Ataque à Rua da Fiação
Natal
Dezembro 1995
Snape sabia que Florence não estava bem, ela estava com problemas de saúde e Eileen estava cuidando dela.
Era noite de natal e sua mãe havia o convidado pra jantar com elas.
Quando saiu da lareira da biblioteca da casa na Rua da Fiação, Snape ouviu vozes na sala e foi até lá. Florence e Eileen terminavam de arrumar uma bonita mesa posta apenas para duas pessoas.
- Boa noite. – disse ele, entrando na sala.
- Oi, meu filho! – disse Eileen sorrindo e abraçando o filho.
- Oi, Severus. – cumprimentou Florence indo abraçá-lo também, antes de seguir pro andar de cima, devagar.
Snape a observou. Florence parecia doente, estava muito abatida, pálida. Ele a viu entrar no quarto no andar superior, quarto que era seu ali.
- Vamos, Sev, me ajude a terminar de arrumar a mesa. - pediu Eileen, percebendo que o filho observava Florence.
Snape e a mãe sentaram.
- Florence não vai descer para jantar conosco? – perguntou ele.
- Não, meu filho. – suspirou Eileen. – Ela está muito fraca, é melhor que fique deitada, como recomendou Pomfrey.
- Mas o que ela tem?
Eileen hesitou antes de responder:
- Uma doença um tanto desconhecida... não sei explicar ao certo. Nem Poppy sabe. Deve ser uma daquelas doenças trouxas que quando a gente pega pode ser fatal.
Snape percebera a hesitação da mãe assim como a tremida que voz dela dera.
- Você está me mentindo. – disse ele.
- Sim, eu estou. – retrucou Eileen, brava. - Eu não quero que você saiba o que Florence tem, pois não há nada que possamos fazer.
Snape abriu a boca pra dizer algo mas Eileen o impediu:
- Chega, Severus. Vamos jantar tranquilamente e depois eu levarei algo pra Flor comer.
E eles jantaram praticamente em silêncio.
Snape se sentiu vigiado, mas deixou esse sentimento de lado pois ninguém além dele, Eileen e Florence estava ali. Ou assim ele pensava.
Snape não percebeu o par de olhinhos verdes que o observava escondido no peitoral do corredor superior.
Fevereiro 1996
Noite
Snape aparatara para a Rua da Fiação. Ele ficara sabendo há poucos minutos que iriam atacar a rua trouxa em que sua mãe morava. Quando ele chegou, o ataque já havia começado. Correu para a casa, que já estava em chamas, e entrou minutos antes de uma parte do telhado desabar. Ouviu vozes no andar de cima e correu para as escadas, parando logo na metade ao dar de cara com um menino parado no corredor do andar de cima, o encarando.
O menino sorriu pra ele, triste:
- Elas estão no quarto. Mamãe não está bem... – murmurou a criança. – Ela não pode aparatar nem a vovó...
E Snape seguiu o garoto até onde Florence e Eileen estavam.
- Severus! – exclamou Eileen, que estava desesperada. – Temos que aparatar! Florence está perdendo muito sangue! Eu tenho medo que algo aconteça com ela e com o bebê! Eu não consigo levar os dois comigo!
Snape mal registrara as palavras da mãe. Ele mantinha os olhos fixos na figura pálida e imóvel sobre a cama cujos lençóis estavam cheios de sangue, voltando os olhos pelo abdômen proeminente dela.
- Mamãe... – murmurou o menino ao lado da cama.
Snape olhou para a criança, percebendo no pequeno aqueles olhos verdes que ele reconheceria em qualquer lugar, os olhos de Florence.
- Vamos aparatar, Severus! – gritou Eileen. – Agora!
E Snape pegou Florence no colo.
- Segurem-se em mim. – pediu ele.
E aparataram para Hogsmead.
Na casa de Snape
Ele correu com Florence para o quarto, depositando-a sobre a cama.
- Vou ir à Hogwarts, preciso trazer Pomfrey. – disse Snape
- Vá meu filho, eu fico com ela aqui. – disse Eileen, chorando.
Snape olhou mais uma vez para Christopher e correu para a lareira, indo via Floo para o castelo.
Ele voltou em cinco minutos, com a medibruxa.
Pomfrey deu à Florence diversas poções para que ela acordasse e não sentisse dor.
Logo Florence acordou, e a primeira pessoa que seus olhos encontraram foi Eileen.
- Onde eu estou? – murmurou Florence, antes de reconhecer o lugar e um temor cruzar seus olhos. – Não! Ele não pode saber... ele vai me odiar.
- Eu jamais poderia te odiar, Flor! – disse Snape, se ajoelhando ao lado da cama, pegando nas mãos dela. – Eu amo você!
- Não me odeie, por favor... – Florence murmurava, não conseguindo manter os olhos abertos.
- Severus, saia! – disse Pomfrey, séria. – Eu preciso fazer o parto agora.
- Mas ele esta muito fraca! – exclamou Snape.
- Se eu não fizer nada ela e o bebê morrerão! – gritou Pomfrey. – Saia, agora! Eu tenho que salvar o bebê, foi o que Florence me pediu!
- O que? Como? – ele não entendera.
- Florence sabia que era uma gravidez de risco, meu filho. – explicou Eileen, fungando. – Ela quis levá-la adiante mesmo com os avisos de Poppy.
- Florence sabia que ela poderia morrer no parto, ela me pediu pra salvar Elizabeth. – terminou Pomfrey. - Agora, saia!
- Florence vai...? – Snape gaguejou. – Não! Pomfrey você tem que fazer algo!
- Eu farei o que eu puder, Severus! Saia daqui! – gritou a medibruxa. – Leve Chris com você!
- Vá Chris, querido. – pediu Eileen.
E os dois saíram para o corredor. Ambos em silêncio. O menino voltou a chorar.
- Minha mamãe vai morrer... o que será de minha irmãzinha e de mim?
Snape não sabia o que fazer. Fez cálculos rápidos na cabeça, mas que nem precisavam ser feitos. Estava explicado o sumiço de Florence, o motivo que a levou a ir para a França e não voltar por três anos.
- Por que Flor não me disse nada? – murmurou Snape, perdido nas semelhanças entre ele e o menino.
- Mamãe disse que teve medo. – murmurou Chris. – Medo de que você não me quisesse.
- Mas como eu poderia não te querer? – disse Snape, se aproximando do menino.
- Por causa da guerra. Você também não ficou sabendo da vinda de Liz por causa da guerra... – o menino soluçava. – E mamãe também falou sobre um acordo...
O acordo. Snape gelou. O combinado de um não saber nada sobre a vida do outro. O maldito acordo de palavra. Ele queria se bater, mais uma vez.
- Como eu fui um idiota! – exclamou Snape, abraçando a criança que chorava.
E um choro alto de bebê cortou o ar. Ele e Christopher entraram no quarto vendo a pequena Elizabeth sendo passada para os braços de Eileen que chorava. Florence estava imóvel na cama.
Snape sentiu o coração parar e se aproximou.
- Pomfrey, como ela está? – perguntou ele, a voz saindo fraca.
- Mal, Severus. Ela perdeu muito sangue. – disse a medibruxa.
- Ela vai se recuperar, não vai? – perguntou ele, com medo.
- Não. Ela não tem mais do que alguns minutos... – terminou Pomfrey.
Snape se sentiu fraquejar e caiu de joelhos ao lado da cama, olhando fixamente para Florence.
Florence acordou, mal abrindo os olhos.
- Chris... Christopher... – ela sussurrou.
- Aqui, mamãe. – o menino chorava e sentou na cama ao lado dela.
- Meu lindo... você viu sua irmã? Promete pra mamãe que vai cuidar dela? Que você nunca vai culpá-la, nunca vai brigar com ela por eu ter... – Florence ofegou, buscando forças para continuar falando. – Porque eu daria minha vida por você, assim como estou dando por ela. Promete pra mim?
- Eu prometo, mamãe. – murmurou Christopher, deitando sobre o peito da mãe.
- Severus... – murmurou Florence, olhando para ele. – Me perdoe, não me odeie. Cuide deles pra mim, por favor. Ajude Eileen...
- Eu jamais odiaria você, Flor! – exclamou Snape, chorando, pegando nas mãos dela. – Não morra... por favor, não morra!
- Prometa, Severus. Prometa que irá cuidar deles! – tentou gritar Florence, não conseguindo.
- Eu prometo. Eu lhe dou minha palavra.
- Liz... onde ela está? Deixem-me ver minha filha... – pediu Florence. Eileen trouxe a pequena bebê para perto dela e Florence beijou a cabeça da filha, sorrindo ao ver os olhos negros da pequena e não se moveu mais.
E assim, Florence se foi.
Epílogo
Snape sobreviveu a Grande Guerra.
Ele lutou e sobreviveu. Por seus filhos.
Ele prometera cuidar deles. Ele não podia falhar com Florence novamente, já falhara com ela em vida, não podia falhar agora.
Ele havia prometido à ela, havia dado sua palavra.
Nota da autora: fic pequena e triste, minha primeira angst com morte de personagem.
Espero que tenham gostado.
Obrigada pelas reviews, sei que não é todo mundo que curte fic triste: Yasmin Potter e Alice's Doll.
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