, as pernas envoltas em sua cintura.

Florence gemia em meio aos beijos ininterruptos.

Os movimentos dele se tornavam mais violentos, a razão ia o abandonando. Ela arqueou e ele se enfiou com força dentro dela, sentindo-a apertá-lo, sugá-lo para dentro de si. Ele gemeu, rouco.

- Oh, Severus... – Florence estava perdida nos braços dele, o peso do corpo masculino se movendo sobre si a excitando mais, o toque das peles suadas e quentes. – Mais rápido... – ela precisava sentir a força dele. – Mais fundo... mete.

E ela sentiu o prazer tomar conta de seu corpo, como fogo. O coração batia alto em seus ouvidos, enquanto seu corpo se entregava a mais uma onde se orgasmo. As unhas feriram a pele das costas dele.

Snape retribuiu o toque violento mordendo-a no pescoço, enfiando-se mais dentro dela, aumentando a velocidade das investidas.

Florence gritou, uma onda de prazer junto com outra, ela estava perdendo os sentidos, nada além do corpo dele importava ou existia.

Snape sentiu que não agüentaria mais, ele se moveu mais rápido e o aperto dela se tornou insuportavelmente prazeroso. Ele gozou dentro dela, gemendo rouco em seu ouvido.

Eles não se moveram ou falaram por um tempo, apenas aproveitando a presença um do outro. A respiração quente dele no pescoço dela e o peso sobre seu corpo a fazendo ter a certeza de que não fora um sonho.

Snape se moveu para o lado e deitou na cama, envolvendo-a nos braços, os olhos negros se encontrando com os verdes brilhantes dela. Nenhuma palavra foi dita. Ele acariciou os cachos suados dela e Florence adormeceu em seu peito.


Nota da autora: próximo capítulo será o último.

Bjinhu para Yasmin Potter (pare de bobagem, você sabe muito bem que a Flor não ficaria com o Sirius!).

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